sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

EFEMÉRIDES do dia 11 de dezembro

 
Dia Internacional da UNICEF e Dia Internacional das Montanhas.
De entre alguns santos consagrados a este dia, destaque para São Dâmaso I (Guimarães ou Idanha-a-Nova, Portugal, 305 d.C. - Roma, Itália, 11 de dezembro de 384 d.C.), foi um dos maiores papas da igreja católica entre 366 e 384 d.C.. Entre outras obras, Dâmaso promoveu a restauração das catacumbas e a organização das relíquias dos santos mártires. Por essa obra, é considerado ainda hoje patrono dos arqueólogos. É venerado pela igreja católica no dia da sua morte 11 de dezembro.
 


 



Em Portugal

 
1640 - Durante a Guerra da Restauração em Portugal, é criado o conselho de Guerra para promover todos os assuntos relativos ao exército.




1896 - Morre, em Lisboa, o poeta António Xavier Rodrigues Cordeiro (Cortes, Leiria, Portugal, 28 de dezembro de 1819 - Cortes, Leiria, Portugal, 11 de dezembro de 1896), aos 77 anos, foi poeta e escritor da geração romântica. Fundou entre outros o jornal de poesia O Trovador e posteriormente editou dois volumes de crónicas históricas Leituras ao Serão, entre outras publicações do género.
 
1908 - Nasce Manoel Cândido Pinto de Oliveira (Cedofeita, Porto, Portugal, 11 de dezembro de 1908 - Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Portugal, 2 de abril de 2015), virá a ser um dos mais importantes cineastas portugueses e autor de cerca de trinta e duas longas metragens. Era até à data da sua morte, o mais velho realizador de cinema do mundo em atividade e o mais velho de sempre com a mais longa carreira da história do cinema.



1909 - Fundação oficial do Aero Clube de Portugal no Terreiro do Paço. Esteve na origem da sua fundação um grupo de oficiais do Exército Português que pretendiam promover o desenvolvimento da aeronáutica em Portugal, bem como a criação de uma aviação militar. É a instituição aeronáutica mais antiga de Portugal e uma das mais antigas do mundo. 

1925 - Bernardino Machado é eleito, pela segunda vez, presidente da República Portuguesa.

 
 
1987 - O historiador José Mattoso é distinguido com o Prémio Pessoa.
 
1999 - Um avião da SATA despenha-se no Monte da Esperança, nos Açores. Morrem 35 pessoas.
 


2000 - O grupo médico criado para estudar os efeitos da co-incineração, em Portugal, aprova o processo.

2001 - O prémio Camões é entregue ao poeta Eugénio de Andrade.



2007 - Morre a escritora Maria Fernanda de Faria e Castro Botelho (Porto, Portugal, 1 de dezembro de 1926 - Lisboa, Portugal, 11 de dezembro de 2007), aos 81 anos. Colaborou com a Fundação Calouste Gulbenkian desde 1982.
 
2008 - O Governo aprova as propostas de Lei de Defesa Nacional, Bases da Organização das Forças Armadas e o novo Regulamento da Disciplina Militar, diplomas que o ministro da Defesa considerou "fundamentais" para a reforma do setor.
 
2014 - É iniciado oficialmente este blog Histórias com História, com o artigo Prefácio de abertura.

  




 


No Mundo

 
1475 - Nasce Giovanni di Lorenzo de Medici (Florença, Itália, 11 de dezembro de 1475 - Roma, Itália, 1 de dezembro de 1521), vem a ser o Papa Leão X e o último não-sacerdote e ser eleito Papa. Ficou conhecido principalmente por ter dado início à Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero.
 

 
1792 - É iniciado em Paris o julgamento do rei deposto Luís XVI, que é condenado por traição e guilhotinado.



1803 - Nasce o compositor francês Louis Hector Berlioz (La Cotê-Saint-André, França, 11 de dezembro de 1803 - Paris, França, 8 de março de 1869), virá a ser um músico e autor romântico que vem influenciar mais tarde grandes compositores famosos do século XIX.

1826 - Morre Maria Leopoldina da Áustria, imperatriz consorte do Brasil (Viena, Áustria, 22 de janeiro de 1797 - Rio de Janeiro, Brasil, 11 de dezembro de 1826), aos 29 anos. Durante oito dias, em 1826,  foi rainha consorte de Portugal.


 

1890 - Nasce Carlos Gardel (Tacuarembó, Uruguai, 11 de dezembro de 1890 - Medllín, Colômbia, 24 de junho de 1935), havendo controversa no que respeita ao seu local de nascimento, Tacuarembó no Uruguai ou Toulouse na França. Virá a ser o mais famoso dos cantores de tango da história e uma das maiores referências em todo o mundo deste género musical.



1932 - Com a assinatura do Protocolo de Genebra sobre a igualdade de direitos da  Alemanha em relação às outras nações, este país regressa à Conferência sobre o Desarmamento.

1936 - Jorge VI de Inglaterra ascende ao trono britânico depois da abdicação do seu irmão mais velho Eduardo VIII de Inglaterra.



1937 - A Itália fascista de Mussolini é expulsa da Liga das Nações.
 
1941 - II Guerra Mundial. Os EUA declaram guerra à Alemanha nazi. "Nunca houve desafio maior à vida, à liberdade e à civilização", diz Frank D. Roosevelt, presidente dos EUA a propósito desse acontecimento.

1946 - É criada a UNICEF (United Nations International Children's Emergency Fund em português, Fundo das Nações Unidas para a Infância), organização das Nações Unidas detentora de um fundo de emergência para apoio à infância.



1961 - Chegam ao Vietname do Sul forças heli-transportadas norte-americanas. Constituem o primeiro apoio militar direto de Washington ao país.
 
1967 - A França veta o início das negociações com o Reino Unido para a entrada na CEE.

1981 - O peruano Javier Perez de Cuellar é eleito secretário-geral das Nações Unidas.
 


1997 - É fixado o texto do protocolo final da Conferência de Quioto. Mais de 150 países aceitam diminuir a poluição atmosférica a níveis de 1989, para controlo do efeito de estufa.

2000 - Conclusão da Cimeira de Nice da UE, com o acordo de princípio sobre a reforma das instituições comunitárias e o alargamento aos países de Leste.

2006 - Morre Elizabeth Bolden (Somerville, Tennessee, EUA, 15 de agosto de 1890 - Memphis, Tennessee, EUA, 11 de dezembro de 2006), aos 116 anos, norte-americana, considerada a pessoa mais velha do mundo.
 


2007 - Um comboio de mercadorias atravessa, pela primeira vez em 50 anos, a fronteira entre as duas Coreias, anunciou o Ministério sul-coreano da Reunificação

2008 - Morre Ali Alatas (Jacarta, Indonésia, 4 de novembro de 1932 - Singapura, 11 de dezembro de 2008), aos 76 anos. Foi antigo ministro indonésio dos Negócios Estrangeiros do ditador Suharto.







Texto:
Paulo Nogueira


 

sábado, 5 de dezembro de 2015

EFEMÉRIDES do dia 5 de dezembro



Dia Mundial do Voluntariado para o Desenvolvimento Económico e Social ou Dia Mundial do Voluntariado.
Santo do dia, São Sabas , o Santificado (Mázaca, Capadócia, atual Turquia, 439 d.C. - Lavra da São Sabas, Cisjordânia, Palestina, 5 dezembro de 532 d.C.), interferiu junto do imperador em Constantinopla, a favor dos mais pobres, contra os impostos. Organizou e liderou um verdadeiro e próprio exército de monges anacoretas para dar apoio ao papa contra a heresia monofísista que agitou a igreja do Oriente. São Sabas está presente na relação dos grandes sacerdotes fundadores do monaquismo da Palestina. A festa em sua honra ocorre no dia da sua morte, a 5 de dezembro.



 

 

 

Em Portugal
 
 
1496 - O rei D. Manuel I assina o decreto de expulsão dos judeus de Portugal, considerados "hereges".
 
 
 
1889 - A família Imperial brasileira chega a Lisboa, após deixar o Brasil devido à Proclamação da República em 15 de novembro de 1889.
 
 
 
1905 - Nasce Ruy Luís Gomes (Porto, Portugal, 5 de dezembro de 1905 - Porto, Portugal, 27 de outubro de 1984), virá a ser matemático, investigador, fundador do Observatório Astronómico do Porto e do Centro de Estudos Matemáticos, candidato da oposição democrática às Presidenciais de 1951.
 
1917 - Golpe de Estado e tomada de poder (governo e presidência), por parte de Sidónio Pais.
 
1980 - É decretado o luto nacional, por cinco dias, pela morte do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e do ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa.
 
 
1984 - É constituída a AMI (Assistência Médica Internacional).
 
1985 - Inventores portugueses conquistam quatro medalhas de ouro, duas de prata e quatro de bronze no 34º Salão Internacional de Invenções de Bruxelas. Eureka-85.
 
1989 - Morre Maria Madalena de Azeredo Perdigão (Figueira da Foz, Portugal, 28 de abril de 1923 - Lisboa, Portugal, 5 de dezembro de 1989), aos 66 anos, figura chave na política cultural da Fundação Calouste Gulbenkian.
 
1996 - O centro histórico do Porto passa a Património Mundial, por decisão da UESCO.
 
 
 
2006 - O ministro da Administração Interna, António Costa, assina em Bruxelas a declaração política com vista à adesão de Portugal ao Acordo de Prum, um mecanismo de reforço da cooperação judiciária e policial transfronteiriça.
 
2010 - Morre o ator madeirense Virgílio Teixeira (Funchal, Madeira, Portugal, 26 de outubro de 1917 - Funchal, Madeira, Portugal, 5 de dezembro de 2010), aos 93 anos após vários meses de internamento no Hospital João de Almada.
 
 
 


 
 
No Mundo
 
 
1492 - Cristóvão Colombo na sua primeira viagem ao Novo Mundo descobre a ilha de Quisqueya (nome indígena) ou Hispaniola (nome espanhol).
 
 
 
1732 - Inicia-se no México a construção do edifício destinado ao Tribunal da Inquisição.
 
1791 - Morre o compositor do período clássico Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 27 de janeiro de 1756 - Viena, Áustria, 5 de dezembro de 1791), aos 35 anos.
 
 
 
1792 - Começa na Assembleia Nacional, o julgamento do rei Luís XVI, durante a Revolução Francesa que o levara à condenação à morte em 21 de janeiro de 1793.
 
1891 - Morre D. Pedro II do Brasil (Rio de Janeiro, Brasil, 2 de dezembro de 1825 - Paris, França, 5 de dezembro de 1891), aos 58 anos. Imperador do Brasil, D. Pedro II, "O Magnânimo", foi retirado do poder num súbito golpe de Estado ocorrido em 1889 e com a proclamação da república, passando os seus últimos dois anos de vida no exílio em Paris.
 
 
 
1901 - Nasce Walt Elias Disney (Chicago, EUA, 5 de dezembro de 1901 - Los Angeles, EUA, 15 de dezembro de 1966), virá a ser produtor cinematográfico e empresário norte americano. fundador da Walt Disney Company.
 
 
 
1913 - O Reino Unido proíbe o envio de armas para a Irlanda.
 
1914 - Na I Grande Guerra os austríacos derrotam os russos na batalha de Limanova, mas não conseguem passar as linhas russas diante de Carcóvia.
 
1933 - Termina o período da Lei Seca nos EUA, a vigorar desde 16 de janeiro de 1920.
 
 
 
1944 - II Guerra Mundial. Tropas aliadas tomam Ravena, Itália.
 
1945 - Desaparece misteriosamente o voo 19 na área do Triângulo das Bermudas.
 
1945 – Há 70 anos é escolhida a cidade de Nova Iorque para sede permanente da ONU (Organização Mundial das Nações Unidas). Onde mais tarde se vem a instalar o edifício da sua sede construído entre 1949 e 1952.
 
 
 
1961 - Forças das Nações Unidas lançam um ataque no Katanga.
 
1971 - A URSS veta, no Conselho de Segurança da ONU, a resolução que previa o cessar-fogo entre a Índia e o Paquistão, no conflito de Caxemira.
 
1978 - É aprovada a resolução que determina a instituição do Sistema Monetário Europeu a 13 de Março de 1979, segundo o acordo dos bancos centrais dos países da CEE.
 
 
 
1991 - O dirigente líbio Kadhafi anuncia o fecho de dois campos de treino do IRA na Líbia e a detenção de suspeitos de envolvimento num atentado contra o avião da PANAM, que matou 270 pessoas.
 
1994 - Entra em vigor o Tratado de Desarmamento Estratégico Start 1, assinado em 1991 entre os EUA e a URSS.
 
2003 - Atentado a um comboio no Sul da Rússia, perto da Tchetchenia, provoca 40 mortos e 103 feridos.
 
 
 
2005 - Ministros dos Transportes da União Europeia acordam liberalização dos transportes ferroviários de passageiros a partir de 2010.
 
2006 - A União Europeia aprova a proposta de Portugal para o alargamento em 2007 do espaço Schengen aos novos Estados-membros que aderiram em 2004.
 
2007 - Morre o compositor vanguardista alemão Karlheinz Stockhausen (Mödrath, Alemanha, 22 de agosto de 1928 - Kürten, Alemanha, 5 de dezembro de 2007), aos 79 anos. Autor de 362 obras e com um trabalho construído em torno da música eletroacústica, Stockhausen compôs entre 1954 e 1960 as suas obras mais conhecidas.
 
 
 
2008 - Morre Alexis II, Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia (Tallinn, URSS, 23 de fevereiro de 1929 - Peredelkino, Rússia, 5 de dezembro de 2008), aos 79 anos, foi o chefe supremo da Igreja Ortodoxa Russa e o 15º patriarca de Moscovo e de todas as Rússias desde 1990.
 
2012 - Morre o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer (Rio de Janeiro, Brasil, 15 de dezembro de 1907 - Rio de Janeiro, Brasil, 5 de dezembro de 2012), aos 105 anos. Foi considerado uma das figuras-chave no desenvolvimento da arquitetura moderna. Ficou conhecido pelos projetos em que esteve envolvido como os edifícios cívicos para Brasília em 1960, bem como a sua colaboração no grupo que projetou a sede das Nações Unidas em Nova Iorque.
 
 
 
2013 - Morre o político sul africano Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, África do Sul, 18 de janeiro de 1918 - Houghton, Joanesburgo, África do Sul, 5 de dezembro de 2013), aos 95 anos. Foi advogado, líder e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado importante líder da África negra e vencedor do Prémio Nobel de Paz em 1993.
 
2014 - Protestos, após casos de cidadãos negros mortos por agentes da polícia, atingem grandes cidades dos Estados Unidos como Nova Iorque, Chicago, Miami, Washington e Ferguson.
 
 
 
 
 
 
Texto:
Paulo Nogueira

 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

EFEMÉRIDES

 
1º de dezembro de 1640, Dia da Restauração 





A Restauração da Independência é a designação dada ao golpe de estado ocorrida a 1 de dezembro de 1640. Chefiada por um grupo designado de "Os Quarenta Conjurados", esta revolução alastrou-se por todo o Reino, mostrando a revolta dos portugueses conta a tentativa de anulação da independência do Reino de Portugal e pela governação castelhana com a Dinastia Filipina, que viria a culminar com a instauração da quarta dinastia portuguesa e com a aclamação de D. João IV "O Restaurador" (1604 - 1656) como rei de Portugal.
Em 1578, o rei D. Sebastião (1554 - 1578) era ainda muito novo, com 24 anos apenas, ansiava tornar-se famoso pelos seus feitos de armas. Decidiu, por isso, preparar um exército para combater os Mouros no Norte de África. Cansado e mal preparado o exército português sofreu uma pesada derrota na Batalha de Alcácer Quibir, que levou ao desaparecimento da maior parte nobreza do reino, incluindo o próprio rei D. Sebastião. O seu sucessor, o Cardeal D. Henrique (1512 - 1580), veio a falecer sem descendência dois anos depois. Com o fim da descendência direta de João III de Portugal (1502 - 1557), havia quatro hipóteses de sucessão: Catarina de Portugal ou o seu filho Teodósio, António ou Filipe II de Espanha.



Rei D. Sebastião 1554 -1578 (col. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)



Batalha de Alcácer Quibir em 1578 onde o rei D. Sebastião é dado como desaparecido (col. pess.)



                                                                                     Cardeal D. Henrique 1512 - 1580 (col. priv.)
 


Filipe I de Portugal e II de Espanha "O Prudente" (1527 - 1598), acabou sendo reconhecido como rei de Portugal, por ser o parente mais próximo nas Cortes de Tomar de 1581, e também beneficiou de vários fatores como a força do exército, a fama de boa administração e os argumentos monetários (assim como alguns subornos e ameaças militares). Não tardou muito por isso a obter o apoio do alto clero, da maior parte da nobreza, dos intelectuais, dos burocratas e dos comerciantes. Até o duque de Bragança teve que se submeter e de aceitar a candidatura filipina. Iniciou-se assim um período de 60 anos em que Portugal e Espanha foram governados pelo mesmo rei. Uma união ibérica tornava-se na altura uma ideia muito viável a nível económico, social e cultural. A nobreza portuguesa estava segura de que não iria perder as suas regalias, pois o rei Filipe I  concedeu os direitos pedidos pelos três estados. A nível económico e social Portugal cresceu bastante pois a troca de bens entre os países era muito mais facilitado e aliavam-se nas batalhas com os inimigos que possuíam (franceses e ingleses, e mais tarde os holandeses).
A nível cultural, uma União Ibérica iria completar o crescente processo de castelhanização que Portugal vinha a sofrer, da mesma forma que as influências culturais portuguesas se assinalavam em Castela. Só em finais do século XV e durante todo o século XVI é que a maioria dos autores, cortesões e homens educados portugueses se mostraram aptos para falar e escrever em castelhano, como foi o caso de Gil Vicente, o criador do teatro nacional, que escreveu em castelhano cerca de um quarto das peças que realizou. Ainda assim a perda de uma individualidade cultural era sentida por muitos portugueses, com reações diversas a favor da língua pátria e da sua expressão em termos de prosa e poesia. Contudo, os intelectuais que assim reagiam sabiam perfeitamente que os seus esforços seriam vãos sem a recuperação da independência política.
Depois de deixar Portugal para não mais voltar em 1583, Filipe I nomeou Alberto Ernesto de Habsburgo (1559 - 1621), cardeal e arquiduque de Áustria e  seu sobrinho favorito, a governar o país em seu nome. As normas específicas do governo ao país, entregues pelo monarca ao novo governador, confirmavam os artigos jurados em Tomar. Após mais de dez anos de descalabro governativo, de atos irresponsáveis e de impostos crescentes, o povo português parecia aceitar menos mal a perda da independência, pois a boa administração de Filipe I soube minorar o problema. Em 1593 Alberto é chamado por Filipe I para Madrid, ficando Portugal novamente sem governador. O primeiro conselho de regentes durou até 1600, entretanto Filipe I morreria em 1598, Filipe II de Portugal e III de Espanha "O Pio" (1578 - 1621), foi aclamado Rei em 1598. Em 1602 foram nomeados ministros castelhanos para o conselho de Portugal, violando os direitos de 1581, levando a uma insatisfação do povo português. Para apaziguar os descontentes, Filipe II veio para Portugal em 1619 onde esteve poucos meses e voltou para Espanha dando a regência do país a bispos e arcebispos que governavam na qualidade de vice-reis.



Rei D. Filipe I de Portugal e II de Espanha 1580 - 1598
 (col. Museo do Prado, Madrid)



                                                                            Aspeto geral da Lisboa quinhentista (col. pess.)



                                                                  Cardeal e arquiduque Alberto Habsburgo de Áustria 1559 - 1621 
                                                                                                               (col. priv.)



Chegada do rei D. Filipe II de Portugal a Lisboa no ano de 1619 por João Baptista Lavanha (col. priv.)
 

Rei D. Filipe II de Portugal e III de Espanha 1598 - 1621
(col. Museu do Prado, Madrid)

 
 
Após a morte de Filipe II sobe ao trono em 1621 Filipe III de Portugal e IV de Espanha "O Grande" (1605 - 1665), tendo confiado o governo como primeiro ministro a Gaspar Felipe de Guzmán conde duque de Olivares (1587 - 1645), dando início ao declínio do poderio espanhol. Com o fim do tratado de paz de 12 anos entre a Espanha e a Holanda, estes iniciaram uma dura batalha e, em 1630, a França alinha forças contra a Espanha. Portugal também era atacado, sobretudo por holandeses. A insatisfação dos portugueses era cada vez maior, tinham de pagar grandes impostos a Espanha, havia a necessidade de comprar recursos para as batalhas e, para além disso, Espanha usava os portugueses para batalhas espanholas. As modificações introduzidas na regência refletiram bem os problemas com que se debatia Guzmán e a sua maneira autoritária de lidar com eles. Uma vez mais vieram vice-reis para Portugal, ambos portugueses e ambos sem disposição para apoiar Guzmán nos seus atos. Todos se deram conta do perigo em que Guzmán estava ao forçar a centralização e sabiam que tinham que fazer alguma coisa se não queriam que acontecesse uma revolução. A ideia de recuperar a independência ganhava cada vez mais adeptos e vários grupos sociais começaram a aderir. Os portugueses aceitaram de bom grado a demissão do marquês de Alencar, anterior vice rei de Portugal, substituindo-o por uma junta de três membros, composta por o conde de Basto, D. Nuno Álvares Portugal e o bispo de Coimbra. Promulgou decretos sobre bens da Coroa, sobre fiscalização financeira, que feriam os interesses do povo e causando a indignação. Arrancou tributos, a titulo de subsídios voluntários, ameaçou fechar de novo os portos do reino aos holandeses, medidas que contribuíram para ruína de Portugal, que esperava lucrar com a atividade do novo ministro. A burguesia estava muito desapontada e empobrecida com os ataques aos territórios portugueses e aos navios que transportavam os produtos que vinham dessas regiões. A concorrência dos holandeses, ingleses e franceses diminuía-lhes o negócio e os lucros. Os nobres descontentes viam os seus cargos ocupados pelos espanhóis, tinham perdido privilégios, eram obrigados a alistar-se no exército espanhol e a suportar todas as despesas. Na prática, Portugal era como que uma província espanhola governada de longe, sem qualquer preocupação com os interesses e necessidades das pessoas que cá viviam, servindo-se delas apenas para pagar impostos que ajudavam a pagar as despesas do Império Espanhol que também já estava em declínio.



Rei D. Filipe III de Portugal e IV de Espanha 1605 - 1665 (col. priv.)
 
 
Gaspar de Guzmán conde-duque de Olivares 1587 - 1645 (col. Museu do Prado, Madrid)
 
 
 
Batalha naval entre espanhóis e holandeses em 1602 (col. priv.)
 

Ambiente na Lisboa dos séculos XVI/XVII (col. priv.)



Foi então que um grupo de nobres, cerca de 40, os designados,  "Conjurados", se começaram a reunir, secretamente, na casa de um dos conjurados, D. Antão de Almada (1573 - 1644), em Lisboa, hoje conhecido como Palácio da Independência, e aí planearam a última reunião que deu origem à Restauração da Independência de Portugal. Procurando analisar a melhor forma de organizar uma revolta contra Filipe IV de Espanha, os nobres revoltosos D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo e seu irmão Jorge de Melo, Pedro de Mendonça Furtado, António de Saldanha e João Pinto Ribeiro em 12 de outubro de 1640 reuniram-se e convenceram D. João de Bragança (1604 - 1656), que vivia no seu palácio de Vila Viçosa, a aderir à conspiração. No dia 1 de dezembro de 1640, cerca de 120 revolucionários invadiram de surpresa o palácio real (Paço da Ribeira). Como o rei e parte da sua comitiva se encontravam em Espanha por se aproximar o Natal, prenderam Margarida de Saboia Duquesa de Mântua (1589 - 1656), prima direita do rei de Espanha, feita vice rainha de Portugal pela coroa espanhola desde 23 de dezembro de 1634, obrigando-a a dar ordens às suas tropas para se renderem. Rebuscaram a sala do secretário Miguel de Vasconcelos e Brito (1590 - 1640), encontrando-o escondido num grande armário de madeira, assassinaram-no sem qualquer troca de palavras, tendo depois atirado o corpo pela janela para a praça. O duque de Bragança foi para Lisboa alguns dias depois e foi aclamado como rei D. João IV a 15 de dezembro de 1640. Termina assim, 60 anos do domínio espanhol sobre Portugal. Começava a 4.ª Dinastia Portuguesa (Dinastia de Bragança). Por todo o país, metropolitano e ultramarino, as notícias da mudança do regime e do novo juramento de fidelidade ao rei D. João IV foram recebidas e obedecidas sem qualquer dúvida. Portugal era novamente um país independente. A revolução de Lisboa foi recebida com júbilo por todo o país, restava agora, defender as fronteiras de Portugal de uma provável retaliação espanhola. Para o efeito, foram mandados alistar todos os homens dos 16 aos 60 anos e fundidas novas peças de artilharia. O esforço nacional foi mantido e só assim foi possível suster as sucessivas tentativas de invasão dos exércitos filipinos. Após várias batalhas travadas, como a dos Montes Claros, perto de Borba no Alentejo em 1668, esta a última batalha memorável entre as duas coroas, foi  assinado um acordo de paz definitivo, oficialmente designado por Tratado de Lisboa (1668). Paralelamente, entre 1641 e 1654, as tropas portuguesas conseguiram expulsar os holandeses do Brasil, como exemplo a designada batalha dos Guararapes, depois de Angola e de São Tomé e Príncipe, restabelecendo o território ultramarino português e o respetivo poder atlântico. No entanto, as perdas no Oriente tornaram-se irreversíveis e Ceuta viria a ficar na posse dos monarcas de Habsburgo. Portugal passou a obter grande parte dos seus lucros externos com a cana-de-açúcar e o ouro do Brasil, uma vez que deixou de ter disponíveis as mercadorias indianas.



Representação de reunião secreta dos conjurados em 1640 (col. pess.)
 
 
Palácio Independência em Lisboa na atualidade (arq. priv.)
 


                                                  Margarida de Sabioa marquesa de Mântua 1589 - 1656
                                                                                                                (col. priv.)


                                             Morte de Miguel Vasconcelos no Paço da Ribeira em Lisboa (col. priv.)

 

                                                   Dona Filipa de Vilhena arma os filhos cavaleiros em 1 de dezembro de 1640,
                                                                      dos quais D. João IV, por Vieira Portuense (col. priv.)


                                                                 Rei D. João IV 1604 - 1656 (col. priv.)


                                 Aclamação de João IV de Portugal, por Veloso Salgado (Museu Militar de Lisboa)


Páginas de literatura da época anunciando a legitimação da subida ao trono do rei D. João IV (col. priv.)



                                                    Carta de D. João IV, de 1647, solicitando o envio de 200 homens para o Recife,
                                                                         para ajudar na expulsão dos holandeses (arq. priv.)


                            Paço da Ribeira em 1662 ainda durante o período da Guerra da Restauração, por Dirk Stoop
                                                                                                 (col. Museu da Cidade, lisboa)



                                     Batalha de Montes Claros de 1668, gravura italiana contemporânea (arq. BNP)


                                         Representação em painel de azulejos seiscentistas da Batalha de Montes Claros em 1668
                                                                          (Sala das Batalhas do Palácio Fronteira, Lisboa)


Batalha naval entre holandeses e portugueses de Kochi em 1656 na sequência do domínio filipino (col. priv.)
 

A designada batalha dos Guararapes, com o objetivo de tomar o Recife aos holandeses em 1648,
                                                   por Victor Meirelles de Lima (col. Museu Nacional das Belas Artes, rio de Janeiro)

                     
 
Em Portugal, o primeiro dia do mês de dezembro é o feriado civil mais antigo, comemorado desde a segunda metade do século XIX. Em 2012 passou a ser assinalado em dia não-útil. É costume comemorar-se este feriado na Praça dos Restauradores, em Lisboa, junto ao monumento ali erguido em forma de obelisco em memória desse dia, inaugurado em 28 de abril de 1886. Essas comemorações com honras de estado onde também se comemora o Dia da Bandeira. Com a abolição do feriado, ele será festejado no domingo seguinte ao dia 1º de Dezembro. Em 2012 o XIX Governo Constitucional, apoiado por uma maioria PSD-CDS e liderado por Passos Coelho, suspendeu o feriado em dia da semana a partir de 2013. Esta medida, inicialmente anunciada como abolição, foi posteriormente redesignada por suspensão. O objectivo da medida, conforme declaração do Governo, era o de "acompanhar, por esta via, os esforços de Portugal e dos portugueses para superar a crise económica e financeira que o País atravessa". Decisão esta que será submetida a reavaliação em 2017, segundo o que ficou acordado na decisão anterior.

 
 
Aspeto geral da Praça dos Restauradores em Lisboa nas comemorações
do 1º de dezembro, Dia da Restauração em 2014 (arq. CML)


                                          Comemorações do 1º de dezembro, Dia da Restauração em 2014 (arq. CML)


                                    Pormenor do monumento ao 1º de dezembro de 1640 na Praça dos Restauradores em Lisboa
                                                                                                 (foto Paulo Nogueira)



 

 
 
 
Texto:
Paulo Nogueira
 
 
Fontes e bibliografia:
 
CRUZ, António, Portugal Restaurado - Estudos e Documentos, Civilização, Porto, 1940
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Limitada, Vol. 25, Lisboa/Rio de Janeiro, 1978, pp. 317-319.
SERRÃO, Joaquim Veríssimo, História de Portugal, volume  IV Governo dos reis espanhóis [1580-1640], Editorial Verbo, Lisboa, 1979