quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

BOLO REI

 
Tradição gastronómica de Natal






Não é possível falar nas tradições de Natal, sem falar de Bolo Rei, entre outras iguarias gastronómicas, sendo este quase presença obrigatória em todas as mesas na época natalícia. A origem do Bolo Rei remonta, ao que se sabe, ao tempo dos romanos. Na Roma antiga, durante as festas pagãs a Saturno, tinham por hábito eleger o rei da festa durante os banquetes festivos, o que era feito tirando à sorte com favas, pelo que era também designado por vezes de rei da fava. A Igreja Católica aproveitou o facto de aquele jogo ser característico do mês de dezembro e decidiu relacioná-lo com a Natividade e com a Epifânia, ou seja, com os dias 25 de dezembro e 6 de janeiro, substituindo assim a festa pagã romana. Já na Idade Média, a influência da Igreja Católica determinou que esta última data fosse designada por Dia de Reis e simbolizada por uma fava introduzida num bolo, a receita de como seria confeccionado esse bolo na actualidade é desconhecida. Segundo uma antiga lenda que surge, este doce representa os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus aquando do seu nascimento. A côdea simbolizava o ouro, os frutos secos e cristalizadas representavam a mirra, e o aroma do bolo assinalava o incenso. Ainda na base desse imaginário, a existência duma fava também tem a sua explicação: Quando os Reis Magos viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Jesus, disputaram entre si, qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar ao menino os presentes que levavam. Como não teriam conseguido chegar a um acordo e com vista a acabar com a discussão, um padeiro confeccionou um bolo escondendo no interior da massa uma fava. De seguida cada um dos três Reis Magos pegaria numa fatia, o que tivesse a sorte de retirar a fatia contendo a fava seria o que ganharia o direito de entregar em primeiro lugar os presentes a Jesus. O dilema ficou solucionado, embora não se saiba se foi, Gaspar, Baltazar, ou Belchior o feliz contemplado. No entanto os teólogos tentam acabar com este uso do Bolo Rei, que, em seu entender, tinha muito de paganismo. Havia ainda a tradição de que os cristãos deveriam comer 12 Bolos Reis, entre o Natal e o Dia de Reis, festa que muito cedo começou a ser celebrada na corte dos reis de França. O Bolo Rei que atualmente conhecemos terá surgido em França na corte de Luís XIV "rei sol" (1638 - 1715), para ser consumido nas festas do Ano Novo e do Dia de Reis, segundo o testemunho de alguns escritores como Madame Françoise de Mottevile (1621 – 1689), Saint Simon (1760 – 1825), entre outros. Até mesmo o pintor Jean-Baptiste Greuze (1725 – 1805), celebrizou o Bolo Rei num famoso quadro, com o nome de "Gateau dês Róis". Com a Revolução Francesa em 1789 o Bolo Rei foi proibido por fazer alusão a realeza, como mais tarde iria acontecer em Portugal. Nova reacção que o próprio Antoine Fouquier Tinville (1746 – 1795), revolucionário francês, teve de acatar. Só que os pasteleiros que tinham um excelente negócio em mãos em vez de o eliminarem decidiram continuar a confecciona-lo chamando-lhe Gâteau dês Sans-cullotes. De referir que este termo dos Sans-cullotes, era dado pelos aristocratas franceses aos trabalhadores rurais e artesãos que iniciaram a Revolução Francesa e que usavam calças largas e compridas, ao contrário das calças curtas e justas  à altura dos joelhos da aristocracia. Como curiosidade, estes bolos são proibidos de confeccionar em França a partir de 1711, devido à fome que alastrava, servindo a farinha apenas para o fabrico de pão. No entanto só em Paris esta lei se cumpriu, em toda a França a tradição manteve-se. Com isto parece não haver dúvidas que o Bolo Rei tem verdadeiras origens francesas, apesar do Bolo Rei popularizado em Portugal no século XIX não ter a ver com o bolo simbólico da festa dos reis existente na maior parte das províncias francesas a norte do rio Loire, na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de massa folhada recheada de creme designado Galette des Rois.  O Bolo Rei que se passa a confeccionar em Portugal a partir dos anos 70 do século XIX, segue a receita a sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa lêveda. Acrescenta-se que ambos os bolos continham uma fava simbólica, podendo conter um objecto de porcelana como brinde.




Mosaico romano representando festa pagão a Saturno realizadas entre 
os dias 17 e 23 do mês de dezembro (col. priv.)
 
 

Representação das Saturnalias por Antoine-François Callet em 1783
(col. Museu do Louvre, Paris)
 
                                        


Representação da adoração dos Reis Magos a Jesus em relevo de sarcófago do século IV d.C.
proveniente das catacumbas de St. Agnes (col. Museu do Vaticano)

 
 
Pormenor de mosaico do século VI representando os Reis Magos
(Igreja de Santo Apolinari Novo, Ravena, Itália)
 

Adoração dos Reis Magos por Andrea-Mantegna 1280 (col. J. Paul Getty Museum, Los Angeles)



Celebração com o Bolo Rei no Dia de Reis na Idade Média
in Livro das Horas de Adélaïde de Savoie (col. priv.)
 
 
 
Comemoração popular do Dia de Reis no século XVII com Bolo Rei (col. priv.)
 
 
 
 Rei Luís XIV da França 1638 - 1715 (col. priv.)
                       

Famoso quadro intitulada "Gateau des Rois" de Jean-Baptiste Greuze de 1774 (col. priv.)
 
 
 
Representação dos designados Sans-culottes
da Revolução Francesa
 (col. pess.)
 
 

Comemorações populares do Dia de Reis em França com Bolo Rei
em finais do século XVIII (col. pess.)



 
Postais ilustrados franceses do início do século XX
alusivos ao Gateau des Rois (col. pess.)


Tradicional Bolo Rei francês Galette des Rois bolo em forma de rodela
de massa folhada recheada de creme (arq. priv.)


Tradicional Bolo Rei francês Gateau des Rois receita a sul de Loire, 
bolo em forma de coroa feito de massa leveda (arq. priv.)
 
 
 
Miniaturas em porcelana de brinde dos Bolos Rei franceses
alusivas ao presépio de Natal
(col. pess.)



Em Portugal, o Bolo Rei tem também o seu culto e tradições. Tanto quanto se sabe, a primeira casa onde se produziu e vendeu Bolo Rei em Portugal foi a Confeitaria Nacional na Baixa Pombalina em Lisboa. A Confeitaria Nacional, foi fundada em 1829 por Balthazar Roiz Castanheiro e ainda se mantem na atualidade, na posse da mesma família que a fundou. Foi um filho deste fundador de seu nome Balthazar Castanheiro Júnior, que numa das suas viagens a França, trouxe de Paris e de Madrid vários confeiteiros, que melhoraram a qualidade das especialidades daquela casa e que granjearam grande fama no nosso país. Um deles foi o celebre confeiteiro Gregório, que se baseou numa receita secreta de Bolo Rei que Baltazar Castanheiro Júnior trouxera de Toulouse em 1869, contrariando outros relatos que indicam como ter vindo de Paris. Orgulha-se esta confeitaria de haver trazido a receita e a manter integralmente essa receita francesa do sul de Loire. Balthazar Castanheiro Júnior, que aos seus méritos de confeiteiro juntava os de artista, trouxe uma cópia do quadro "Gateau des Rois" de Jean-Baptiste Greuze, que durante anos teve exposto no seu estabelecimento como alusão a este famoso bolo. Como curiosidade é interessante ainda relembrar que, inicialmente, além da fava, posta em todos os Bolos Rei, alguns ocultavam prémios valiosos em ouro ou prata. Durante a Quadra Natalícia a Confeitaria Nacional oferecia aos lisboetas uma exposição de tudo quanto de mais delicado e original a arte dos doces podia então produzir e claro o Bolo Rei. Assim o Bolo Rei atravessou com êxito os reinados de D. Luiz I, D. Carlos e D. Manuel II. De referir que a Confeitaria Nacional devido à grande qualidade dos seus produtos, recebeu em 1873 do rei D. Luiz I de Portugal o alvará que a torna fornecedora oficial da Casa Real, condição essa que se manteve até à implantação da República em 1910. Esteve anda presente e ganhou prémios em exposições internacionais como a Exposição Universal de Viena de Áustria de 1873, a de Filadélfia de 1876, recebeu uma medalha na Exposição Universal de Paris de 1878 e na de Lisboa de 1884. A Confeitaria Nacional, um dos ex libris da cidade de Lisboa, é uma casa que conta já com 187 anos de actividade comercial e industrial, sem nunca ter saído da mesma família, sempre no mesmo local e sempre com o mesmo critério. E a especialidade que a marcou, o famoso Bolo Rei. Aos poucos, outras confeitarias da cidade passaram também a fabricar o Bolo Rei, originando assim várias versões diferentes. Tradicionalmente este bolo de forma redonda, com um grande buraco no centro, é feito de uma massa fofa e branca, misturada com passas, frutos secos, e frutas cristalizadas.
Na cidade do Porto, o Bolo Rei foi introduzido em 1890, por iniciativa da Confeitaria Cascais, segundo uma receita que o proprietário, Francisco Júlio Cascais, trouxera de Paris, numa receita muito semelhante à da Confeitaria Nacional.

 
 
 
Confeitaria Nacional em 1829 na Baixa Pombalina de Lisboa (arq. Confeitaria Nacional, Lisboa)



Factura da Confeitaria Nacional de 1872 (arq. Confeitaria Nacional, Lisboa)



Publicidade da Confeitaria Nacional do século XIX e o seu tradicional Bolo Rei
(arq. Confeitaria Nacional, Lisboa)

Tradicional Bolo Rei português da Confeitaria Nacional (arq. priv.)



Brindes miniatura dos Bolos Rei da Confeitaria Nacional de 1875
(col. Confeitaria Nacional, Lisboa)
 


Aspecto do edifício na Baixa Pombalina da Confeitaria Nacional in gravura do Diário Illustrado de 1872
 (arq. Confeitaria Nacional, Lisboa)



Medalhas da atribuídas à Confeitaria Nacional em 1873 afixadas no exterior do estabelecimento 
(arq. Confeitaria Nacional, Lisboa)
 
 

Exterior da Confeitaria Nacional em meados dos anos 30 (arq. priv.)




Pasteleiros e forneiros da Confeitaria Nacional colocando bolos no forno em 1931
(arq. Confeitaria Nacional)



Exterior da Confeitaria Nacional na atualidade (arq. priv.)


Embalagem de luxo atual do afamado Bolo Rei da Confeitaria Nacional
(arq. Confeitaria Nacional, Lisboa)



 Exterior da Confeitaria Nacional em período de Natal na atualidade (arq. priv.)
                                 


Ingredientes do tradicional Bolo Rei português, como os frutos secos e frutos cristalizados (arq. priv.)





Publicidade do início do século XX da Confeitaria Cascais no Porto
(col. priv.)

 

Bolo Rei tradicional português e fatia numa receita de outra variante (arq. priv.)

 

Com a proclamação da República, em 5 de outubro de 1910, a existência do afamado Bolo Rei ficou em risco, tudo por causa do nome conter a palavra "rei". De acordo com a lógica vigente, deixando este símbolo hierárquico nacional (o rei) de existir, também o nome do bolo tinha que desaparecer. Os confeiteiros, partindo mais uma vez do princípio de que negócio é negócio e política é política, continuaram a fabricar o bolo sob outra designação. Os menos imaginativos deram-lhe o nome de "ex-bolo-rei", mas a maioria chamou-lhe "bolo de Natal" ou "bolo de Ano Novo". Ainda assim, a designação de "bolo Nacional" seria a melhor, uma vez que remetia para a confeitaria que o tinha introduzido em Portugal, e também por estar relacionado com o país, o que ficava bem em período revolucionário. Não contentes com nenhuma destas designações, alguns republicanos passaram a chamar-lhe "bolo-presidente" ou mesmo "bolo-Arriaga". Não se sabe como reagiu o então Presidente da República, Manuel de Arriaga (1840 – 1917), mas convenhamos que a homenagem não tivesse sido a melhor. Passado esse período negro, a história deste bolo continuou tendo grande sucesso. A receita do Bolo Rei correu mundo, muito contribui para isso a fama que o bolo ganhou por proporcionar expectativa a quem comesse a fatia que continha a fava ou o brinde. A fava, que uma vez mais reza outra lenda, era amaldiçoada pelos sacerdotes egípcios que a viam como alojamento para os espíritos, é considerado o elemento negativo, representando uma espécie de azar, tendo quem a encontra duas opções segundo a tradição: Assumir o pagamento do próximo bolo ou correr perigo de engoli-la. Por sua vez o brinde era colocado no bolo com o objectivo de presentear os convidados com quem se partilhava o bolo. Havia quem colocasse nos bolos pequenas adivinhas complicadas por sinal, mas cuja recompensa seria meia libra de ouro. Porem outros incluíam propositadamente moedas de ouro na massa, por uma forma requintada de agradecimento, como se o próprio bolo não chegasse. Infelizmente com o passar do tempo o brinde passou a ser um pequeno objecto metálico ou em cerâmica sem outro valor que não o do símbolo e pouco evidente para a maioria das pessoas. Vieram depois o Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano e a Revolução de 25 de Abril de 1974 e o Bolo Rei sempre se manteve fiel às suas tradições. Já mais recentemente, como não bastasse, as leis comunitárias ditaram o fim da tradição, proibindo que no interior do bolo se encontre uma fava ou um brinde. Brinde esse que mesmo sem valor quer miúdos quer graúdos achavam piada à pequena miniatura. No entanto alguns fabricantes ainda hoje mantêm a tradição da fava. Surgem mais recentemente versões diferentes desta iguaria Natalícia, como o designado Bolo Rainha e até mesmo de chocolate e maçã. Mesmo assim o Bolo Rei continua a ser um símbolo da época Natalícia, e hoje os confeiteiros e pasteleiros por todo o país não se poupam a esforços na sua promoção, por isso se enchem de clientes para adquirir o rei das iguarias nesta quadra festiva do ano. Muitos estabelecimentos comerciais chegam a ter grandes filas para o adquirir. Não há mesa de Natal portuguesa que não tenha um Bolo Rei. O Bolo Rei não se limita a ser um bolo com um gosto e aspecto agradável, ele é um verdadeiro símbolo desta época de Natal.

 


Postal ilustrado de 1910 alusivo ao primeiro presidente da República portuguesa Manuel de Arriaga
(col. pess.)


Tradicional Bolo Rei produzido em Portugal (arq. priv.)




Libra em ouro, outrora oferecida como brinde no Bolo Rei
(col. priv.)




A tradicional presença do Bolo Rei na mesa de Natal portuguesa
ao longo dos tempos
 (arq. pess.)
 


Fatia do tradicional Bolo Rei no período de Natal (arq. priv.)
 


Brindes miniatura metálicos usados nos Bolos Rei em Portugal
em meados dos anos 80/90 do séc. XX (col. pess.)
 

Tradicional brindes oferecidos nos Bolo Rei portugueses,
a fava que em alguns casos ainda se mantém (arq. priv.)



Fase da confecção do tradicional Bolo Rei (arq. priv.)

 
                                             Tradicionais Bolos Rei prontos a ir ao forno em cru (arq. priv.)
 
 
O tradicional Bolo Rei e fatia em mesa de Natal (arq. pess.)
 


Bolo Rainha derivado do tradicional Bolo Rei (arq. priv.)




Tradicionais Bolos Rei em montra de pastelaria na atualidade (arq. priv.)
 

Mesa de Natal portuguesa com doces tracionais e a presença do Bolo Rei (arq. pess.)
 

O tradicional Bolo Rei que não pode faltar na mesa de Natal portuguesa (arq. priv.)




Bolo Rei na mesa da consoada de Natal 2016 (foto Paulo Nogueira)





Votos de Festas Felizes!








Texto:
Paulo Nogueira



Fontes e bibliografia:
Diário Illustrado de 22 de dezembro de 1872
MODESTO, Maria de Lourdes, COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA, Edição Verbo, 2002, Lisboa
Confeitaria Nacional publicação on line






terça-feira, 1 de novembro de 2016

EFEMÉRIDES do dia 1 de novembro



Dia de Todos os Santos, Dia da Liga Portuguesa de Luta Contra o Cancro e Dia Mundial do Veganismo.
Dia dedicado a Todos os Santos, em homenagem a todos os santos e mártires conhecidos ou não que morreram mas que não foram canonizados. Este dia é celebrado pelos crentes de muitas das igrejas da religião cristã. A comemoração regular deste dia, começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610 d. C., o papa Bonifácio IV dedicou o Panteão (templo romano em honra de todos os deuses) a Maria mãe de Jesus e a todos os mártires. A data foi mudada para novembro quando o papa Gregório III dedicou uma capela em Roma a Todos os Santos e ordenou que eles fossem homenageados no 1º dia de novembro. Sendo designado de Festum Omnium Sanctorum (Festa de Todos os Santos), é o papa Gregório IV que a declara finalmente uma festa universal, no mundo católico.







Em Portugal
 

1431 - Morre D. Nuno Álvares Pereira (Cernache do Bonjardim, Portugal, 24 de junho de 1360 – Lisboa, Portugal, 1 de novembro de 1431), aos 71 anos. Foi um nobre e general português do século XIV. Desempenhou um papel fundamental na crise de 1383 – 1385, entre Portugal e Espanha. Foi 2º Condestável de Portugal, beatificado em 1918 e canonizado pelo Vaticano pelo papa Bento XVI em 2009.



1755 - Entre as 9:30 h e 9:40 h, dia que coincidiu com o feriado do dia de Todos os Santos, um sismo de grande magnitude destruiu quase completamente parte da cidade de Lisboa, em especial a zona da Baixa da cidade. A cidade perde um terço dos seus habitantes. Para além de ter atingido também outras zonas do país, como Setúbal e todo o litoral do Algarve, onde a destruição aqui foi generalizada. Para além da destruição causada pelo sismo, o maremoto que se seguiu destruiu fortalezas costeiras e habitações, chegando a registarem-se ondas até 30 metros de altura. As ondas de choque deste sismo foram sentidas por toda a Europa e norte de África, nomeadamente nas cidades marroquinas de Fez e Meknés, tendo havido registo de danos e perdas de vidas avultados. Foram igualmente registados efeitos deste sismo no outro lado do Oceano Atlântico, nomeadamente no Brasil, América do norte e Caraíbas. Foi um dos sismos mais mortíferos da história, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Na atualidade os sismólogos estimam que o sismo de 1755 terá atingido magnitudes entre 8,7 a 9 na escala de Richter. O terramoto de 1755 teve também um enorme impacto político e socioeconômico na sociedade portuguesa do século XVIII. O epicentro deste sismo não é conhecido com precisão, havendo diversos sismólogos que propõem locais distanciados de centenas de quilómetros.



1913 - Fundação do Clube de Futebol União, por um grupo de desportistas. Clube este que haveria de se notabilizar com o decorrer dos anos. Primeiro com a designação de União Futebol Clube e posteriormente com o nome que ainda hoje ostenta: Clube de Futebol União ou União da Madeira.

1957 - Nasce Carlos Manuel Marques Paião (Coimbra, Portugal, 1 de novembro de 1957 - Rio Maior, Portugal, 26 de agosto de 1988). Virá a ser um cantor e compositor português. Licenciou-se em medicina na Universidade de Lisboa em 1983 mas acabou por se dedicar exclusivamente à música. Depois de concorrer a um Festival RTP da Canção em 1980, vence no ano seguinte, 1981, a edição deste Festival com a canção que o celebrizou Playback. Edita vários álbuns e participa em muitos festivais de música e programas de TV, mas foi no auge da sua carreira que morre num violento acidente de viação.

1992 - Morre o actor Eugénio Salvador Marques da Silva (Lisboa, Portugal, 31 de março de 1908 – Lisboa, Portugal, 1 de novembro de 1992), aos 84 anos. Foi futebolista do Sport Lisboa e Benfica como reserva quando jovem. Mas onde se destacou foi como actor, bailarino, dramaturgo e encenador. Tendo protagonizado perto de uma centena de peças, na sua grande maioria do género revista à portuguesa, no Teatro Maria Vitória e no Variedades. Tendo passado pelo cinema e pela televisão em algumas participações. 



2001 - Morre o advogado Manuel João da Palma Carlos(Loures, Bucelas, Portugal, 24 de junho de 1915 - Lisboa, Portugal, 1 de novembro de 2001), aos 86 anos. Foi advogado e grande opositor da ditadura do Estado Novo, foi defensor dos presos da PIDE, nos tribunais do regime. Foi ainda embaixador de Portugal em Cuba.  

2002 - É inaugurada a estação de Telheiras do Metropolitano de Lisboa.    

2003 - A Autoridade Nacional Florestal substitui a Direcção-geral de Florestas.    



2006 - O primeiro grupo de 12 militares portugueses que vai integrar a Força Interina das Nações Unidas - FINUL no Líbano, parte para Beirute. 

2008 - Morre o humorista e comediante Badaró (São Paulo, Brasil, 23 de abril de 1933 – Lisboa, Portugal, 1 de novembro de 2008), aos 75 anos. De seu nome Manlio Hedair Badaró, ficou mais conhecido por Badaró. Foi comediante de origem brasileira naturalizado português. De entre muitos personagens que representou ficou conhecido pelo "Chinezinho Limpopó", num célebre programa humorístico do canal de TV português RTP.

2014 - Morre José Fonseca e Costa (Caála, Angola, 27 de junho de 1933 – Lisboa, Portugal, 1 de novembro de 2015), aos 82 anos. Foi tradutor e editor de romances, mas destacou-se como cineasta e realizador de TV português.
 








No Mundo


846 - Nasce o rei de França Luís II, O Gago (1 de novembro de 846 d. C. – 10 de abril de 879 d. C.). Virá a ser rei da França Ocidental de 877 d. C. até à sua morte.
 
 

1501 - É descoberta a que virá a ser baptizada de Baia de Todos os Santos, no litoral brasileiro, por uma expedição portuguesa comandada por Gaspar de Lemos e acompanhada pelo cartógrafo e escritor italiano Américo Vespúcio.

1503 - É eleito o papa Júlio II, tornando-se assim no 216º papa da história da Igreja Católica.

 

1512 - Apresentação dos frescos de Miguel Ângelo, na Capela Sistina, às autoridades de Roma.

1604 - Estreia-se "Otelo", de Shakespeare, no Whitehall Palace, em Londres.

1661 - Nasce Luís, Delfim de França (Fontainebleau, França, 1 e novembro de 1661 - Meudon, França, 14 de abril de 1711). Filho mais velho do rei Luís XIV de França, rei sol, e herdeiro aparente do trono de França. Recebeu o título de Delfim da França tendo ficado mais tarde conhecido por o Grande Delfim, após o nascimento de seu filho Luís, duque da Borgonha.



1870 - É feita a primeira previsão meteorológica, nos EUA, a partir de 24 boletins locais, recebidos por telégrafo.

1886 - Nasce o escritor austríaco Hermann Broch (Viena, Áustria, 1 de novembro de 1886 – New Haven, Cunecticut, EUA, 30 de maio de 1951). Virá a ser um escritor austríaco do século XX, considerado um dos maiores modernistas de todos os tempos. Foi autor entre outras obras de "A Morte de Virgílio", " A criada Zerlina" e da trilogia "Os Sonâmbulos".   

1887 - Nicolau II da Rússia assume o trono e será o último Czar da Rússia.



1942 - Entra em vigor o padrão monetário do Cruzeiro no Brasil durante a Terceira Republica brasileira.

1945 - As autoridades britânicas, admitem a probabilidade de suicídio do dirigente nazi Adolfo Hitler, pelos indícios no "bunker" de Berlim após a tomada de Berlim no final da II Guerra Mundial.
   
1946 - O polaco Karol Wojtyla, futuro papa João Paulo II, é ordenado padre.
 
 
 
1952 - Os EUA testam a primeira bomba de hidrogénio, nas Ilhas Marshall.   

1960 - John Kennedy vence Richard Nixon nas eleições presidenciais norte-americanas.

1962 - A URSS lança a primeira nave espacial com destino a Marte designada de Mars 1. Esta missão também conhecida como 1962 Beta Nu 1, Mars 2MV-4 ou Sputnik 23. Mas falhou durante o voo, perdendo contacto com a base em 21 de março de 1962, antes de chegar ao seu destino. Viajou cerca de 106.000 km.



1981 - Nas Caraíbas, tornam-se independentes as ilhas de Antígua, Barbada e Redonda.

1993 - Entra em vigor o Tratado de Maastricht, aprovado e ratificado a 11 de dezembro de 1991 pelos Estados da CEE, que passa a designar-se União Europeia.

1995 - O Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela vence as primeiras eleições multirraciais na África do Sul.   



2000 - A Sérvia e Montenegro é admitido como Estado Membro da ONU.

2003 - A Casa Real de Espanha anuncia o noivado do príncipe das Astúrias, Felipe de Bourbon, com a jornalista Letizia Ortiz Rocasolano.  
 


2007 - Os "Da Weasel" são eleitos a melhor banda portuguesa de 2007 pelos espetadores da MTV Portugal, na 14ª Prémios Europeus de Música da MTV Europa, cuja cerimónia decorreu em Munique e foi dominada pelas mulheres, com Nelly Furtado, Avril Lavigne, Rihanna e Amy Winehouse entre as vencedoras.

2007 - Morre Paul Warfield Tibbets, Jr. (Quincy, Illinois, EUA, 23 de fevereiro de 1915 – Columbus, Ohio, EUA, 1 de novembro de 2007), aos 92 anos. Foi brigadeiro general da Força Aérea dos EUA, comandante do avião norte-americano quadrimotor B-29 EG Enola Gay durante a II Guerra Mundial.

2009 - Devido à epidemia da gripe H1N1, o presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, apela a dirigentes de países amigos e a organizações internacionais para ajudarem a combater a epidemia de gripe no país.









Texto:
Paulo Nogueira