segunda-feira, 3 de agosto de 2015

EFEMÉRIDES



   3 de Agosto de 1492, a primeira viagem de Cristóvão Colombo





 

Foi na noite de 3 de Agosto de 1492, que Cristóvão Colombo (1451–1506), içou velas a partir da cidade portuária de Palos de la Frontera em Espanha, para iniciar a sua primeira viagem em busca do caminho marítimo para as Índias, a terra do ouro e das especiarias. Dois meses depois, chegará ao Novo Mundo. Essa viagem foi iniciada com três navios, uma nau maior, designada de Santa Maria, apelidada de Gallega, com cerca de 25 metros de comprimento por oito de largura, 102 toneladas e um mastro principal com 23 metros, era a maior embarcação da frota. A bordo deveriam seguir cerca de 40 marinheiros. Juntamente duas caravelas mais pequenas, designadas de Pinta e Santa Clara, esta última apelidada de Niña em homenagem a seu proprietário Juan Niño de Moguer. Mas foi em Portugal que Cristóvão Colombo começou a conceber o seu projeto de viagem para o Ocidente, inspirado pelo ambiente febril de navegações, descobrimentos, comércio e desenvolvimento científico, que converteram a cidade de Lisboa da segunda metade do século XV, num rico e ativíssimo porto marítimo e mercantil de dimensão internacional, e por sua vez Portugal no País dos mais audazes, melhores e experientes marinheiros, com os maiores conhecimentos náuticos da época. Sobre Cristóvão Colombo, não existiu qualquer controvérsia sobre a origem italiana do navegador até ao final do século XIX, quando surgiram as hipóteses mais díspares. Entre outras teorias ainda mais absurdas, tentou-se fazê-lo natural da Córsega. No final desse século, Garcia de la Riegla, de Pontevedra, na Galiza, publicou uma série de documentos que apresentavam nomes de pessoas da região e de raça judia da primeira metade do século XV com os mesmos nomes da família de Colombo - a despeito destes apenas serem conhecidos através da documentação genovesa - que supostamente teriam imigrado para Génova após o nascimento de Colombo. Surgiu ainda a tese de que Cristóvão Colombo teria origens portuguesas e nascido em Cuba no Alentejo. Apesar de tudo, Cristóvão Colombo, filho de um tecelão genovês, tornou-se navegador por necessidade, com a falência da empresa do pai, descobriu no comércio marítimo um novo meio de vida. Não se conhece no entanto qualquer documento dos arquivos portugueses que mencione o navegador. O único documento em português que o refere é um suposto salvo-conduto do rei D. João II datado de 1488 e guardado no Arquivo Geral das Índias, cuja autenticidade é, no entanto, duvidosa. O registo da presença de Colombo em Portugal é estabelecido a partir das biografias escritas pelo seu filho Fernando e pelo cronista e teólogo Bartolomeu de las Casas, assim como do Documento Assereto, que assinala a sua presença em Lisboa e na Madeira no Verão de 1478, indicando a sua intenção de se deslocar para Lisboa em Agosto de 1479. Em todo o caso, supõe-se que Colombo tenha vivido cerca de nove anos em terras de Portugal, entre 1476 e 1485, para onde terá vindo aos vinte e cinco anos, ao atingir a maioridade. Este período da sua vida resume-se às suas viagens, ao casamento, e ao grande projeto que começou a acalentar. Em 1477, estabeleceu-se em Lisboa, junto com o seu irmão Bartolomeu, que era cartógrafo. O grandioso projeto de Colombo, terá surgido não de forma repentina, mas gradual, provavelmente em colaboração com o seu irmão Bartolomeu. Após o processo de formação e maturação, o projeto tinha por objetivo atravessar o Oceano Atlântico, único conhecido à época, em direção à Ásia.




 Um dos retratos de Cristóvão Colombo 1451–1506
(col. Metropolitan Museum New York)



 
     Vista geral de Lisboa em meados de 1572, com o ambiente que Cristóvão Colombo conheceu (col. priv.)
                    
                                                                                                 
 
Lanterna esférica de sinalização marítima idêntica às da época
de Cristóvão Colombo (col. pess.)



                                        Embarcações portuguesas da época dos descobrimentos que Cristóvão Colombo conheceu, 
                                             extrato de ilustração das Tábuas dos Roteiros da Índia de D. João de Castro (col. priv.)
 
 

     
                                                                  Astrolábio do séc. XV (col. priv.)




                            Casa museu onde terá vivido Cristóvão Colombo na Ilha do Porto Santo, Madeira (arq. pess.)



 
O historiador norte-americano Vignaud tentou demonstrar que Colombo apenas procurava alcançar umas distantes ilhas do Atlântico, mas não chegar às Índias, tendo alterado por isso o projeto, após as descobertas que fez. Esta tese é normalmente descartada pelos historiadores colombinos de maior competência, já que para descobrir umas simples ilhas não era necessário negociar de forma tenaz com monarcas, promover opiniões de sábios e técnicos, exigindo honras e compensações tão exorbitantes. Tratava-se pois, de uma empresa nova, arriscada e de importância bem maior que uma comum expedição. Segundo conta o seu filho Fernando, o pai Cristóvão Colombo, começou por pensar que se os portugueses navegavam já tão grandes distâncias para o sul, poderia fazer o mesmo para o oeste, enumerando os fatores que o fizeram pensar na existência de terras a ocidente como a esfericidade da Terra e as leituras de autores clássicos, como Aristóteles, Estrabão e Plínio que afirmavam a curta distância entre a Espanha e África, e a Índia. O mais provável, no entanto, é que não se tenha inspirado nesses autores, mas sim que os tenha lido depois, por forma a fundamentar o seu projeto. Os supostos papéis do sogro que a sogra Isabel Moniz, lhe terá entregue, teriam juntado indícios materiais, como troncos de árvores e cadáveres de espécies desconhecidas arrastados pelo mar. Assim como as notícias que obteve de marinheiros que afirmavam ter encontrado terras a oeste e as várias tentativas para descobrir supostas ilhas do Atlântico, comuns por aqueles anos. Colombo observou nas suas viagens e permanências nas ilhas atlânticas estes indícios, assim como as condições dos ventos e correntes marítimas, adquiriu as noções para reconhecer a proximidade de terra firme e as rotas mais favoráveis, tudo o que terá aprendido com a experiência portuguesa.




                                  Cristóvão Colombo com o globo terrestre idealizando o seu projeto (col. priv.)

 


                                     Mapa de Colombo, oficina de Bartolomeu e Cristóvão Colombo, Lisboa, de 1490
                                                                                       (col. Bibliothèque Nationale de France, Paris)
 
 
 

Cristóvão Colombo propôs a D. João II rei de Portugal essa empresa, o projeto de alcançar as Índias pelo Atlântico em 1484, mas o soberano português rejeitou a proposta, Colombo apresentou o mesmo projeto à coroa de Espanha, em 1485, que apesar de alguns entraves é aceite. Economicamente debilitada pela expulsão dos mouros e dos judeus, a Espanha precisava urgentemente de novas fontes de riqueza. Até mesmo a vaga perspetiva de encontrar ouro no novo caminho marítimo era bem-vinda, dai ter sido aceite e financiado este projeto da sua viagem junto dos Reis Católicos, após a conquista de Granada, com a ajuda do confessor da rainha Isabel de Castela. Os termos da sua contratação tornavam-no almirante dos mares da Índia a descobrir e governador e vice-rei das terras do Oriente a que se propunha chegar, em competição com os portugueses que exploravam a Rota do Cabo. Alguns historiadores têm procurado demonstrar que o navegador mentia propositadamente a Castela para ajudar Portugal e que tinha a igualmente ajuda do mercador, navegador, geógrafo e cosmógrafo italiano Américo Vespúcio (1454 -1512), ao serviço do Reino de Portugal e de Espanha, nessa missão.
As embarcações utilizadas por Cristóvão Colombo, eram propriedade de Juan de la Cosa e dos irmãos Pinzón (Martín Alonso e Vicente Yáñez), mas os monarcas espanhóis forçaram os habitantes de Palos, que caíra em desgraça junto à coroa por pagamento irregular de impostos, a contribuir com as três embarcações para a expedição. Cristóvão Colombo navegou inicialmente nessa noite de 3 de Agosto de 1492, para as ilhas Canárias, que eram propriedade espanhola, onde reabasteceu as provisões e fez reparos.




                                                       D. João II rei de Portugal 1455-1495 (col. priv.)



  Apresentação de Cristóvão Colombo aos reis católicos Fernando II de Aragão e à rainha Isabel I de Castela,
 por Emanuel Gottlieb Leutze (col. priv.)



Cristóvão Colombo no conselho de Salamanca em 1487 expondo os seus planos do projeto (col. pess.)


 
Américo Vespúcio 1454 -1512 (col. pess.)





                                                              Aspeto do porto de Palos em meados do séc. XV (col. priv.)



    As três embarcações de Cristóvão Colombo, Santa Maria, Pinta e Niña (col. priv.)

 
 

A 6 de Setembro, partiu de San Sebastián de la Gomera, para o que acabou por ser uma viagem de cinco semanas através do oceano. A terra foi avistada às duas horas da manhã de 12 de Outubro de 1492, por um marinheiro chamado Rodrigo de Triana (também conhecido como Juan Rodríguez Bermejo) a bordo da Pinta. Cristóvão Colombo chamou a ilha descoberta San Salvador, (atual Bahamas), enquanto os nativos a chamavam Guanahani. Exatamente qual era a ilha nas Bahamas, é um assunto não resolvido nem esclarecido. As candidatas principais são Samana Cay, Plana Cays e San Salvador (assim chamada em 1925, na convicção de que era a San Salvador de Colombo). Os indígenas que ai encontrou, os lucaians, taínos ou aruaques, eram pacíficos e amigáveis. Em 11-12 de Outubro de 1492, Cristóvão Colombo escreveu no seu diário de bordo: "Pode ser que esta seja a minha última anotação; que eles lancem à água o diário de bordo. Talvez eles o esqueçam e, um dia, a rainha saberá que eu não era um fantasista, um sonhador fora da realidade. Eu vi uma luz. Como se alguém movimentasse uma tocha".
Convencido de que havia chegado ao planejado destino, batizou a nova terra de Índias Ocidentais e com a permissão da coroa espanhola tomou posse de tudo como "vice-rei". No livro Os Nascimentos, de 2010, o escritor uruguaio Eduardo Galeano descreveu assim a chegada de Colombo ao então designado Novo Mundo: "Cai de joelhos, chora, beija o solo. Avança tremendo, pois há mais de um mês dorme pouco ou nada, e a golpes de espada derruba uns arbustos. Depois, ergue o estandarte. De joelhos, os olhos no chão, pronuncia três vezes os nomes de Isabel e Fernando. Ao seu lado, o escrivão Rodrigo de Escobedo, homem de letra lenta, levanta a ata. Tudo pertence, desde hoje, a esses reis distantes: o mar de corais, as areias, os rochedos verdíssimos de musgo, os bosques, os papagaios e esses homens de barro que ainda não conhecem a roupa, a culpa, nem o dinheiro, e que contemplam, atordoados, a cena. (...) Em seguida, correrá a voz pelas ilhas: 'Venham ver os homens que chegaram do céu!'".



                                            Desembarque de Cristóvão Colombo em São Salvador  (col. priv.)



                                                Representação do primeiro desembarque em terra de Cristóvão Colombo na América
                                                       por Dióscoro Teófilo Puebla Tolín, 1862 (col. Museo del Prado Madrid Espanha)



Primeiros contatos de Cristóvão Colombo com os indígenas (col. priv.)
   

 

Cristóvão Colombo escreveu no seu diário, do dia 12 de outubro de 1492: "Acredito que os nativos me consideram um deus, e os navios são para eles monstros que emergiram do fundo do mar durante a noite. A aparência deles igualmente surpreende-nos, porque são diferentes de todas as raças humanas que vimos até agora. Sem dúvida, são bondosos e pacíficos. Acredito que não conhecem o ferro. Eles tampouco sabiam o que fazer com as nossas espadas".
A falta de defesa provou-se fatal para os nativos. Cristóvão Colombo não encontrou nem ouro, nem outras mercadorias. Para poder apresentar um êxito à coroa espanhola, decidiu escravizar a população da ilha. No mesmo diário de 12 de Outubro de 1492, anotou: "Levarei seis desses homens na viagem de volta, para apresentá-los ao rei e à rainha. Eles devem aprender a nossa língua"
Colombo também explorou a costa nordeste de Cuba, onde viriam a desembarcar em 28 de Outubro (segundo os próprios cubanos o nome é derivado da palavra Taíno, "cubanacán", significando "um lugar central"), e o litoral norte de Hispaniola, em 5 de Dezembro. Foi aqui, que a nau Santa Maria terá encalhado na manhã do Natal de 1492 e teve de ser abandonada. Colombo foi recebido pelos nativos e o cacique nativo Guacanagari, que lhe deu permissão para deixar alguns de seus homens para trás; deixou 39 homens e fundou a povoação de La Navidad, no local da atual Môle Saint-Nicolas, Haiti. Antes de regressar a Espanha, Colombo também sequestrou entre 10 a 25 nativos levando-os com ele, destes apenas sete ou oito dos índios nativos chegaram a Espanha vivos, vindo a causar forte impressão em Sevilha. No entanto esses seis indígenas iniciais, transformaram-se em centenas de milhares. No final da conquista espanhola, a população das Índias Ocidentais estava dizimada. Entretanto, a posição de Cristóvão Colombo foi fortemente contestada na corte, não sendo vista com bons olhos a excessiva autonomia da sua ação nas terras do designado Novo Mundo. De fato, a administração de Colombo falhara rotundamente, pois nunca conseguira impor uma ordem estável nas possessões do Novo Mundo, em que os tumultos violentos se sucediam; além disso, ele usava com frequência de uma incompreensível severidade para com os colonos. Deste modo, foi afastado por um enviado dos monarcas, preso e embarcado para Espanha em 1500. Colombo realizaria mais três viagens ao Novo Mundo, sem saber que não se tratava da Índia, mas sim, do continente que um cartógrafo alemão, Martin Waldseemüler (1475-1522), viria a batizar a partir de 1507, com o nome do navegador italiano Américo Vespúcio: América.
Cristóvão Colombo faria uma quarta viagem a além-Atlântico dois anos depois, mas, desprovido de títulos e de honras, morreria em Valladolid em 1506. Até ao fim dos seus dias, Colombo permaneceu convicto de que atingira a Ásia, pensando que Cuba, o território mais extenso que descobrira, era o continente. O seu lugar na História, porém, é ainda maior do que esse, pois associa-se à descoberta da América pela Europa moderna com o início da primeira viagem há precisamente 523 anos.




    Cristóvão Colombo e seus homens são recebidos pelos habitantes da Ilha de Hispaniola (col. priv.)



                                                 Carta náutica da ilha de Hispaniola e Porto Rico (col. priv.)



Construção do forte e torre no povoamento de La Navidad por Cristóvão Colombo (col. pess.)
   


                                                  Ataque á torre de La Navidad por indígenas (col. priv.)




      Receção feita pelos reis católicos a Cristóvão Colombo em Barcelona após a descoberta da América (col. pess.)



                                                                      Cristóvão Colombo, gravura de Johann Theodor DeBry,
                                                                                                        século XVI (col. priv.)

 







                                                         Martin Waldseemüller 1475-1522  (col. priv.)



                                        Mapa Universalis Cosmographia, de Waldseemüller's, 1507 (col. priv.)



Mapa da América por Joducus Hondius de 1606 (col. pess.)


 


                                            Globo terrestre com a América do norte, central e do sul (arq. priv.)





 


Texto:
Paulo Nogueira





Fontes e bibliografia:

MONTEIRO, Jacinto. "Passagem de Colombo por Santa Maria". in revista Ocidente, vol. LVIII, Lisboa, 1960.
MONTEIRO, Jacinto. "O Episódio Colombino da Ilha de Santa Maria, nas suas Implicações com o Descobrimento da América". in revista Insulana, vol. XXII, 1º e 2º semestres, 1966, p.37-126.
GALEANO, Eduardo, Os Nascimentos, 2010
 
 
 
                   



sexta-feira, 17 de julho de 2015

A TORRE DOS CLÉRIGOS







Considerada por muitos como o ex-libris da cidade do Porto, a Torre dos Clérigos é uma torre sineira que faz parte da igreja da Irmandade de São Pedro dos Clérigos, no alto da Calçada da Natividade (actual Rua dos Clérigos), situada no coração da Baixa do Porto. A igreja começou a ser construída em 1732, por iniciativa da Irmandade dos Clérigos, ficando concluída em 1749 e a torre em 1763. O projecto da Torre dos Clérigos foi aprovado em 1731 e, no ano seguinte, teve lugar a cerimónia de colocação da primeira pedra, isto depois de diversas diligências acabam por conseguir que lhe fosse dado um terreno no local,  junto do cemitério onde eram enterrados os enforcados e que ficava já fora de portas. Esta torre foi a última construção do conjunto dos Clérigos, dos quais fazem parte a igreja e uma enfermaria. Foi iniciada a sua construção entre 1754 e 1763, tendo em conta o aproveitamento do terreno que sobrara para a instalação da designada enfermaria dos Clérigos.  As obras arrastaram-se por vários anos, durante os quais o projecto inicial foi sendo alterado e adaptado. A Torre dos Clérigos, foi projectada e desenhada pelo italiano Nicolau Nasoni (1691-1773), que trabalhou em Siena, onde terá adquirido a sua formação de base. À passagem por Roma, seguiu-se uma estadia na Ilha de Malta, onde trabalhou para o grão-mestre D. António Manuel de Vilhena, vindo a conhecer aí também, Roque Távora e Noronha, irmão do Deão (líder do chefe do Colégio de Cardeais) da Sé do Porto, D. Jerónimo. Foi assim, com certeza, que Nasoni acabou por ser convidado para se mudar para o Porto, onde já estava em 1725, a trabalhar na Sé, edifício onde deixou a sua marca. O projecto inicial da Igreja e Torre dos Clérigos, sob encomenda de Dom Jerónimo de Távora Noronha Leme e Cernache a pedido da Irmandade dos Clérigos Pobres, previa a construção de duas torres e não de uma apenas, isto porque segundo alguns registos da época, começou a faltar verba e ainda a obra ia a meio. O seu arquitecto, Nicolau Nasoni, contribuiu durante muitos anos para a construção da grande Torre dos Clérigos sem receber nada em troca, o que só viria a acontecer alguns anos mais tarde, quando Nicolau Nasoni foi admitido como irmão, vindo a fazer assim parte desta Irmandade em reconhecimento  do trabalho prestado. De salientar que Nicolau Nasoni após a sua morte em 1773, aos 82 anos, viria a ser sepultado na cripta da Igreja dos Clérigos, pela Irmadade que anos antes o tinha admitido como membro. A construção da igreja colocava alguns problemas interessantes, a que Nicolau Nasoni soube responder com soluções criativas e inegavelmente eficazes. Uma das dificuldades maiores prendia-se com o formato do lote do terreno, longo mas estreito. Para tirar pleno partido desta situação, Nicolau Nasoni rejeitou a fórmula tradicionalmente usada em Portugal de colocar as torres na fachada e remeteu-a antes para as traseiras, libertando assim espaço na frente da igreja. De recordar que o projecto original incluía duas torres, solução depois substituída por uma só torre. Ao mesmo tempo, a inclinação da rua (hoje) dos Clérigos, confere uma grande verticalidade à fachada, efeito sublinhado pela rotação do seu eixo em relação à rua. Por fim, Nicolau Nasoni conferiu à torre enorme altura, 76 metros, e decorou-a com grande variedade de formas, atribuindo-lhe o protagonismo do conjunto. A conjugação de todos estes factores dá lugar a um incontornável efeito de monumentalidade.





                                                       Desenho da Igreja e Torre dos Clérigos por Gerard Michel 2012 (arq. priv.)


                                       

Planta da Igreja, enfermaria e Torre dos Clérigos por Gerard Michel (arq. priv.)
                               



                                                            Nicolau Nasoni 1691-1773 (col. priv.)





                                       Desenho e planta da Torre dos Clérigos e do seu campanário (arq. priv.)



  Gravura de Teodoro de Sousa Maldonado in Descripção Topographica e Historica da Cidade do Porto de 1789 (col. priv.)




Detalhe da gravura de Teodoro de Sousa Maldonado da Torre dos Clérigos
e cidade do Porto em finais dos séc. XVIII (arq. priv.)




                               Gravura e legenda com vista geral da cidade do Porto de finais do séc. XVIII (col. priv.)




A originalidade do projecto mantém-se no interior da igreja. Aqui, ao corpo rectangular da fachada segue-se a nave única de planta oval, solução rara no contexto da arquitectura portuguesa na época. Na verdade, a nave é composta por duas paredes separadas por um corredor. A parede exterior faz com que, quando vista de fora, a nave pareça um polígono alongado de lados menores arredondados. Pelo contrário, a parede interior corresponde a uma verdadeira elipse, verticalmente ritmada pela utilização de grandes pilastras de ordem compósita, entre as quais se abrem portas, janelas e altares. A capela-mor é retangular e liga o corpo da igreja à casa dos clérigos, por sua vez ligada à torre, último elemento desta progressão de volumes cada vez mais estreitos, acompanhando a definição do terreno. O granito profusamente decorado cobre a fachada principal e a torre, enquanto nas fachadas laterais é apenas usado para elementos estruturais (pilastras e entablamento), portas e janelas. Assim se estabelece uma hierarquia visual de volumes. No interior da igreja, a decoração é rica e abundante em efeitos policromos, conjugando-se a pedra com a talha dourada e a pintura. A torre toda ela construída em granito e mármore, com multiplicados campanários com doze sinos, alguns dos quais segundo fontes da época, pesando de "cem até duzentas arrobas". Estes primeiros sinos foram encomendados em Hamburgo e Braga, tendo sido o seu custo, com transporte, segundo registos da época de 790.477 reis. A Torre dos Clérigos em estilo vincadamente barroco, é  decorada com esculturas de santos, fogaréus, cornijas bem acentuadas e balaustradas. Constituída  por seis andares e 76 metros de altura, a que se tem acesso por uma escada em espiral com 240 degraus. Foi considerada à época da sua construção, o edifício mais alto de Portugal e até da Europa, excedendo as de Bristol, Utreque, Amburgo, Riga e Bolonha. A espessura das paredes do primeiro andar, em granito, chega a atingir os dois metros. Destacam-se as janelas abalaustradas  do último andar, este mais comprimido e decorado, e os quatro mostradores do relógio um em cada face. O primeiro andar apresenta uma porta encimada pela imagem de São Paulo, tendo por baixo, gravado num medalhão, um texto de São Paulo, na Carta aos Romanos que diz: "SALUTEM MARIAM QUAE MULTUM LABORAVIT IN NOBIS".




Torre dos Clérigos e mercado do Anjo em representação
do inicio do séc. XIX (col. priv.)




Vista aérea da Torre e Igreja dos Clérigos (arq. priv.)
 
 

 Capela de Nossa Sra da Lapa na Igreja dos Clérigos (arq. priv.)



Interior e abóboda da Igreja dos Clérigos (arq. priv.)
   
 
 
 Altar da Igreja dos Clérigos (arq. priv.)
 
 
 

                                          Entrada para a escadaria de acesso à Torre dos Clérigos (arq. priv.)



Sino primitivo da Torre dos Clérigos (arq. priv.)




 

       
 
    
 
 
 
 
Pormenores da decoração da Torre dos Clérigos (fotos Belmiro Monteiro)

                                         



                                   Aspeto da Torre dos Clérigos no seu todo num plano contrapicado (arq. priv.)




                                                                   Margens do Douro no Porto em 1848 de C. A. Pinto (arq. priv.)




A Torre dos Clérigos mudou para sempre o horizonte da cidade do Porto, foi também ela palco de inúmeras histórias relacionadas com esta cidade e o quotidiano dos seus habitantes… Aliás, o autor deste projecto deixou marca inegável não só neste monumento como em toda a cidade, onde desenvolveu grande parte da sua obra. Devido a sua altura e por ser avista a cerca de dez léguas (50 Km) do mar, esta construção serviu igualmente de baliza ou marca para se dirigirem por ela todas as embarcações que entravam na barra do rio Douro, devido a velha Torre da Marca, expressamente destinada a esse fim, ter sido destruída em 1832 pela artilharia miguelista situada em Gaia, durante o Cerco do Porto. Terá contribuído também a Torre dos Clérigos, para ajudar os comerciantes a saber quando chegava ao Douro o “vapor da mala real”, uma embarcação da companhia inglesa  P. & O. (Peninsula e Oriente), que trazia de Londres dinheiro e letras de câmbio para pagar produtos que tinham sido exportados para Inglaterra. O sistema funcionava da seguinte forma; a Associação Comercial era avisada por telégrafo do dia previsto para a entrada na barra das embarcações, por sua vez fazia chegar a mensagem à Irmandade dos Clérigo, e com o consentimento da mesma,  mandava içar uma vara com duas bandeiras laterais com as cores da companhia maritima inglesa no alto da Torre, isto no tempo enxuto, porque em tempo de chuva as bandeiras eram substituídas por dois balões de folha de Flandres, pintados com as mesmas cores das bandeiras. Era o sinal da aproximação do barco, e assim os comerciantes sabiam  que podiam mandar os empregados para junto dos correios, a fim de receberem o mais depressa possível o dinheiro que vinha de Londres. Há registos de que no ano de  1862 numa noite de forte temporal, uma faísca derrubou a esfera e a cruz que encimam a torre, tendo sido reparada pouco depois. A Torre dos Clérigos ficou também conhecida pela sua meridiana, um engenho dotada com um sistema de pistola, cujo gatilho disparava sempre ao meio-dia, com uma pontualidade superior à dos poucos relógios da época. Ao meio-dia, o sol dava na lente, queimava o fio, disparava o gatilho e dava um tiro. O comércio sabia que era o sinal do meio-dia e fechava. Em 1917, serviu, como palco para uma das mais bem-sucedidas operações publicitárias da época, da autoria do publicitário Raúl de Caldevilla. Dois saltimbancos galegos aceitaram o desafio para escalarem a Torre dos Clérigos, pelo exterior, e terminarem a aventura tomando um chá acompanhando com umas bolachas tipo francês que estavam a ter dificuldades em entrar no mercado português. A partir daí o produto tornou-se num sucesso de vendas. De referir que esta foi uma das escaladas à Torre dos Clérigos entre muitas ocorridas antes e até aos dias de hoje neste monumento da cidade Invicta. Em 1918 foi enviado à Mesa da Irmandade dos Clérigos o ofício de 16/10 do Administrador do Bairro, devido ao clima vivido pelas consequências da Primeira Grande Guerra Mundial que só terminaria a 11 do mês seguinte, com as suas implicações em perdas humanas que abalaram muitas famílias da cidade. Dizia o documento: ”sendo prejudicial para a saúde pública que nas actuais circunstâncias haja motivo para deprimir o moral das Populações, manda sua Exª. o Sr. Governador Civil… que até segunda ordem, fiquem proibidos os toques dos sinos em cerimónias fúnebres…”



 
Mapa da cidade do Porto em 1813 por George Balck
(arq. priv.)
 



     Porto no início do séc. XIX e Torre dos Clérigos vendo-se as famosas bandeiras de sinalização (col. priv.)



                                                 Aspecto da Torre dos Clérigos em 1833 por Joaquim Villanova
                                                                                                                   (col. priv.)



                                      
                                               Dispositivo de sinal de meio-dia idêntico ao que existiu na Torre dos Clérigos 
                                                         e seu principio de funcionamento (foto Charles Milller Ltd, arq. priv.)

                                   



     Litografia com aspeto da cidade do Porto e a Torre dos Clérigos em 1839 de George Vivian (col. priv.)




Vista do Porto ribeirinho e a Torre dos Clérigos em meados do séc. XIX (arq. priv.)



                                                     Vista da cidade do Porto da Torre dos Clérigos por volta de 1858 a 1865 (arq. priv.)



      Praça da Liberdade com carros americanos em meados de 1880 vendo-se a Torre dos Clérigos (arq. priv.)



                                                                       Igreja e Torre dos Clérigos em meados de 1880 (col. priv.)
          


                                              Torre dos Clérigos e o mercado do Anjo em 1900 (arq. priv.)
 
 
 
 Comentário de um leitor da revista O Tripeiro, Volume I  de 1908, 
alusivo à técnica de sinais na Torre dos Clérigos (col. priv.)
 
 
 
 
                                                           Postal ilustrado de 1906 da Rua dos Clérigos com carro eléctrico
                                                                                          subindo pela esquerda (col. pess.)



      Postal ilustrado do início do séc. XX com a Torre dos Clérigos e a entrada do mercado do Anjo (col. pess.)
    


                                                            Postal ilustrado da Torre dos Clérigos no início do séc. XX (col. pess.)



 Postal ilustrado com vista da Torre dos Clérigos do Campo Mártires da Pátria de finais do séc. XIX (col. priv.)
 
 
 
Vendedeiras de castanhas em frente da Torre dos Clérigos em 1912 (arq. AMP)
 
 
 

 
     Convite em forma de bolacha para o evento publicitário de Puertollanos às Bolachas Invicta em 1917 (col. priv.)
 
  

                                                                    Escalada à Torre dos Clérigos durante o evento publicitário
                                                                                      às Bolachas Invicta em 1917 (arq. priv.)



Página da Ilustração Portugueza alusiva à escalada da Torre dos Clérigos
                                                                             com Puertollanos na cruz em 26-11-1917 (col. priv.)
                                   

 
 
Subida à Torre dos Clérigos em 2-6-1979 por Perez de Tudela (arq. priv.)
 
 



                                   Postal ilustrado com o mercado do Anjo junto à Torre dos Clérigos (arq. priv.)



Vista aérea da Torre dos Clérigos em meados dos anos 20 (arq. priv.)
                                        


                                   Torre dos Clérigos e espaço envolvente em meados dos anos 40 (arq. priv.)




A Torre dos Clérigos está classificada pelo IPPAR  como Monumento Nacional desde 1910. Em 1995 foi inaugurado o actual carrilhão da Torre dos Clérigos e é o mais moderno de Portugal. Tem 49 sinos que foram fundido na Holanda e  pesam cerca de dez toneladas. Para accionar o mecanismo dos sinos atravez de um teclado que, para ser tocado, exige uma técnica que pode ser fisicamente esgotante. Este carrilhão é controlado por um computador, marcando as horas e debitando a música através de quatro processos. Está programado para tocar ao meio-dia e às 18:00, estando ligado a um relógio atómico, na Inglaterra ou na Alemanha e atravez do computador capta as ondas emitidas e organiza as horas a partir desses relógios. No ano de 2012, os mostradores do relógio da Torre dos Clérigos estão, finalmente, a marcar a hora certa. A anomalia no relógio tinha sido detectada com a mudança de hora de 2011 e desde então que se aguardava pelo arranjo do mítico relógio portuense. O problema foi resolvido com a substituição do ponteiro da face nascente, ponteiro este aparentemente deslocado por uma gaivota. Para além de marcar mal as horas, o relógio também ele ex-líbris da cidade do Porto, representava ainda um elevado risco para os transeuntes da zona, podendo a qualquer momento, com o vento, deixar cair o ponteiro. Esta reparação foi terminada em janeiro de 2012, numa última intervenção que permitiu ligar os mostradores ao mecanismo do relógio. Das empresas que contribuiram para o concerto foram a Unicer e a CIN, oferecendo tintas e ainda mil euros cada uma. O orçamento inicial para esta reparação era de 400 euros, mas constatou-se que a avaria não incidia apenas no ponteiro mas no próprio mecanismo do relógio. Este conserto implicou quatro visitas de alpinistas à torre, suspensos por cordas e cabos para a retirada e colocação do ponteiro danificado, o que fez aumentar o montante, acabando por ser quase vinte vezes superior ao esperado. Entretanto entre outras iniciativas com vista a angariar fundos, também, a editora Calendário das Letras, promoveu a venda de um conjunto de livros raros do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, durante a XVII Festa do Livro da Fundação Cupertino de Miranda, angariando verbas para esta obra. Em 2013, ano que assinalou os 250 anos de existência da Torre dos Clérigos, esta recebeu cerca de 430 mil visitantes, sendo o custo de entrada de 2 euros. A Irmandade dos Clérigos aproveitou o simbolismo da data para lançar um programa de comemorações de forma a valorizar e potenciar o monumento que é considerado por muitos, como o ex-líbris da cidade do Porto. No âmbito das comemorações a Irmandade dos Clérigos assinou um protocolo com a autarquia do Porto, com vista a implementar um programa de acção para a recuperação, requalificação, valorização e divulgação daquele espaço religioso, desenvolvendo uma série de actividades em parceria.  As obras nos Clérigos  num investimento total de 2,6 milhões de euros, tendo sido comparticipados em 1,7 milhões pelo QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), cabendo os restantes 800 mil à Irmandade dos Clérigos, com recurso a financiamento do programa Jéssica. O anúncio da comparticipação financeira, por parte da CCDR-N (Comissão de Coordenação da Região Norte), foi feito durante a cerimónia de apresentação pública da moeda de 2 euros comemorativa da efeméride, emitida pela Imprensa Nacional, Casa da Moeda, que decorreu junto à Torre dos Clérigos.


 

                           Torre dos Clérigos vista da galilé da Sé do Porto em 1950, foto Teófilo Rego (arq. AHMP)



                                                                  Movimento na Rua dos Clérigos em finais dos anos 50 (arq. priv.)



                                     Carro elétrico da linha 7 subindo a Rua dos Clérigos, em 1972 (arq. priv.)



                                                              Torre dos Clérigos e carro elétrico no inicio dos anos 90 (arq. priv.)

  

                                            Carrilhão da Torre dos Clérigos inaugurado em 1995 (arq. priv.)



                               Vista geral da Torre dos Clérigos durante as obras de restauro do relógio (arq. priv.)
 
 


                          Alpinistas durante as obras de recuperação e restauro da Torre dos Clérigos em 2011 (arq. JN)

 
 
Largo frente à Torre dos Clérigos (foto António Amen)
                                             


Moeda de 2,00 €, comemorativa do 250º Aniversário da Torre dos Clérigos (imag. BNC)
 
 
 
 
O presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, mandou encerrar a Torre dos Clérigos durante 12 dias por razões de segurança em novembro de 2014, para a realização das obras de recuperação e renovação. Estas obras na Torre dos Clérigos, que tiveram como objectivo principal dar mais segurança a quem a visita, permitiram aos turistas ter uma melhor visibilidade sobre a cidade do Porto e perceberem, através de leitores de passagem, que edifícios conseguem dali visualizar. A reabertura da renovada Igreja dos Clérigos aconteceu no dia 12 de dezembro de 2014, pelas 12:00. A Torre dos Clérigos foi distinguida com o certificado de excelência 2014 do ‘site´ internacional de turismo e viagens TripAdvisor, depois das avaliações positivas dos visitantes referentes ao ano de 2013. A título de  curiosidade, ainda em 2014, durante as obras que decorreram na Igreja dos Clérigos, foram postas a descoberto numa cripta descoberta do século XVIII, mais de 20 sepulturas, das 15 sepulturas vistas, algumas pertencem ao clero, designadamente a bispos, devido à roupa, contudo, na cripta estão ainda mais sete ou oito sepulturas para retirar, as ossadas encontradas que incluiam; homens novos, mulheres, adolescentes e crianças, inclusive uma com 28 semanas de gestação, ficaram obviamente excluídas as hipóteses de serem do arquitecto italiano Nicolau Nasoni ali sepultado. O trabalho de antropologia forense para tentar encontrar naquelas sepulturas Nicolau Nasoni será feito por exclusão de partes, ou seja, perante todos os corpos ali depositados serão excluídos os do sexo feminino, bem como o dos homens mais novos, o trabalho é complexo, será feito em duas fases diferentes (reconstrutiva e comparativa) e deverá durar cerca de um ano. Estes trabalhos estão ser dirigidos pelo Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra. O presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, acredita que uma delas seja a do arquitecto Nicolau Nasoni que, há mais de 200 anos, projectou a Igreja e a Torre anexa. Visto que, no livro de óbitos da Irmandade se pode ler: "Nicolau Nasoni foi sepultado nesta igreja (dos Clérigos) sendo asestido (assistido) pela Irmandade como pobre e se lhe fizerão (fizeram) os três oficios (ofícios) como também o da sepultura".
A 11 de junho de 2015, a Irmandade dos Clérigos anunciou, ao fim de 252 anos, a abertura da Torre e Igreja dos Clérigos  em horário noturno, respondendo a uma vontade manifestada pelos turistas. A ideia é permitir que grupos de pessoas (mínimo de 25) possam desfrutar da vista da Torre dos Clérigos a partir das 19:00 e até às 23:30, mediante uma marcação prévia, isto porque o Porto tem poucos locais culturais disponíveis a partir das 18:00, dando assim o seu contributo à cidade, continuando a inovar na programação mas também rompendo com os tradicionais horários. Para breve está também a abertura do novo espaço de exposições dos Clérigos, com a "Colecção dos Cristos". Este espaço foi criado no âmbito das obras de renovação que foram realizadas em 2014, durante as quais foi descoberta a cripta na Igreja com mais 20 sepulturas. Vale a pena por tudo isto, uma visita atenta a este monumento nacional ex-libris da cidade do Porto.



                                       Torre dos Clérigos e Faculdade do Porto na actualidade (foto António Amorim)



                                       Vista geral lateral da Torre e Igreja dos Clérigos na actualidade (arq. priv.)





     Aspetos da Torre dos Clérigos e Igreja vista da Rua dos Clérigos na actualidade (fotos Belmiro Monteiro)





                                    Obras de restauro na Igreja dos Clérigos em 2014 (fotos Nelson Garrido)




    Técnico forense no interior da cripta do séc. XVIII da Igreja dos Clérigos (Agência LUSA)



Aspeto geral do interior da Igreja dos Clérigos renovada na actualidade (arq. priv.)
                              


                                                                 Iluminação natalícia na Torre e Rua dos Clérigos na actualidade
                                                                                                      (foto Josep Renalias)





                                Aspectos noturnos da Torre dos Clérigos visto da Praça Lisboa na actualidade (arq. priv.)







     Igreja e Torre dos Clérigos e ambiente circundante na actualidade (fotos Belmiro Monteiro)








Texto:
Paulo Nogueira



Fontes e bibliografia:

BASTO, A. de Magalhães: Nasoni e a Igreja dos Clérigos. Biblioteca do Porto. 1950
Site BOAS NOTICIAS, artigo de janeiro de 2012
Revista O Tripeiro, Volume I  do dia 10-10-1908
PACHECO, Helder, PORTO A TORRE DA CIDADE nos 250 anos da Torre dos Clérigos, Edições Afrontamento, Porto, 2013
Agência Lusa Norte de 13-11-2014
Portal on line do Noticias do Porto de 12-12-2014