sábado, 13 de maio de 2017

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA



                               CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES/VISÕES
                                                        1917 – 2017





 

A questão das aparições/visões de Fátima é sem dúvida, um dos temas talvez mais delicados e controversos de abordar. Uma vez mais e à semelhança de outros artigos anteriores, apenas pretendo relatar os factos ocorridos antes, durante e após 1917, respeitando as partes e sem tomar partido ou opção. Muitos historiadores e investigadores do tema, são cépticos quanto a esta questão, afirmando alguns que a ciência nunca se dedicou concretamente ao estudo destes fenómenos, chegando outros a afirmar que estaríamos perante um caso de eventual fenómeno OVNI ou até ao de aproveitamento dos factos por parte da Igreja, chegando muitos a sugerir que possa ter sido um jogo por parte da Igreja para atingir objectivos anti republicanos daquele período da história de Portugal. Trata-se pois de uma questão em que muitos crêem e outros não, uns concordam com alguns factos ocorridos, outros discordam, não deixando por isso de ser uma questão bastante delicada. De recordar que estes acontecimentos ocorrem num período muito conturbado da história de Portugal e do mundo, em que se estava no terceiro ano da Primeira Grande Guerra Mundial e a ascensão do comunismo na Rússia. Todos estes factos, a Igreja ter sido ferozmente perseguida pelos apoiantes de Afonso Costa, o advento fugaz do sidonismo, nos finais daquele ano de 1917, determinado uma modificação política na história de Portugal iniciada em 1910, o povo que chorava e rezava pelos seus jovens que partiam para uma guerra de ideais e interesses que não eram os seus, a extrema pobreza e doenças na população portuguesa, tudo exaltavam à fé e a crenças diversas para alcançar a paz. Os relatos das aparições/visões Marianas, como ficaram designadas, são fenómenos nos quais se acredita que a Virgem Maria aparece ou é vista a uma ou várias pessoas (chamadas popularmente de videntes), na sua maioria católicos. De referir que existe uma diferença entre aparição e visão; a aparição é a manifestação súbita de algo ou objecto físico, na visão há uma força de presença tal que equivalem à manifestação externa sensível de algo que não é físico, pode ter a ver com efeitos parapsicológicos ou de alucinação. Relatos de fenómenos de aparições/visões são muito antigos, em Portugal e no mundo. Como exemplos, em Portugal, terão ocorrido em 1217 por um frade franciscano na serra de Montejunto, cerca de 200 anos antes dos acontecimentos de Fátima deu-se outro fenómeno idêntico no Cabeço da Ortiga, a seis quilómetros da Cova da Iria, onde uma pastorinha muda terá tido uma visão de Nossa Senhora, foi construída uma capela em 1758 em memória do ocorrido e ainda hoje é celebrada a Virgem, em julho. Outros registos idênticos terão ocorrido, como em Carnaxide nos arredores de Lisboa, em 1822. No ano de 1917 numerosos foram os relatos de aparições/visões, exemplo disso o caso do vidente Carlos Calderon, médium famoso à época,  que terá recebido uma comunicação em 7 de fevereiro de 1917 que dizia entre outras coisas: "A data de 13 de maio será de grande alegria para os bons espiritas de todo o mundo.", segundo registo esta comunicação tinha a particularidade de ser escrita da direita para a esquerda, só podendo ser lida com a ajuda de um espelho. Carlos Calderon publica no jornal Diário de Notícias de 10 de março de 1917 a seguinte mensagem sob o número 135917: "Não esqueças o dia feliz em que findará o nosso martírioA guerra que nos fazem terminará." Outro pré-anúncio foi divulgado nas páginas da imprensa diária portuguesa no próprio dia 13, o jornal O Primeiro de Janeiro, o Jornal de Notícias e o Liberdade publicaram um texto, datado da antevéspera, subscrito por um espírita de nome António, procedente do Porto. O postal enviado dizia: "Dia 13 do corrente vai dar-se um facto a respeito da guerra que impressionará fortemente toda a gente." No conteúdo dessas comunicações o objectivo era a preocupação com a guerra e o anseio pela paz.  Também há registos de aparições/visões em 10 de maio de 1917 em Barral, uma aldeia no meio das montanhas, em Ponte da Barca. Em 1918, registaram-se mais fenómenos do mesmo tipo em Ponte de Sor, outro em Vale do Arco (Tarouca), e outro na ilha de São Miguel, nos Açores. Mas seriam as aparições/visões mais marcantes, as de Fátima, testemunhadas por três crianças simples do povo, ignorantes e profundamente religiosas, Lúcia dos Santos (1907 – 2005) de 10 anos e os seus primos Francisco de Jesus Marto (1908 - 1919) de 9 anos e Jacinta Marto (1910  -  1920) de 7 anos, popularmente chamados desde então "Os Três Pastorinhos". Estas crianças afirmaram ter presenciado seis aparições/visões de Nossa Senhora no lugar da Cova da Iria, em Fátima, Portugal, nos dias 13 de maio, 13 de junho, 13 de julho, 13 de setembro e 13 de outubro, tendo, no mês de agosto desse ano, a aparição/visão mariana ocorrido excepcionalmente no dia 19 de agosto no lugar dos Valinhos, também da freguesia de Fátima. Segundo se conta, Lúcia que via, ouvia e falava com a aparição/visão, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia. Relata a história contada por Lúcia que as aparições/visões a que designaram do Anjo, em 1916, foram precedidas por três outras visões, de abril a outubro de 1915, nas quais Lúcia e outras três pastorinhas, Teresa Matias, sua irmã Maria Rosa e Maria Justino viram o Anjo, também no outeiro do Cabeço, e em outros locais, como que suspensa no ar sobre o arvoredo do vale. Descreve desta forma Lúcia: "Uma como que nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana. Era uma figura, como se fosse uma estátua de neve, que os raios do sol tornavam algo transparente." Relata a história que na Primavera de 1916, quando "Os Três Pastorinhos" tinham levado o seu rebanho de ovelhas para o pasto perto da aldeia de Fátima, num dia como outro qualquer na vida das três crianças, nesse dia afirmaram ter tido três aparições/visões de um Anjo, o qual se apresentou como sendo o Anjo da Paz, ou Anjo de Portugal: "uma luz mais branca que a neve, com a forma dum jovem, transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol. À medida que se aproximava, íamos-lhe distinguindo as feições.", relatou mais tarde Lúcia sobre esta visão. Duas das aparições/visões do mesmo tipo, designadas do Anjo, ocorreram no local da Loca do Cabeço nos Valinhos, e outra decorreu junto do poço do Arneiro, na casa de Lúcia, em Aljustrel onde as crianças costumavam brincar. A terceira aparição/visão ocorreu no fim do Verão ou princípio de Outono de 1916, novamente na Loca do Cabeço.




Aspectos da Primeira Grande Guerra Mundial entre 1914 e 1918 (arq. priv.)



Cartaz ilustrado produzido entre 1916 e 1917 no contexto da participação
 de Portugal na Primeira Grande Guerra Mundial
 (col. priv.)



Tropas do Corpo Expedicionário Português CEP,
marchando para o cais de Alcântara em 1917,
foto Joshua Benoliel (arq. AML)




Exemplos de aspectos do que terão sido aparições/visões Marianas
visto por artistas plásticos e fotógrafos (arq. priv.)



Exemplo de registo artístico de uma aparição Mariana
(arq. pess.)




Misterioso anúncio publicado na página 4 do jornal Diário de Notícias
no dia 10 de março de 1917  por Carlos Calderon (arq. priv)




Lúcia dos Santos com os seus primos Francisco e Jacinta Marto,
 foto Joshua Benoliel in Illustração Portugueza
de 29 de outubro de 1917 (arq. priv.)


Memorial da representação da aparição/visão do Anjo em 1915
pelos "Três Pastorinhos" no lugar da Loca do Cabeço (arq. priv.)



Poço do Arneiro um dos supostos locais das aparições/visão em 1916 (arq. priv.)



Memorial no poço do Arneiro na atualidade transformado em local de culto (arq. priv.)



Placa de identificação do local da 2ª aparição
no poço do Arneiro em 1916 (arq. priv.)





No dia 13 de maio de 1917, quando "Os Três Pastorinhos" guardavam o rebanho de ovelhas e brincavam construindo uma casa de pedras soltas na Cova da Iria, uma pequena propriedade pertencente aos pais de Lúcia Santos, localizada a 2,5 km de Fátima, foi relatado que por volta do meio-dia e depois de rezarem o terço, observaram dois clarões como se fossem relâmpagos. Com receio de começar a chover, reuniram o rebanho e decidiram ir-se embora, mas no caminho mais abaixo, outro clarão surgiu tendo iluminado o espaço. Nesse instante, teriam visto em cima de uma pequena azinheira algo, que como relatou Lúcia: "era uma Senhora vestida de branco e mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. A sua face, indescritivelmente bela não era nem triste, nem alegre, mas séria, com ar de suave censura. As mãos juntas, como a rezar, apoiadas no peito e voltadas para cima. Da mão direita pendia um rosário. As vestes pareciam feitas só de luz. A túnica era branca e branco o manto, orlado de ouro que cobria a cabeça da Virgem e lhe descia até aos pés. Não se Lhe viam os cabelos nem as orelhas." Os traços da fisionomia Lúcia afirmou nunca poder descrevê-los, pois a sua formosura não cabe em palavras humanas. Nesta aparição/visão, Lúcia terá falado com a referida visão em forma humana, que lhe terá pedido para voltar àquele local todos os dias 13 durante seis meses seguidos, àquela mesma hora e que mais uma sétima vez iria aparecer, terá também relatado que o destino das três crianças estava previsto e que teriam de rezar para alcançarem a paz no mundo e o fim da guerra, à época decorria a Primeira Grande Guerra Mundial. Logo após este diálogo terá desaparecido elevando-se, revela Lúcia: "Em seguida começou a elevar-se serenamente em direção ao nascente até desaparecer na imensidade da distância. A luz que A circundava ia como que abrindo um caminho no cerrado dos astros." As crianças terão seguido as regras do que lhes terá sido pedido e logo divulgaram estes acontecimentos pela população. No dia 13 de junho, compareceram no local cerca de 50 pessoas curiosas pelos factos entretanto revelado. Por volta do meio-dia, os videntes notaram novamente um clarão, a que chamavam relâmpago, mas que não era propriamente tal, mas sim o reflexo de uma luz que se aproximava. Segundo relatos, alguns dos espectadores notaram que a luz do Sol se obscureceu durante os minutos que se seguiram ao início da conversação, outros afirmaram que o topo da azinheira, coberto de rebentos, pareceu curvar-se como sob um peso, um momento antes da Lúcia falar. Durante a troca de palavras entre Lúcia e a aparição/visão alguns ouviram um sussurro como se fosse o zumbido de uma abelha. Nesse dialogo segundo Lúcia, o tema da conversa terá sido o mesmo e a aparição/visão ter-lhe-á dito que a Jacinta e o Francisco em breve partiriam para sempre. Ainda segundo relatos algumas das pessoas mais próximas notaram que os rebentos do topo da azinheira estavam tombados na mesma direcção, como se as vestes da visão os tivessem arrastado. Só algumas horas mais tarde retomaram a posição natural. A 13 de julho de 1917, ao dar-se a terceira aparição/visão, relatos de que uma pequena nuvem de cor cinzenta, pairou sobre a azinheira, o Sol ofuscou-se, uma aragem fresca soprou sobre a serra, embora se estivesse em pleno Verão. O Sr. Manuel Marto, pai da Jacinta e do Francisco, diz que também ouviu um sussurro, como o de moscas num cântaro vazio. Os videntes viram o reflexo da costumada luz e, em seguida, a aparição/visão de Nossa Senhora sobre a azinheira. Neste diálogo de Lúcia com a aparição/visão, os pedidos terão sido os mesmos, rezar pela paz no mundo e o fim da guerra e que em outubro irá aparecer para dizer quem é e fará um milagre para que todos acreditem. Terá neste dia descrito a designada "Visão do Inferno", segundo Lúcia. Segundo ainda Lúcia, terá afirmado: "Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados neste fogo os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu como na primeira aparição! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor." (considerada a primeira parte do segredo - "A visão do Inferno") "Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI, começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas." (considerada a segunda parte do segredo - "Devoção ao Imaculado Coração de Maria e a conversão da Rússia") "Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé. Então vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, soltava chamas que pareciam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: "Penitência, Penitência, Penitência!"E vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas no espelho, quando lhe diante passa um bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a casca. O Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade, meio em ruínas e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena. Ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho. Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares. Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da cruz, estavam dois anjos. Cada um com um regador de cristal nas mãos recolhendo neles o sangue dos mártires e com eles irrigando as almas que se aproximavam de Deus." (considerada a terceira parte do segredo - "O atentado ao papa"). Curiosamente, nos relatos de Lúcia sobre a "Visão do Inferno" e do Santo Padre, existe alguma semelhança com uma gravura publicada num famoso livro de catecismo do século XIX. As autoridades do Vaticano teimam em interpretar esta última mensagem como tendo sido o atentado que o papa João Paulo II sofreu em 13 de maio de 1981. Mas o texto, que não coincide em nada com o referido atentado, parece claro ao que se refere a factos que estão por vir, e vem de encontro com outras profecias, como a do papa Pio X, Dom Bosco, São Malaquias e Nostradamus.
No dia 13 de agosto de 1917, quando deveria dar-se a quarta aparição/visão, os videntes não puderam comparecer à Cova da Iria, foram levados pelo então administrador do concelho de Vila Nova de Ourém, Artur de Oliveira Santos (1884 - 1955), um republicano anticlerical e maçon, que à força quis arrancar-lhes o segredo. Nesse dia, uma grande multidão se juntou e há relatos de que teriam sido cerca de 18.000 pessoas, que aguardavam pela aparição/visão. Relatos afirmam que por volta do meio-dia, terão ouvido um trovão, ao qual se seguiu o relâmpago, tendo os espectadores notado uma pequena nuvem branca que pairou alguns minutos sobre a azinheira. Terão sido observados também fenómenos de coloração, com diversas cores, nos rostos das pessoas, nas roupas, nas árvores e no chão. As crianças não estavam presentes, continuaram em cativeiro e apesar das várias ameaças físicas e psicológicas a que foram sujeitas, permaneceram em silêncio e nada revelaram. Após o interrogatório final na manhã do dia 15 de agosto, as três crianças foram então libertadas e regressaram a Fátima. No dia 19 de agosto, Lúcia estava com Francisco e o seu irmão João no lugar dos Valinhos, uma propriedade de um dos seus tios e que dista uns 500 metros de Aljustrel, quando pelas 4 horas da tarde, começaram a notar-se as alterações atmosféricas que precederam as aparições/visões anteriores, uma súbita diminuição da temperatura e um enfraquecer do Sol. Lúcia, sentindo que alguma coisa de sobrenatural se aproximava e os envolvia, pediu ao primo João para chamar rapidamente a Jacinta, a qual chegou a tempo de ver Nossa Senhora que, anunciada, como das vezes anteriores, por um reflexo de luz, apareceu sobre uma azinheira, um pouco maior que a da Cova da Iria. Uma vez mais terá feito os pedidos do costume e anunciando um milagre para o último mês para que todos acreditem, após isto começou a elevar-se em direcção ao nascente, segundo Lúcia. Os três videntes cortaram ramos da árvore sobre a qual Nossa Senhora lhes tinha aparecido e levaram-nos para casa. Os ramos exalavam, segundo o relato, um perfume suava e desconhecido o que levou os pais das crianças a pensar que seria verdade o que as crianças diziam.
 

 


 
Reconstituição do fenómeno que "Os Três Pastorinhos" terão visto no dia 13 de maio de 1917
(arq. priv.)



Ilustração popular representando a aparição/visão dos "Três Pastorinhos"
no dia 13 de maio de 1917 (col. pess.)



Jacinta Marto sentada e Lúcia Santos de pé em 1917 (arq. priv.)



"Os Três Pastorinhos" rezando no local das aparições/visões em 1917
(arq. priv.)


Aspecto da visão que Lúcia terá tido no seu relato sobre o inferno
baseado numa gravura de missal do século XIX (col. pess.)

 

Primeiros peregrinos na Cova da Iria ao local das aparições/visões
(arq. priv.)



"Os Três Pastorinhos" Francisco, Lúcia e Jacinta no pórtico
construído no local das aparições/visões em 1917
(arq. priv.)



Lugar dos Valinhos, local da IV aparição/visão a 19 de agosto de 1917
aos "Três Pastorinhos" (arq. priv.)
 


Casa da família de Lúcia dos Santos em 1917 (arq. priv.)


Casa de Francisco e Jacinta Marto em 1917 (arq. priv.)



Monumento evocativo da IV aparição/visão tida pelos "Três Pastorinhos"
 em Valinhos na actualidade (arq. pess.)



Os três humildes pastorinhos Jacinta Marto, Lúcia dos Santos
e Francisco Marto em 1917 após as aparições/visões
 (arq. priv.)




A 13 de setembro, como das outras vezes, uma série de fenómenos atmosféricos foram observados pelos presentes, cujo número foi calculado entre 15 e 20 000 pessoas, o súbito arrefecimento da atmosfera, o empalidecer do Sol até ao ponto de se verem as estrelas, uma espécie de chuva como que de pétalas irisadas ou flocos de neve que desapareciam antes de pousarem na terra. Desta vez em particular, foi notado um globo luminoso que se movia lenta e majestosamente pelo céu, do nascente para o poente e, no fim da aparição/visão, em sentido contrário. Os videntes notaram, como de costume, o reflexo de uma luz e, a seguir, Nossa Senhora sobre a azinheira. O diálogo foi o mesmo, pedindo que rezassem, anunciando a cura para alguns doentes, o fim da guerra e uma vez mais o milagre que ia acontecer para que todos acreditassem. Finalmente no dia 13 de outubro de 1917, devido ao facto de os pastorinhos terem revelado que a Virgem Maria iria fazer um milagre neste dia, estavam presentes na Cova da Iria, segundo relatos,  cerca de 50 mil pessoas. Acorreram ao local de todas as formas possíveis, a pé, de burro, de cavalo, carroça, carros char-a-bancs e automóvel (poucos à época). Nesse dia chovia torrencialmente e a multidão aguardava as três crianças nos terrenos enlameados da serra. Lúcia foi acompanhada da mãe que temia pela vida da filha, nesse dia a multidão era muita e ajoelha-se na lama numa atitude humilde e suplicante. Lúcia pediu ao povo que fechasse os guarda-chuvas e com ela rezassem o terço. Pouco depois surge o reflexo da luz e, em seguida, Nossa Senhora terá surgido sobre a azinheira. Segundo Lúcia a Senhora terá dito: "Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas." Lúcia terá pedido, segundo relatou a cura para doentes e a conversão dos pecadores ao que a imagem lhe terá respondido: "Uns, sim; outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados." E terá pedido em tom triste: "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido." Segundo ainda Lúcia, terá aberto as mãos, fê-las reflectir no Sol e enquanto se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projectar-se no Sol. Neste momento, Lúcia diz para a multidão olhar para o Sol, levada por um movimento interior que a isso a impeliu, Lúcia nesse momento diz ter visto após o desaparecimento de Nossa Senhora, a Sagrada Família, a figura de Jesus acabrunhado de dor a caminho do Calvário e Nossa Senhora que lhe dava a ideia de ser Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Carmo abençoando a multidão a partir do firmamento. Enquanto "Os Três Pastorinhos" eram agraciados com estas aparições/visões, pois segundo o relato, apenas Lúcia viu este quadro, Jacinta e Francisco viram somente o primeiro. É neste momento que a maior parte da multidão presente observou o chamado "Milagre do Sol". Segundo os relatos de muitos presentes, a chuva torrencial que caía cessou, as nuvens abriram-se deixando ver o Sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podendo vislumbrar-se sem dificuldade e sem encandear. A imensa bola começou a girar vertiginosamente sobre si mesma como uma roda de fogo. Depois, os seus bordos tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, lacando como que chamas vermelhas de fogo. Essa luz reflectia-se no solo, nas árvores, nas faces das pessoas e nas suas roupas, aparentando tonalidades brilhantes e diferentes cores. Animado três vezes por um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em zigue-zague sobre a multidão aterrorizada. Tudo durou uns dez minutos. Segundo os relatos, muitos dos presentes gritavam: "Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!" Finalmente, o Sol voltou em zigue-zague para o seu lugar e ficou novamente tranquilo e brilhante como se nada tivesse acontecido. Muitas pessoas notaram que as suas roupas, ensopadas pela chuva, tinham secado subitamente. Também houve relatos de aparentes curas inexplicáveis de paralíticos e cegos, e outras doenças não explícitas, em vários casos comprovadas também por testemunhos de médicos. Tal fenómeno estranho foi testemunhado por milhares de pessoas, até mesmo por outras que estavam a quilómetros do lugar das citadas aparições/visões. O relato foi publicado na imprensa da época como o jornal O Século e a revista Illustração Portugueza, pelos diversos jornalistas que ali se deslocaram como o repórter Avelino Almeida e que foram também eles, testemunhas do estranho acontecimento. A descrição do que "Os Três Pastorinhos" terão observado e ouvido são relatados nas Memórias de Lúcia dos Santos, mais ninguém os viu ou ouviu. Perante os relatos feitos por testemunhos da época no local resta tentar perceber o que realmente aconteceu, terá sido sempre ou alguma vez foi a Virgem Maria que se manifestou aos videntes? Ou os videntes foram levados a afirmar que as entidades manifestantes, foram sempre as mesmas: a Virgem Maria, por uma simples sugestão provocada pela mística religiosa? Porque o Sol se teria movimentado naquele dia só em Fátima e não no resto do mundo? Seria no entanto a última vez que este tipo de fenómeno, aparição/visão Mariana aconteceria aos "Três Pastorinhos" de Fátima. Muito embora haja relatos de que Jacinta Marto e Lúcia Santos tenham voltado ter algumas raras experiências semelhantes mais tarde em privado, mas sem o mesmo impacto.




Reconstituição da aparição/visão que "Os Três Pastorinhos"
terão tido no dia 13 de maio de 1917 na Cova da Iria
 (arq. priv.)



Multidão em Fátima por ocasião do "Milagre do Sol " junto ao local das aparições/visões
em 13 de outubro de 1917, foto de Joshua Benoliel (arq. priv.)



Multidão na Cova da Iria no dia 13 de outubro de 1917 aquando do fenómeno
do designado "Milagre do Sol", foto Joshua Benoliel (arq. priv.)
 
 
Multidão na Cova da Iria no dia 13 de outubro de 1917 no momento do fenómeno
do designado "Milagre do Sol", foto Joshua Benoliel (arq. priv.)



Multidão presente na Cova da Iria observam o "Milagre do Sol"
em 13 de outubro de 1917, foto Joshua Benoliel (arq. priv.)



Multidão no dia 13 de outubro de 1917 vendo-se Jacinta assustada
ao colo de um militar, foto Judah Bento Ruah (arq. priv.)



"Os Três Pastorinhos" Francisco, Lúcia e Jacinta com populares
no pórtico construído no local das aparições/visões em 1917
(arq. priv.)



 

 Páginas 353 a 356 da edição de 29 de outubro de 1917 da Illustração Portugueza
com uma reportagem sobre o Milagre de Fátima como foi noticiado
(arq. Hemeroteca Digital)



Página do jornal 0 Século de 18 de outubro de 1917 relatando
a notícia do fenómeno do movimento do Sol em Fátima
(arq. priv.)



Foto publicada em 1951 pelo L'Osservatore Romano mostrando o que terá sido
o fenómeno do "Milagre do Sol " ocorrido em 13 de outubro de 1917
(arq. priv.)





As três crianças, "Os Três Pastorinhos", particularmente Francisco de Jesus Marto, tinham o costume de praticar mortificações, mas que Nossa Senhora, numa das suas aparições/visões, pedira moderação. Contudo, como penitência, Francisco deixara de ir à escola e escondia-se para fazer reparação pelos pecadores. É possível que os prolongados jejuns o tenham enfraquecido a ponto de sucumbir à epidemia gerada pela pneumónica que varreu a Europa em 1918, em consequência da Primeira Grande Guerra Mundial. Ele acabou por falecer em sua casa a 4 de abril de 1919. Descrevendo a morte do seu primo, nas suas Memórias, a irmã Lúcia escreveu: "Ele voou para o Céu nos braços da Nossa Mãe Celeste." Foi sepultado no cemitério de Fátima e em 13 de março de 1952 o seu corpo é trasladado para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima. Foi beatificado pelo papa João Paulo II no dia 13 de maio de 2000 no Santuário de Fátima, e será canonizado pelo papa Francisco no mesmo local no dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima. Um ano depois das aparições/visões da Cova da Iria, Jacinta Marto adoece, primeiro foi a pneumonia bronquial, depois um abcesso nos pulmões, que lhe causaram muito sofrimento. Como sofria de pleurisia não podia ser anestesiada devido à má condição do seu coração, foi assistida em vários hospitais, esteve acolhida temporariamente no Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres, na rua da Estrela n.º 17, em Lisboa (actual Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, junto ao Jardim da Estrela), o qual foi fundado e dirigido pela Madre Maria da Purificação Godinho, acabando por falecer a 20 de fevereiro de 1920, no Hospital de Dona Estefânia em Lisboa. Na sua cama de hospital, dizia que a sua doença era mais uma maneira de sofrer para a conversão dos pecadores. É sepultada inicialmente no cemitério de Vila Nova de Ourém, no jazigo da família do Barão de Alvaiázere. A 12 de setembro de 1935, os seus restos mortais são trasladados para o cemitério de Fátima, data em que a urna foi aberta e revelado o seu corpo incorrupto. Em 1 de maio de 1951 o seu corpo é trasladado para Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima. Foi beatificada pelo papa João Paulo II no dia 13 de maio de 2000 no Santuário de Fátima, e será canonizada pelo papa Francisco no mesmo local no dia 13 de maio de 2017, por ocasião das celebrações do Centenário das Aparições de Fátima. Lúcia dos Santos foi a única dos três primos que falava com a aparição/visão da Virgem Maria, que sobreviveu, foi a portadora dos designados "Segredos de Fátima". Lúcia passou a viver cada vez mais isolada. Durante alguns anos ficou na Quinta da Formigueira em Frossos, Braga, propriedade do bispo de Leiria D. José Alves Correia da Silva (1872 - 1957). Em 17 de junho de 1921, o bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, proporcionou a sua entrada no colégio das irmãs doroteias em Vilar, no Porto, alegadamente para a proteger dos peregrinos e curiosos que acorriam cada vez mais à Cova da Iria e pretendiam falar com ela. Professou como religiosa doroteia em 1928, em Tui, Espanha, onde viveu alguns anos. Em 1946 regressou a Portugal e, dois anos depois, entrou para a clausura do Carmelo de Santa Teresa em Coimbra, onde professou como carmelita descalça a 31 de maio de 1949. Foi neste convento que escreveu dois volumes com as suas Memórias e os Apelos da Mensagem de Fátima. Em 1967 encontra-se em Fátima com o papa Paulo VI aquando da sua vinda a Portugal e 1991, quando o papa João Paulo II visitou Fátima, convidou a irmã Lúcia a deslocar-se ali e esteve reunido com ela cerca de doze minutos. Lúcia dos Santos morreu no dia 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra. O papa João Paulo II, nesta ocasião, rezou por irmã Lúcia e enviou o cardeal Tarcisio Bertone para o representar no funeral. Em 19 de fevereiro de 2006 o seu corpo foi trasladado de Coimbra para o Santuário de Fátima onde foi sepultada junto dos seus primos, Francisco e Jacinta Marto. Em relação aos "Segredos de Fátima", a irmã Lúcia terá revelado um segredo, constituído por três partes, de carácter profético. As duas primeiras partes foram reveladas em 1941 num documento escrito por Lúcia. A terceira parte foi escrita por Lúcia em 3 de janeiro de 1944, por ordem do bispo de Leiria, e revelada em 2000. Em 14 de fevereiro de 2008 o papa Bento XVI autorizou, excepcionando as normas do Direito Canónico, o início da fase diocesana da causa da sua beatificação, transcorridos apenas três anos da sua morte. Este fenómeno dos "Três Pastorinhos" e das aparições/visões de Fátima, desde 1917 até aos nossos dias, têm sido representadas em várias produções cinematográficas e documentários nacionais e estrangeiras, que abordaram, de forma mais ou menos fiel, consoante os relatos e a imaginação dos seus realizadores.




"Os Três Pastorinhos", Jacinta Marto, Lúcia dos Santos e Francisco Marto rezando em 1917
(arq. priv.)



Túmulo de Francisco Marto na Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima
(foto Paulo Nogueira)



Túmulos de Jacinta Marto e Lúcia Santos
na Basílica de Nossa Senhora do Rosário
 em Fátima (foto Paulo Nogueira)



São Francisco Marto e Santa Jacinta Marto canonizados no dia 13 de maio de 2017
pelo papa Francisco no Santuário de Fátima (arq. pess.)


 
Papa  Paulo VI e irmã Lúcia em visita a Fátima pela primeira vez em 13 de maio 1967
(arq. priv.)
 


Papa João Paulo II e a irmã Lúcia aquando a visita do Santo padre em 1991 (arq. priv.)



Ilustração alusiva à  aparição visão de Nossa Senhora de Fátima
aos "Três Pastorinhos" dos anos 30 (col. pess.)

 
 
Cinema Eden em Lisboa com a exibição de um filme português
sobre a questão de Fátima em 1943 (arq. AML)





Em resposta ao suposto pedido da aparição/visão de Nossa Senhora, foi construída uma modesta capela no local exacto onde ocorreram as aparições/visões. Esta obra modesta ficou concluída em 15 de junho de 1919 e foi executada pelo pedreiro Joaquim Barbeiro de Santa Catarina da Serra, ficou conhecida por Capelinha das Aparições. A imagem de Nossa Senhora de Fátima, feita segundo as orientações da irmã Lúcia, foi oferecida por Gilberto Fernandes dos Santos, feita em madeira de cedro do Brasil, e mede 1,10m de altura, foi benzida no dia 13 de maio de 1920 na Igreja Paroquial de Fátima, e ocupou o lugar na Capelinha das Aparições a 13 de junho do mesmo ano. Nos primeiros tempos, a hierarquia católica revelou-se céptica sobre as afirmações dos "Três Pastorinhos" e foi só a 13 de outubro de 1930 que o bispo de Leiria tornou público, oficialmente, que as aparições/visões eram dignas de crédito. A partir daí, o Santuário de Fátima ganhou uma expressão internacional. De referir também como curiosidade que o Presidente do conselho de Ministros António de Oliveira Salazar (1889 – 1970), pessoa de profunda fé católica, nunca foi apologista nem crente neste fenómeno de Fátima, apesar de durante todo o período da sua governação Fátima ter sido um dos ícones nacional. No entanto já em setembro de 1920, eram adquiridos terrenos delimitando uma considerável extensão destinada à organização do futuro santuário. Após a visita do bispo à Cova da Iria, onde rezou o terço, foi autorizada a realização de culto público a Nossa Senhora, e em 13 de outubro foi celebrada a primeira missa diante da capela. O culto autorizado não se destinava à Virgem de Fátima especificamente, visto que as aparições/visões ainda estavam a ser analisadas pela Igreja e não haviam sido ratificadas formalmente. Em 6 de março de 1922, a Capelinha das Aparições foi dinamitada por desconhecidos e parcialmente destruída. Embora tenham sido colocados explosivos em cada canto da pequena ermida, nem todas as cargas detonaram, contribuindo para a ideia popular de que o local estaria protegido por alguém ou algo sobrenatural.
Dadas as aparentes curas miraculosas ocorridas em Fátima, à semelhança do Bureau des Constatations Médicales do Santuário de Lourdes, em Fátima seria criado em 1926 o Serviço de Verificações Médicas, onde, sob a égide do médico Pereira Gens, se procurou atestar a veracidade dessas curas miraculosas ocorridas, ainda que, segundo aquele clínico, sem o rigor de observação e diagnóstico do seu congénere francês. Em 13 de maio de 1928 é lançada a primeira pedra para a construção da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, seguindo um projecto de Gerardus Samuel van Krieken. É também no mesmo ano que é feita a bênção da primeira pedra para o monumento da praça central do santuário ao Sagrado Coração de Jesus. Em 26 de junho o bispo de Leiria preside pela primeira vez a uma cerimónia oficial na Cova da Iria. Por esta altura, prevendo-se a futura ampliação do complexo, iniciam-se esboços mais consistentes de um ordenamento urbanístico e arquitectónico da área, elaborados por Luís Cristino da Silva e Ernesto Korrodi, que criaram uma planta urbanística geral baseada na forma da cruz. Para a Cova da Iria, António de Aguiar e José de Lima Franco criaram outro projecto, mas também esses planos não foram implementados na sua totalidade, continuando o santuário a crescer desorganizadamente. Surge uma capela para missas e equipamentos de assistência hospitalar e apoio a retiros, delimitam-se os locais do pórtico de entrada, de outras ruas, da fonte e outras edificações. Ao longo dos anos o santuário foi sendo expandido, contando hoje com duas basílicas, o que representou um aumento significativo da capacidade de acolhimento de peregrinos em recinto coberto. Em 13 de outubro de 1942 um grupo de mulheres portuguesas oferece uma coroa de ouro, a coroa de Portugal, à imagem de Nossa Senhora de Fátima e a 1 de maio de 1946 celebrou-se a coroação de Nossa Senhora, em Fátima pelo cardeal Bento Aloisi Masella. Em 25 de março de 1984 o papa João Paulo II durante a solenidade de Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria entrega a D. Alberto Cosme do Amaral o projétil da bala que quase o matou no atentado que sofreu em 13 de maio de 1981. Logo após o referido projétil da bala foi colocado na parte inferior da coroa da imagem. A entrega e a solenidade ocorreu na Praça de São Pedro, no Vaticano. Aquele Santuário Mariano em Fátima, envolto em toda a mística das aparições/visões, independentemente da veracidade dos factos, tornou-se num local de culto e fé dos homens.
Inaugurada em 12 de outubro de 2007 pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, por ocasião do 90.º aniversário das Aparições de Fátima, a grande Basílica dedicada à Santíssima Trindade, dispondo de 8 633 lugares sentados e 40 000 m² de área. O projecto teve autoria do arquitecto grego Alexandros Tombazis. Esta Basílica é a mais recente construção do complexo do Santuário de Fátima, em linhas arquitectónicas modernas para o culto religioso, a que se somam várias obras de arte, tendo no interior do templo, por exemplo obras de Siza Vieira e Pedro Calapez. Toda área envolvente ao Santuário, apesar dos diversos planos urbanísticos criados para ordenar o crescimento de Fátima, tiveram pouco efeito prático, e o complexo que se vê actualmente é fruto mais de intervenções pontuais que atendiam a necessidades do momento do que de um planeamento unificado e de longo prazo. Por outro lado, o poderoso impulso gerado pelo Santuário de Fátima foi responsável pelo crescimento exponencial de uma zona do país até aí muito pouco desenvolvida. Fátima é actualmente uma cidade portuguesa, sede de freguesia, subdivisão do concelho de Ourém e tornou-se num dos mais importantes destinos internacionais de turismo religioso, recebendo cerca de seis milhões de pessoas por ano. Neste ano em que se celebram o centenário das aparições/visões de Fátima, este santuário recebe a visita do papa Francisco na sua primeira deslocação a Portugal.




Capelinha das Aparições em 1922 erguida no local das aparições/visões
pelos pequenos "Três Pastorinhos" (arq. priv.)




Reprodução da imagem em madeira de Nossa Senhora Fátima
original de 1920 antes da coroação (arq. priv.)




Capelinha das Aparições dinamitada em 6 de março de 1922 (arq. priv.)



Aspecto de peregrinação a Fátima, em 13 de outubro de 1926 (arq. priv.)



Peregrinos no Santuário de Fátima em 1927 (arq. priv.)



Vista geral do local das aparições/visões numa peregrinação em 1928 (arq. priv.)



Bênção da primeira pedra do monumento ao Sagrado Coração de Jesus
em 13 de maio de 1928 no Santuário de Fátima (arq. priv.)


Postal ilustrado anterior a 1946 alusivo a Nossa Senhora de Fátima,
ao Santuário e Os Três Pastorinhos (col. pess.)




Coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima em 13 de maio de 1946 (arq. priv.)



Postal alusivo à coroação de Nossa Senhora de Fátima
Rainha da Paz e do Mundo 1946 (col. pess.)



Pormenor da coroa da imagem da Nossa Senhora de Fátima com o projectil da bala
que quase matou o papa João Paulo II no atentado de 1981(arq. priv.)



Fase da construção do Santuário de Fátima em 1949 (arq. priv.)



Aspecto geral dos peregrinos no Santuário de Fátima em meados dos anos 50 (arq. priv.)




Aspectos do Santuário e  Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima
na actualidade (fotos Paulo Nogueira)




 Torre da Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima
 (foto Paulo Nogueira)


Altar mor da Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima
(foto Paulo Nogueira)


Peregrinos junto à Capelinha das Aparições no recinto do Santuário de Fátima
(foto Paulo Nogueira)



Peregrinos junto à Capelinha das Aparições no Santuário de Fátima (foto Paulo Nogueira)



Imagem de Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições na actualidade (arq. priv.)



Azinheira centenária preservada no Santuário de Fátima
ainda do tempo das aparições/visões de 13 de maio de 1917
(foto Paulo Nogueira)



Basílica da Santíssima Trindade em Fátima, moderna construção no Santuário de Fátima
(foto Paulo Nogueira)


Altar mor da Basílica da Santíssima Trindade no Santuário de Fátima (foto Paulo Nogueira)



Escultura em forma de terço com crucifixo em pórtico
de Joana Vasconcelos no Santuário de Fátima
nas comemorações do centenário das aparições/visões
(arq. priv.)



Vista aérea da cidade e do Santuário de Nossa Senhora de Fátima (arq. priv.)






Papa Francisco no seu primeiro dia no santuário de Fátima em 12 de maio de 2017
(arq. Catholic News Svc)
 



Por curiosidade outras três aparições/visões algo semelhantes, seriam relatadas, sem grande publicidade mais tarde, em 2 de abril de 1943, por 3 crianças, ditas videntes, e 3 adultos. Estas aparições/visões, ocorreram em Benfica, no caminho da Feiteira junto ao apeadeiro da Buraca, quando as crianças brincavam à porta de suas casas por volta das 22 horas e foram atraídas, segundo elas, por uma estranha luz que se desenhava do lado da estrada Militar que corria entre Benfica e Monsanto. As crianças terão afirmado ter visto a luz transformar-se numa figura, completamente tecida de uma luz resplandecente, possuindo algo semelhante a uma capa ou romeira que esvoaçava como se fosse pelo vento. Um adulto vizinho também terá assistido a este fenómeno. No dia 12 de agosto de 1943 o mesmo fenómeno terá sido visto no mesmo lugar, por volta da 1 hora, pela mãe de duas das crianças que terão assistido ao fenómeno anterior. Finalmente no mesmo local mas em fevereiro de 1947 também pelas 22 horas, um fenómeno ligeiramente diferente terá sido observado, em que um enorme triângulo de luz intensa avistado sobre a dita estrada Militar, deixou cair de si um triângulo mais pequeno que se fundiu com a terra, enquanto o primeiro corria no espaço, vertiginosamente em direcção à Serra de Monsanto. Este último fenómeno terá sido visto por outro adulto também a mãe de uma das crianças que terá assistido ao primeiro fenómeno. Neste primeiro fenómeno nenhuma das crianças referenciou ser a imagem de Virgem Maria, embora mais tarde confrontadas com a hipótese ficaram indecisas. Os relatos destes casos ocorridos em Benfica, pouco ou nada foram divulgados e ficaram sem explicação plausível. Mas também em Baião (1938), Vilar Chão (1946), Asseiceira (1954) ou da Ladeira do Pinheiro (1970/1971), foram exemplos de relatos idênticos de aparições/visões do mesmo fenómeno dito Mariano. Foi no entanto o fenómeno de Fátima de 1917 o mais divulgado e marcante. Todos estes dados e relatos históricos dos fenómenos das aparições/visões de Fátima, assim como os demais, continuam a ser um mistério envolto em grande controvérsia por parte de historiadores do tema e até da comunidade científica. Ao longo do tempo diversos autores sugeriram possíveis explicações para o pretenso milagre com base em fenómenos puramente naturais. Como exemplo, Joe Nickell sugere que os efeitos testemunhados podem se dever a efeitos visuais causados na retina após exposição à luz intensa, sugere também a possibilidade de a causa ter sido um parélio, um fenómeno atmosférico relativamente comum. Durante o dia do fenómeno, não foi reportada nenhuma observação científica extraordinária do Sol em observatórios nacionais e internacionais da época. Auguste Meessen, professor do Instituto de Física da Universidade Católica da Lovaina, afirmou que "milagres do Sol", não podem ser aceites e que as observações relatadas foram efeitos ópticos causados pela prolongada observação directa do Sol, alega igualmente que as imagens residuais na retina, produzidas após breves períodos de olhar fixo no Sol, são a causa provável dos efeitos observados de "dança". Meessen afirma também que as mudanças de cor testemunhadas pelos presentes, foram provavelmente causadas pela estimulação excessiva das células fotossensíveis da retina. Meessen adverte que "milagres do Sol" têm sido testemunhados em muitos locais do mundo onde peregrinos cheios de religiosidade têm sido encorajados a olhar para o Sol. Ele cita, como exemplo, as aparições em Heroldsbach em 1949, onde os mesmos exactos efeitos ópticos foram testemunhados por mais de 10 000 pessoas. O cientista descarta ainda a hipótese de, no caso de Fátima, se ter tratado de um OVNI, visto que este teria de ser demasiado grande para poder ser igualmente visto e confundido com o Sol, à mesma hora, em locais situados num raio de 18 km dali. Stanley L. Jaki, beneditino e autor de livros que tentam conciliar a ciência e o catolicismo, propôs uma teoria para o milagre. Na opinião dele, o fenómeno pode ter sido meteorológico em natureza, mas o facto de ter ocorrido no exacto tempo prenunciado é um milagre. De Marchi afirma que a predição de um "milagre" não específico, o início e final abruptos do pretenso milagre, a natureza diversa dos observadores, incluindo crentes e descrentes, o grande número de pessoas presentes e a ausência de qualquer possível causa científica conhecida põem uma barreira à hipótese de alucinação em massa. De Marchi afirma também que a existência de relatos de que a actividade solar foi visível por pessoas a até 18 Km de distância do local também elimina a possibilidade da teoria de alucinação ou histeria colectiva. Muitas ideias e opiniões portanto têm sido avançadas para a tentativa de explicação destes fenómenos, em especial o de Fátima que teve mais impacto junto dos fiéis e pela Igreja, fica pois ao critério de cada um de nós avaliar e concluir o que realmente se passou em 1917 em Fátima.  Independentemente dos fenómenos ocorridos há 100 anos ou não, uma coisa está presente e é real no sentimento de cada um, a fé. Esse sentimento acompanhado de absoluta abstinência da dúvida pelo antagonismo inerente à natureza dos fenómenos psicológicos e da lógica conceitual. Ou seja, é impossível duvidar e ter fé ao mesmo tempo...
Uma vez mais e como ressalva, neste artigo só pretendi relatar os factos conhecidos sobre os fenómenos ocorridos e as diversas opiniões que têm sido formuladas ao longo destes 100 anos por historiadores, estudiosos e cientistas da matéria, sobre a questão, sem com isto tomar partido de alguma das partes envolvidas.




Casas do caminho da Feiteira em Benfica onde terão sido avistados os fenómenos em 1943 e 1947
(arq. Ruin'Art)


Local do caminho da Feiteira em Benfica na actualidade
de onde terão sido avistados os fenómenos em 1943 e 1947
(arq. priv.)



Reconstituição do que terá sido a aparição/visão tida pelos "Três Pastorinhos" na Cova da Iria
 em 13 de maio de 1917 muito semelhante a outros ocorridos (arq. priv.)



Fenómeno atmosférico do Sol (arq. priv.)



Aspecto geral do recinto do Santuário e Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima
em 2016 (foto Paulo Nogueira)
 

Estátua do papa  Paulo VI no Santuário de Fátima (foto Paulo Nogueira)



Aspecto geral do recinto do Santuário e Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima 
em 2016 (foto Paulo Nogueira)


Símbolo da fé dos homens em estátua do papa João Paulo II
no Santuário de Fátima (foto Paulo Nogueira)



Vista geral de peregrinos junto à Capelinha das Aparições no Santuário de Fátima em 2016
(foto Paulo Nogueira)


Fieis assistindo a missa na Capelinha das Aparições no Santuário de Fátima em 2016
(foto Paulo Nogueira)



Vista aérea do Santuário de Fátima num dia de peregrinação na actualidade (arq. priv.)



Andor com imagem de Nossa Senhora de Fátima junto à Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
 (arq. priv.)



Aspecto dos fiéis devotos na procissão das velas no dia 13 de maio no Santuário de Fátima (arq. priv.)



Imagem de Nossa Senhora de Fátima durante a procissão das velas do dia 13 de maio
 iluminada por todos os seus fieis e devotos no recinto do Santuário (arq. priv.)







Texto:
Paulo Nogueira

 

Fontes e bibliografia:

Illustração Portugueza n.º 610, p. 353 a 356, edição semanal do jornal O Século, Lisboa 29 de setembro de 1917

MENDONÇA, Filipe Furtado de, Um Raio de Luz sobre Fátima, Estranha Revelação, Luanda, 1974
Cónego José Galamba de Oliveira, História das Aparições in Fátima, Altar do Mundo Vol. II, pp. 21–160
Ocidental Editora, Porto, 1954,

MACHADO, António Augusto Borelli, As aparições e a mensagem de Fátima nos manuscritos da Irmã Lúcia, 23.ª edição, Maio de 1998
TORGAL, Luís Filipe, O Sol Bailou ao Meio-Dia, A Criação de Fátima, Edições Tinta da China, Lisboa 2011
Documentação Crítica de Fátima, Seleção de Documentos (1917-1930) Edição do Santuário de Fátima, 2013

HAFFERT, John Mathias, Encontro de Testemunhas, Edição da Sede Internacional do Exército Azul, 1961

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

EFEMÉRIDES do dia 9 de maio



Dia da Europa (ou da União Europeia)
De entre os santos consagrados a este dia, destaque para São Pacómio (Tebas, Alto Egipto, 292 d.C. - Egipto, 9 de maio de 348 d.C. ). Pacómio filho de pais pagãos, foi recrutado à força para o exército imperial com a idade de vinte anos, acabou como prisioneiro em Tebas com todos os recrutas. Protegidos pela escuridão, alguns cristãos levaram-lhes comida. O gesto dos desconhecidos comoveu Pacómio, que lhes perguntou quem os havia levado a fazer aquilo. "O Deus dos céus," foi a resposta dos cristãos. Naquela noite Pacómio orou ao Deus dos cristãos pedindo que o livrasse das correntes, comprometendo-se em troca dedicar-lhe a sua própria vida ao seu serviço. Obtida a liberdade, cumpriu a promessa agregando-se a uma comunidade cristã de um povoado do sul, o actual Kasr-es-Sayad, onde teve a instrução necessária ao baptismo. Durante algum tempo conduziu vida de asceta, dedicando-se ao serviço da gente do lugar, depois submeteu-se à guia de um velho monge, Palamon, por sete anos. Durante um intervalo de solidão no deserto, uma voz misteriosa convidou-o a fixar a sua morada naquele lugar, ao qual bem logo teriam vindo numerosos discípulos. Na época da sua morte os mosteiros masculinos já eram nove, mais um feminino. Faleceu provavelmente de peste em 9 de maio de 348, com uma reputação de grande santidade. Deixou alguns sermões escritos em língua copta. Ficou desconhecido o lugar da sepultura do santo, pois no seu leito de morte fez o discípulo Teodoro prometer que esconderia o seu corpo para evitar que sobre o seu túmulo se construísse uma igreja, imitando o costume de se construir capelas sobre a sepultura dos mártires. É comemorado em mais de uma confissão cristã no dia da sua morte. 

 





Em Portugal


1386 - É assinado um Tratado de Paz e Aliança entre o rei D. João I de Portugal e o rei Ricardo II de Inglaterra (denominado "Primeiro Tratado de Windsor") que culmina com o casamento no ano seguinte na cidade do Porto de D. João I com D. Filipa de Lencastre. Nesta Aliança ambos os países comprometeram-se a manter amizade perpétua e assistência mútua. Trata-se da mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor.



1736 - Morre Diogo de Mendonça Corte-Real (Tavira, Portugal, 17 de junho de 1658 - Benfica, Portugal, 9 de maio de 1736), aos 78 anos. Foi diplomata e estadista português, secretário de Estado do rei D. João V, negociador do Tratado de Utreque e cofundador da Academia Real de História.

1803 - Nasce António Bernardo da Costa Cabral (Fornos de Algodres, Algodres, Portugal, 9 de maio de 1803 - Porto, Portugal, 1 de setembro de 1889). Virá a ser um político português que, entre outros cargos e funções, foi deputado, par do Reino, conselheiro de Estado efectivo, ministro da Justiça e Negócios Eclesiásticos, ministro do Reino e presidente do Conselho de Ministros. Durante o seu primeiro mandato na presidência do ministério, num período que ficaria conhecido pelo Cabralismo, empreendeu um ambicioso plano de reforma do Estado, lançando os fundamentos do moderno Estado português. Considerado um valido da rainha D. Maria II, apesar das suas origens modestas, foi feito conde de Tomar e depois elevado a marquês de Tomar. Foi uma das figuras mais controversas do período de consolidação do regime liberal, admirado pelo seu talento reformador, mas acusado de corrupção e nepotismo por muitos. Foi obrigado a exilar-se em Madrid na sequência da Revolução da Maria da Fonte, mas voltaria poucos anos depois, demonstrando uma extraordinária capacidade de recuperação e persistência, a ocupar a chefia do governo.



1858 - Nasce Ricardo de Almeida Jorge (Porto, Portugal, 9 de maio de 1858 - Lisboa, Portugal, 29 de julho de 1939). Virá a ser um médico, escritor, investigador e higienista, professor de Medicina e introdutor em Portugal das modernas técnicas e conceitos de saúde pública. Vem a exercer diversos cargos na administração da saúde, conseguindo uma importante influência política. Ricardo Jorge será o fundador do Instituto Nacional de Saúde.

1918 - Sidónio Pais major do exército português e professor é proclamado presidente da República Portuguesa. Foi eleito, por sufrágio directo dos cidadãos eleitores, obtendo 470 831 votos a 28 de abril de 1918. Passando a gozar de uma legitimidade democrática directa, que usou para esmagar qualquer tentativa de oposição. Foi o 4º Presidente da República de Portugal entre 28 de abril de 1918 a 14 de dezembro de 1918.

1945 - Manifestação em Lisboa, pela vitória aliada, na II Guerra Mundial. Concentração no Largo do Rato com percurso pelas embaixadas dos EUA, do Reino Unido e da França.



1983 - O presidente português Ramalho Eanes inaugura o Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (LNETI).

1988 - Sai o número zero do semanário O Independente.

1998 – Tem lugar o ensaio geral da Expo 98 para testar a infra-estrutura do recinto que albergará a exposição mundial.

1999 - Portugal concede asilo político ao ex-presidente da Guiné-Bissau Nino Vieira.



2000 - Um corte total de electricidade afecta quase metade de Portugal continental. foi um importante apagão que deixou a metade sul do país, incluindo Lisboa, sem energia electrica durante duas horas. Ocorreu pouco depois das 22:00 (hora local), o apagão deixou a capital Lisboa na completa escuridão. Imediatamente foi reforçada a segurança policial na cidade, mas não se detectou nenhum aumento da actividade criminal. A EDP a principal companhia eletrica portuguesa, informou mais tarde que a causa do apagão foi devido à eletrocussão de uma cegonha. Como resultado, esta história apareceu na secção de curiosidades de alguns jornais europeus.
 
2003 - A C&J Clark fecha as portas da fábrica em Castelo de Paiva. Os últimos 51 trabalhadores deixam a empresa de calçado.

2003 - Eduardo Lourenço é distinguido com o Prémio da Latinidade, da União Latina.

 
 
2006 - O pianista Mário Laginha vence o Prémio Carlos Paredes 2007 com o álbum "Canções & Fugas".
 
2007 - Helena Roseta deixa o PS e anuncia candidatura à Câmara de Lisboa como independente, apoiada por um movimento de cidadãos.

2008 - O Futebol Clube do Porto é punido com a perda de seis pontos e o seu presidente, Pinto da Costa, suspenso por dois anos, enquanto o Boavista FC é condenado à descida de divisão, perda de seis pontos e várias multas, entre as quais uma de 180.000 euros no âmbito do processo Apito Final, sobre corrupção no futebol.

 
 
 
 




No Mundo
 

1502 - O navegador Cristóvão Colombo larga do porto de Cadiz, em Espanha, na quarta e última viagem ao Novo Mundo.



1605 - Publicação da primeira parte de "Dom Quixote de la Mancha", de Miguel de Cervantes.

1707 - Há 310 anos morre Dietrich Buxtehude (Helsingborg, Dinamarca, actualmente território da Suécia, 1637 - Lübeck, Alemanha, 9 de maio de 1707), aos 70 anos. Foi um compositor e organista do período barroco alemão de origem dinamarquesa, «kantor» de Lubeck, admirado por Johann Sebastian Bach.
 
 

1920 - O papa Bento XV, Canoniza Joana d’Arc na Catedral de Notre-Dame. Cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana d'Arc foi definitivamente reabilitada.

1945 - O criminoso nazi Hermann Goering é capturado pelo 7º Exército dos EUA.

1946 - Vítor Emanuel III de Itália abdica e Humberto II proclama-se a si mesmo rei da Itália.

1950 - Robert Schuman, ministro francês dos Assuntos Externos, propõe a criação de uma autoridade comum para regular a indústria do carvão e do aço na Alemanha Ocidental e em França. É o primeiro passo político para a União Europeia.
 


1967 - Há 50 anos o vice-presidente indiano Zakir Hussain ascende à Presidência, sendo o primeiro muçulmano como Chefe de Estado.

1968 - Em França a agitação estudantil atinge, além de Paris, as cidades de Estrasburgo, Nantes, Rennes e Toulouse.

1969 - São retirados 200 santos do calendário litúrgico oficial da Igreja Católica. A medida insere-se no conjunto de reformas do Concílio Vaticano II.



1972 - O presidente norte americano Richard Nixon decide o bloqueio ao Vietname do Norte.
 
1978 - O  primeiro-ministro italiano Aldo Moro, raptado 54 dias antes pelas Brigadas Vermelhas, é encontrado morto num automóvel no centro de Roma.



1994 - A Suécia e a Finlândia aderem à parceria para a paz, programa de cooperação militar da NATO.

1997 - O Congresso norte-americano aprova a lei que prevê o julgamento e condenação, como adultos, dos menores de 13 anos, autores de crimes violentos.

2004 - Atentado bombista na Tchechénia causa a morte ao presidente do país Akhmad Kasdyrov.
 

  
2005 - "Libro delle Cadute", de Casimiro de Brito, recebe o Prémio de Poesia Aleramo - Mário Luzi para a melhor obra estrangeira editada em Itália em 2004.

2006 - O primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri afirma que o objectivo da vaga de violência reside numa "tentativa de golpe constitucional".

2006 - Morre o brasileiro Herval Abreu Pais, mais conhecido pelo nome artístico de Herval Rossano (Campos dos Goytacazes, Brasil, 23 de abril de 1935 - São Paulo, Brasil, 9 de maio de 2007), aos 72 anos. Foi actor de cinema e de televisão, mais tarde realizador de televisão. Realizou telenovelas de época, de sucesso e marcos da televisão, como "Escrava Isaura", primeira versão da Rede Globo, "Cabocla", "A Sucessora", "Maria, Maria", "A Moreninha", todas na Rede Globo, e "Dona Beija", na Rede Manchete, entre muitas outras para outros canais de TV brasileiros. Foi ainda director no Canal 13 da Universidade Católica do Chile.



2006 - Operação da polícia espanhola contra rede de corrupção estimada em 2.500 milhões de euros, envolve a Fundação Afinsa e o Fórum Filatélico, dirigidos pelos portugueses Albertino de Figueiredo e Carlos de Figueiredo Escriba.

2006 - José Ramos Horta é eleito presidente de Timor-Leste, com 69,18 por centos dos votos, contra 30,82 por cento de Francisco Guterres "Lu Olo", na segunda volta das presidenciais.

2007 - O papa Bento XVI chega a São Paulo, Brasil, para a primeira visita pastoral a um país da América Latina.



2008 - O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas anuncia a suspensão dos seus voos para a Birmânia (Myanmar) devido a restrições "inaceitáveis", impostas pelos militares no poder, após o ciclone Nargis. As Nações Unidas consideram "sem precedentes", na história dos trabalhos humanitários, a recusa da Junta Militar da Birmânia em conceder vistos de entrada a peritos de salvamento.

2009 - Jacob Zuma presta juramento como quarto Chefe de Estado da África do Sul no pós-apartheid








Texto:
Paulo Nogueira
 
 

terça-feira, 25 de abril de 2017

MURAIS REVOLUCIONÁRIOS DO PÓS 25 DE ABRIL

 

 

 

Após a revolução do dia 25 de abril de 1974 em Portugal, uma ditadura que já batera recordes de longevidade é derrubada em menos de 24 horas, assim como as suas instituições de repressão e a guerra colonial que se arrastava há quase mais de uma década como uma causa perdida. De referir que tal como em todas as revoluções deste cariz existem sempre partes a favor e outras contra, assim como uns que perdem direitos e outros que os ganham. Não deixa pois de ser uma questão sempre rodeada de muita controvérsia.
Em Portugal, a grande explosão da utilização do espaço público urbano como suporte pictórico para escritos políticos ou sociais ocorreu com a extraordinária dinâmica após a revolução e as conquistas de abril. Foi a forma de expressão que o povo usou para se manifestar de forma livre, talvez na opinião de muitos, mais uma forma exagerada de expressar essa liberdade, mas num momento de grande exteriorização de sentimentos e reivindicações, como foi o pós revolução do 25 de abril, será compreensiva esta forma de reacção.
Como nota pessoal, não concordo actualmente com certo tipo de graffitis (como se passou a designar esta forma de arte urbana), fora de espaços adequados, como em transportes públicos, monumentos, entre outros espaços não autorizados, assim como riscos sem sentido para a maioria, a que chamam graffitis, que só tornam feias e vandalizam as cidades e espaços públicos.
Mas, no pós revolução do 25 de abril, o país com estes murais revolucionários, enche-se de cores vivas, um arco-íris contrastando com o cinzento a que, com razão ou se ela, cada vez mais se associa o antigo regime, que assim parece ficar mais distante. E é nomeadamente nas comemorações do 10 de junho de 1974, que quarenta e oito artistas plásticos das mais variadas tendências são convidados para pintar um extenso painel colectivo numa parede interior do Mercado do Povo, uma feira de artesanato que funcionava na zona ribeirinha de Belém, em Lisboa. No final do dia, já se podia apreciar um extenso painel de 24 metros de comprimento por 4,5 de altura, com os naturais desequilíbrios de um puzzle cujas peças têm todas origem diferente. O painel do Mercado do Povo em Belém, será também um estímulo à expressão da criatividade no espaço público através a pintura mural, que, como será inevitável pela intensidade da luta ideológica, aparecerá nas ruas muito mais carregada quanto às suas tonalidades políticas. Este painel que se encontrava na Galeria de Belém, foi destruído por um incêndio ocorrido em 20 de agosto de 1981.




Capitão Salgueiro Maia na praça do Comércio junto às tropas rendidas
no dia 25 de abril de 1974 (foto de Alfredo Cunha)
 
 

Cerco do Largo do Carmo no dia 25 de abril de 1974 (arq. Fundação Mário Soares)


Capitão Salgueiro Maia falando para os civis no Largo do Carmo
no dia 25 de abril de 1974 (arq. priv.)

 
Militares e civis e tanque no Largo do Carmo em 25 de abril de 1974 (arq. priv.)
 

Soldado retirando o retrato de Oliveira Salazar,
no dia 25 de abril ditando o fim do regime
(arq. priv.)


Mural revolucionário alusivo ao 25 de abril em Coruche (arq. priv.)


Publico apreciando o grande painel do Mercado do Povo em Belém em 10 de junho de 1974 (arq. priv.)


Pintores de murais revolucionário no pós 25 de abril de 1974 (arq., priv.)



As cidades e vilas tornam-se o espaço físico de eleição onde a contestação e reivindicação adquirem visualidade através de escritos, desenhos e pinturas públicas. Desde paredes, portas, muros, e mobiliário urbano diverso foram apropriados como plataforma do combate político, mas também como espaço onde a sociedade civil podia exprimir as suas exigências ou protestos, angústias e esperanças, foram o suporte para a visualidade do sonho e da crítica. Ninguém neste período ousa opor-se à pintura de uma parede exterior, que só por estar na via pública fornece automaticamente direito de utilização ao primeiro grupo de artistas políticos que dela se aproximar. A partir de abril de 1974, as reivindicações foram as mais variadas: o fim da guerra colonial, o regresso da tropa, a solidariedade com outros povos e nações, a nacionalização de empresas, o saneamento de administradores, a prisão de colaboracionistas, transformações sociais e políticas, a indignação com a interferência estrangeira, o aumento dos vencimentos, a semana de 40 horas, o 13º salário, o apelo à greve, e sobretudo, a convocação à participação em manifestações de índole diversa. Ao lado dos cravos, símbolo desta revolução de abril, surgem punhos fechados, pombas brancas, foices e martelos, bandeiras vermelhas, símbolos industriais, armas e claro os respectivos emblemas partidários. Pelo seu cariz de execução e carácter de apelo, as pinturas murais foram criadas, na sua maioria, por artistas plásticos, e obedeciam a formulações estéticas que se vinculavam a escolas de pensamento artístico e a matrizes iconográficas. Artistas e intelectuais envolvem-se na produção iconográfica mantendo o anonimato, o que diminui a exigência estética e aumenta a sua capacidade de trabalho. Das mais pequenas e improvisadas imagens, quase em esboço, com traços rápidos, imperfeitos e inacabados, outros naif como o estilo adoptado por exemplo, pela UDP e os "otelistas", até aos grandes murais de complexa execução, obras colectivas de estética planeada, reminiscentes dos murais neorrealistas mexicanos do princípio do século XX, ou o padrão heroico da Revolução Cultural chinesa dos anos 60, adoptado pelo MRPP, todos eles constituem um património urbano efémero pela distância que o tempo acaba por impor às emoções e aos sentimentos. Para além dos slogans e palavras de ordem, dos apelos ou denúncias, da assertividade e das metáforas e hiperbolizações, da ironia e do sarcasmo, as gramáticas pictóricas e as técnicas visuais – o cromatismo, a iconografia, o traço, a composição denunciavam filiações e correspondências estéticas e políticas. A eficácia de todo este esforço propagandista é duvidosa, pois não são os partidos que mais paredes pintam aqueles que obtêm os melhores resultados eleitorais.




Pintores de murais revolucionários do pós 25 de abril de 1974 (arq. priv.)


Mural revolucionário alusivo ao 25 de abril (arq. priv.)



Comemorações do 1 de maio de 1975 junto a mural revolucionário (arq. priv.)



Mural revolucionário do pós 25 de abril do PCP nos arredores de Lisboa (arq. priv.)


Mural revolucionário da  GDUP na rua Maria Pia em Lisboa
(arq. Centro de documentação 25 de abril)


Mural revolucionário naif do pós 25 de abril alusivo ao povo e aos militares em Portalegre
 (arq. Centro de documentação 25 de abril)


Mural revolucionário do pós 25 de abril alusivo aos trabalhadores
em prédio de bairro social nos Olivais, Lisboa (arq. priv.)


Mural revolucionário do pós 25 de abril alusivo à Reforma Agrária no Alentejo (arq. priv.)

Mural revolucionário do pós 25 de abril em Évora, foto Conceição Neuparth
(Centro de Documentação 25 abril)
 

Mural revolucionário do PS em Santo António dos Cavaleiros em 1978
(arq, Centro de documentação 25 de abril)



Murais revolucionários em Lisboa alusivos
a partidos políticos
do pós 25 de abril de 1974 (arq. priv.)




Foi no clima social e político pós-PREC que se criou o extenso mural de pintura de cariz revolucionário na parede sudeste do Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), na Av. Manuel da Maia. Não por acaso, o IST era palco recorrente de manifestações e plenários estudantis, onde pontificavam as forças políticas mais à esquerda. Assim se enquadrou a realização desta pintura mural figurativa de grandes dimensões, de autoria desconhecida, coletiva certamente, da responsabilidade do MRPP e inspirada na estética visual propagandística do maoísmo chinês da década de 1960. O painel pode ser dividido em três espaços, a que correspondem outras tantas acções e idealismos. Cada um destes sectores é ilustrado por uma mensagem, a qual equivale a uma posição política, exposta numa faixa empunhada pela multidão. A massa popular num aglomerado, não está passiva, reage e age sobre outras figuras. Este conjunto ganha então o seu sentido completo, estava-se no período de campanha eleitoral às eleições presidenciais de 1976. A 12 de junho iniciou-se a campanha com os candidatos militares Ramalho Eanes, Otelo Saraiva de Carvalho e Pinheiro de Azevedo, e o civil Octávio Pato do PCP. Quinze dias depois consumava-se a eleição de Ramalho Eanes à primeira volta, com cerca de 62% de votos, eleito como primeiro presidente da República em sufrágio livre e universal. Algumas dessas imagens e "palavras de ordem" de cariz politico perduram nos dias de hoje. Para sempre ficarão na memória slogans como: "25 de Abril sempre", "O povo unido jamais será vencido", "A terra a quem a trabalha" e o " O povo é quem mais ordena".




Mural revolucionário no Instituto Superior Técnico de Lisboa em 1976 (arq. AML)



Mural revolucionário do 25 de abril com frase célebre desta data (foto Henrique Matos)



Mural revolucionário do 25 de abril com frase celebre da Reforma Agrária
(arq. Centro de documentação 25 de abril)


Extrato de mural revolucionário com frase célebre alusivo ao 25 de abril de 1974
(arq. Centro de documentação 25 de abril)




E durante os anos que se seguiram era hábito verem-se, fazendo quase já parte da paisagem urbana quer nas cidades quer em vilas e aldeias, estes murais revolucionários por toda a parte, quase nos habituamos à sua presença por todo o lado. Mas o tempo passou, a política, as formas de propaganda e expressão também e com o tempo estes murais, marcos de um período e época da história recente de Portugal, desapareceram, uns naturalmente pela acção do tempo, outros foram apagados com novas pinturas e outros até pela demolição dos espaços onde estavam representados. Ficaram as memórias de quem se lembra e os registos fotográficos de alguns exemplos para a posteridade. Não se pode deixar de considerar que esta forma de expressão foi o antepassado dos actuais graffitis, ou arte urbana, que como já referi, não aprecio nem defendo, fora dos espaços adequados, daí não pretender com este artigo defender nem condenar, apenas contar o que foi um período da nossa história recente. Nas décadas que se seguiram era tradição, nas comemorações do 25 de abril, pintarem-se paredes e muros para relembrar este acontecimento, aproveitando por vezes esses novos murais a cada ano, para expressar desagrado pelas políticas em vigor, com o tempo essa tradição perdeu-se.
Em 2014, por ocasião das comemorações dos 40 anos do 25 de abril de 1974, vários artistas num trabalho conjunto, elaboraram um mural em Alcântara, alusivo a esta data e acontecimento. Numa iniciativa idealizada por António Alves, antigo muralista do MRPP. O trabalho que se estende por vários metros é marcado pela fusão de traços e técnicas tradicionais do muralismo revolucionário do pós 25 de abril e da street art. Pinturas típicas dos anos 70 coexistem com uma escultura em baixo relevo do artista urbano Vhils e com graffitis que mostram uma manifestação na Assembleia da República. Outro mural comemorativo de 2014, é o que se pode observar em Lisboa no exterior da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa. Um trabalho que expressasse a visão dos mais jovens acerca da Revolução de abril. Os artistas escolhidos para este trabalho foram Frederico Draw, Gonçalo Ribeiro, Diogo Machado e Miguel Januário, este mura evoca e homenageia a revolta militar de 25 de abril de 1974. A ideia surgiu a propósito do ciclo de conferências A Revolução de abril – Portugal 1974-1975, organizado pela Universidade Nova no Teatro D. Maria II, de 21 a 24 de abril. Do trabalho colectivo resultou um mural que retrata também um dos heróis da Revolução, o capitão do exército português Salgueiro Maia (1944 - 1992), rodeado de punhos erguidos pintados com as cores da bandeira portuguesa.
Mesmo já sem murais nem slogans, o que se pretende é que o espirito do 25 de abril de 1974 não se perca, nunca mais, principalmente no que respeita à verdadeira democracia, direitos de todos e liberdade de expressão, esta última sempre com moderação e respeito pelo semelhante.
 

 


Extrato de mural revolucionário do pós 25 de abril alusivo ao povo e às forças armadas
(arq. priv.)



Mural revolucionário do pós 25 de abril alusivo ao MFA (arq. priv.)


 

Mural comemorativo doa 40 anos do 25 de abril de 1974 em Alcântara, Lisboa em 2014
(arq. José Pacheco Pereira)



Fase de início do mural alusivo às comemorações dos 40 anos do 25 de abril na Av. de Berna
no exterior da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Nova de Lisboa (arq. priv.)
 


Mural alusivo às comemorações dos 40 anos do 25 de abril na Av. de Berna
no exterior da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Nova de Lisboa (arq. priv.)




Extrato de mural alusivo ao 25 de abril de 1974 de 2014 (arq. priv.)








Texto:
Paulo Nogueira

Fontes e bibliografia:
FERREIRA, José Medeiros, Portugal em Transe (1974-1985), in José Mattoso (dir.), História de Portugal, vol. 8., Estampa, Lisboa, 1994
VIEIRA, Joaquim, PORTUGAL SÉCULO XX, Crónica em Imagens 1970 - 1980, p. 124 a 126. p. 130 a 133. Círculo de Leitores, Lisboa, 2000
CEREZALES, Diogo Palacios, O poder caiu na rua. Crise de Estado e acções colectivas na Revolução Portuguesa (1974-1975), Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2003