sábado, 11 de junho de 2016

RAFAEL BORDALO PINHEIRO


Da caricatura à cerâmica...






De seu nome Raphael Augusto Prostes Bordallo Pinheiro (Rafael Augusto Prostes Bordalo Pinheiro), nasceu no nº 47 da Rua da Fé, em Lisboa, a 21 de março de 1846, terceiro filho de doze irmãos, a quem se seguiria o célebre retratista Columbano Bordallo Pinheiro (1857-1929). Foram seus pais o pintor, escultor e gravador romântico Manuel Maria Bordallo Pinheiro (1815-1880) e D. Maria Augusta do Ó Carvalho Prostes. Desde muito cedo Rafael Bordalo Pinheiro ganhou gosto pelas artes. Com nove anos, ingressou no Liceu Central das Merceeiras e, quatro anos após, na Academia Real das Belas Artes de Lisboa, onde virá a frequentar classes de Desenho até 1871 e das qual fazia a parte as disciplinas de desenho de arquitectura civil, desenho antigo e modelo vivo. Entretanto, em 1865, matriculou-se ainda no Curso Superior de Letras, quando já tinha tido também, com apenas catorze anos, o seu primeiro contacto com o palco, ao integrar o elenco de uma peça que sobe à cena no Teatro Garrett e no Theatro Thalia do palácio do conde de Farrobo (teatro anexo ao palácio da Quinta das Laranjeiras em Lisboa). Este interesse que muito cedo despertara e o acompanhará por toda a vida certamente, motiva-o a inscrever-se, por essa época, no Curso de Arte Dramática do Conservatório de Lisboa. Todavia, não chega a concluir os estudos em qualquer destas áreas, pois o cumprimento disciplinado dos programas escolares escapa ao seu temperamento irrequieto, sendo um apaixonado pelo lado boémio da vida lisboeta. Em 1863, dá início à vida profissional como amanuense da secretaria da Câmara dos Pares, cargo esse conseguido por seu pai, ocupação que dificilmente conviria ao seu caráter, mas que parece manter até 1875 onde acabou por descobrir a sua verdadeira vocação, motivado pelas intrigas políticas dos bastidores. Data de 15 de setembro de 1866 o casamento de Rafael Bordalo Pinheiro com D. Elvira Ferreira de Almeida, enlace romanesco apadrinhado por Júlio César Machado (1835-1890), que se realiza contra a vontade da família da noiva, tendo nascido desse casamento, logo no ano seguinte, o seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920). Do tempo então passado na Quinta da Broa, na Golegã, resultam apontamentos a desenho e aguarela naturalistas, que fixam a paisagem e os costumes da região.


 
Casa onde nasceu Rafael Bordalo Pinheiro na Rua da Fé em Lisboa,
foto Eduardo Portugal (arq. AFML)
 


Rafael Bordalo Pinheiro quando
jovem (arq. priv.)
 
 
 
 Fachada do teatro Thalia junto ao palácio da Quinta das Laranjeiras
                                                                            onde Rafael Bordalo Pinheiro trabalhou (arq. AML)

 
    
 
       Praça do Comércio em 1868, a Lisboa da juventude de Rafael Bordalo Pinheiro, foto Francisco Rocchini
(arq. BNP)
 
 
 
Foto de família com Rafael Bordalo Pinheiro,
esposa e filhos em 1879
 (col. Museu Rafael Bordalo Pinheiro)
 
 
 
Quinta da Broa na Golegã onde Rafael Bordalo Pinheiro passa os primeiros tempos de casado (arq. priv.)



                                      Desenho ilustrativo de costumes da Golegã por Rafael Bordalo Pinheiro em 1869 (col. pess.)




Começou por tentar ganhar a vida como artista plástico com composições temáticas realistas. Estreia-se nos salões da Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal, em 1868, no qual seu pai também figura, não passando despercebidos os seus oito trabalhos a aguarela que apresenta de tipos populares da capital e do Ribatejo com os seus trajes vistosos, como a "Vendedeira de Queijos", o "Vendedor de Fósforos", "Vendeiras de Sardinhas" ou o "Vendedor de Palitos e Rocas". Na exposição de 1870, denunciam-se já os seus predicados de fino observador e a intuição do caricaturista, em obras intituladas "O Espirra-Canivetes", "Os Jogadores de Gamão" ou a série de "O Homem que ri". Até 1874, Rafael mantém uma presença assídua nos certames da Promotora, com cenas de costumes, algumas notadas pelo seu realismo como exemplo se destaca "O Tocador de Guitarra", em aguarela sobre papel. Contudo, a carreira artística de Rafael Bordalo Pinheiro encontraria outras vias de desenvolvimento, passando ainda pelo jornalismo, a ilustração e a decoração, precursor do cartaz artístico em Portugal, tendo produzido dezenas de litografias, dedicar-se-ia ainda à ilustração de menus para banquetes. Como exemplo, cite-se o livro de Júlio César Machado, Os Theatros de Lisboa"(1875), que é documentado com perto de 250 belos desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro. De notar que, entre 1873 e 1875, colabora como ilustrador nos periódicos estrangeiros La Ilustracion de Madrid, La Ilustracion Española y Americana" (1873), El Mundo Cómico (1873-74), El Bazar e em várias revistas francesas como L’Univers Illustré e revistas inglesas, além do prestigiado The Illustrated London News, que lhe dirige convites de trabalho em Londres, que Bordalo não aceita.
Mas será com a caricatura artística que o génio de Rafael Bordalo Pinheiro deixará uma marca indelével e inconfundível no século XIX português. O seu lápis traduz no quotidiano a perspicaz e oportuna observação do humor bordaliano, que caracteriza a política do país escalpelizando os seus ícones, cria símbolos das realidades nacionais, dos quais o Zé Povinho se ergue como a imagem dum povo explorado e sofredor, mas conformado com a sorte que lhe cabe. Rafael Bordalo Pinheiro perfila-se como o crítico, mas também como o lutador em defesa dos valores e da dignidade de Portugal. Em 1870, o sucesso obtido por uma caricatura alusiva à peça em cena intitulada O Dente da Baronesa, folha de propaganda a uma comédia em 3 atos de Teixeira de Vasconcelos, revelará um talento e irá despoletar uma paixão para a cena do humorismo gráfico. Esse ano viu surgir sucessivamente o espirituoso álbum de caricaturas em três publicações; O Calcanhar d’Aquiles, a folha humorística A Berlinda, da qual saem sete números, e O Binóculo, periódico semanal à venda apenas nos teatros, com quatro números publicados. Desenvolveu a sequência narrativa figurada, precursora da banda desenhada em Portugal, e em 1872 edita o álbum intitulado Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do imperador de Rasilb pela Europa, que relata as peripécias do soberano Rasilb (anagrama de Brasil), em visita à Europa. Deu ainda à estampa o Mapa de Portugal, cujo êxito foi assinalado por vendas superiores a 4000 exemplares, no espaço de um mês. Seguiu-se o MJ ou a História Tétrica de uma Empresa Lírica, em 1873. O momento mais alto e mais sentido será, sem dúvida, o da crise do Ultimatum britânico de 1890, que motiva inúmeras páginas patrióticas e a personificação da Inglaterra na figura anafada e arrogante de John Bull.

 
 
Rafael Bordalo Pinheiro
em 1876 (arq. priv.)
 
 

                Cena popular ribeirinha com vendedeiras de sardinhas, aguarela sobre papel de 1868
por Rafael Bordalo Pinheiro (col. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa)
                                                            



O Tocador de Guitarra, aguarela sobre papel de 1874 por Rafael Bordalo Pinheiro
 (col. priv.)



                                                                                 Menu ilustrado por Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                         (col. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa)




                                           Algumas da publicações estrangeiras onde Rafael Bordalo Pinheiro colaborou  (col. priv.)




 

                                                                                          




                                                             Publicação Os Theatros de Lisboa (1875), com 250 belas ilustrações
                                                                                       de Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)
                                                                                                           



                                                                         Caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro na sua mesa de trabalho 
                                                                                                                                     (col. priv.)



Ilustração da figura do Zé Povinho de Rafael Bordalo Pinheiro
        (col. pess.)


 
                                               Pagina da publicação A Berlinda de 1870, com ilustrações de Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                                               (col. priv.)



                                                                   Página de publicação O Binoculo nº 01 de 29 de Out. de 1870
                                                                                          (col. Museu Rafael Bordalo Pinheiro)

 



                                                 Capa e página da publicação Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa,
                                                          in apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro de 1872 1ª edição (col. pess.)

 


                                              Cartaz artístico de 1881 da peça teatral Calderon da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                                              (col. priv.)

 
 
                                                          Cartaz artístico de 1884 da peça teatral de Fantoches de Madame Diabo 
                                                                              da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)





 Caricatura sarcástica alusiva a John Bull e ao Ultimatum inglês contra Portugal,
                                                                                     por Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)
 
 

Rafael Bordalo Pinheiro entre os anos de 1869 e 1879
 in Illustração Portugueza de 1902 (col. priv.)
 


 
 
Data de 1875 a iniciativa então de maior alcance, com a criação do primeiro jornal dedicado à crítica social, A Lanterna Mágica. São companheiros de Bordalo neste empreendimento Guilherme de Azevedo (1840-1882) e Guerra Junqueiro (1850-1923), um projecto que faz a crónica dos factos sociais, enquanto tece a crítica às políticas e às instituições. Neste contexto, nasce a figura do Zé Povinho, tão acertada no seu conteúdo, que permanece no imaginário português com uma reforçada carga simbólica. Na sua figura bem popular, o Zé Povinho, conseguiu projetar a imagem do povo português de uma forma simples mas ao mesmo tempo fabulosa, atribuindo um rosto ao país. O mesmo Zé Povinho que continua a ser retratado até aos nossos dias por vários caricaturistas para assim revelar de forma humorística os poderes da sociedade. Definia-se o vasto campo da actuação de Rafael Bordalo Pinheiro, não só de expressão artística e de vivacidade de espírito crítico, mas de intervenção cívica e patriótica. Surgindo nessa época uma proposta de colaboração no jornal brasileiro de humor O Mosquito, no verão de 1875, parte para o Rio de Janeiro, onde viverá quatro anos, apesar de uma difícil adaptação ao meio, saudades da sua pátria e duas tentativas de assassínio. A sua permanência no Brasil fica ainda assinalada pela criação de duas revistas de caricaturas, o Psit!!! (1877) e O Besouro (1878-79). É a oportunidade para nascerem do seu lápis novas personagens-tipo da sociedade carioca, tais como o "Psit!", o "Arola" ou o "Fagundes". Em Lisboa, publicava-se o Album de Caricaturas: Frases e Anexins da Língua Portuguesa (1876), ilustrado com desenhos de Bordalo. Logo após o seu regresso a Portugal, em agosto de 1879, deu início à publicação da primeira série de O Antonio Maria, cujo título alude a António Maria Fontes Pereira de Melo, figura política dominante que presidira ao Ministério. Até janeiro de 1885, nas páginas desta revista onde também colaborou Guilherme de Azevedo, conjuga-se um combate de ideias que visa os partidos no exercício do poder e as debilitadas instituições da monarquia. Rafael Bordalo Pinheiro publica em 1881 a obra intitulada No Lazareto de Lisboa, trata-se de um álbum auto - satírico, onde o autor ensaia uma espécie de banda desenhada autobiográfica sobre a sua experiência traumática no famoso Lazareto de Lisboa (local de quarentenas na margem sul do Tejo em Porto Brandão destinado a viajantes que entravam em Lisboa por via marítima suspeitos de doenças contagiosas), aquando o seu regresso do Brasil onde fica de quarentena.  Em simultâneo, vão saindo as folhas do Album das Glorias, a primeira edição a partir de 1880, com 42 caricaturas de personalidades e instituições portuguesas, comentadas por literatos contemporâneos. Esta publicação manteve-se até 1883. Na sua globalidade, estas obras, a que ainda acrescem edições do Almanach do Antonio Maria de 1882 a 1884, constituem o cerne da obra gráfica de Rafael Bordalo Pinheiro, o apogeu do criador e um momento ímpar na cultura portuguesa.
 
 
 
 
                                                  Rafael Bordalo Pinheiro em meados de 1880 (arq. pess.)
 
 
 

Capa da primeira publicação da  Lanterna Magica de 15 de maio de 1875
 (col. Museu Rafael Bordalo Pinheiro)



Capa da segunda publicação da Lanterna Magica de 22 de maio de 1875
(col. priv.)



                                         Alusão à figura do Zé Povinho na publicação Lanterna Magica (col. priv.)
 



O Rio de Janeiro em 1875 que Rafael Bordalo Pinheiro conheceu, albumina/prata (col. Instituto Moreira Salles)
      


                                      Rafael Bordalo Pinheiro num grupo de amigos aquando a sua estadia no Brasil em 1875
                                                                                     in Illustração Portugueza de 1902 (col. priv.)



                                                       Capa da publicação brasileira O Mosquito de 6 de janeiro de 1876 (col. priv.)


      

                               
                                                    Páginas da publicação O Mosquito mostrando o impacto de Rafael Bordalo Pinheiro
                                                             aquando da sua chegada ao Brasil em 11 de setembro de 1875 (col. priv.)



Capa da primeira publicação brasileira do Psit!!! de 15 de setembro de 1877
                                                                                                            (col. priv.)
                       


Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro na publicação O Besouro nº 2 de 1878
(arq. BNP)
 
  
 
 
Contra capa da publicação Album de Caricaturas  Phrases e Anexins da Lingua Portugueza de 1876 (col. priv.)




Ilustrações da publicação Album de Caricaturas  Phrases e Anexins da Lingua Portugueza de 1876 (col. priv.)





Algumas caricaturas da publicação Album de Caricaturas  Phrases e Anexins da Lingua Portugueza de 1876
 por Rafael Bordalo Pinheiro (col. pess.)


 
 
Capa da coleção da publicação de O Antonio Maria I série (col. priv.)



Página da primeira publicação do jornal de humor político O Antonio Maria
 I série  de 12 de junho de 1879 (col. priv.)



Ilustração alusiva a Ramalho Ortigão por Rafael Bordalo Pinheiro na publicação
O Antonio Maria de  3 de julho de 1879 (col. priv.)
 
 

Rosa Araújo e a Avenida da Liberdade por Rafael Bordalo Pinheiro na publicação
O Antonio Maria de 28 de agosto de 1879 (col. priv.)
 
 
 
Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro alusivo ao sufrágio e ao Zé Povinho
na publicação o Antonio Maria de 19 de dezembro de  1879 (col. priv.)
 
 
 
Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro publicada na revista O Antonio Maria,
número 86, ano III, de 20 de Janeiro de 1881 (col. priv.)
 
 
 
Ilustração da publicação O Antonio Maria  nº 154 de Maio 1882 alusiva ao Marquês Pombal (col. priv.)
 
 
 
Ilustração de página da publicação O Antonio Maria de 1883
alusiva ao Kiosque Bordalo (col. priv.)
 
 
 
Página da revista O Antonio Maria de 3 de janeiro de 1885 (col. priv.)
 
 
 
 
Ilustração alusiva à questão inglesa da publicação O Antonio Maria de 5 de março de 1891 (col. priv.)
 
 
 
Página da publicação O Antonio Maria com ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro,  A Politica
de 1892 (col. priv.)
 
 

Gravura alusiva ao Zé Povinho em o dia de reis na publicação O Antonio Maria
 por Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)





   
                
                                                                         Capa e paginas da publicação No Lazareto de Lisboa de 1881
                                                                                                       por Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                                 (arq. Biblioteca Nacional de Portugal)
                              
 



                                   Ilustrações de No Lazareto de Lisboa, representando o Joaquim dos Melões e o quarto, de 1881
                                                              por Rafael Bordalo Pinheiro (arq. Biblioteca Nacional de Portugal)



 Capa da publicação Album das Glorias por Rafael Bordalo Pinheiro de 1880 a 1883
(col. priv.)


                                       Página de abertura da publicação Album das Glorias, 1880 a 1883 (col. priv.)




             






       
            Algumas das figuras e tipos públicos da época em caricatura por Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                      in Album das Glorias, 1880 a 1883 (col. priv.)
                                               



  Capa da publicação Almanach do Antonio Maria para 1882
(arq. Biblioteca Nacional de Portugal)
 
 
Ilustração da publicação Almanach do Antonio Maria de 1882 (col. priv.)
                                     



Capa da publicação Almanach do Antonio Maria para 1883-84 (col. priv.)
 
 
 
Ilustração da publicação Almanach do Antonio Maria, 1883-84 (col. priv.)
                                   


Rafael Bordalo Pinheiro entre os anos de 1862 e 1881
                                                                                  in Illustração Portugueza de 1902 (col. priv.)
                                                                  



 Foto de Rafael Bordalo Pinheiro publicada no Almanach do Antonio Maria, 1883-84
                                                                                                           (col. priv.)

                                                

É por esta época que Rafael Bordalo Pinheiro integra o chamado "Grupo do Leão" (1881-89), importante formação livre apoiada por Alberto de Oliveira (1861-1922), que reúne artistas, escritores, intelectuais em torno de Silva Porto (1850-1893) e inclui os pintores José Malhoa (1855-1933), António Ramalho (1859-1916), João Vaz (1859-1931), Moura Girão (1840-1916), Henrique Pinto (1853-1912), Ribeiro Cristino (1858-1948), Rodrigues Vieira (1856-1898), Cipriano Martins e ainda Columbano, que pinta o célebre retrato de grupo (1885) onde figuram estes protagonistas à mesa do Leão d’Ouro, acompanhados por Manuel Fidalgo e outro dos criados daquela cervejaria lisboeta. Também Rafael caricatura os mesmos na "Alegoria ao Grupo do Leão", óleo a simular azulejo em que cada artista surge com os atributos do seu género de pintura. De 1885 a 1891, publica o Pontos nos ii, revista com idêntica intenção e semelhante na postura de defesa das causas portuguesas e de denúncia clara das manobras políticas, em que assumem particular relevo a "Questão com a Inglaterra", o "Monopólio dos Tabacos", o "Ultimatum inglês" e a "Revolta do Porto de 31 de janeiro". É na sequência das empenhadas páginas dedicadas a este último acontecimento que o jornal é encerrado pelo Governo Civil de Lisboa, logo após o número de 5 de fevereiro de 1891. Será a oportunidade para o rápido reaparecimento numa segunda série de O António Maria, que perdurará até 1899. Em 1900, dá lugar  à  A Parodia, vendida ao preço de 20 réis cada exemplar, o primeiro número desta publicação sai a 17 de janeiro de 1900. Publicação esta que atesta o desencanto de Rafael Bordalo Pinheiro face à vida política do País, substituindo-a cada vez mais pelo comentário do seu desenho aos eventos e às personalidades do meio artístico lisboeta, e dando espaço à colaboração do filho Manuel Gustavo. No entanto, ou por isso mesmo, é nas capas dos primeiros números desta revista que caricatura os variados aspetos da realidade socioeconómica, de forma tão certeira que a sua aplicação continua a ser lembrada com acuidade, seja "A Política: a Grande Porca", "A Finança: o Grande Cão", "A Economia: a Galinha Choca", "A Retórica Parlamentar: o Grande Papagaio", "O Progresso Nacional: o Grande Caranguejo", "A Burocracia: a Grande Rata", "A Beneficencia: o Grande Kagado" e "A Instrução Pública: a Grande Burra". De referir que A Parodia é a última publicação criada por Rafael Bordalo Pinheiro, dando seguimento às restantes publicações o seu filho Manuel Gustavo. Ao longo do tempo, a seu lado, nos periódicos, estiveram Guerra Junqueiro, Guilherme de Azevedo, Ramalho Ortigão, Marcelino Mesquite, João Chagas entre muitos outros.


 Grupo do Leão, a que pertenceu Rafael Bordalo Pinheiro, por Columbano Bordalo Pinheiro, 1885
                                                                                            (col. Museu do Chiado, Lisboa)

                          

   Sala da celebre cervejaria Leão d'Ouro por J. Ribeiro Cristiano in O Occidente de 1 de maio de 1885 (col. pess.)




                                             Capa da coleção da publicação Pontos nos ii de 1885 (col.priv.)



                                                Página da publicação Pontos nos ii de 7 de maio de 1885
                                                                                      (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)




                      Página da publicação Pontos nos ii de 21 de maio de 1885
                                                   (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



                              Pagina da publicação Pontos nos ii alusiva ao pavilhão de Portugal na Exposição de Paris de 1889
                                                                          da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)




                                                         
                                                       Caricatura de John Bull relativa ao Ultimatum inglês e a partilha da África,
                                                                                da publicação Pontos nos ii de 1890 (arq. priv.)



                                                                    Página da publicação Pontos nos ii de 3 de janeiro de 1891
                                                                                       (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



                                          Página da publicação O Antonio Maria II série de 5 de março de 1891
                                                                                          (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



                                          Ilustração alusiva à questão inglesa da publicação O Antonio Maria de 5 de março de 1891
                                                                                                               (col. priv.)



                                                            Página da publicação O Antonio Maria II série de 8 de janeiro de 1892
                                                                                        (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



                                                            Página da publicação O Antonio Maria II série de  6 de janeiro de 1898
                                                                                         (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)




                                                    Capa da coleção da publicação A Parodia de 1900
                                                                                        (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



                                                                Capa da primeira publicação A Parodia de 17 de janeiro de 1900
                                                                                       (arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



                                            Páginas da primeira publicação A Parodia de 17 de janeiro de 1900 (col. priv.)



                                             Ilustração da revista A Paródia de 1900 (col. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



Página da publicação A Paródia de 1900 (col. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa)
 


Página da publicação A Parodia de 22 de agosto de 1900 (col. pess.)



                         Páginas com ilustrações alusivas aos carros elétricos da publicação A Parodia de 1902 (col. priv.)



                                   As duas soberanias, por Rafael Bordalo Pinheiro in A Parodia de 1902 (col. pess.)



                                              Ilustração da publicação A Parodia nº 22 de 1903 (arq. priv.)




                           Autocaricatura de Rafael Bordalo Pinheiro, intitulada vinte annos depois
                                                                                                in A Parodia de 1903 (col. priv.)
                                                          



                                                   Ilustração da publicação A Parodia de 1905 (col. priv.)

 

 
 














 

 
                          Caricaturas satíricas dos variados aspetos da realidade socioeconómica portuguesa da época
                                                           criadas por Rafael Bordalo Pinheiro na publicação A Parodia (col. priv.)

 

                      
Rafael Bordalo Pinheiro e seus colaboradores de 1882 a 1884 (arq. pess.)
         


 
A criação da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha sob a direção artística de Rafael Bordalo Pinheiro que aceitou chefiar esse setor, e a sua instalação na vila, em 1884, contribui decisivamente para a revitalização da ancestral cerâmica local, quer pela revolução das formas, quer pela gramática decorativa de raiz francamente naturalista e tantas vezes duma exuberância que desafia a realidade.
A fábrica nasceu de um projeto do próprio Rafael Bordalo Pinheiro com o apoio do seu amigo Ramalho Ortigão (1836 - 1915), da sua irmã Maria Augusta e do seu irmão Feliciano Bordalo Pinheiro (1847 - 1905). Esta ideia surge no decorrer de 1884, após os dois irmãos terem realizado viagens de estudo e trabalho a indústrias de cerâmica em Inglaterra, França e Bélgica. O terreno para a instalação do complexo fabril, com 80.000 metros quadrados, foi adquirido à época por dois contos de réis. Nele existiam duas nascentes de água e dois barreiros, matérias-primas essenciais para o projetado fabrico de telhas, tijolos e louça artística. A escritura de constituição da fábrica, como sociedade anónima de responsabilidade limitada, foi assinada a 30 de junho de 1884. A direção foi entregue pelos acionistas fundadores a dois diretores, Rafael Bordalo Pinheiro, responsável pelos aspetos técnico-artísticos e seu irmão Feliciano Bordalo Pinheiro, responsável pelos aspetos organizativos. Foi o próprio Rafael Bordalo Pinheiro que de imediato se encarregou da conceção arquitetónica das instalações. Como resultado, foi erguido um pavilhão de dois andares com dois corpos laterais de pavimentos térreos, destinados a aulas e depósito de louça, envolvido por um parque ajardinado e arborizado, e um grande edifício de um só pavimento onde estavam instaladas as máquinas do mais recente da época como uma máquina elétrica de Fauce de Limoges para depurar a massa e uma máquina a vapor de 25 cavalos de força com caldeira tubular de Danayer. Incluía ainda este pavilhão as oficinas, para além de três fornos. O conjunto dispunha ainda um grande pavilhão para venda e armazenamento dos produtos acabados. O objetivo social da empresa era o de "explorar a indústria cerâmica no ramo especial das faianças", e propunha-se a lançar no mercado, além de produtos de cerâmica ornamental e de revestimento, e louça do tipo que então se cultivava nas Caldas: "objectos da mais fina faiança estampados com gravuras originais para usos ordinários, e louça ordinária para os usos das classes menos abastadas".
Com o inicio da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, a oportunidade de passar à argila a caricatura e o humor das revistas, entre muitos outros motivos criando os bonecos de movimento, como o Zé Povinho, a Velha Maria, a Mamuda Ama das Caldas, o Cura, o Sacristão, o Polícia entre muitos outros. Rapidamente as peças ai produzidas adquiriram um cunho original. Vasos, jarras, bilhas, pratos e outras peças demonstraram um labor tão frenético e criativo quanto barroco e decorativo. Mas Rafael Bordalo Pinheiro não se restringiu só à fabricação de loiça ornamental, para além de ter desenhado uma originalíssima baixela em prata, da qual se destaca um faqueiro para o 3º visconde de São João da Pesqueira, satisfez dezenas de pequenas encomendas para a decoração de palacetes como o palácio do Beau Séjour em Benfica, com painéis de azulejos, frisos, bustos, floreiras, centros de mesa, molduras, alfinetes, perfumadores, candeeiros, etc., inspirados no estilo Manuelino e na Arte Nova muito em voga nesta época. Por outro lado, executou cerca de 60 figuras da Paixão de Cristo (1887-99) para as Capelas do Buçaco, esculturas em terracota á escala humana de grande animismo, individualidade e movimento, uma encomenda do Governo português de então, para 86 figuras, que não foi concluída, e se pode apreciar no Museu de José Malhoa, nas Caldas da Rainha. De referir que este conjunto escultórico foi restaurado em 2014 com o apoio mecenático  da Fundação Millennium BCP. Mas não só a faiança das Caldas deve a Bordalo Pinheiro o desbravar de caminhos, também a arte do barro portuguesa em geral colhe benéfico fruto da ação e da inspiração desse notável vulto da cultura portuguesa. Embora financeiramente a fábrica de cerâmica se tenha revelado um fracasso, a genialidade deste trabalho notável teve expressão nos prémios conquistados. Rafael Bordalo Pinheiro dirige ainda parte da construção do Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Paris de 1889, nomeadamente na decoração das salas, empreendimento grandioso que reúne e valoriza os produtos nacionais, alcançando aí a cerâmica das Caldas da Rainha notável sucesso e sendo o artista galardoado com uma medalha de ouro. Em 1892, em colaboração com Ramalho Ortigão, realiza outro importante projeto internacional, a decoração da secção portuguesa da Exposição Colombiana de Madrid, segundo programa de motivos náuticos de grande visibilidade, onde ganha uma medalha de ouro. Outros prémios em exposições se seguiram, como a medalha de ouro em Antuérpia (1894), novamente em Madrid (1895), em Paris (1900) e em St, Louis nos EUA (1904). Em 1908 Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, prosseguindo o trabalho do pai, funda a Fábrica de San Rafael, assumindo a sua direção e a partir de 1922  muda de designação para Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro.

Até aos dias de hoje, apesar de algumas crises, a Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro e desde há mais de um século, continua responsável pela conceção de uma galeria de peças de cerâmicas utilitárias e decorativas, que se constituíram como referência artística a nível mundial. Continuando a empregar grande parte das técnicas centenárias na produção dos moldes, esta fábrica prossegue a recuperação de um legado insubstituível. No entanto e durante o século XX, diversas fábricas de cerâmica surgiram na região das Caldas da Rainha reproduzindo também peças de inspiração bordaliana.




                                                Rafael Bordalo Pinheiro numa foto cómica da época (col. priv.)


 
Desenho a aguarela com um esboço do edifício principal da fábrica e atelier de faianças das Caldas da Rainha
 por Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)
    
 
 
                                            Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha in revista O Occidente, novembro de 1887
                                                                                                               (col. pess.)
 
 

Titulo da 1ª ação da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha de 1884
                                                                                                              (col. priv.)
 

 

Aspetos da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha em finais do séc. XIX (arq. priv.)

 

Maquinaria da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha em finais do séc. XIX (arq. priv.)



Postal do início do séc. XX e fornos da Fábrica de Faianças as Caldas da Rainha (col. pess.)
 
          


Parte das  60 figuras da Paixão de Cristo executadas entre 1887-99 para as Capelas do Buçaco,
esculturas em terracota por Rafael Bordalo Pinheiro
(col. Museu José Malhoa, Caldas da Rainha)




 Souvenir em gesso do pavilhão de Portugal na Grande Exposição de Paris de 1889
                                                               no qual Rafael Bordalo Pinheiro participou no projeto (col. priv.)
                               



As famosas figuras com movimento em cerâmica criadas por Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)



Peça caricatural representando John Bull de 1890 da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha
(col. Museu da Cerâmica)
 



Atelier da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha no início do séc. XX (arq. priv.)
     



                                                  Jarra com rãs de 1893, peça de inspiração Arte Nova por Rafael Bordalo Pinheiro 
                                                           da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha (col. Museu da Cerâmica)




                                                 Candelabro renascentista em faiança artística de 1894 por Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                                                (col. priv.)




                                               Prato com lagosta e folha de couve num cesto, faiança Bordalo Pinheiro de 1894 
                                                                                     (col. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa)



Cinzeiro com figura Ó Viva da Costa em cerâmica Bordalo Pinheiro de 1896
(col. Museu Bordalo Pinheiro)



Anúncio alusivo à Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha de 1896
                                                                                                               (col. priv.)
                 



Bule tipo caricatural e marca de fabrico, peça moldada e modelada,
                                                                                       1897-1906 de Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha 
                                                                                                  (col. Museu da Cerâmica)






Penico representando John Bull, de 1897 por Rafael Bordalo Pinheiro
da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha
(col. priv.)
                              



                                                                               Azulejo da autoria de Rafael bordalo Pinheira
                                                                                       (col. Jardim Joaquim Bordalo Pinheiro)



                                             Azulejos da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro com motivos típicos do estilo Arte Nova
                                                                                              do início do séc. XX (col. priv.)
                                                                                                                  



                                             Rafael Bordalo Pinheiro trabalhando numa peça de cerâmica (arq. priv.)



Candeeiro de teto a gás em cerâmica da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro
(col. Palácio Beau Séjour, Benfica, Lisboa)



                             As famosas andorinhas em cerâmica da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro (col. priv.)

 

 
Prato com pêssegos em faiança e marca de fabrico da Fábrica de Faianças
das Caldas da Rainha de 1900
 (col. priv.)
 
 

 
 
 
 
 
Postal do início do séc. XX mostrando o exterior da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha (col. pess.)
 
 
 
 
Aspeto do pavilhão de vendas da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha no início do séc. XX (arq. priv.)
 


Caixa Toma, alusiva ao Zé Povinho, em  faiança artística Bordalo Pinheiro de 1904
(col. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa)




                                                                            Caneca em faiança artística das Caldas da Rainha 
                                                                                                  (col. Casa dos Centenários)

 
Jarro utilitário em faiança artística das Caldas da Rainha (col. Casa dos Centenários)
 



Azulejos da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha por Rafael Bordalo Pinheiro do início do séc. XX
(col. priv.)

 


    Peças em faiança artística criadas por Rafael Bordalo Pinheiro e fabricadas na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha
de final do séc. XIX e início do sec. XX (col. priv.)
 
    
    
 
 
Placa em cerâmica alusiva à Fábrica de Faianças Artisticas Bordalo Pinheiro Lda.
(col. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa)
 
 
 
Postal mostrando a oficina da antiga Fábrica de Faianças Artisticas das Caldas da Rainha do início do séc. XX
(col. pess.)
 
    

    Postal ilustrado do início do séc. XX mostrando a sala de exposição da Fábrica de Faianças Artisticas das Caldas da Rainha (col. pess.)
 
 
 
 
Publicidade da Fábrica de Faianças Bordallo Pinheiro do início do séc. XX
(col. priv.)
 
 
 

Fachada do edifício da Fábrica de Faianças Artisticas Bordallo Pinheiro nas Caldas da Rainha na atualidade
(arq. priv.)
 
  
 

    Exposição de venda de peças artísticas atuais em cerâmica da Fábrica de Faianças Artisticas Bordallo Pinheiro (arq. priv.)
 


 
 Peças em faiança da Fábrica de Faianças Artisticas  Bordallo Pinheiro
fabricadas e comercializadas na atualidade
 (foto do fabricante)
  
 
 
 
Pequena terrina em faiança artística forma de couve estilo Bordalo Pinheiro de fabrico da concorrência
(col. RD)
 
 
 
Azeitoneira em forma de folha de couve em faiança e marca de fabrico,
                                                                        ao estilo Bordalo Pinheiro de fabrico da concorrência 
                                                                                                            (col. pess.)




 
 
                                     Caixa para ovos em forma de galinha e marca de fabrico em faiança estilo Bordalo Pinheiro
                                                                                            de fabrico da concorrência
                                                                                                            (col. pess.)

                                                                                   
                                      



 
Desde sempre dotado de um enorme sentido de humor mas também de uma crítica social bastante apurada e sempre em cima do acontecimento, caricaturou todas as personalidades de relevo da política, da igreja e da cultura da sociedade portuguesa do seu tempo. Apesar dessa crítica demolidora revelada nos seus desenhos, as suas características pessoais e artísticas cedo conquistaram a admiração e o respeito do público em geral que teve a expressão notória num grande jantar em sua homenagem realizado em 6 de junho de 1903 na sala do Teatro Nacional D. Maria II, que de forma inédita congregou à mesma mesa praticamente todas as figuras que o artista tinha caricaturado.
Aos 58 anos, quando a sua produção artística ainda teria muito a revelar, Rafael Bordalo Pinheiro morre em Lisboa, no º 28 na Rua da Abegoaria (atual Largo Rafael Bordalo Pinheiro) na freguesia do Sacramento no Chiado, no dia 23 de janeiro de 1905. Teve um funeral católico, no qual participaram várias dezenas de pessoas, incluindo políticos de destaque, onde o jovem médico António José de Almeida (1866 - 1929), se destacou com um oração fúnebre. Segundo o autor José-Augusto França, foi esta até então, a maior consagração pública prestada a um artista plástico em Portugal. Rafael Bordalo Pinheiro, homem de espírito criador, grande talento de artista, renovador da cerâmica das Caldas das Rainha, o caricaturista "pai" do Zé Povinho, deixou uma obra que se identifica com o próprio País e o seu povo, não só pelo génio do Artista, mas também pela intervenção do Homem.
Permanecem de surpreendente actualidade os seus comentários à política, à economia, à sociedade da época, nas revistas de caricatura e humor que editou, atitude que reflectiu na cerâmica que, a partir de 1884, logra revitalizar nas Caldas da Rainha. Também durante o século XX diversas fábricas de cerâmica surgiram na região das Caldas da Rainha produzindo peças de inspiração bordaliana.

O primeiro museu dedicado à obra de Rafael Bordalo Pinheiro é a Casa Museu de São Rafael, situada na Rua Rafael Bordalo Pinheiro nº 53, nas Caldas da Rainha, foi a antiga casa do seu filho Manuel Gustavo. O Museu foi fundado no ano de 1884 com as peças produzidas no decorrer dos anos na fábrica de cerâmica do artista. Nele se exibem as diferentes fases de elaboração das peças. O acervo da Casa Museu é constituído sobretudo por cerâmica produzida ao longo dos anos na Fábrica Bordalo Pinheiro, contendo originais e cópias de peças desenhadas e executadas pelo artista no final do século XIX. Já o Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, tem origem na importante colecção gráfica bordaliana reunida pelo poeta e panfletário republicano Artur Ernesto de Santa Cruz Magalhães (1864 - 1928), grande admirador da obra de Bordalo, que em 1913, encomenda o projecto para uma moradia no Campo Grande, ao arquitecto Álvaro Machado (1874 - 1944), iniciando aí a instalação da colecção. De referir que esta moradia recebeu em 1914 uma menção honrosa do prémio Valmor. O Museu abre ao público em 1916, ainda confinado apenas ao primeiro andar do edifício, mas em 1922 havia já sofrido remodelações, designadamente a criação de novas salas exposição. Nesta data era já significativo o número de actividades de divulgação da obra do artista, entre exposições temporárias temáticas, conferências, criação do Grupo de Amigos Defensores do Museu e iniciativas para legar o museu ao Município de Lisboa, ideia que o fundador do museu acalentava desde a sua criação e que se veio a concretizar em 1924. Reabre em 1926, já na posse da Câmara Municipal de Lisboa, remodelado e ampliado ao rés-do-chão, oferecendo ao público, para além da obra gráfica, uma importante colecção de cerâmica e uma biblioteca, a que se sucedem novas incorporações fruto de aquisições e de doações de obras até então na posse de familiares de Bordalo e de coleccionadores particulares. O Museu Bordalo Pinheiro reúne a mais completa coleção bordaliana: 1200 peças de cerâmica; 3500 exemplares de gravura; 3000 originais, entre desenho e pintura; 900 fotografias de época; mais de 3000 publicações; um significativo acervo documental composto pelo espólio privado de Cruz Magalhães e do Grupo de Amigos relacionado com a história da constituição da colecção e da fundação do Museu, e pelo de Julieta Ferrão (1899 - 1974), primeira directora desta instituição. Vale a pena uma visita atenta e demorada a estes dois espaços, em Lisboa, o Museu Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, 382, assim como nas Caldas da Rainha, a Casa Museu de São Rafael, na Rua Rafael Bordalo Pinheiro nº 53.
Passados que são 170 anos sobre o nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro, integrado nas Festas de Lisboa, as Marchas Populares de Lisboa, deste ano de 2016, vão ter como mote e celebrar a memória deste artista lisboeta, quando, uma vez mais, desfilarem na Avenida da Liberdade na noite de 12 de junho.




                                                                          Rafael Bordalo Pinheiro no seu gabinete de trabalho
                                                                                 na sua casa em Lisboa em 1902 (arq. priv.)
  


                                                           Rafael Bordalo Pinheiro em 1905 (arq. priv.)





Praça D. Pedro IV e Teatro D. Maria II em Lisboa em 1905 por Charles Chusseau-Flavies
(col. International Museum of Photography and Film)




Rafael Bordalo Pinheiro em 1891 por Columbano Bordalo Pinheiro
(col. Museu Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa)




                                      Capa do catálogo do museu Rafael Bordalo Pinheiro de 1919 (col.priv.)




Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro em Lisboa (arq. priv.)
 


Sala de exposição de caricaturas na Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro em Lisboa (arq. priv.)
                     
                    

Peça em cerâmica artística em exposição na Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro
                                                                                                    em Lisboa (arq. priv.)
                        
            

Sala de exposição de cerâmicas artísticas na Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro em Lisboa (arq. priv.)
 
 



                                       Aspeto da Casa Museu São Rafael nas Caldas da Rainha na atualidade (arq. priv.)


               
                      
Busto em homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro no Parque D. Carlos I,
nas Caldas da Rainha (arq. priv.)
 



A vida de Rafael Bordalo Pinheiro em fotos (col. Museu Rafael Bordalo Pinheiro)
                 





 
 
Roulote de venda de gelados com publicidades alusivas às festas de Lisboa de 2016 e
 da comemoração dos 170 do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro
(arq. pess.)

 

 



 

 

 

 

 

 

 

Texto:
Paulo Nogueira
 




Fontes e bibliografia:


PINTO, Manuel de Sousa, Raphael Bordallo Pinheiro. O Caricaturista, Livraria Ferreira, Lisboa, 1915
FRANÇA, José-Augusto, Rafael Bordalo Pinheiro: tal e qual, Livraria Bertrand, Lisboa, 1981
Raphael Bordallo Pinheiro aos quadradinhos, Lisboa, Bedeteca de Lisboa, 1996
COUTO, Matilde Tomaz do, A Arte do Barro nas Caldas, in "Museu de José Malhoa. Roteiro", Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha, 2005
Publicação online Restos de Colecção

Illustração Portugueza de 1902
Sitio Museu Bordalo Pinheiro

 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

EFEMÉRIDES do dia 13 de maio



Dia de Nossa Senhora de Fátima e dia da Abolição da Escravatura no Brasil.
Santo do dia, Nossa Senhora de Fátima. Por intermédio de três humildes pastorinhos portugueses, filhos de famílias pobres e profundamente católicas, foram estes os mensageiros escolhidos pela Virgem Maria na Cova da Iria em Fátima, para convocar o povo cristão à vivência do Evangelho. Lúcia, a mais velha, tinha dez anos, e os primos, Francisco e Jacinta, nove e sete anos respetivamente, os três eram analfabetos. Contam as crianças, que brincavam enquanto as ovelhas pastavam e que ao meio-dia, rezaram o terço, porém rezaram à moda deles, de forma rápida, para poder voltar às suas brincadeiras. Em vez de recitar as orações completas, apenas diziam o nome delas: "ave-maria, santa maria" etc. Relataram que ao voltar para as brincadeiras, depararam com algo que lhes parecia a Virgem Maria pairando acima de uma azinheira não muito alta. Assustados, Jacinta e Francisco apenas ouvem Nossa Senhora conversando com Lúcia. Ela pede que os pequenos rezem o terço inteirinho e que venham àquele mesmo local todos os dias 13 de cada mês, desaparecendo em seguida. O encontro acontece pelos sete meses seguintes. As mensagens trazidas por ela pediam ao povo orações, penitências, conversão e fé. Igualmente os seus segredos são conhecidos mundialmente e foram confirmados pela igreja católica, assim como o local das aparições de Maria em 1917, foi transformado num santuário para Nossa Senhora de Fátima.
 





Em Portugal


1699 - Nasce Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa, Portugal, 13 de maio de 1699 - Pombal, Portugal, 8 maio de 1782). Nobre português que virá a ser diplomata, primeiro ministro e secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I, feito primeiro conde de Oeiras em 1759 e marquês de Pombal em 1769. É considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da história de Portugal.




1767 - Nasce o rei D. João VI de Portugal (Lisboa, Portugal, 13 de maio de 1767 - Lisboa, Portugal, 10 de maio de 1826). Foi rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, cognominado de O Clemente, reinou na prática, de 1816 a 1822 e desde 1822 até 1825, por direito. Desde 1825 foi rei de Portugal até à sua morte, em 1826. Pelo Tratado do Rio de Janeiro de 1825, que reconhecia a independência do Brasil do Reino de Portugal, também foi o imperador titular do Brasil, embora tenha sido seu filho Pedro, o imperador do Brasil na prática. 
 
 
 
1798 - É inaugurado o Real Teatro Nacional de São João no Porto. foi inaugurado neste dia com a comédia "A Vivandeira", com o intuito de assinalar o aniversário do então príncipe D. João (futuro rei D. João VI), por este motivo, nos primeiros tempos, ainda lhe deram ao nome de Teatro do Príncipe.
 

 
1917 - Relato da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, em Portugal, segundo relato dos pastores Lúcia, Jacinta e Francisco Marto. No dia 13 de Maio de 1917, três crianças, Lúcia de Jesus Rosa dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos), afirmaram ter visto "...uma senhora mais branca que o Sol" sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, lugar de Aljustrel na freguesia de Fátima, Portugal. Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia. As aparições repetiram-se nos cinco meses seguintes e seriam portadoras de uma mensagem ao mundo. A 13 de Outubro de 1917 a aparição disse-lhes ser a Nossa Senhora do Rosário.
 
 
 
1934 - Inauguração do monumento ao Marquês de Pombal, em Lisboa, da autoria dos arquitetos Adães Bermudes e António do Couto e dos escultores Francisco dos Santos, Simões de Almeida (sobrinho) e Leopoldo de Almeida. Foi escolhida esta data por ser dia do nascimento de Sebastião José de Carvalho e Melo. Sem a presença do Presidente do Conselho o Dr. António de Oliveira Salazar, contou com a presença do Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco e do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa o tenente coronel Henrique Linhares de Lima entre outras individualidades.
 
1935 - O Governo de António de Oliveira Salazar afasta opositores ao regime ditatorial dos quadros da administração civil e militar, entre eles Adelino da Palma Carlos e Mendes Cabeçadas, Rodrigues Lapa, Abel Salazar e Norton de Matos.
 
1946 - Há 70 anos é feita a coroação de Nossa Senhora de Fátima, como Rainha da Paz e do Mundo.
 


1965 - O Cardeal Legado do Papa Paulo VI entrega ao bispo de Leiria-Fátima a Rosa de Ouro, uma das mais altas distinções da Santa Sé.
 
1967 - O papa Paulo VI visita o Santuário de Fátima, por ocasião do aniversário dos cinquenta anos das aparições de Fátima. O papa deslocou-se ao santuário para celebrar a santa missa a mais de um milhão de peregrinos que o aguardavam, entre eles a irmã Lúcia de Jesus, a pastora sobrevivente, que terá visto e conversado com Maria, mãe de Jesus.


 
1971 - António Ribeiro, bispo titular de Tigilava, é nomeado Patriarca de Lisboa.
 
1982 - O papa João Paulo II visita pela primeira vez o Santuário de Nossa Senhora de Fátima.
 
1995 - O duque de Bragança, Dom Duarte Pio, herdeiro do trono português, casa com Isabel de Herédia no mosteiro dos Jerónimos em Lisboa. Esta cerimónia foi transmitida pela Rádio Televisão Portuguesa.
 

 
1998 - O Grupo Mello compra a Setenave ao Estado, por 25 milhões de euros.
 
2000 - O papa João Paulo II beatifica os videntes Jacinta e Francisco Marto.



2002 - É apresentado o logotipo oficial do Euro 2004 em cerimónia no Centro Cultural de Belém. Criado pela empresa londrina Euro RSCG, concentra elementos básicos que procuram exprimir a paixão pelo futebol.
 

 
2008 - A Câmara Municipal de Santarém tem um "apagão" informático que leva à perda de milhões de ficheiros, entre os quais documentos relativos à conta da gerência de 2007.
 
2008 - A GALP assina com a Petróleos da Venezuela cinco acordos, prevendo importações de petróleo de quatro milhões de barris em 2009, a liquefação e comercialização conjunta de gás e a construção de quatro parques eólicos.
 
2010 - O Governo aprova em Conselho de Ministros as medidas do Plano de Estabilidade de Crescimento (PEC-II).
 
 





No Mundo


1501 - João da Nova que comanda a terceira expedição portuguesa à Índia, no caminho descobre a Ilha de Ascensão.
 


1643 - As forças de Oliver Cromwell derrotaram as tropas de Carlos I, em Grantham, Inglaterra.
 
1809 - Napoleão Bonaparte toma Viena.
 
 

1871 - Após a unificação italiana, é decretada a Lei das Garantias que ratifica a posse do Vaticano pelo Papa.

1888 - É abolida a escravatura no Brasil com a lei Imperial nº 3.353 denominada Lei Áurea. Lei declarada pela princesa regente Isabel em nome do imperador D. Pedro II e publicada em vários jornais da época.
 
 
 
1927 - Colapso do sistema económico na Alemanha, na designada "sexta feira negra".
 
1941 - Nasce Ricardo Esteban Valenzuela Reyes, mais conhecido por Ritchie Velens (Pacoima, Califórnia, EUA, 13 de maio de 1941 - Clear Lake, Iowa, EUA, 3 de fevereiro de 1959). Virá a ser um famoso interprete de músicas Rock, entre elas o tema "Donna" e "La Bamba", este último que mais tarde nomearia como o filme da sua vida. Juntamente com dois famosos do Rock and roll norte americano Buddy Holly e Big Bopper, vem a morrer num acidente de avião a 3 de fevereiro de 1959.

 
 
1961 - Morre o ator norte americano Gary Cooper (Helena, Montana, EUA, 7 de maio de 1901 - Los Angeles, Califórnia, EUA, 13 de maio de 1961), aos 60 anos. A sua carreira durou desde a década de 1920 até ao ano da sua morte, tendo atuado em mais de cem filmes. Ele era reconhecido pelo seu forte estilo de atuação, e pelos vários papéis que teve em filmes do gênero Western.
 

 
1968 - Começam, em Paris, as negociações de paz entre os EUA e o Vietname do Norte.
 
1967 - Entram no ar as primeiras emissões da TV Bandeirantes em São Paulo no Brasil.

1981 - O papa João Paulo II é ferido a tiro, na Praça de S. Pedro, Roma, pelo turco Mehmet Ali Agca.


 
1988 - Morre o compositor norte-americano Chesney Henry "Chet" Baker, Jr. (Yale, Oklahoma, EUA, 23 de dezembro de 1929 - Amesterdão, Holanda, 13 de maio de 1988), aos 58 anos. Foi trompetista de jazz e nome essencial do chamado movimento "cool".
 
2001 - Sérgio Berlusconi, magnata da comunicação, assume a liderança do Governo italiano.
 
2005 - Morre Édouard Ruault, conhecido como Eddie Barclay (Paris, França, 26 janeiro de 1921 - Boulogne-Billancourt, Paris, França, 13 de maio de 2005), aos 84 anos. Foi produtor, editor e divulgador da canção francesa entre os anos 1950 e 1980.
 
 

2006 - No denominado "Caso Afinsa", o Tribunal de Instrução de Madrid ordena a prisão preventiva de quatro responsáveis da empresa Fórum Filatélico, acusados de burla, branqueamento de capitais, insolvência punível e administração desleal.
 
2006 - Motins em São Paulo, são atacadas mais de 50 esquadras, bases da polícia militar e outras instalações das forças de segurança brasileiras no Estado, pela organização criminosa auto denominada Primeiro Comando da Capital. Motins em 80 estabelecimentos prisionais. Há 30 mortos, entre os quais 23 polícias.
 
 
 
2007 - Morre Kate Webb (Christchurch, Nova Zelândia, 24 de março de 1943 - Sydney, Austrália, 13 de maio de 2007), aos 64 anos. Foi secretária, filósofa, e jornalista, tendo sido a primeira jornalista australiana e primeira mulher repórter no Vietname.
 
2008 - Sete atentados à bomba quase simultâneos fazem mais de 80 mortos e 150 feridos em mercados da cidade turística de Jaipur, segundo as autoridades indianas, que denunciaram uma operação "terrorista" e a detenção de um suspeito.
 
2008 - Morre o antigo emir do Kuwait xeque Saad Al Abdullah Al Sabah (Kwait, 1930 - Kuwait, 13 de maio de 2008), aos 78 anos. Governou o pequeno emirado petrolífero aliado de Washington durante nove dias antes de ser afastado por doença.



2008 - Morre o cardeal africano Dom Bernardin Gantin (Toffo, Benim, 8 de maio de 1922 - Paris, França, 13 de maio de 2008), aos 86 anos. Foi sacerdote católico, arcebispo, cardeal e diácono do colégio cardinalício da igreja católica. Por limite de idade, a 25 de junho de 1998, renunciou ao cargo de Prefeito da Congregação para os Bispos, e em 2002 renunciou ao título de Decano do Colégio de Cardeais retornando para o Benin.

2009 - O Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é distinguido com o Prémio Félix Houphouet-Boigny para a procura da paz.








Texto:
Paulo Nogueira





quinta-feira, 5 de maio de 2016

EFEMÉRIDES do dia 5 de maio

 


Dia Internacional da Parteira e Dia da Cultura Portuguesa, promovido pela CPLP e celebrado em todo o espaço lusófono.
O "dia da espiga" ou "Quinta-feira da espiga" é uma celebração portuguesa que, este ano de 2016, ocorre no dia da quinta-feira da ascensão.
Santo do dia, Santo Ângelo, (Jerusalém, Palestina, Israel, 1185 - Licata, Sicília, Itália, 5 de maio de 1220), originário de uma família de tradição judaica, conta a lenda que através de um sonho se converteu ao cristianismo. Viveu uma vida de oração e penitência, passando por vários mosteiros da Palestina à Asia Menor. Mais tarde já em Roma vai para a Sicília e como sacerdote terá feito um grande trabalho apostólico de conversão de povos hereges aí existentes. Conta ainda a lenda que Ângelo certa vez ao converter uma mulher que vivia do adultério com um cavaleiro, de seu nome Berengarius, este não contente com a atitude da amante ao terminar o relacionamento incestuoso, terá mandado matar Ângelo frente à igreja de São Filipe e São Tiago em Licata na Sicília, onde foi sepultado, tinha apenas 34 anos. É celebrado o seu dia pela igreja católica a 5 de maio, dia da sua morte.
 




 

Em Portugal


1210 - Nasce Afonso III (Coimbra, Portugal, 5 de maio de 1210 - Lisboa, Portugal, 16 de fevereiro de 1279), que virá a ser rei de Portugal, cognominado "O Bolonhês".

 
 
1631 - Morre Nuno Álvares Botelho (Aldeia Galega do Ribatejo, Portugal, 1590 - Samatra, 5 de Maio de 1631), aos 41 anos. Foi um nobre português, considerado como o último grande capitão da Índia Portuguesa.
 


1632 - Morre o escritor Manuel Luís de Sousa Coutinho ou frei Luís de Sousa (Santarém, Portugal, 1555 - São Domingos de Benfica, Lisboa, Portugal, 5 de maio de 1632), aos 77 anos. Foi sacerdote católico e escritor, de entre algumas das suas obras destaque para Vida de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires (1619), História de S. Domingos, partes I, II e III (1623 a 1678), Anais de el Rei D. João III (1628 a 1632), entre outras obras.
 
1769 - É autorizado por decreto o estabelecimento, na Lousã, de uma fábrica de papel de escrever.



1835 - Almeida Garrett cria o Conservatório de Lisboa, no âmbito da reforma do Governo Liberal. O ensino da música é dirigido pelo compositor João Domingos Bomtempo.
 
1890 - Termina o monopólio estatal português da indústria dos tabacos preparando-se a transferência para particulares.
 
1912 - Portugal participa pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Verão que se realizam em Estocolmo, na Suécia. A estreia portuguesa não foi feliz dado o falecimento do atleta do Benfica nº 296, Francisco Lázaro (Benfica, Lisboa, Portugal, 21 de janeiro de 1888 - Estocolmo, Suécia, 15 de julho de 1912), durante a maratona desse dia 15 de julho.
 
 
 
1934 - É revisto o contrato do Estado português com a Anglo-Portuguese Telephone Company, empresa que detém a concessão dos telefones de Lisboa e Porto desde 1887, permanecendo o exclusivo até 1968.
 
1986 - Há 30 anos dá-se o acidente ferroviário na estação da Póvoa de Santa Iria quando um comboio rápido procedente da Covilhã bateu na traseira de um transvia, provocando 17 mortos e 83 feridos. Segundo as notícias da época tudo se deveu a falha humana.



1986 - Há 30 anos o primeiro banco privado português estritamente comercial começa a atividade em Lisboa e no Porto.
 
1998 - É lançada a primeira edição do jornal diário 24 Horas.
 


1999 - Portugal e a Indonésia assinam, na sede da ONU, os acordos que estabelecem o direito da auto determinação de Timor-Leste.
 
2003 - O Tribunal da Relação de Guimarães ordena a prisão preventiva de Fátima Felgueiras, no âmbito do processo do "saco azul" da Câmara. É desconhecido o paradeiro da autarca
 
2004 - É inaugurada a central hidroelétrica da Barragem do Alqueva.
 

 
2006 - A escritora Lídia Jorge recebe em Bremen, Alemanha, o Prémio Internacional de Literatura "Albatros", da Fundação Gunther Grass, pelo livro O Vento Assobiando nas Gruas.

2008 - Um incêndio destrói as águas furtadas, a cobertura e o quarto piso da Reitoria da Universidade do Porto, um edifício centenário.
 
 
 
2009 - Realiza-se o primeiro exercício internacional de proteção civil em Portugal, com base num simulacro de sismo em simultâneo nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal.

 





No Mundo
 

1811 - O exército aliada anglo-luso derrota a exército francês na Batalha de Fuentes de Oñoro em Espanha, batalha esta que durou de 3 a 5 de maio.
 


1818 - Nasce Karl Marx (Tréveris, antiga Prússia, atual Alemanha, 5 de maio de 1818 - Londres, Reino Unido, 14 de março de 1883), virá a ser um filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista. A obra de Marx em economia virá a estabelecer a base para muito do entendimento atual sobre o trabalho e sua relação com o capital, além do pensamento económico posterior. Ele publicou vários livros durante a sua vida, sendo que O Manifesto Comunista (1848) e O Capital (1867-1894) os mais proeminentes.
 


1821 - Morre Napoleão Bonaparte (Ajaccio, Córsega, França, 15 de agosto de 1769 - Longwood, Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha, 5 de maio de 1821), aos 52 anos. Foi um líder político e militar durante os últimos estágios da Revolução Francesa. Adotando o nome de Napoleão I, foi Imperador dos Franceses de 18 de maio de 1804 a 6 de abril de 1814, posição que voltou a ocupar por poucos meses em 1815 (20 de março a 22 de junho). A sua reforma legal, o Código Napoleônico, teve uma grande influência na legislação de vários países. Através das guerras napoleônicas, ele foi responsável por estabelecer a hegemonia francesa sobre maior parte da Europa.
 

 
1862 - O exército mexicano derrota o exército francês na Batalha de Puebla. Este dia é declarado como feriado no dia 9.
 
1906 - O conservador Ivan Goremykin sucede ao conde Witte como primeiro-ministro da Rússia.
 
1914 - Nasce Tyrone Edmund Power Jr. (Cincinnati, EUA, 5 de maio de 1914 – Madrid, Espanha, 15 de novembro de 1958), virá a ser ator de cinema e teatro, creditado geralmente sob o nome Tyrone Power ou "Ty Power". Virá a participar em diversos filmes nos anos 30 e 50 em papeis de capa e espada ou personagens românticas.
 


1917 - Começa a publicação do jornal russo Pravda, fundado por Lenine.
 
1919 - No âmbito da Cruz Vermelha Internacional é formada a Liga das Sociedades.
 
1920 - Santa Joana d'Arc é canonizada em Roma pelo papa Bento XV.
 
 
 
1945 - Durante o Holocausto na II Guerra Mundial, é libertado o campo de concentração nazi de Mauthausen, na Áustria.
 
1949 - É adotado, em Londres, o Estatuto do Conselho da Europa, criando um Comité de Ministros e uma Assembleia Consultiva. Estrasburgo é escolhida para sede da organização.
 
1955 - Os Aliados terminam a ocupação da Alemanha Ocidental, iniciada após a II Guerra Mundial. A Alemanha Ocidental é declarada totalmente soberana.
 
 
 
1981 - Morre, na cadeia de Maze, Belfast, Irlanda do Norte, o militante do IRA Robert "Bobby" Sands, após 66 dias de greve da fome.
 
1992 - O Japão adota a semana de trabalho de cinco dias.
 
1995 - O Canadá, representando 103 países, solicita a prorrogação indefinida do Tratado de Não Proliferação Nuclear.



2003 - No Ruanda, começam a ser libertados 25 mil prisioneiros, acusados de participação nos massacres de 1994.
 
2006 - Reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação em Timor-Leste. As Nações Unidas asseguram que mais de 70 por cento da população de Díli abandonara a cidade.
 
2007 - O escritor angolano Pepetela recebe o Prémio Escritor Galego Universal 2007.
 
 
 
2007 - Morre Theodore Harold Maiman (Los Angeles, Califórnia, EUA, 11 de julho de 1927 - Vancouver, Canadá, 5 de maio de 2007), aos 79 anos. Foi físico norte-americano, inventor do primeiro laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation). Recebeu diversos prémios e condecorações pelo seu trabalho, foi ainda autor de um livro com o título The Laser Odyssey, descrevendo eventos paralelos à criação do primeiro laser.


 
2007 - O Vaticano acaba formalmente com a noção de limbo na teologia católica.

2010 - Morre a meio-soprano Giulietta Simionato (Forli, Itália, 12 de maio de 1910 - Roma, Itália, 5 de maio de 2010), aos 99 anos, a uma semana de completar um século de vida. Foi uma das grandes vozes do canto lírico italiano do período pós-guerra tendo a sua carreira começado depois da década de 1930, cantou ao lado das maiores sopranos do seu período, incluindo Maria Callas e Renata Tebaldi, tendo sido admirada pelos companheiros e público pelo seu humor, profissionalismo e carinho. Em 1966 retirou-se da vida artística continuando a dar aulas de colocação de voz. Foi a presidente da Associação Maria Callas, em Roma.
 









Texto:
Paulo Nogueira