sábado, 24 de outubro de 2015

REVISTA QUER... É PARQUE MAYER!






 


Revista à portuguesa é sinónimo de Parque Mayer e vice versa...
O Parque Mayer ficou famoso pelos seus teatros onde se representou até hoje, o que de melhor se fez e se faz em termos de revista à portuguesa. Assim quinze dias após a abertura ao público do Parque Mayer, foi inaugurado o primeiro teatro deste recinto, o Teatro Maria Vitória, em instalações de madeira provisórias, isto a um sábado, em 1 de julho de 1922, passados que são 93 anos. O nome que foi dado a este teatro, Maria Vitória, em memória da famosa actriz e fadista Maria Victória (1888 - 1915), cuja morte prematura, poucos anos atrás, criara alguma consternação. Este edifício original era em madeira, sendo mais tarde substituído por outro em alvenaria. Depois do Teatro Maria Vitória, outros teatros foram igualmente inaugurados no Parque Mayer como o Teatro Variedades, o Capitólio e o ABC, os que mais se destacaram,  em todos eles se viriam a representar igualmente grandes êxitos da revista à portuguesa.

 

                                         Vista aérea do Parque Mayer já em meados dos anos 30 (arq. priv.)

 
 
 
                                                     Notícia do jornal A Vanguarda alusivo à  inauguração do Teatro Maria Vitória
                                                                                                                 (arq. priv.)
 
 

                         Restaurante no Parque Mayer junto ao Teatro Maria Vitória em meados dos anos 30 (arq. priv.)


      Aspeto do Parque Mayer, meado dos anos 40, vendo-se em primeiro plano o Teatro Maria Vitória (arq. AML)


                            Teatro Maria Vitória no Parque Mayer em meados de 1943, foto Eduardo Portugal (arq. priv.)


    Aspeto do Teatro Maria Vitória em 1967 com anuncio da revista "De Vento Em Popa!.." (arq. AML)



Mas e recuando ao ano de 1922, nesse dia 1 de julho, subia o pano no Teatro Maria Vitória com a revista "Lua Nova", da autoria de Ernesto Rodrigues, Henrique Roldão, Félix Bermudes e João Bastos, com números músicas assinados pelo maestro Raul Portela e direcção musical do maestro Alves Coelho, com Elisa Santos, Amélia Perry, Jorge Roldão e Joaquim de Oliveira. Aqui se representaram e apresentam, alguns dos maiores sucessos da revista em Portugal ao longo de décadas até aos dias de hoje; como a revista "Fado Corrido" logo em 1923, da autoria de Alberto Barbosa, Xavier de Magalhães e Lourenço Rodrigues, músicas de Bernardo Ferreira e Raul Portela, com Carlos Leal, "Rés Vês" em 1924, da autoria de Alberto Barbosa e Xavier de Magalhães, músicas de Hugo Vidal e Raul Portela, com Lina Demoel, Laura Costa, Manuel Santos Carvalho e Soares Correia, "Foot - Ball" em 1925, da autoria de "Gregos e Troianos", músicas de Raul Portela, com Lina Demoel, Hortense Luz, Carlos Leal, Alberto Ghira, Alfredo Ruas e Elisa de Guisette, "A Ramboia" em 1928, da autoria de Luís Galhardo e Xavier de Magalhães, músicas de Hugo Vidal, Raul Ferrão e Frederico de Freitas, com Corina Freire, Hortense Luz, Alberto Ghira e António Silva. A partir daqui os sucessos não iram parar nas décadas seguintes no Teatro Maria Vitória.
A revista "Cartaz de Lisboa" em 1937 foi um sucesso de cartaz, da autoria de Lino Ferreira, Fernando Santos, Lourenço Rodrigues e Xavier de Magalhães, músicas de Raul Portela, Raul Ferrão e Fernando Guimarães com Estêvão Amarante, Mariamélia, Alfredo Ruas, Carlos Leal e Hortense Luz, "O Banzé" em 1939, da autoria de "João Ninguém", músicas de Raul Portela, Raul Ferrão e Fernando de Carvalho, com Vasco Santana, Maria das Neves, Hermínia Silva, Carlos Leal e Costinha.
Em 1942 a revista "Voz do Povo", da autoria de Ascensão Barbosa, A. Nazaré, A. Cruz e António Porto, músicas de Raul Portela, Raul Ferrão e Fernando de  Carvalho, com Hermínia Silva, Augusto Costa e Ribeirinho. Fizeram grande sucesso em 1955 a revista "Ó Zé Aperta o Laço", da autoria de Amadeu do Vale, Aníbal Nazaré e Eugénio Salvador, música de Tavares Belo e Ferrer Trindade, com António Silva, Irene Isidro, Alfredo Ruas, Barroso Lopes, Anne Nicoles e Anita Guerreiro. Já na década de 60, em 1967 outro grande sucesso a revista intitulado "Pão Pão Queijo Queijo", da autoria de Aníbal Nazaré, Eugénio Salvador e José Viana, músicas de João Nobre e Carlos Dias, José Viana, Eugénio Salvador, Max, Mariema, Maria Dulce, Anita Guerreiro e Dora Leal, em 1969 a revista "Esperteza Saloia", da autoria de Aníbal Nazaré, Eugénio Salvador e José Viana, músicas de João Nobre e Carlos Dias, com Eugénio Salvador, José Viana, Mariema, Barroso Lopes, Dora Leal, Helena Tavares, Dina Maria e Victor Mendes. No ano de 1975 foi grande sucesso a revista "Força Força Camarada Zé", da autoria de Aníbal Nazaré, Henrique Santana, Eugénio Salvador e N. Vaz, músicas de Tavares Belo, J. de Vasconcelos e Jorge Machado, com Maria Dulce e Cidália Moreira. No início da década de 80, mais própriamente no ano de 1981 é a vez do grande sucesso que foi a revista "Não Há Nada Pra Ninguém!", da autoria de Henrique Santana, César de Oliveira, Rogério Bracinha e Augusto Fraga, músicas de João Vasconcelos, Jorge Machado e Nuno Nazareth Fernandes, com  Ivone  Silva, Joel Branco, Natália de Sousa, Vitor Rosado, em reaparição Natalina  José, a grande atracção nacional António Mourão e ainda, Camacho Costa, Mariano Franco, Paulo César, entre outros.
E continuariam os grandes sucessos da revista à portuguesa no Teatro Maria Vitória.




                          Capa de partitura com canções da primeira revista estreada
no Parque Mayer,
                                           "Lua Nova", no Teatro Maria Vitória, em 1922 (col. priv.)



                      
                                                                                       Capa de partitura de canções da revista "Foot-Bal" de 1925
                                                                                                            no Teatro Maria Vitória (col. priv.)



                                         Capa de partitura de canções da revista "A Ramboia" de 1928
                                                                  no Teatro Maria Vitória (col. priv.)



                    
                                                                           Cartaz da revista "Cartaz de Lisboa" de 1937 no Teatro Maria Vitória
                                                                                                                                (col. priv.)



                 Cartaz da revista "Voz do Povo" no Teatro Maria Vitória em 1942
                                                                            (col. priv.)



                                                         Anúncio à revista "Esperteza Saloia" de 1969
                                                                                                no Teatro Maria Vitória (col. priv.)

                         
                                            Cartaz da revista "Não Há Nada Pra Ninguém!" de 1981 (col. priv.)



                                      Publicidade em elétrico de Lisboa à revista "Não Há Nada Pra Ninguém!"
                                                                              no Teatro Maria Vitória nos anos 80 (arq.priv.)

  


Na actualidade o Teatro Maria Vitória é o único a funcionar no recinto do Parque Mayer, mercê da persistência do seu empresário e produtor, desde 1975, Helder Freire Costa (que comemora em 2015, 51 anos de teatro), que o tem mantido aberto e em funcionamento, por vezes com algumas dificuldades, sempre com espectáculos de grande qualidade, com artistas de grande mérito, assim como autores, compositores, coreógrafos e cenógrafos. Após um incêndio em 10 de maio de 1986 o Teatro Maria Vitória foi reaberto em 2 de fevereiro de 1990 com a nova revista "Vitória! Vitória!". E quando se estava a passar por uma das mais graves crises do teatro, surge em 1994 o  sucesso da revista "De Pernas Pró Ar!", da autoria de Carlos Areia e João Baião, músicas de João Vasconcelos, Fernando Correia Martins e Fernando Ribeiro, numa produção Hélder Freire Costa e Vasco Morgado, com João Baião, Delfina Cruz, Carlos Areia, José Raposo, Paulo Vasco, Olimpia Portela e Anita Guerreiro. A partir de então as produções no Teatro Maria Vitória mantiveram-se e eis alguns dos êxitos que fizeram sucesso até aos dias de hoje. Logo em 1997 a revista "Ora Bolas... Pró Parque!", da autoria de Francisco Nicholson, Mário Raínho e Marina Mota, músicas de João Vasconcelos, Nuno Nazareth Fernandes e Fernando Correia Martins, numa produção conjunta de Hélder Freire Costa, Marina Mota e Carlos Cunha, com Marina Mota, Natalina José, Carlos Cunha, Paulo Vasco e Fernando Ferrão.
Em 2008 a revista "Hip - Hop'arque!", autoria de Francisco Nicholson e Tiago Torres da Silva, músicas de Fernando Correia Martins, Braga Santos e José Cabeleira, numa produção conjunta de Hélder Freire Costa e Marina Mota, com Marina Mota, Carlos Cunha, Ana Brito e Cunhe e João Baião. Já no ano de 2013 o grande êxito que foi a revista "Lisboa Amor Perfeito",  autoria de Mário Raínho e Flávio Gíl, músicas de Eugénio Pepe, Carlos Dionísio e Pedro Lima, numa produção de Helder Freire Costa, contando com o regresso do ator Carlos Cunha à revista no Parque Mayer, a estreia como actriz da fadista Filipa Cardoso, depois substituída pela actriz consagrada Vera Mónica.
O último grande sucesso do Teatro Maria Vitória foi em 2014 a revista "Tudo Isto é Fardo...", autoria de Mário Raínho e Flávio Gíl, contando com a colaboração de Nuno Nazareth Fernandes, músicas de Eugénio Pepe, Carlos Dionísio e Nuno Nazareth Fernandes, numa produção de Helder Freire Costa, com Vera Mónica, Paulo Vasco, a fadista Vanessa Alves, entre muitos outros.




Aspeto atual do Teatro Maria Vitória (arq. priv.)


     Empresário e produtor do Teatro Maria Vitória, Helder Freire Costa
(foto Paulo Ribeiro)
                                                                                                       


                                                                 Palco e plateia do Teatro Maria Vitória na atualidade (arq. priv.)



                    Cartaz da revista "De Pernas Pró Ar!" em 1994 no Teatro Maria Vitória
                                                                            (col. priv.)


                   
                                                Cartaz da revista "Ora Bolas Pró Parque!" em 1998 no Teatro Maria Vitória
                                                                                                                              (col. priv.)



                                                   Cartaz da revista "Hip-Hop'arque!" em 2008 no Teatro Maria Vitória (col. pess.)



 

     Cartaz e quadros da revista "Lisboa Amor Perfeito" em 2013 no Teatro Maria Vitória (arq. priv.)



 


                                                Cartaz e quadros da revista "Tudo Isto é Fardo..." em 2014 no Teatro Maria Vitória
                                                                                                (foto Paulo Ribeiro e arq. priv.)

 

 

Neste ano de 2015, ano em que se comemoram 300 anos sobre o primeiro teatro de revista do mundo, com a peça "A Cintura de Vénus", uma representação cómica e crítica nascida num pequeno teatro abarracado numa feira de Sainte-Laurent e Sain-Germain em Paris, em 1715, também no ano do centenário da morte da actriz e fadista Maria Victoria (Lisboa, 13 de março de 1888 - Lisboa, 30 de abril de 1915), está para breve mais um novo êxito de Helder Freire Costa Produções, intitulado "Revista Quer... É Parque Mayer!".
Com autoria de Mário Raínho e Flávio Gíl, encenada por Mário Raínho, músicas Eugénio Pepe, Hugo Neves Reís e Pedro F. Sousa, direção e criação coreográfica José Carlos Mascarenhas, com Mariema, Paulo Vasco, Alice Pires e Flávio Gíl a encabeçar um talentoso e excepcional jovem elenco, mantendo a tradição deste género de teatro e dando ao público um espetáculo atual, divertido e de muita crítica tanto social como política. Será sem dúvida mais um enorme sucesso no Teatro Maria Vitória a não perder. Está pois uma vez mais de parabéns o Teatro Maria Vitória, todos os actores, músicos, técnicos, equipa de produção, empresários e directores que por lá têm passado, assim como todos os que actualmente lá estão, que fizeram e continuam a fazer história naquele espaço com tanta tradição de grandes êxitos da música e do teatro de revista em Portugal.
Viva pois o teatro e vamos à revista...

 

                                                                      Teatro na feira de Saint-Laurent em meados do séc. XVIII
                                                                                 (col. Bibliothèque historique de la ville de  Paris)


    Aspeto de representação no teatro de feira em Saint-Germain por volta de 1763  (col. Harvard Theatre)

 

                                          Atriz e fadista Maria Victoria, fotografia anónima de 1913 (arq. CML)





                                         Fases do início de obras no edifício do Teatro Maria Vitória em 2015 (arq. priv.)


Cartaz da mais recente revista na entrada do Parque Mayer em 2015 (arq. priv.)

 
 


 

FINALMENTE!


Antestreia, 4ª feira dia 28 de outubro e Estreia 5ª feira dia 29 de outubro

Ambas as sessões a partir das 21:30h

Depois: de 5ª feira a Domingo, noite 21:30h
 

Sábados e Domingos, também à tarde às 16:30h

 

 






Para os interessados em saber mais sobre a história do Parque Mayer, os seus teatros e o Teatro Maria Vitória, basta consultar o artigo referente ao tema em:
http://historiaschistoria.blogspot.pt/2015/07/o-parque-mayer-e-o-teatro-maria-vitoria.html

 

 


Texto:
Paulo Nogueira


 


Fontes e bibliografia:
REBELLO, Luiz Francisco, História do Teatro de Revista em Portugal, Publicações D. Quixote, Lisboa, 1984
DIAS, Marina Tavares, Lisboa Desaparecida, vol. 9, Quimera Editores Lda, Lisboa, 2007
Publicação on line Teatro Maria Vitória


 

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

EXPRESSÕES POPULARES...

 


 

Muitas das expressões populares que utilizamos no dia-a-dia, têm uma razão de ser e por vezes significados que assentam em factos históricos, quer da nossa cultura quer da cultura mundial. Existem aquelas expressões muito portuguesas assim como outras traduzidas. Estas expressões acabaram por se enraizar na linguagem do dia-a-dia, de Norte a Sul do país, sendo usadas sem que se saiba por vezes a sua origem. As suas origens são controversas mas fundamentam-se em alguns factos, uns mais curiosos que outros, que aqui se irão relatar.


"Ficar a ver navios" é uma expressão popular da língua portuguesa com origem como tantas outras na cidade de Lisboa e que se espalhou de norte a sul sendo também usada no Brasil e em alguns países de língua portuguesa. Significa ser enganado, ludibriado, ver as suas expectativas serem frustradas e ficar desiludido.


Uma expressão equivalente em inglês seria "left high and dry".


Como exemplos:


"Ele disse que me daria boleia para a festa, mas não apareceu e eu fiquei a ver navios."


"Ela disse que o seu amor por ele era grande no entanto coitado ficou a ver navios"

 

A expressão "ficar a ver navios" surgiu em Portugal e há algumas histórias que podem explicar a sua origem. Para alguns autores a expressão "ficar a ver navios" no sentido de ser enganado por alguém, poderá remontar a 1492 quando foi determinado que, os judeus que não se convertessem ao catolicismo teriam de deixar o reino de Espanha até ao fim de julho. Milhares então deslocaram-se para Portugal. O casamento do rei D. Manuel I com D. Isabel de Aragão, filha dos Reis Católicos, fez com que aceitasse a exigência espanhola de expulsar todos os judeus que viviam em Portugal e que não se tornassem católicos, num prazo que ia de janeiro a outubro do ano de 1497. O rei D. Manuel precisava dos judeus portugueses, pois representavam toda a classe média e a mão-de-obra, eram também uma grande influência intelectual. Se Portugal os expulsasse como fez a Espanha, o país teria que enfrentar uma grande crise. Contudo, D. Manuel não tinha qualquer interesse em expulsar esta comunidade. O rei de Portugal tinha esperança que, retendo os judeus no país, os seus descendentes pudessem talvez vir a ser cristãos, como resultado da influência da cultura católica em Portugal. Para que isso acontecesse, tomou medidas extremamente drásticas, chegando a ordenar que os filhos menores de 14 anos fossem tirados aos pais para que fossem convertidos. Depois fingiu marcar uma data de expulsão na Páscoa. Quando chegou a data do embarque, dos que não aceitaram o catolicismo, ele afirmou que não havia navios suficientes para os levar e ordenou um batismo em massa dos que estavam reunidos em Lisboa esperando o transporte para outros países. No dia marcado, estavam todos os judeus no porto esperando os navios que não vieram. Todos foram convertidos e batizados. O rei então declarou: não há mais judeus em Portugal, são todos cristãos (os chamados cristãos-novos). Muitos foram arrastados, segundo crónicas da época, até à pia batismal pelas barbas ou pelos cabelos. Deste acontecimento surgiu a expressão: "ficaram a ver navios", porque tinham sido enganados.
Outros autores atribuem a explicação ao tempo das grandes navegações e descobertas, muitos portugueses ficavam em Lisboa, no Alto de Santa Catarina, que é um ponto alto da cidade com vista para a barra do Tejo, esperando as caravelas que vinham de continentes além-mar, trazendo os vários tesouros, eram por norma armadores, outros eram sebastianistas que acreditavam no retorno de D. Sebastião, rei de Portugal, desaparecido em África, na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. O povo português recusava-se a acreditar na morte do seu rei e por isso, era comum algumas pessoas ficarem no Alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando o rei um dia chegar. É certo que o D. Sebastião nunca regressou, e por isso essas pessoas ficaram a ver navios, ou seja, ficaram desiludidas porque aquilo que esperavam não se concretizou.
Uma outra explicação bastante parecida, consiste no facto de na altura, as mulheres ficarem em casa, esperando os maridos que tinham embarcado nessas longas viagens em busca dos "novos mundos". Depois de muito tempo, as mulheres ficavam observando os navios que chegavam ao Tejo para encontrarem os seus maridos, muitas vezes sem sucesso. Então surgiu a expressão: Ficou a ver navios, ou seja, ficou à espera de algo que não veio.
Já uma outra explicação diferente, ficou associada à chegada tardia do general francês Junot a Lisboa, em Novembro de 1807, durante as invasões francesas. Diz a lenda que, do alto do miradouro de Santa Catarina, o general ficou a ver, impotente, a esquadra que transportava a Corte Portuguesa sulcando o Tejo rumo ao Brasil. E daí a expressão ficaram a ver navios, a partirem literalmente, falhando assim a captura da família real portuguesa. Este acontecimento deu também origem a várias sátiras e caricaturas cómicas em jornais da época, nomeadamente ingleses. 



                                                             Alusão ao casamento D. Manuel I com D. Isabel de Aragão (arq. priv.)



                                                                                        Rei D. Manuel I 1495-1521 (col. priv.)


 

                                                          Judeus forçados à saída de Portugal (col. pess.)



                                 Vista geral da cidade de Lisboa durante a época dos descobrimentos em 1572 (col. priv.)



                                                                     Navio português do séc. XV em busca de "novos mundos"
                                                                                                              (col. pess.)



                                                                                                Rei D. Sebastião 1554-1578
                                                                                   (col. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)




                                                  Pormenor de painel de azulejos do Palácio dos Condes de Tentúgal  séc. XVII
                                                           com vista do Alto de Santa Catarina (col. Museu do Azulejo, Lisboa)




Embarque do príncipe regente D. João VI para o Brasil por Giuseppe Gianni (col. pess.)

 
Caricatura de um jornal inglês alusivo à partida da família real portuguesa para o Brasil e Junot a ver
 em 1 de janeiro de 1808 (col. Brown University Library)
 

Miradouro da Santa Catarina em Lisboa na atualidade de onde ainda se conseguem ver navios (arq. pess.)
    

 


"Rés-vés Campo de Ourique", é uma expressão popular da língua portuguesa que tal como muitas outras tiveram origem na cidade de Lisboa e logo se espalharam de norte a sul do país. Significa em sentido figurado, que algo ou alguém ficou por perto ou à justa de algum obstáculo ou de um acontecimento.


Como exemplos:



"Ao entrar na sala ias deitando o candeeiro ao chão, foi rés-vés Campo de Ourique"


"Hoje ias chegando atrasado para a reunião das nove horas, foste tu a chegar e ela a começar, foi mesmo rés-vés Campo de Ourique"

 

"Rés-vés Campo de Ourique" é uma expressão popular da língua portuguesa para a qual existem algumas explicações plausíveis. Alguns autores afirmam que estará associada ao terramoto de Lisboa em 1755 que foi seguido de um maremoto, que por sua vez atingiu a cidade e arredores, matando milhares de pessoas. A força do maremoto, segundo as crónicas da época, foi de tal ordem que as águas entraram por Lisboa dentro e chegaram à zona que hoje equivale a parte da Avenida da Liberdade e chegaram, segundo essas crónicas, perto de Campo de Ourique. Foi portanto "rés-vés". Outros atribuem ao facto de com o terramoto de 1755, o grande Aqueduto das Águas Livres com os seus 35 arcos, ter sobrevivido sem fissuras. Visto ficar situado na junção de duas placas tectónicas do designado Cretáceo Superior (época geológica), muito perto de uma falha sísmica, a de Campo de Ourique. Outros autores ainda atribuem o sentido da expressão ao facto de no traçado urbano da cidade de Lisboa oitocentista, quando a Estrada da Circunvalação atravessava o bairro de Campo de Ourique, pela mais tarde rua Maria Pia, ficar "por um triz, por pouco, à justa", como parte limítrofe da cidade, generalizando-se a partir daí a expressão nos meios populares de "rés-vés". Outra tese defende que esta expressão surgiu com o carro elétrico da carreira 24, já desaparecida, que fazia o percurso entre o Largo do Carmo e Campolide. Este carro elétrico quase roçava, segundo relatos, na esquina da Real Panificação na rua Silva Carvalho em Campo de Ourique, e um passageiro colocando a mão fora da janela, tocava no edifício, era portanto "rés-vés Campo de Ourique".
 


                            Lisboa antes e durante o terremoto de 1755 in gravura de Mateus Sautter séc. XVIII (col. priv.)


                                       Terramoto acompanhado de maremoto em Lisboa no ano de 1755 (col. pess.)


                        Perspetiva do grande  Aqueduto das Águas Livres de Lisboa em meados do séc. XVIII (col. pess.)
 


                                                 Aspeto de Campo de Ourique no início do séc. XIX (col. pess.)


                                      Mapa da cidade de Lisboa e seus limites em 1833 com um dos limites em Campo de Ourique
                                                                                         assinalado a amarelo (col. pess.)


                                                                     Esquina da Real Panificação em Campo de Ourique (arq. priv.)




Carro elétrico turístico numa rua estreita de Lisboa quase roçando a esquina do prédio
 à semelhança do que acontecia em Campo de Ourique (arq. LUSA)






Texto:
Paulo Nogueira


 
 

Fontes e bibliografia:

 
SANTOS, António Nogueira, Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas, Edições João Sá da Costa, Lisboa
 NEVES, Orlando, Dicionário das Origens das Frases Feitas, Lello & Irmãos Editores, Porto




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

EFEMÉRIDES do dia 16 de outubro





Dia Mundial da Alimentação.
De entre alguns santos consagrados a este dia, destaque para Santa Edwiges, (Andechs, Bavéria, atual Alemanha, 1174 – Trebnitz, Silésia, atual Polónia, 15 de outubro de 1243) Em 1266, o papa Clemente IV canonizou-a oficialmente. A igreja designou o dia 16 de outubro para a celebração da sua festa litúrgica.





Em Portugal



1311 - A extinção da Ordem dos Templários dá origem à portuguesa Ordem de Cristo.



1544 - O cientista Pedro Nunes inaugura a cadeira de Matemática na Universidade de Coimbra.

1769 - Sebastião José de Carvalho e Melo é feito marquês de Pombal.



1798 - Hipólito José da Costa embarca para os Estados Unidos com o objetivo de conhecer as novas técnicas industriais aplicadas pelos norte americanos e trazê-las para Portugal.



1919 - Aterra na pista da Amadora, em Lisboa, um avião Breguet XIV, trazendo a bordo os aviadores militares António Maya e Lello Portela, no termo do primeiro voo Paris -- Lisboa, com escala em Bordéus e nos arredores de Madrid. O voo tem a duração de oito horas e vinte e sete minutos, percorrendo 1248 quilómetros.

 
 


1982 - Morre Adriano Correia de Oliveira (Avintes, Portugal, 9 de abril de 1942 - Avintes, Portugal, 16 de outubro 1982), 40 anos, músico, cantor, um dos mais importantes e decisivos intérpretes do fado de Coimbra e do chamado movimento "baladeiro", na resistência à ditadura.
 
1985 - Os restos mortais do escritor Fernando Pessoa são trasladados para os claustros do Mosteiro dos Jerónimos.
 


1998 - É inaugurado o Parque das Nações, em Lisboa no espaço que albergou a Expo 98.



2006 - Um grupo de manifestantes ocupa o Teatro Rivoli, no Porto, e fecha as instalações, contestando os planos de privatização da sala. A ocupação durará 04 dias, até à intervenção da polícia.



2006 - A Fundação Calouste Gulbenkian cria os Prémios Internacionais para os Direitos Humanos, a Arte, a Educação, a Beneficência e a Ciência.

2008 - A proposta de lei do Governo das garantias de 20 mil milhões de euros às operações de financiamento de bancos é aprovada na Assembleia da República com os votos do PS, PSD e CDS-PP, os votos contra do PCP, Bloco de Esquerda e PEV, e a abstenção de Manuel Alegre.
 
 
 
 

 

No Mundo


1591 - Morre neste dia o papa Gregório XIV (Cremona, Itália, 11 de fevereiro de 1535 – Roma, Itália, 16 de outubro de 1591).
 


1679 - Nasce o compositor checo Jan Dismas Zelenka (Lounovice pod Blanìkem, atual República Checa, 16 de outubro de 1679 - Dresden, Alemanha, 22 de dezembro de 1745) foi um compositor barroco e boémio.
 
1793 - A rainha francesa Maria Antonieta é decapitada, de seu nome Marie Antoinette Josèphe Jeanne de Habsbourg-Lorraine (Viena de Áustria, 2 de novembro de 1755 – Paris, França, 16 de outubro de 1793) aos 37 anos.
 


1854 - Nasce o escritor inglês de origem irlandesa Oscar Wilde, (Dublin, atual República da Irlanda, 16 de outubro de 1854 – Paris, França, 30 de novembro de 1900), autor de "O Retrato de Dorian Gray" e "A Balada do Cárcere de Reading".


 
1890 - Nasce o líder irlandês Michael Collins, cofundador do IRA e signatário do tratado que estabelece a independência da República da Irlanda.
 
1894 - É dada a concessão pelo Conselho Municipal para a instalação de uma linha de "carros americanos" de tração animal no bairro de Campo Grande no Rio de Janeiro.



1907 - Marconi inaugura o serviço radiotelegráfico regular entre a Europa e a América.
 
1923 – Os irmãos Walter Elias Disney e Roy Elias Disney fundam a The Walt Disney Company, que se viria a tornar a segunda maior empresas de media e entretenimento do mundo.
 


1925 - É firmado o Tratado de Locarno entre a França e a Alemanha, que estabelece as fronteiras resultantes da Grande Guerra de 1914-18.

1927 - Nasce o escritor alemão Günter Grass (Danzig, Polónia, 16 de outubro de 1927 - Lübeck, Alemanha, 13 de abril de 2015), autor de "O Tambor", Nobel da Literatura em 1999.

1939 - São expulsas as populações não germânicas dos territórios polacos anexados pela Alemanha de Hitler na II Guerra Mundial.
 


1941 – Durante a II Guerra Mundial, quando os alemães chegam a cerca de cem quilómetros de Moscovo, o Governo soviético muda para Kuibischev, mas Estaline fica em Moscovo.
 
1945 - É fundada a FAO, Organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura.

1962 - Começa a crise dos mísseis, entre os EUA e a URSS. Fotografias aéreas confirmam a existência de uma base de lançamento, em Cuba.
 


1964 - A China testa a sua primeira bomba atómica.
 
1973 - O Prémio Nobel da Paz é atribuído ao secretário de Estado da Administração Nixon, Henry Kissinger, e ao político vietnamita Le Duc Tho, que o recusa.

1978 - Karol Wojtyla, cardeal polaco e arcebispo de Cracóvia, é eleito Papa, com o nome de João Paulo II. É o primeiro papa polaco e o primeiro não-italiano desde 1522.



1989 - É proibido o comércio internacional do marfim, carne e pele de elefante ao abrigo da convenção CITES (Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora).
 
1994 - A Finlândia aprova, em referendo, a adesão à União Europeia.

 

1996 - O senado australiano aprova a moção a favor da autodeterminação de Timor-Leste.

1998 - Augusto Pinochet é detido pela polícia britânica, na sequência do pedido de extradição emitido pelo juiz Baltazar Garzón, pela morte de cidadãos espanhóis durante a ditadura chilena.



2002 - É inaugurada a nova biblioteca de Alexandria, no Egipto.

2006 - A China ergue uma barreira de arame farpado na fronteira com a Coreia do Norte, após teste nuclear anunciado por Pyongyang, para impedir a saída de refugiados.


 
2008 - Um juiz espanhol acusa de "homicídio por negligência" os três técnicos que repararam a avaria no aparelho da Spanair que acabou por se despenhar, quando descolava, no passado dia 20 de agosto em Madrid. Aos três técnicos são imputados 157 crimes de negligência que resultaram na morte de 150 dos 173 passageiros a bordo.
 
2012 - É anunciada a descoberta do exoplaneta Alfa Centauri Bb, o mais próximo exoplaneta já descoberto a 4,37 anos luz.








Texto:
Paulo Nogueira