quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SEMANA MUSICAL DE MAFRA




 
 
A Câmara Municipal de Mafra e a cultur’canto associação cultural, co-organizam a primeira edição do in’Musica-Semana Musical de Mafra, no âmbito do programa incant’arte 2015. Um evento que conta com o apoio do Palácio Nacional de Mafra e da Escola das Armas. Este evento vai realizar-se no majestoso Palácio e Convento Nacional de Mafra, que se situa a cerca de 25 quilómetros de Lisboa. Monumento este, cujas obras da sua construção se iniciaram em 1717 por iniciativa do rei D. João V de Portugal (1689 - 1750), em virtude de uma promessa que fizera no caso da sua esposa, a rainha D. Maria Ana de Áustria (1683 - 1754), lhe dar descendência. Concebido inicialmente como um pequeno convento para 13 frades, o projeto para o Real Convento de Mafra foi sofrendo sucessivos alargamentos, acabando num imenso edifício de cerca de 40.000 metros quadrados, com todas as dependências e pertences necessários à vida quotidiana de 300 frades da Ordem de S. Francisco. Foi preocupação de D. João V garantir o sustento do convento, pagando as despesas do seu bolso. Assim, eram dadas propinas a cada frade duas vezes por ano, no Natal e no São João. Ocupado pelas tropas francesas e depois inglesas na época das Guerras Peninsulares, o Convento foi incorporado na Fazenda Nacional quando da extinção das ordens religiosas em Portugal, a 30 de Maio de 1834, desde 1841 até aos nossos dias, foi sucessivamente habitado por diversos regimentos militares, sendo desde 1890 sede da Escola Prática de Infantaria. De destacar como espaços conventuais mais significativos o Campo Santo e a Enfermaria para além da Sala Elíptica ou do Capítulo, a Sala dos Actos Literários (Exames), a Escadaria e o Refeitório, estes últimos hoje pertencentes à Escola das Armas e visitáveis sob marcação.

 
 
                                                                Rei D. João V 1689 - 1750 (col. priv.)


                             Obras de construção do palácio e convento de Mafra em meados do séc. XVIII (col. pess.)


                                          Enfermaria do hospital dos monges do convento de Mafra (arq. priv.)


                                                    Sala dos Actos do convento de Mafra (arq. priv.)


Sala eliptica do convento de Mafra (foto Alvaro Campeão)
 

                                                Refeitório dos frades do convento de Mafra (arq. priv.)


Edifício da Escola das Armas em Mafra (arq. priv.)


                                                            Atividade da Escola das Armas em Mafra (arq. priv.)


 
Deste monumento faz pare a Basílica, que ocupa a parte central do edifício, ladeada pelas torres sineiras. Foi feita segundo o desenho de João Frederico Ludovice (1673 - 1752), ourives de origem alemã que, após a sua longa permanência em Itália, a concebeu ao estilo barroco italiano. Tem a forma de cruz latina com o comprimento total 58,5 m e 43 m de largura máxima no cruzeiro, sendo toda em pedra da região de Sintra, Pêro Pinheiro e Mafra, e madeiras vindas do Brasil. O zimbório, com 65 m de altura e 13 m de diâmetro, foi a primeira cúpula construída em Portugal. De destacar ainda a escultura italiana de encomenda real, a mais significativa coleção de escultura barroca existente fora de Itália e o conjunto único de seis órgãos históricos encomendados pelo rei  D. João VI (1767 - 1826), aos organeiros Machado Cerveira e Peres Fontanes, em substituição dos primitivos que estavam degradados. Conta ainda esta Basílica com diversas obras de arte religiosa de grandes mestres pintores e escultores italianos da época barroca. A Basílica de Mafra foi consagrada a 22 de outubro de 1730.
O Paço Real ocupa todo o andar nobre do edifício de Mafra e os dois torreões, sendo o do Norte destinado a Palácio do Rei e o do Sul à Rainha, ligados por uma longa galeria de 232 m – o maior corredor palaciano na Europa – usada para o "passeio" da corte, tão ao gosto do séc. XVIII. Aqui se esperavam as audiências reais, se exibiam as joias e os vestidos ou se teciam as intrigas políticas e amorosas…
O Palácio do Rei e o da Rainha funcionavam separadamente, cada um com as suas cozinhas na cave, as despensas e ucharias no piso térreo, os quartos dos camaristas ou das damas no 1º piso, os aposentos reais no piso nobre e os criados nos mezaninos (sótãos). Para os príncipes estava destinado um palacete na extremidade nordeste do edifício e para as princesas outro a sudeste. Ambos funcionavam também separadamente. O palácio possui ainda dois carrilhões, mandados fabricar em Antuérpia e em Liège por D. João V, com um total de 98 sinos que pesam mais de 200 toneladas e constituem um dos maiores carrilhões históricos do mundo. Situada ao fundo do segundo piso, a biblioteca é a estrela do palácio, rivalizando em grandiosidade com a biblioteca da abadia de Melk na Áustria. Construída por Manuel Caetano de Sousa (1742 - 1802), tem 88 metros de comprimento, 9,5 metros de largura e 13 metros de altura. O magnífico pavimento é revestido de mármore rosa, cinzento e branco. As estantes de madeira em estilo rococó, situadas em duas filas laterais e separadas por um varandim, contêm milhares de volumes encadernados em couro, testemunhando a extensão do conhecimento ocidental dos séculos XIV ao XIX. Entre eles, muitas joias bibliográficas. Estes volumes magníficos foram encadernados na oficina local, também por Manuel Caetano de Sousa. Primitivamente decorado com tapeçarias flamengas, tapetes orientais e mobiliário para aqui encomendado, o Paço irá sofrer uma profunda modificação na época de D. João VI que encomenda uma campanha de decoração mural em várias salas, sob a responsabilidade de Cyrillo Volkmar Machado (1748 - 1823). Muitas dessas tapeçarias, quadros e mobiliário serão levadas pela Família Real para o Brasil em 1807, de onde não regressaram. Esta organização dos espaços manteve-se até à morte do rei consorte D. Fernando de Saxe-Coburgo, marido da rainha D. Maria II, quando toda a Família Real passou a habitar apenas o torreão e a ala sul, ficando o torreão norte reservado a hóspedes importantes que visitavam Mafra. A ala sul foi sofrendo algumas obras pontuais e de decoração, nomeadamente quando do casamento do rei D. Pedro V e D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, no reinado de D. Luís e D. Maria Pia de Sabóia e de D. Carlos e D. Amélia de Orleães. Foi também no torreão sul, que o rei D. Manuel II passou a última noite no reino, de 4 para 5 de Outubro de 1910, antes de partir para o exílio. Classificado como Monumento Nacional em 1910, foi um dos finalistas para uma das Sete Maravilhas de Portugal a 7 de julho de 2007.
 


                                            Palácio e convento de Mafra em pintura do século XVIII (col. priv.)

 
Interior da Basílica de Mafra durante um concerto de órgão (arq. priv.)
 

           Aspetos dos órgãos da Basílica de Mafra (arq. priv.)
                                                          

                                                  Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                                               Sala do trono no Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                                        Torre sineira com o carrilhão do Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                                              Sinos do carrilhão do Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                              Aspeto de aposento real no Palácio Nacional de Mafra ao gosto do séc. XIX (arq. priv.)


                                    Salão amarelo do Palácio Nacional de Mafra ao gosto do séc. XIX (arq. priv.)


                                     Aspeto do Palácio e Convento Nacional de Mafra na atualidade (arq. priv.)


                                                  Vista aérea do Palácio e Convento Nacional de Mafra (arq. priv.)
 
 
 
Deixe-se encantar pela riqueza da música ao longo da história nos espaços exclusivos do Palácio - Convento de Mafra, produzindo um equilíbrio harmónico nunca explorado...! O in’Musica chega de 27 a 29 de novembro a Mafra, com um programa musical inédito e sublime, que se destaca pela qualidade dos músicos e diversidade do ciclo de concertos temáticos proposto, explorando vários estilos e estéticas musicais em diferentes períodos da história. Viva momentos de profunda reflexão sobre o significado da música erudita, num lugar majestoso e mágico…
O in’Musica tem como principais objetivos a valorização cultural e musical de Mafra, ao dinamizar os espaços históricos do Palácio-Convento através da prática musical de qualidade; pretende refletir sobre a profundidade da música erudita, produzida ao longo da história; ser uma plataforma colaborativa entre artistas e intérpretes, dedicada ao desenvolvimento coletivo da música erudita em Portugal, nas suas múltiplas vertentes, posicionando-se como um evento musical de referência nesse contexto.

 
 

 
 
Porque Mafra é Música! Não perca!
 
 
Os concertos são de acesso gratuito, mas limitados à lotação das salas. Efetue a sua reserva para confirmar o seu lugar e dirija-se ao local do espetáculo até 20 minutos antes do seu início. A entrada para a Sala Elíptica e Sala dos Actos faz-se pela ala sul do Convento de Mafra, junto à Escola das Armas. A entrada para a Capela do Campo Santo faz-se pelo Palácio Nacional de Mafra (ala norte).

 
 
Informações e reservas:
919 580 569 | producao@incantarte.com | geral@culturcanto.com






Texto:
Paulo Nogueira e incant’arte

 
Fontes e bibliografia:

GOMES, Joaquim da Conceição. Descrição minuciosa do monumento de Mafra, ideia geral da sua origem e construção e dos objetos mais importantes que o constituem. Segunda edição, correta e aumentada com muitas notas e com uma notícia de Sintra, seus edifícios e arredores. Imprensa Nacional, Lisboa, 1871.
Sítio PNMAFRA