domingo, 2 de julho de 2017

EFEMÉRIDES do dia 1 de julho


Dia da Força Aérea Portuguesa, Dia das Bibliotecas e Dia da Região e das Comunidades Madeirenses

De entre os santos do dia destaque para São Gallo (Clermont, Auvergne, França, 489 d. C. - 1 de julho de 554 d. C.). Gallo filho de pais nobres e ricos descendentes de família tradicional da Corte francesa. Na sua época era costume os pais combinarem os matrimónios dos filhos com outras famílias da mesma classe social. Por isto, ele estava predestinado a se casar com uma jovem donzela de nobre estirpe. No entanto Gallo desde criança já havia dedicado a sua alma à vida espiritual. Para não ter de obedecer à tradição social, ele fugiu de casa, refugiando-se no convento de Cournou. Ele era tão dedicado às cerimónias da Santa Missa que se especializou nos cânticos. Contam os escritos que, além do talento para a música, era também dotado de uma voz maravilhosa que encantava e atraía fiéis para ouvi-lo cantar no coro do convento. A sua actuação religiosa fez dele uma pessoa querida, tendo sido designado para actuar na corte de Teodorico I, rei da Austrásia, actual Bélgica e França, que o quis conhecer e o faz diácono. Em 527, quando morreu o bispo Quinciano, Gallo era tão querido e respeitado que o povo o elegeu para ocupar o posto. Entre as suas virtudes de humildade, caridade paternal destacava-se a sua paciência verdadeiramente admirável. Ele dizia que a paciência para com o próximo é uma das virtudes mais importantes e necessário para se ter a compaixão. Se não bastasse sua humildade, piedade e caridade, para atender às necessidades do seu rebanho Gallo protagonizou vários prodígios ainda em vida. Salvou a sua cidade de um pavoroso incêndio que ameaçava transformar em cinzas todas as construções locais assim como de um terramoto e livrou os habitantes de morrerem vítimas de uma peste que assolava a região. Gallo morreu em 1 de julho de 554, causando forte comoção na população, que logo começou a invocá-lo como santo nas horas de dor e necessidade. Foi um exemplo de resignação e após a sua morte o seu túmulo tornou-se num local de peregrinação e vários milagres lhe foram atribuídos. São Gallo com o passar dos séculos foi incluído no Livro dos Santos da Igreja de Roma, cuja festa litúrgica é por isso comemorado no dia da sua morte.
 





Em Portugal


1867 - Há 150 anos é abolida a pena de morte em Portugal para crimes civis (Lei de 1 de julho de 1867), excepto por traição durante tempo de guerra. Aconteceu no reinado de D. Maria II e a proposta partiu do ministro da Justiça Barjona de Freitas, sendo submetida à discussão na Câmara dos Deputados, onde teve oposição por parte do deputado Manuel Carvalho. De referir que os últimos condenados à morte oficialmente em Portugal, foram Diogo Alves, ou o "Pancada", em 19 de fevereiro de 1841, pela morte de mais de 70 pessoas incluindo as vítimas do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa e José António Domingues, em 24 de novembro de 1845, pela morte de 3 pessoas em Tavira.



1882 - É inaugurada a rede telefónica da cidade do Porto pela Edison Gower Bell Telephone Company com 19 assinantes. A Baixa da cidade por ser um polo de atracção do comércio e das profissões liberais, foi o local escolhido para a instalação das primeiras estações que seria: na Alfândega e Central da Ferreira Borges.

1906 - José Holtreman Roquette, ou José de Alvalade, fundava o Sporting Clube de Portugal. As origens remontam a 1902, quando foi criado o Sport Club de Belas, e ao ano de 1904, ao aparecimento do Campo Grande Football Club.

1920 - Nasce Amália da Piedade Rodrigues (Lisboa, Portugal, 1 de julho de 1920 - Lisboa, Portugal, 6 de outubro de 1999). Foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa, geralmente aclamada como "a voz de Portugal". Tornou-se conhecida mundialmente como a "Rainha do Fado" e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo. Amália Rodrigues representou Portugal em todo o mundo, de Lisboa ao Rio de Janeiro, de Nova Iorque a Roma, de Tóquio à União Soviética, do México a Londres, de Madrid a Paris (onde actuou tantas vezes no prestigiadíssimo Olympia). Propagou a cultura portuguesa, a língua portuguesa e o fado. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.


 
1922 - É inaugurado o Teatro Maria Vitória no Parque Mayer, em instalações de madeira provisórias. Quinze dias depois da inauguração do recinto do Parque Mayer. Nesse dia de sábado subiu o pano com a revista "Lua Nova", da autoria de Ernesto Rodrigues, Henrique Roldão, Félix Bermudes e João Bastos, com números músicas assinados pelo maestro Raul Portela e direcção musical do maestro Alves Coelho, com os actores Elisa Santos, Amélia Perry, Jorge Roldão e Joaquim de Oliveira. Foi e continua a ser o único teatro resistente no Parque Mayer a manter a tradição da Revista à Portuguesa, graças à persistência e empenho do empresário Hélder Freire Costa, há 42 anos como seu empresário e de toda a sua equipa. Este teatro é considerado o Templo da Revista e está hoje de Parabéns pelos seus 95 anos.



1925 - António Maria da Silva torna-se presidente do Ministério (primeiro ministro) de Portugal, em substituição de Vitorino Guimarães.
 
1926 - É assinado o Acordo anglo-português sobre a zona fronteiriça de Angola com o Sudeste africano.
 
1944 - Nasce Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, Portugal, 1 de julho de 1944 - Lisboa, Portugal, 4 de abril de 1992). Virá a ser um militar português e um dos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução de 25 de abril de 1974, que marcou o final da ditadura. Depois da revolução, virá a licenciar-se em Ciências Políticas e Sociais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa. A 24 de setembro de 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 28 de junho de 1992, e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém. Volta a ser agraciado a título póstumo, pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 30 de junho de 2016, véspera do dia em que completaria 72 anos de vida.

 
 
1952 - Constituição da Força Aérea Portuguesa (FAP). As suas origens remontam a 1912, altura em que começaram a ser constituídas as aviações do Exército e da Marinha em Portugal. Nesta data, as aviações do Exército (Aeronáutica Militar) e da Marinha (Aviação Naval) foram fundidas num ramo independente denominado Força Aérea Portuguesa (FAP).

1954 - Fundação da Federação Portuguesa de Badminton.
 
1955 - Primeiro grande acidente na história da aviação portuguesa. Oito aviões a jacto da FAP despenham-se na Serra do Carvalho, a 12 quilómetros de Poiares. Naquele dia, doze aviões F-84 Thunderjet, comandados pelo capitão Rangel de Lima, dirigiam-se em formação para a Base Aérea da Ota, para participar nas comemorações do 3º aniversário da FAP, quando pelas 10 horas da manhã o desastre aconteceu perdendo-se 8 aeronaves incluindo os seus pilotos.



1970 - A Polícia de Viação e Trânsito portuguesa é substituída pela Brigada de Trânsito da GNR.

1976 - São extintas as Casas de Câmbio. A actividade passa a ser desenvolvida pelas instituições de crédito nacionalizadas.

1976 - A ilha da Madeira, torna-se Região Autónoma, pela Constituição Portuguesa de 1976. A Região é dotada de autonomia política e administrativa através do Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma da Madeira, previsto na Constituição da República Portuguesa. A Região Autónoma da Madeira faz parte integral da União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União, conforme estabelecido no artigo 299º-2 do Tratado da União Europeia.

 
 
1981 - Morre o escritor português Carlos Alberto Serra de Oliveira (Belém do Pará, Brasil, 10 de agosto de 1921 - Lisboa, Portugal. 1 de julho de 1981), aos 60 anos. Foi um escritor e poeta português. nome essencial do neo-realismo, foi autor de "Turismo" (1943), "Casa na Duna" (1943), "Uma Abelha na Chuva" (1953), "Finisterra"(1978) entre muitos outros títulos de romances, antologias, crónicas e poesia.
 
1986 - Lançamento do Cartão Jovem e Portugal foi um dos países fundadores. Com o objectivo de proporcionar aos jovens dos 12 aos 29 anos (inclusive), um conjunto de vantagens tais como descontos, reduções, isenções ou serviços exclusivos, prestados por empresas públicas ou privadas, autarquias, associações, entre outros.

1995 - Morre o actor português Henrique Júlio Martins Santana, (Lisboa, Portugal, 7 de maio de 1924 - Lisboa, Portugal, 1 de julho de 1995), aos 71 anos. Foi um actor, produtor, encenador e escritor português. Era filho do actor Vasco Santana e de sua primeira mulher Arminda Martins. Foi casado com a também actriz Maria Helena Matos. Fez rádio, cinema, televisão e teatro em 1993, tendo sido homenageado pelos seus colegas no Teatro Maria Vitória e pela Companhia do Teatro Animação de Setúbal que repôs " O Gato", que foi não só um dos seus grandes êxitos como actor, mas também como autor-encenador. Em 1994 foi agraciado com a Ordem de Santiago da Espada.
 

 
2006 - Morre a fadista Márcia Condessa (Monção, Portugal, 28 de setembro de 1916 - Lisboa, Portugal, 1 de julho de 2006), aos 90 anos. Foi uma afamada fadista portuguesa e em 1938, no Concurso da Primavera do jornal Canção do Sul, abraçou a carreira de fadista como sua profissão. Estabeleceu-se na Praça da Alegria em Lisboa com a casa de fados "Maria Condessa". Márcia Condessa fez também actuações no estrangeiro. Durante 8 meses esteve no Brasil, integrada numa companhia de teatro. Foi condecorada com a medalha de mérito pela câmara municipal de Monção.

2006 - O documentário da RTP "Ei-los Que Partem -- A Sangria da Pátria", de Fernanda Bizarro, vence o 2º Prémio de Documentário do Festival de Televisão de Monte Carlo.

2007 - Portugal assume a presidência semestral da União Europeia. O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, passa a presidência da UE ao seu colega de pasta de Portugal, Luís Amado.








No Mundo

 
1097 - Há 920 anos acontece a Batalha de Dorileia na Primeira Cruzada. Batalha ocorrida nas proximidades da cidade de Dorileia (Dorylaeum em latim), perto da atual Eskişehir, na Anatólia, onde as forças cruzadas foram emboscadas pelos turcos seljúcidas e danismendidas, mas acabariam por sair vitoriosas.
 
 
 
1481 - Nasce Cristiano II (Nyborg, actual Dinamarca, 1 de julho de 1481 - Kalundborg, actual Dinamarca, 25 de janeiro de 1559), conhecido na Suécia como Cristiano, o Tirano, foi o Rei da Dinamarca e Noruega de 1513 até ser deposto em 1523, e também Rei da Suécia entre 1520 e 1521. Era o filho mais velho do rei João, ascendendo ao trono após a sua morte. Ele foi deposto na Dinamarca e Noruega pelo seu tio Frederico, enquanto que na Suécia pelo nobre Gustavo Vasa.
 
1788 - Nasce Jean-Victor Poncelet, (Metz, França,1 de julho de 1788 - Paris, França, 22 de dezembro de 1867). Virá a se um matemático e engenheiro francês. Estudou na Escola Politécnica de Metz e foi professor de matemática. Fez parte do exército de Napoleão que lutou em 1812 contra a Rússia, tendo acabado por ficar prisioneiro durante dezoito meses. A sua principal obra foi "Tratado das propriedades projetivas das figuras", publicada em 1822.
 


1804 - Nasce Amandine Aurore Lucile Dupin, (Paris, França, 1 de Julho de 1804 - Nohant-Vic, França, 8 de Junho de 1876). Virá a ser aclamada romancista e memorialista francesa, considerada a maior escritora francesa. Nascida como Amandine-Aurore-Lucile Dupin, baronesa de Dudevant, passa a usar como pseudónimo George Sand. Foi autora entre outras obras de "Rose et Blanche" (com Jules Sandeau, 1831), "Lettres d'un Voyager" (1834-1837), "Isidora" (1846), "La Tour de Percemont" (1876), entre muitas outras.


 
1804 - As províncias do Alto e Baixo Canadá, da Nova Escócia, Brunswick e a Ilha do Príncipe Eduardo unem-se ao Canadá.
 
1903 - Tem início a primeira Volta a França em bicicleta. O seu fundador é Henri Desgrange, jornalista do diário desportivo L'Auto.
 


1908 - É adoptado o sinal internacional de socorro SOS, em código Morse. É um sinal informativo de telecomunicações utilizado para solicitar auxílio em situações de necessidade de socorro. Quando no formato de código Morse, este sinal é grafado • • • – – – • • • e transmitido segundo esse padrão.
 
1909 - Nasce Juan Carlos Onetti (Montevidéu, Uruguai, 1 de julho de 1909 - Madrid, Espanha, 30 de maio de 1994). Virá a ser um romancista e autor de contos uruguaio considerado não só o escritor mais importante que teve a literatura do seu país, mas um dos maiores criadores de ficção em espanhol do século XX. Em 1955 publica "A Vida Breve", obra fundacional de Santa Maria, sua cidade fictícia, no ano de 1962 recebe o Prémio Nacional de Literatura do Uruguai. Muda-se em 1975 para Madrid, Espanha, onde fixa residência até aos seus últimos dias. Embora não tenha chegado a completar o ensino secundário, Onetti apresenta em toda a sua obra uma estrutura original, inovadora, que lhe dará o Prémio Cervantes de literatura do ano de 1980. Foi autor entre outras obras de "El pozo" 1939, "A Vida Breve" (1950), "O Estaleiro" (1961), "Deixemos Falar Ao Vento" (1979), "Quando já não Importa" (1993).
 
1916 - Durante a Primeira Grande Guerra Mundial, dá-se a primeira batalha do Somme. Esta batalha prolongar-se-á até 19 de novembro, causando centenas de milhar de mortos.


 
1921 - Fundação do Partido Comunista Chinês em Shanghai. O PC da China passou por momentos de dificuldades no início, os seus primeiros passos foram orientados pelo Komintern (Internacional Comunista sediada em Moscovo que orientava os Partidos Comunistas do mundo inteiro).

1925 - Morre Éric Alfred Leslie Satie, assinando como Erik Satie a partir de 1884, (Honfleur, França, 17 de Maio de 1866 - Paris, França, 1 de Julho de 1925), aos 41 anos. Foi um compositor e pianista francês. Relevante no cenário de vanguarda parisiense do começo do século XX, foi o precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo. Tornou-se cult entre os jovens compositores, que eram atraídos pelos títulos bem-humorados de suas peças, e exerceu grande influência em seus amigos, os notáveis contemporâneos Debussy e Ravel, mudando assim o curso da história da música. Foi ainda inovador por ter sido um dos precursores do ragtime, estilo de pré-jazz, com as estruturas minimalistas que ele propôs. Foi autor das "Gymnopedies"(1888), "Fete donnée par des Chevaliers Normands en l'honneur d'une jeune demoiselle" (1892), 25 Nocturnes2 (1919), entre muitas obras .

1926 - Nasce Norma Jeane Mortenson (Los Angeles, Califórnia, EUA, 1 de junho de 1926 - Los Angeles, Califórnia, EUA, 5 de agosto de 1962). Virá a ser uma atriz e modelo norte-americana adoptando o nome de Marilyn Monroe. Famosa por interpretar personagens conhecidas como "loira burra", tornou-se um dos sex symbols mais populares da década de 1950, época emblemática em relação às atitudes envolvendo sexualidade. Apesar de sua carreira ter durado apenas uma década, os seus filmes arrecadaram mais de duzentos milhões de dólares até à sua morte inesperada em 1962. Desde então, ela continua a ser considerada um grande ícone da cultura popular. Foi protagonista em diversos filmes como "Dangerous Years" (1947), "Love Happy" (1949), "Niagara" (1953), "Gentlemen Prefer Blondes" (1953), "Bus Stop" (1956), "Something's Got to Give" (1962), entre muitos outros grandes sucessos.



1926 - É assinado o Acordo anglo-português sobre a zona fronteiriça de Angola com o Sudeste africano.

1929 - Surge pela primeira vez a personagem "Popeye, o marinheiro", figura de Banda Desenhada criada pelo norte-americano Elzie Crisler Segar.
 
1931 - A abertura da linha férrea Benguela-Katanga completa a primeira linha de caminho de ferro transafricana.



1934 - Nasce Sydney Pollack (Lafayette, Indiana, EUA, 1 de julho de 1934 - Los Angeles, Califórnia, EUA, 26 de maio de 2008). Virá a ser um cineasta, produtor e actor norte-americano. Pollack teve os seus dois grandes sucessos de bilheteira, aclamados pela crítica com "Tootsie ou Quando Ele Era Ela" (1982) e "Out of África ou África Minha" (1985), que ganhou o Oscar de melhor filme de 1985 e deu a Pollack o de melhor realizador. Realizou entre outros inúmeros filmes, os episódios das séries de TV "O Fugitivo" e "The Alfred Hitchcock Hour".
 
1937 - Há 80 anos a norte-americana Amelia Earhart, a primeira mulher a cruzar o Atlântico Norte num avião monomotor, inicia a volta ao mundo, mas desaparece no Pacífico.
 


1944 - Começa a conferência de Bretton Woods que levará à criação do Banco Mundial e do FMI.
 
1958 - Começa, em Genebra, a conferência das potências sobre a detecção de explosões nucleares.
 
1961 - Morre o francês Louis-Ferdinand Céline (Coubervoie, França, 27 de maio de 1894 - 1 de julho de 1961), aos 67 anos. Foi um escritor e médico francês. Após a queda do regime de Vichy, escapa para Sigmaringen na Alemanha na companhia de Pétain e Pierre Laval. Com a queda do regime nazi foge para a Dinamarca, tendo sido julgado à revelia em França e condenado a um ano de prisão e considerado uma "vergonha pública", é amnistiado, retorna a França em 1951. Foi autor de "Viagem ao Fim da Noite" (1934), "Morte a Crédito" (1936), entre muitas outras obras literárias.
 
 

1962 - Referendo na Argélia, a independência é aprovada por 99,62 por cento dos eleitores. A proclamação decorrerá a 5 de julho, oito anos após o início da guerra pela autodeterminação.
 
1963 - Começa a Conferência Internacional da Educação, em Genebra. Portugal do ditador Oliveira Salazar é excluído dos trabalhos.
 
1964 - Morre o Pierre Monteux (França, 4 de abril de 1875 - EUA, 1 de julho de 1964), aos 89 anos. Foi violinista, condutor de orquestra e mais tarde maestro norte-americano de origem francesa que estreara "Sagração da Primavera", de Igor Stravinsky, em Paris, no ano de 1913. Estas interpretações mudaram o curso da sua carreira, ficando conhecido no resto da sua vida por ser um grande maestro para obras da música francesa e russa. Conduziu a estreia nos EUA da ópera "O Galo Dourado" de Rimsky-Korsakov no Metropolitan Opera. Em 1943 ele fundou uma escola de condução de orquestras, chamada Pierre Monteux Escola para Maestros e Músicos Orquestrais, em Hancock. A partir de 1961 e até 1964 Monteux foi o principal maestro da Orquestra Sinfônica de Londres.

 
 
1965 - A França abandona as negociações para o estabelecimento de uma Política Agrícola Comum, no âmbito da CEE.
 
1967 - Há 50 anos entra em vigor o tratado de fusão dos órgãos executivos das Comunidades Europeias (CECA, CEE e EURATOM), que passam a dispor de uma única Comissão e de um Conselho.
 
1968 - É assinado o Tratado de não proliferação das armas nucleares entre o  Reino Unido, os EUA e a URSS.



1968 - É concluída a proposta de União Aduaneira entre os seis países membros da CEE.
 
1970 - O papa Paulo VI recebe os líderes dos movimentos de libertação da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, respectivamente.
 
1979 - A marca japonesa Sony lançou o walkman, o primeiro leitor de cassetes portátil da história. O modelo pesava 390 gramas.

 
1991 - Os seis Estados membros do Pacto de Varsóvia assinam, em Praga, a extinção da organização fundada a 14 de maio de 1955.
 
1991 - É nomeado o primeiro juiz negro do Supremo Tribunal dos EUA, Clarence Thomas, 43 anos, ultra conservador republicano.
 
1994 - O presidente da OLP Yasser Arafat regressa ao território palestiniano, depois de 27 anos de exílio, com a entrada na Faixa de Gaza, a partir do Egipto.
 


1995 - É inaugurada a representação de Timor-Leste, em Bruxelas.
 
1997 - Há 20 anos Hong Kong regressa à soberania chinesa, após 156 anos de Governo britânico.
 
2000 - Morre o actor norte-americano Walter Matthau (Nova Iorque, EUA, 1 de outubro de 1920 - Santa Mónica, Califórnia, EUA, 1 de julho de 2000), aos 79 anos. Filho de imigrantes judeus, serviu na Força Aérea dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Estreou-se no cinema em 1955 com "The Kentuckian", seguido por papéis dramáticos até 1964 quando se inicia na comédia, género em que se tornaria célebre, com "Goodbye Charlie". Em 1966 protagoniza "The Fortune Cookie", com o qual obteria o Oscar de melhor actor coadjuvante, e o primeiro de dez filmes que contracenaria com Jack Lemmon. Foi premiado como melhor actor do BAFTA de 1974 em dois papéis diferentes: Charley Varrick e Pete 'n' Tillie. Obteve em 1975 o David de melhor actor estrangeiro por "The Front Page" e o Prémios Globo de Ouro de 1976 de melhor actor musical/comédia em "The Sunshine Boys".

 
 
2004 - A sonda Cassini Huygens, chega a Saturno. Uma missão espacial não-tripulada enviada em missão ao planeta Saturno e aos seu sistema planetário. Um projecto conjunto da NASA, ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana), que consiste em dois elementos principais, o orbitador Cassini e a sonda Huygens. Lançada ao espaço em 15 de outubro de 1997, continua em operação, estudando o planeta, seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.
 
2004 - Morre Marlon Brando, Jr. (Omaha, Nebraska, EUA, 3 de abril de 1924 - Los Angeles, Califórnia, EUA, 1 de julho de 2004), aos 80 anos. Foi um actor de cinema e teatro e realizador norte-americano. É saudado por trazer um estilo realista emocionante na actuação em filmes, e é amplamente considerado como um dos maiores e mais influentes actores de todos os tempos. Considerado um dos mais importantes actores do cinema dos Estados Unidos, Brando foi um dos três únicos actores profissionais, juntamente com Charlie Chaplin e Marilyn Monroe, a fazer parte da lista de 100 pessoas mais importantes do século compilada pela revista Time, em 1999. Brando foi, também, um activista, apoiando diversas causas, mais notavelmente o movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e diversos movimentos em defesa dos índios norte-americanos. Na opinião do cineasta Martin Scorsese, "Ele é o marco. Há o 'antes de Brando' e 'depois de Brando'." Foi protagonista de filmes como  "Um Eléctrico Chamado Desejo" (1951), "Há Lodo no Cais" (1954), "Revolta na Bounty" (1962), "O Padrinho" (1972), "O Último Tango em Paris" (1974), "Apocalypse Now" (1979) entre muitos outros grandes sucessos.
 

 
2005 - Morre Renaldo "Obie" Benson (Detroit, Michigan, EUA, 14 de junho de 1936 - Detroit, Michigan, EUA, 1 de julho de 2005), aos 69 anos. Foi um cantor e compositor norte-americano, caracterizado pela sua voz de baixo que marcou as canções de soul e rhythm and blues do grupo por mais de quatro décadas. Foi cofundador da lendária editora Tamla-Motown de Detroit, EUA. Entre várias composições e gravações de sucesso, "Obie" é o co-autor com Marvin Gaye e Al Cleveland de "What's Going On", uma das mais importantes músicas de protesto dos anos das transformações sociais e da Guerra do Vietname nos Estados Unidos, considerada pela revista Rolling Stone a 4ª melhor canção de todos os tempos. Foi dele a inspiração para a composição da música após ser testemunha da violência policial contra manifestantes na Califórnia em 1969. Como membro integrante da banda Four Tops, ele foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 1990 e ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 1997.
 
2007 - Os consumidores europeus passam a poder escolher livremente os fornecedores de gás e electricidade.
 
2008 - Nelson Mandela, campeão do combate anti-apartheid e ex-presidente sul-africano, é retirado, simultaneamente com o seu partido, das listas negras norte-americanas do terrorismo.
 






Texto:
Paulo Nogueira
 
 


terça-feira, 13 de junho de 2017

MARCHAS POPULARES DE LISBOA

 


 

Esta não é a história total das Marchas Populares de Lisboa, mas uma grande parte dela na sua essência. Pois a história de algo ou alguém nunca é totalmente completa nem definitiva. A origem das Marchas Populares de Lisboa, remonta a antigas tradições e existem muitas versões sobre o tema, todas elas relacionadas com festejos de origem pagã das celebrações do solstício do Verão. Estas festividades, mais tarde associadas aos Santos Populares, nomeadamente a Santo António, têm a sua origem num espaço que fica entre o sagrado e o profano. Santo António, de seu nome Fernando de Bulhões, nasceu em Lisboa em 15 de agosto entre 1191 e 1195. Registos há de pequenos grupos na cidade de Lisboa, que para comemorar o Santo António realizavam uma tourada em Lisboa desde finais do século XVI, primeiro no Terreiro do Paço e, mais tarde, no Rossio. Formas de divertimentos de outros tempos. Esta iniciativa era da Câmara Municipal de Lisboa, uma das mais esperadas e era acompanhada por música, outros divertimentos e folia. Os músicos sentavam-se num estrado de madeira, sustentado por um poste, espetado no centro da praça. E assim eram as comemorações populares do dia de Santo António em Lisboa. A tourada deixou de ser realizada depois do Grande Terramoto de 1755, quando foi dado ao Rossio outros destinos. Já em finais do século XVIII grupos de bairros de Lisboa deslocavam-se com archotes pelas ruas, cantando em competição, durante as comemorações de Santo António, as designadas popularmente Marchas ao Flambó, uma adaptação das francesas Marches au Flambeaux. As Marches aux Flambeaux ou seja marchas dos archotes, adaptada da tradição francesa, com origem provável segundo alguns entendidos nas danças de Entrudo ou nas comemorações da tomada da Bastilha. Estas Marchas ao Flambó, eram organizadas por cada bairro, mercado ou local onde se festejasse o Santo António. Formadas por pequenos grupos, com cerca de trinta a quarenta participantes, que desfilavam sem grande aparato de apresentação ou de coreografia, geralmente dirigidos por um ensaiador ou marcador, que os orientava utilizando um apito, exibindo-se os marchantes, preferencialmente, às portas e em frente das janelas dos Paços Reais, dos palácios da nobreza ou das casas ricas. Nestas marchas os archotes foram substituídos por balões coloridos de papel iluminados com velas e fogos de artifício, costumes trazidos da China no século XVII. Estas marchas populares foram naturalmente influenciadas pelas quadrilhas ou contra dança. Caracterizada originalmente como uma dança a quatro pares, a quadrilha constituiu uma adaptação da countrydance inglesa, impropriamente traduzida para o francês como "contredance" e, finalmente, traduzida para a língua portuguesa como contradança. Estas quadrilhas ou contradança, que, de um modo geral, com as modificações que lhe foram introduzidas, acabariam por dar forma às marchas populares e aos próprios corsos carnavalescos que antecedem a chegada da Primavera. Graças à sua coreografia variada, interessante e vistosa, com evoluções em coluna, em túnel, com cruzamentos, em quadrilhas, e frequentemente fitas entrelaçando ao redor de um mastro, exibição conhecida também por dança das fitas.
Estas Marchas ao Flambó, exibiam-se pela cidade de Lisboa, com passagem obrigatória pelo Rossio e Praça da Figueira, para serem apreciadas pela multidão que aí se aglomerava. Cantavam habitualmente a "Marcha do Balão", que musicalmente é, na verdade, uma contra dança (muito difundida pelas pautas vendidas nas casas de música da época), já registada na tradição oral de várias províncias, associada quase sempre a este tipo de cortejos músico-coreográficos, um pouco por todo o país, o que diz bem da popularidade e expansão do fenómeno. Já o escritor inglês William Thomas Beckford (1760 - 1844), na sua obra sobre viagens, aquando da sua passagem por Portugal em 1787, refere os festejos de Santo António como uma noite de muita animação e grandes festividades por toda cidade de Lisboa.
Esta tradição manteve-se com altos e baixos, principalmente na região de Lisboa onde as comemorações do Santo António têm o seu ponto alto. Estas marchas eram também designadas de "Ranchadas", tal tradição manteve-se até ao início do século XX. A partir de 1925 os festejos dos santos populares regressaram e passam a impor a sua tradição e colorido, reabrindo-se as portas do Mercado da Ribeira, fechadas ao povo desde 1916. Na década de 30, época em que muitas pessoas oriundas de outras cidades do país se juntavam em diversos bairros lisboetas. Assim, nasciam pequenas comunidades com origens em comum que por puro divertimento organizavam ranchos folclóricos, ranchos estes que nestes dias dedicados aos santos populares comemoravam com grandes arraiais. Para além das cerimónias litúrgicas, o figurino dos festejos renova-se no que respeita aos arraiais, ao enfeite de ruas, becos e pátios alfacinhas, e mesmo aos próprios "tronos de Santo António". Passam a ser incluídas nessas comemorações as Marchas Populares ou Ranchos, com o desfile colectivo dos moradores de cada bairro da capital, ao som de músicas alegres, a obedecer, tal como as letras, o trajo dos marchantes e a própria ornamentação dos arcos enfeitados com balões de papel coloridos e festões. Os temas são alusivos ao histórico ou referentes às características da cada bairro.
 



Imagem de Santo António junto à igreja em sua memória no local onde terá nascido em Lisboa
entre 1191 e 1195 (arq. priv.)
  

 
 
Imagem de Santo António de Lisboa
em madeira policromada e dourada
do século XVIII
(col. Museu de Santa Maria de Lamas)




Representação de comemorações populares de quadrilhas nos santos populares em Lisboa
                                                                   nos finais do século XVIII por Roque Gameiro (col. pess.)

 

 
Representação de par de marchantes populares de rancho nos finais do século XIX
 por Stuart de Carvalhais (col. pess.)

 
 
Representação de marchantes populares de rancho
nos finais do século XIX (col. pess.)



Ranchada a caminho do Mercado da Praça da Figueira em 1904 na noite de Santo António
(col. pess.)



Marchantes de bairro de Lisboa com arcos e balões em meados dos anos 20 (arq. AML)




Mas será por iniciativa de José Leitão de Barros (1896 - 1967), professor, cineasta, jornalista, dramaturgo e pintor, considerado o "pai das marchas populares", que em a 5 de junho de 1932, anunciou o primeiro concurso de marchas populares no jornal Notícias Ilustrado da sua autoria, que juntamente com o jornal Diário de Notícias dinamizaram esta iniciativa. Esta ideia surgiu a partir de um desafio proposto pelo então director do Parque Mayer, Dr. Campos Figueira de Gouveia (1898 - 1970), o próprio José Leitão de Barros e António Joaquim Tavares Ferro (1895 - 1956). Isto porque era necessário arranjar um espectáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas. Todas as colectividades de cada bairro de Lisboa foram convidadas a participar e toda a produção ficou a cargo do Parque Mayer. A primeira edição das Marchas Populares de Lisboa, teve apenas três bairros a participar: Alto do Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique. Alguns núcleos bairristas como Alfama, Alcântara e Madragoa desfilaram a convite de Leitão de Barros. Todas as marchas desfilaram pelas ruas de Lisboa e terminaram numa actuação conjunta no cine teatro Capitólio no Parque Mayer. Alto do Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique foram as marchas ou ranchos como também se chamavam na altura, participantes, ainda sem o tom alfacinha como tema central, mas já em formato de competição. Campo de Ourique, com os seus trajes minhotos, foi o vencedor da primeira edição. A Marcha do Alto do Pina obteve o 1º prémio na categoria Pitoresco e a Marcha do Bairro Alto ganhou o prémio Alegria. No dia 5 de junho de 1932, o jornal Notícias Ilustrado relatava o entusiasmo e a alegria com que os alfacinhas receberam o primeiro desfile das Marchas Populares escrevendo: "Pelo entusiasmo que lavra entre os componentes daquelas colectividades, avalia-se desde já o sucesso formidável que vai ter a revivescência das velhas marchas populares que de cada bairro da cidade nas noites festivas dos Santos populares se encontravam no chafariz da antiga rua Formosa".
No ano seguinte de 1933 nas Marchas Populares de Lisboa participam doze bairros, cada um com a sua marcha, música, traje, coreografia de acordo com um tema inspirado num costume local ou característica do seu bairro. As canções eram populares e as suas letras estavam sujeitas a aprovação por parte da autarquia. Rapidamente, estas Marchas Populares de Lisboa passaram a fazer parte das tradições cidade e ajudaram, de certa forma, a criar uma identidade inspirada nos aspectos urbanos e rurais da vida dos lisboetas. Este processo foi apelidado pelo investigador de História Contemporânea do Instituto de Ciências Sociais, Daniel Melode "folclorização do Estado Novo Português". Na opinião deste historiador as marchas populares são: "(…) um exemplo singular de folclorização [que] ambicionam instalar uma tradição lisboeta, mas paradoxalmente recorrem, num momento inicial, a elementos pretensamente folclóricos de proveniência exógena (rural), e só depois reforçam os traços directamente associados à cidade". Em alguns casos, porém, era dado um particular realce ao elemento etnográfico como sucedia com as tradições saloias dos bairros de Benfica e Olivais ou então, ao carácter peculiar da colónia ovarina que habita o pitoresco bairro da Madragoa. Essa primeira marcha popular de 1932, no quadro dos festejos do Santo António, foi pois criada igualmente na sequência das comemorações do 28 de maio e da parada militar na Avenida da Liberdade. Visou-se associá-la à imagem, aos projectos e aos valores do regime do Estado Novo a partir de 1934. A ideia estava lançada e bem aceite por toda a cidade de Lisboa, tornando-se a cada ano, as marchas, na maior manifestação etnográfica dos festejos de Santo António, com os desfiles e exibições habituais na Avenida da Liberdade e Parque Eduardo VII, à conquista do prémio para a melhor marcha, sempre muito festejado por quem o alcança. Porém, o desfile anual das Marchas Populares de Lisboa na Avenida da Liberdade no dia 13 de junho, não é só uma celebração. É tradição em Lisboa, a "marcha popular" ser constituída por vinte e quatro pares de marchantes a que se juntam quatro aguadeiros e um "cavalinho" composto por oito elementos, tocando um clarinete, um saxofone alto, dois trompetes, um trombone, um bombardino, um contrabaixo e uma caixa. Para além daqueles, podem ainda ser incorporados o porta-estandarte, duas crianças como mascotes, um par de padrinhos e dois ensaiadores. Todas as marchas devem incluir o festão e o balão ou o manjerico e exibir o "Trono de Santo António" ou o "Arraial". Em 1934, cerca de 300 mil pessoas assistiram ao desfile de 12 bairros e 800 marchantes, desde o Terreiro do Paço até ao Parque Eduardo VII. No ano seguinte, foi a primeira vez que todas as marchas cantaram uma composição comum, a Grande Marcha de Lisboa "Ai! Vai Lisboa", de Raúl Ferrão e Norberto de Araújo. Foi vencedora neste ano de 1935 a Marcha de Benfica, onde a actriz Beatriz Costa convidada, desfilou na Avenida da Liberdade montada num burro. Também neste ano foram instituídas regras: fixou-se o número de marchantes, de músicos e de acompanhantes. Ao êxito de 1935, e em grande parte devido ao ambiente de conflitos internacionais que se vivia, a Guerra Civil Espanhola e a mais tarde Segunda Guerra Mundial, seguiu-se um longo interregno, com excepção para os anos de 1940, com a celebração dos Centenários da Independência e da República, e de 1947, data do 8.º Centenário da Conquista aos Mouros. Este desfile das Marchas Populares de Lisboa faz parte da memória colectiva de Portugal. Como exemplos encontramos em êxitos do cinema português como nos filmes "A Canção de Lisboa" (1933) de José Cotinelli Telmo, ou o "Pátio das Cantigas" (1942) de Francisco Ribeiro, onde estão claramente presentes esta tradição e revelam uma característica importante da identidade colectiva da cidade de Lisboa.





José Leitão de Barros 1896 - 1967 (arq. priv.)



Vista geral aérea do Parque Mayer em meados dos anos 30 (arq. priv.)


Fachada cine-teatro Capitólio em meados dos anos 40 (arq. priv.)




Cartaz anunciando as Marchas Populares
em página do jornal Notícias Ilustrado
de 5 de junho de 1932
(arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)




Marchantes de bairro popular de Lisboa com o seu arco nos anos 30
(arq. priv.)



A Marcha do Alto do Pina em 1932 que obteve o 1º prémio na categoria de Pitoresco
 (arq. priv.)



A Marcha de Alfama em 1932 organizada
pela Academia Recreativa Leais Amigos 
(arq. priv.)



A  Marcha de Alcântara em 1932  organizada
pela Sociedade Filarmónica Alunos Esperança
(arq. priv.)
 
 
 
 
Páginas do jornal Notícias Ilustrado de 5 de junho de 1932 alusivas às Marchas Populares de Lisboa
(arq. Hemeroteca Municipal de Lisboa)



Postal ilustrado dos anos 30 por Stuart de Carvalhais com marchante
 e quadra popular alusiva às Marchas Populares de Lisboa
 (col. pess.)



Capa do programa das Marchas dos Bairros das Festas de Lisboa de 1934
(col. priv.)



Cartaz das Festas de Lisboa de 1934 por Stuart de Carvalhais
(arq. priv.)
 

Marcha Popular do Alto do Pina de 1934 (arq. DN)



Marcha de Sete Rios em 1934 (arq. DN)
 
 
 



Marchas Populares ou Marchas Nocturnas em 1934 por Almada Negreiros
(col. priv.)



Cartaz das Festas de Lisboa de 1935 (col. priv.)




Marcha da Mouraria de 1935  na Avenida da Liberdade (arq. DN)



Marcha de Alcântara de 1935 (arq. DN)
 


Marcha de Benfica, a vencedora do ano de 1935 no Rossio (arq. AML)



Letra da Marcha "Ai! Vai Lisboa" de 1935 (col. priv.)



Júri das Marchas Populares de Lisboa em 1935 (arq. DN)




Páginas do jornal Diário de Lisboa anunciando as marchas de Lisboa de finais dos anos 30
(arq. priv.)



Marcha do Bairro Alto em 1939 (arq. DN)



Marcha de Benfica de 1940 na Avenida da Liberdade (arq. DN)



Letra da Marcha "Olha Mangerico" de 1940 (col. priv.)




Marcha de São Vicente de 1947 no Palácio dos Desportos (arq. DN)



Marcha da Graça de 1947 na Avenida da Liberdade (arq. DN)



Letra da "Marcha do Centenário" de 1947 (col. priv.)




Cartaz do filme "A Canção de Lisboa" de José Conttinelli Telmo de 1933 (col. priv.)




Fotogramas do filme português "A Canção de Lisboa" de 1933
com alusão às Marchas Populares de Lisboa (arq. priv.)




Cartaz do filme português "O Pátio das Cantigas"
de Francisco Ribeiro de 1942 (col. priv.)




Fotogramas do filme português "O Pátio das Cantigas" de 1942
com alusão às Marchas Populares de Lisboa (arq. priv.)


 

Nos anos 50, as marchas adquirem um enorme prestígio, tendo sido assistidas pelos mais altos dirigentes do Estado e começando a ser apadrinhadas por vedetas da rádio e do teatro, tal como hoje acontece por figuras públicas e da televisão. Desde o seu início, os temas musicais das Marchas Populares de Lisboa têm sido cantados e imortalizados na voz de muitos cançenotistas e actores famosos portugueses, como Beatriz Costa, Amália Rodrigues, Laura Alves, Maria Fernanda Soares, Júlia Barroso, António Calvário, Ada de Castro entre muitos outros. Em 1952, a novidade é a deslocação do desfile para o percurso que actualmente conhecemos, do Marquês de Pombal aos Restauradores. Após um período instável, a partir de 1963, e até 1970, o desfile ocorreu sem interrupções. Na década de 60 começam as exibições em recinto fechado, no Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII, embora haja registos de exibições anteriormente ainda na época da designação de Palácio dos Desportos. Com o advento da televisão, este espectáculo passa a ser transmitido primeiro pela RTP, único canal de televisão em Portugal, a partir de 1963, e mais tarde pelos canais privados que surgem a partir de 1992. Cabe no entanto nos últimos anos ao canal estatal, RTP, a transmissão deste evento para todo o mundo na noite de 12 de junho. Nessa altura, do início da década de 60,  registou-se um dos percursos mais longos, do Parque ao Terreiro do Paço, com passagem pelas Avenidas Sidónio Pais e Fontes Pereira de Melo. Em 1965, aparecem os carros alegóricos e, em 1969, as mascotes, crianças, que acompanham a marcha vestidas a rigor. Já no início dos anos 70, assiste-se ao progressivo declínio das Marchas Populares de Lisboa, que chegaram mesmo a extinguir-se depois da Revolução do 25 de Abril, por estarem associadas ao regime do Estado Novo. Só em 1980 as Marchas Populares de Lisboa regressam à Avenida, mantendo um ritmo anual até à actualidade.




Grande Marcha de Lisboa de 1955 interpretada
por Maria Fernanda Soares (arq. PNP) 
 
 
 
 
Marcha de São Vicente de 1950 na Avenida da Liberdade (arq. DN)
 
 
 
 
  
Desenhos de cromos para recortar com os figurinos das Marchas Populares de Lisboa
da revista Cavaleiro Andante de 1952 (col. priv.)
 
 
 
 
Cartaz das Festas de Lisboa de 1955 (col. priv.)



Desfile da Marcha de Benfica no Pavilhão dos Desportos,
em 1955 foto Judah Benoliel (arq. AML)



                       
                                             Capa de revista O Século Ilustrado alusivo às Marchas Populares dos anos 50 (col. priv.)


 
Pavilhão dos Desportos no Parque Eduardo VII em meados dos anos 60 (arq. AML)
 
 
 
Desfile de Marcha Popular de Lisboa no Pavilhão dos Desportos
em meados dos anos 60, foto Judah Benoliel (arq. AML)
 
 
 
Directo das Marchas Populares de Lisboa em 1963
na Avenida da Liberdade pela RTP (arq. RTP)
 
 
 
Marcha da Madragoa de 1963 (arq. DN)
 
 
 
Marcha do Alto do Pina de 1963 (arq. DN)



Marcha da Ajuda de 1966 na Avenida da Liberdade (arq. DN)



Marcha dos Olivais Sul de 1969 (arq. DN)




Ao longo do tempo e desde que as Marchas Populares de Lisboa se impuseram como grande acontecimento desta data, cenógrafos e estilistas, alguns conhecidos, são contratados para a elaboração de todos os elementos do desfile das marchas de cada bairro, assim como dos fatos dos marchantes. A partir de 1990 tomam ainda, se possível, maior relevo, integradas nas Festas de Lisboa, com o início dos festejos no dia 1 de junho e a prolongarem-se até ao dia 30. A partir de 1998 adoptou-se um novo figurino, com as celebrações a incidirem de 1 a 13 (finalizando com as marchas) abrangendo as áreas do Terreiro do Paço ao Largo do Chafariz de Dentro. Em 1999 optou-se pela noite do dia 12 até 30 de junho, com as festividades a decorrerem desde o Terreiro do Paço, local onde no século XVI era armada uma praça e efectuada uma corrida de toiros, a lembrar tempos antigos, até à Praça de D. Luís. Este calendário repetiu-se no ano 2000, contemplando as celebrações a zona ribeirinha e o Parque Eduardo VII. No ano de 2001 manteve-se a mesma data, mas agora com os festejos espalhados pela cidade, oferecendo a maior diversidade no que respeita a animação, mas tendo sempre como ponto central os bairros históricos de Lisboa. Actualmente, concorrem dezoito bairros (ou marchas), a que se junta a Marcha Infantil da Voz do Operário, saída pela primeira vez em 1966 e depois apenas em 1990 para continuar até hoje. Têm sido também habituais a presença de marchas convidadas como as Marchas dos Mercados, Santa Casa da Misericórdia entre outras de localidades fora de Lisboa. No ano de 2015, retiraram-se as Marchas da Baixa, do Beato e de São Domingos de Benfica. Ocorreu a fusão das marchas da Bela Flor e de Campolide (já ausente na edição de 2015), sendo criada a Marcha da Bela Flor-Campolide. Ao sorteio para entrada de novas marchas, concorreram as três últimas classificadas na edição de 2015 (Beato, Benfica e Baixa), Campolide (que acabou por fundir-se com a marcha da Bela Flor), Campo de Ourique (ausente desde 2005), Penha de França (ausente desde 2013), Parque das Nações (a tentar a primeira participação), Castelo (ausente desde 2014), Bairro da Boavista (a tentar a primeira participação) e Belém (ausente desde 2014). Em 2016 concorreram marchas de 20 bairros, estreou-se a Marcha do Bairro da Boavista (por sorteio), reentraram a concurso as Marchas da Penha de França, que participou pela última vez em 2013, e de Campo de Ourique, que já não participava desde 2005. Como estreante foi escolhida a Marcha do Bairro da Boavista, já as Marchas de Campo de Ourique e Penha de França protagonizaram os regressos, enquanto Benfica foi salva da exclusão pelo sorteio. Para além da principal apresentação no desfile da Avenida de Liberdade no dia 12 de junho, com a transmissão pela RTP1, também ocorreram apresentações das marchas antes, entre 3 e 5 de junho no espaço do Pavilhão Atlântico, actual MEO Arena em Lisboa. Tem sido alias tradição nos últimos anos haver esta primeira apresentação de todas as Marchas Populares de Lisboa a concurso no espaço do MEO Arena de Lisboa, numa apresentação que já contará para a classificação final e por fim o grande desfile tradicional na Avenida da Liberdade. Em 2016, as Marchas Populares de Lisboa tiveram como temas principais o 170.º Aniversário do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro e o 50.º Aniversário da construção da Ponte Sobre o Tejo (Ponte 25 de Abril). Foi vencedora a Marcha de Alfama ficando em primeiro lugar, logo seguida da Marcha da Penha de França em segundo lugar e Marcha do Alto de Pina em terceiro lugar. Neste ano de 2017, na 85 ª edição das Marchas Populares de Lisboa, o tema foi Lisboa Cidade do Mundo. Uma vez mais no desfile na Avenida da Liberdade participaram 20 marchas a concurso, mais 3 extra concurso. A vencedora foi a Marcha de Alfama, ficando assim este ano ordenados os resultados das Marchas Populares de Lisboa:
 
1º lugar: Marcha de Alfama
 
2º lugar: Marcha do Bairro Alto
 
3º lugar: Marcha da Madragoa
 

Nos últimos 85 anos das Marchas Populares de Lisboa, muitos foram os nomes que por elas passaram, quer como autores, compositores, cenógrafos, coreógrafos e até costureiras, que fizeram com que estas marchas hoje sejam e tenham o êxito que têm. Citar todos esses importantes nomes aqui desde 1932 até aos nossos dias, seria extenso e tarefa complicada, correndo o risco de alguns ficarem esquecidos. Mas fica aqui no entanto a grande homenagem a todas essas pessoas e às que nas gerações seguintes irão de certo continuar a dar vida, cor, música, ritmo e alegria às Marchas Populares de Lisboa. Independentemente de todas as dúvidas e opiniões que possam existir sobre qual a melhor marcha no desfile da Avenida, as marchas resistem, mais ou menos populares, com maior ou menor sofisticação, mas mantendo intacto o espírito do despique bairrista fazendo já parte das tradições da cidade de Lisboa e da memória colectiva de Portugal.
 
Para o ano há mais Marchas Populares de Lisboa e que ganhe a melhor …
 



Marchas Populares de Lisboa contemporâneas (arq. priv.)



Figurinos para as Marchas Populares de Lisboa de 2004 (col. priv.)




Marcha do Castelo de 2009 na Avenida da Liberdade (arq. priv.)


Marcha do Lumiar de 2010 na Avenida da Liberdade (arq. priv.)


Marcha da Baixa de 2012 na Avenida da Liberdade (arq. priv.)


Marcha da Mouraria de 2013 na Avenida da Liberdade (arq. priv.)


Marcha da Bela Flor de 2015 na Avenida da Liberdade (arq. priv.)


Pavilhão Atlântico actual MEO Arena no Parque das Nações, em Lisboa (arq. priv.)
 

Desfila da Marcha da Madragoa no MEO Arena em Lisboa em 2016 (arq. priv.)



Aspecto da Avenida da Liberdade na noite do desfile das Marchas Populares de Lisboa de 2016
(foto Paulo Nogueira)


 
Marcha Infantil da Voz do Operário de 2016 na Avenida da Liberdade
(foto Paulo Nogueira) 
 
 
 
Marcha de São Vicente de 2016 dedicada ao
170ºAniversário do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro
na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha de Alcântara de 2016  dedicada ao
50º Aniversário da construção da Ponte Sobre o Tejo
na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha da Ajuda de 2016 com os padrinhos Paulo Vasco e Maria João Gama
na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
 
Marcha do Bairro Alto de 2016 na Avenida da Liberdade (fotos Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha do Alto do Pina de 2016 na Avenida da Liberdade
(foto Paulo Nogueira)
 
 
 
 
Marcha do Bairro da Boa Vista em 2016 na Avenida da Liberdade
(fotos Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha de Alfama vencedora do desfile de 2016 na Avenida da Liberdade
(foto Nuno Pinto Fernandes)





Cartaz das Festas de Lisboa 2017 (arq. EGEAC)


Cartaz do desfile das Marchas Populares de Lisboa de 2017
(arq. EGEAC)
 
 
 
 
Marcha da Bica de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha do Castelo de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
 
Marcha da Penha de França de 2017 na Avenida da Liberdade
(fotos Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha de Carnide de 2017 na Avenida da Liberdade (arq. priv.) 
 
 
 Marcha de Carnide de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha de Santa Engrácia de 2017 na Avenida da Liberdade
(foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha da Graça de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha de Alcântara de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha da Ajuda de 2017 na Avenida da Liberdade (arq. priv.)
 
 
Marcha da Ajuda de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
 
Marcha de Belém de 2017 na Avenida Liberdade (fotos Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha de Benfica de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
Marcha da Mouraria de 2017 na Avenida da Liberdade (foto Paulo Nogueira)
 
 
 
 
Marcha da Madragoa de 2017 na Avenida Liberdade (fotos Paulo Nogueira)

 
 
Marcha do Bairro Alto de 2017 na Avenida da Liberdade (fotos Paulo Nogueira)
 
 
 
 
Marcha  de Alfama vencedora de 2017 no desfile da Avenida da Liberdade (arq. priv.)















Texto:
Paulo Nogueira


Fontes e bibliografia:
Jornal Notícias Ilustrado de 6 de junho de 1932
ARAÚJO, Norberto De, Colecção Peregrinações em Lisboa, Editora Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1939-1940
BARROS Jorge/ COSTA Soledade Martinho, Festas e Tradições Portuguesas, vol.V, edição Circulo de Leitores, Lisboa, 2002
Festas de Lisboa, EGAC, edição on line