quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

DESAPARECIMENTOS CONTROVERSOS E MISTERIOSOS DA HISTÓRIA





Ao longo da história da humanidade têm ocorrido inúmeros desaparecimentos que intrigam as autoridades, comunidades cientificas e, claro, também os familiares das vítimas. As explicações mais comuns para os desaparecimentos são sequestros, raptos, assassinatos ou fenómenos naturais atmosféricos. Mas existem casos de desaparecimentos de várias épocas e em várias partes do mundo que permanecem sob total mistério mesmo depois de anos. Muitos destes casos de desaparecimentos controversos e misteriosos ficaram conhecidos por envolverem figuras famosas da história, outros casos fizeram história pelo estranho e bizarro da forma como ocorreram só por si. Essas pessoas, assim como barcos e aeronaves desapareceram nas mais variadas circunstâncias. Por mais que alguns casos ofereçam pistas, elas não levaram a nada que seja concreto para os solucionar. Embora em algumas situações o paradeiro acabou por ser descoberto assim como as explicações para tais desaparecimentos, no entanto existem outras que nunca chegaram a ser encontradas nem explicações lógicas e plausíveis, nem foram dadas até ao momento soluções sobre esses mesmos desaparecimentos. Alguns locais no planeta ficaram conhecidos pelo mito de estranhos acontecimentos e desaparecimentos misteriosos. Para além do mítico Triângulo das Bermudas, há pelo menos outras duas regiões de navegação consideradas perigosas no mundo que foram baptizadas em homenagem ao famoso triângulo. Uma delas é o designado Triângulo do Dragão, que fica localizado entre o Japão, Guam e a Tailândia, ou ainda outro apelido nada simpático para este local: "Mar do Diabo". Outro triângulo mítico que não se situa em alto mar: é o designado Triângulo do Lago Michigan, entre Ludington, Benton Harbor e Manitowoc, nos EUA. Estas histórias, algumas das mais fascinantes nos anais do inexplicado, variam de ser bem documentadas para ter o sabor da mera lenda e do folclore. Mas todas elas são fascinantes porque nos obrigam a questionar a solidez da nossa existência. São alguns desses casos mais famosos no mundo que serão aqui relatados sem que se queira com isto chegar a alguma conclusão, defender teorias ou justificar o porquê de tais desaparecimentos. São apenas relatos das ocorrências tal como são conhecidas.






Colónia perdida de Roanoke
 
Em 1587 um grupo de 115 pessoas, eram os novos colonos, pessoas que haviam investido no projecto ou que se haviam vinculado ao mesmo com as suas famílias, em troca de 500 acres de terra e participação na administração da colónia na Ilha de Roanoke, fundada por Sir Walter Raleigh (1554 - 1618), na tentativa de conquistar novas terras no designado Novo Mundo, actual América do Norte. Das 115 pessoas aí estabelecidas, faziam parte 16 mulheres e 9 crianças. Mas contudo, havia um problema, pois as tribos nativas da ilha não aceitavam a presença dos europeus. Diante desta situação o governador da colónia nomeado por Sir Walter Raleigh, o artista John White (1540 - 1593), decidiu voltar para Inglaterra com o objectivo de buscar reforços militares para a protecção da colónia. Mas devido à guerra entre a Inglaterra e a Espanha, assim como os conflitos no mar com a Invencível Armada, só em 1591 o governador John White pôde regressar. Quando retornou teve uma surpresa. No dia seguinte, os ingleses avistaram uma coluna de fumo que se via sair da ilha, e supuseram que se tratava de um sinal feito pelos colonos. No entanto, não foi encontrado nenhum vestígio deles ao longo da costa. Em 18 de agosto, os ingleses chegaram ao local da colónia e no tronco de uma árvore junto à paliçada que cercava o forte, estava gravada a palavra CROATOAN e numa outra árvore próxima estava gravado CRO, fazendo referência a uma ilha próxima, mas sem a cruz-de-malta que indicaria um ataque inimigo. No interior da paliçada, as casas tinham sido derrubadas e havia uma grande quantidade de implementos metálicos espalhados pelo chão, já cobertos pelo mato. Todos as 115 pessoas haviam desaparecido misteriosamente. Após este estranho acontecimento John White imaginou o pior, supondo que todos os colonos tinham sido massacrados até ao último homem. No entanto a principal hipótese era a de que os colonos teriam sido absorvidos por uma das populações indígenas locais, embora também possam ter sido massacrados, pelos espanhóis ou pelos índios powhatan. John White regressou a Inglaterra com a sua tripulação, considerando impossível colonizar uma terra tão selvagem. Dispõe-se no entanto actualmente de algumas provas fundamentadas que permitem supor que John White foi induzido em erro. Apesar deste estranho acontecimento, este talvez seja o maior caso de desaparecimento em massa já registado. Anos antes quando o governador John White partiu em 1587, deixou uma pinaça (tipo de pequena embarcação, à vela ou a remos) com os colonos e vários barcos pequenos para exploração da costa e mudança da colónia para o continente em caso de necessidade. Especulou-se mais tarde que os colonos simplesmente desistiram de esperar e tentaram retornar à Inglaterra por conta própria, perecendo nessa tentativa. Ventila-se actualmente a hipótese de os índios da tribo Lumbee que habitam em Robeson County, onde foram descobertos, devido à cor da sua tez que oscila entre o escuro e o muito claro, tendo muitos deles ainda hoje cabelo louro e olhos azuis, possam ser os descendentes da colónia perdida da Ilha de Roanoke. Curiosamente dos 95 apelidos dos colonos perdidos de Roanoke, nomes como Sampson, Costmore e Locklear, encontram-se pelo menos 41 entre os índios Lumbee. Outro mistério é o facto de quando os exploradores no século XVIII tomaram contacto com esses índios, terem verificado que a língua nativa era uma espécie de inglês e os nativos afirmavam que os seus antepassados sabiam "falar num livro", expressão que os exploradores interpretaram como significando que sabiam ler. No entanto não existem provas concretas da verdadeira ascendência deste povo, continuando sem se perceber o que terá acontecido concretamente aos 115 colonos da Ilha de Roanoke desaparecidos de forma misteriosa.



Mapa da Ilha de Roanoke do séc. XVI (arq. Science History)

  
Reconstituição dos primeiros contactos de John White e dos colonos da ilha de Roanoke
com tribos índias da região em 1587 (col. priv.)
 

Aspecto da colónia na Ilha de Roanoke em 1587 baseado num desenho de John White
(arq. priv.)


Descoberta por John White em 1591 da estranha inscrição CROATOAN gravada numa árvore
junto à paliçada na colónia da Ilha de Roanoke (arq. priv.)

 

Reconstituição da segunda  inscrição encontrada por John White em 1859
 num tronco de uma árvore junto à colónia de Roanoke (ar.priv.)


Memorial alusivo aos colonos da Ilha de Roanoke desaparecidos entre 1587 e 1590 (arq. priv.)




A dupla identidade de William Cantelo e Sir Hiram Stevens Maxim

William Cantelo (1839 - 1880), foi um inventor britânico do século XIX e é-lhe creditada a criação da metralhadora. Ele era um engenheiro e na década de 1870, dono da Old Tower Inn no final da Rua Bargate em Southampton, que derivou o nome da Torre Arundel junto à qual foi construída. Na parte inferior do edificio do seu estabelecimento, havia um túnel onde William Cantelo passava a maior parte do tempo, tendo transformando esse local numa oficina subterrânea e era aí nesse mesmo túnel que ele fazia as experiências dos sus inventos, acompanhado dos seus dois filhos, ambos engenheiros. Os moradores locais relataram ouvir ruídos provenientes da vizinhança, mas a família manteve o seu trabalho num segredo bem guardado. No início da década de 1880, William Cantelo anunciou a conclusão do invento à sua família. O invento em que William Cantelo trabalhava era uma metralhadora, uma moderna arma que usava a energia do recuo explosivo de cada munição para carregar a próxima. Esta arma dispararia continuamente até as munições se esgotarem. Foi sem dúvida algo revolucionário. É igualmente durante a década de 1880, logo após a divulgação deste invento, que William Cantelo desapareceu de sua casa em Southampton sem deixar rasto. As hipotéticas razões diferem quanto à natureza do desaparecimento de William Cantelo. Alguns relatórios dizem que ele terá ido passar umas férias prolongadas como recompensa pelo seu trabalho árduo ou poderia ter ido para vender a sua invenção já concluída. Também se afirma que uma grande quantia de dinheiro de William Cantelo terá sido transferida para fora da sua conta bancária após o seu desaparecimento. A família de William Cantelo fez tentativas de o encontrar, mas sem sucesso. Eles contrataram um detective privado, que o terá localizado nos EUA, mas não conseguiu descobrir mais nada. Entretanto um inventor americano, Hiram Stevens Maxim (1840 - 1916), mudou-se para Londres em 1881 e aperfeiçoou igualmente uma metralhadora de fogo rápido. Os dois filhos de William Cantelo observaram numa fotografia de Hiram Stevens Maxim, muitas semelhança com seu pai o que os levou a acreditar que ele ainda estava vivo e teria assumido uma nova identidade. As descrições da arma que tinha aperfeiçoado eram muito semelhantes às em que o seu pai tinha trabalhado. Os filhos tentaram desafiar Hiram Stevens Maxim para entrar em contacto com ele e conhecê-lo, mas ele não queria nada com eles. Ele vendeu a arma Maxim ao governo britânico. O nome "Maxim", afirmou a família, era prova de que William Cantelo assumira essa nova identidade. Com base nas máximas, William Cantelo trazia consigo frequentemente um livro dessas suas frases no bolso. Duas testemunhas também afirmam que William Cantelo referiu a sua invenção como "minha arma máxima". A crença da família de que William Cantelo reapareceu sob uma nova identidade é inconsistente com as contas da vida adiantada de Hiram Stevens Maxim. Nascido em 1840, Hiram Stevens Maxim tornou-se um aprendiz de fabricante de carruagens aos 14 anos de idade. Ele desenvolveu interesse por invenções e obteve 271 patentes, a primeira delas em 1866. Um episódio de "Punt PI", uma série BBC Radio 4, fez a cobertura da história de William Cantelo com o colaborador deste programa de rádio Steve Punt, investigando o misterioso desaparecimento de William Cantelo. Ele descobriu que Hiram Stevens Maxim ter-se-ia queixado de um homem que o imitava na América. Ele também mostrou uma fotografia de William Cantelo ao lado da sua metralhadora para as Royal Armouries, que afirmou que a arma parecia ser a mesma arma de Hiram Stevens Maxim. Estranhamente, Hiram Stevens Maxim e William Cantelo fizeram declarações aos membros da família que, na sua morte, não queriam que um clérigo celebrasse o seu enterro. Um especialista facial que comparou as imagens dos dois inventores, William Cantelo e Hiram Stevens Maxim destacou que havia diferenças físicas visíveis entre os dois homens. Steve Punt lançou dúvidas sobre a ideia de que William Cantelo e Hiram Stevens Maxim eram a mesma pessoa, mas notaram as coincidências. No entanto e apesar destas controvérsias, os filhos de William Cantelo acreditaram sempre na teoria de que o seu pai teria assumido uma nova identidade.
 


William Cantelo 1839 - 1880 (arq. priv.)


A Old Tower Inn na Rua Bargate em Southampton, onde William Cantelo viveu até 1880
(arq. priv.)


Sir Hiram Stevens Maxim 1840 - 1916 (arq. priv.)


Sir Hiram Stevens Maxim e a sua metralhadora (arq. priv.)



William Cantelo e Hiram Maxim as diferenças ou não... (arq. priv.)





USS Cyclops

O USS Cyclops (AC-4) era um navio de fornecimento militar da classe Proteus, navio de grande capacidade, pertencente à Marinha dos Estados Unidos. Quando em 8 de fevereiro de 1918 navegava de Norfolk para o Rio de Janeiro, Brasil, com uma carga de minas submarinas e carvão. O navio partiu daquele porto em 16 de fevereiro, tendo feito escala em Salvador da Bahia no dia 20 daquele mês, transportando 306 membros da tripulação e mais 10 mil toneladas de minério de manganês. Durante a viagem o capitão George Wichman Worley assim que chegou ao Rio de Janeiro reportou problemas com o motor de estibordo, restringindo à velocidade a 10 nós e prejudicando a navegação. Em 3 de março, o navio fez uma paragem não programada em Barbados e o capitão George Wichman Worley  informou ao cônsul dos Estados Unidos que o nível de flutuação do USS Cyclops estava acima dessa marca, indicando sobrecarga, tendo sido autorizado a navegar para Baltimore, deixando o porto em 4 de março, não antes de ter embarcado foi abastecido de água e carvão. No dia 9 de março foi avistado entre Cape Hatteras e Cape Charles fora da costa da Virgínia pelo navio petroleiro SS Amalco. Não se soube mais nada desde então do navio USS Cyclops e da sua tripulação, não foram encontrados restos do naufrágio nem sinais do navio. Após o desaparecimento, foram especulados todo tipo de conjecturas, teorias e especulações que fazem parte dos desaparecimentos inexplicados do Triângulo das Bermudas. As muitas teorias especulativas indicaram, por exemplo, que o USS Cyclops teria sido vítima de torpedos alemães, objecto de pirataria, de uma manobra de espionagem inimiga, atacado por monstros marinhos, afundado por uma onda gigante ou vítima de fenómenos extraterrestres. A causa mais provável é que entre 9 e 10 de março de 1918, uma tempestade forte e inesperada foi desencadeada na área do último avistamento da costa da Virgínia e, como resultado, ocorreu uma reviravolta ou inundação e atendendo às más condições do mar, à sua quilha plana, à sobrecarga e à fissuração de um cilindro com entrada de água. Pelo facto de ter desaparecido no Triângulo das Bermudas, o naufrágio do navio USS Cyclops traz consigo mistérios. Os navios irmãos, USS Proteus AC-9 (perdido em 23 de novembro de 1941), USS Neureus AC - 10 (perdido em 10 de dezembro de 1941), respectivamente, também desapareceram sem deixar vestígios no chamado Triângulo das Bermudas durante a Segunda Guerra Mundial, o USS Langley CV-1, o primeiro porta-aviões americano foi perdido em acção em rota entre Freemantle e Java, em 27 de fevereiro de 1942, por ataque aéreo japonês. Após a publicação mais vendida de Charles Berlitz em 1974, "Triângulo das Bermudas", onde o colapso do navio USS Cyclops foi amplamente documentado, tornou-se parte do chamado mito do Triângulo das Bermudas.



O navio USS Cyclops fundeado no rio Hudson no início do século XX (arq. priv.)


O navio USS Cyclops em 1913 (arq. priv.)


Capitão do USS Cyclops George Wichman Worley
(arq. priv.)


O navio USS Cyclops envolvido no misterioso desaparecimento em 9 de março de 1918
(arq. National Archives)

 
Página do jornal The Whashigton Post  de 16 de julho de 1913
alusiva ao desaparecimento do USS Cyclops (arq. priv.)





A vila Inuit deserta do Lago Anjikuni
 
Em meados de novembro de 1930, um comerciante de peles canadiano chamado Joe Lebelle, apanhado por uma tempestade procurou um lugar para descansar e passar a noite. Ele aproximou-se de uma familiar vila Inuit aninhado nas encostas rochosas do Lago Anjikuni, no norte do Canadá, uma comunidade de esquimós com cerca de 2000 habitantes. Joe Labelle já havia visitado a região anteriormente e feito amizade com os pacíficos habitantes da pequena vila. Entretanto, tudo com que ele se deparou nesse dia foi a escuridão e o silêncio total. A vila estava completamente deserta! Apenas duas semanas antes, a última vez em que ele estivera lá, a vila era um local agitado e cheio de vida, com crianças a correr em algazarra, mulheres transportando roupas, homens transportando madeira e conversando nos alpendres. Mas agora aquela vila estava vazia. Era um silêncio mortal, onde nem os animais se ouviam. Apenas o ruído do vento e das janelas de madeira que eventualmente batiam. Sem encontrar viva alma, o caçador procurou desesperadamente por pistas que o levassem a explicar a situação. No lago ele viu que os caiaques dos esquimós ainda estavam nos seus lugares. Intactos. As casas estavam abertas como de costume. Ele investigou cada uma das cabanas e barracas na esperança de achar um sinal de vida ou ao menos um indício do que havia causado uma migração forçada, mas para seu desapontamento, descobriu nas cabanas as reservas de comida nos armários, armas e peles, que jamais teriam sido deixadas para trás. Ao entrar numa cabana, encontrou-a vazio, o fumo vinha ainda da lareira que era usada para cozinhar e uma panela com cozido de peixe havia sido abandonada no fogo, o seu conteúdo estava queimado como se estivesse no fogo há muito tempo. Num outro abrigo, encontrou uma mesa posta e restos de comida ainda nos pratos. Numa outra cabana estava um casaco no chão, ainda com agulha e linha, como se a pessoa que estivesse a costurar tivesse sido abruptamente interrompida. Não havia sinais de luta ou desacatos, tudo estava em perfeito estado com excepção das pessoas que tinham desaparecido. Era como se a comunidade inteira de duas mil pessoas tivesse deixado subitamente as suas casas no meio de um dia normal. Mas havia outro detalhe que Joe Labelle verificou, profundamente estarrecido: não havia rastos ou pegadas no chão indicando que as pessoas tivessem saído do acampamento. Estranhamente os corpos do cemitério também haviam desaparecido. Tomado pelo medo e surpresa, Joe Lebelle seguiu noite dentro, enfrentando temperaturas geladas e de madrugada ao chegar ao escritório telegráfico do distrito mais próximo alertou a Real Polícia Montada do Canadá. Exausto, ele foi ajudado pelos guardas e contou o que tinha visto, sendo enviada uma mensagem de emergência para o quartel desta força policial. As investigações foram conduzidas pelo sargento J. Nelson da Real Polícia Montada do Canadá, que para tornar as coisas mais complicadas ou não, afirmou que nada havia acontecido e que Joe Labelle teria mentido ou ter-se-ia enganado, uma vez que era normal as tribos abandonarem as suas casas, já que muitas dessas tribos eram semi-nómadas. Os canadianos nunca tinham ouvido uma história parecida, e uma expedição foi imediatamente organizada com o objectivo de investigar a vila, sendo também empreendida uma busca ao longo das margens do lago Anjikuni. Ao chegar ao acampamento deserto, os elementos da Real Polícia Montada do Canadá, encontraram duas novas evidências que insinuavam a possibilidade de que houvesse ocorrido um evento sobrenatural. Mas a falta de provas desacreditou a história e assim o suposto desaparecimento da vila Inuit continua envolto num mistério.



Vista aérea do imenso Lago Anjikuni na actualidade (arq. priv.)


Habitantes esquimós de vila Inuit em meados da década de 1930 (arq. priv.)

 
Aspecto da vila Inuit deserta junto ao o Lago Anjikuni em 1930 (arq. priv.)


Sargento J. Nelson da Real Polícia Montada do Canadá
(arq. priv.)

  
Artigo sobre o misterioso desaparecimento da vila Inuit com depoimentos de Joe Labelle,
publicado no jornal Danville Bee de  27 de novembro de 1930 (arq. priv.)






Glenn Miller
 
Alton Glenn Miller (1904 - 1944), ícone da música nos EUA durante as décadas de 30 e 40, liderava uma das mais populares big bands. Ingressou no exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, tendo-lhe sido dado o posto de capitão, sendo promovido mais tarde a major e a director da banda da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos na Europa. O músico preparava-se para entreter as tropas aliadas norte-americanas que haviam libertado a França dos alemães, para preparar o concerto de Natal e aumentar a moral das tropas. Na manhã de 16 de dezembro de 1944, Glenn Miller embarcou num avião Norseman UC-64, um monomotor de nove lugares, partindo de Twinwood, ao sul da Inglaterra com destino a Paris. Além do músico e do piloto, dois oficiais norte-americanos estavam a bordo. No entanto, devido ao mau tempo, o avião onde Glenn Miller seguia desapareceu sobre o Canal da Mancha nessa manhã de 16 de dezembro de 1944. No meio da travessia do Canal da Mancha, perdeu-se contacto de rádio com o avião e ele simplesmente desaparecera no ar. Logo após e depois de meses de busca, deu-se como desaparecido um dos maiores génios da música, sem nenhum vestígio do seu corpo nem os corpos dos ocupantes ou dos destroços do avião onde seguia. O corpo de Glenn Miller nunca mais foi visto e muitos acreditam que o avião se tenha despenhado ou uma tempestade o poderá ter arrastado. Devido ao mistério de sua suposta morte, varias teorias começaram a surgir, alguns diziam que os nazis haviam capturado Glenn Miller e o torturado até à morte, outros dizem que foi encontrado em um bordel parisiense e que lá sofrera de um ataque cardíaco, por isso a necessidade do acobertamento da morte. Teorias por teorias, o caso permaneceu um mistério, a sua história e morte foi tema do filme "Glenn Miller History", e ironicamente, após assistir ao filme, um homem chamado Fred Shaw veio a público com a desconcertante declaração de que o avião de Glenn Miller fora bombardeado acidentalmente pela RAF (Real Força Aérea Britânica). Alguns rumores surgiram ainda de que o avião onde Glenn Miller seguia terá sido abatido pelos alemães e que o músico muito ferido terá sido internado em algum hospital ou que ele teria sido morto durante uma luta num bordel em Paris, que o Alto Comando teria liquidado Glenn Miller como um espião alemão. Tudo especulações sem bases fidedignas. Nos últimos anos, numerosos restos de aviões de guerra foram descobertos no Canal da Mancha, cada constatação alimentou a esperança de que o avião Norseman UC-64 onde viajava Glenn Miller aparecesse finalmente, que poderia fornecer as respostas às questões levantadas pelo seu desaparecimento. Mas os destroços do avião concretamente ainda não foram descobertos. Há alguns anos atrás, o Ministério da Defesa Britânico reabriu o caso e a nova investigação produziu resultados surpreendentes. Foi revelado que, no final da Segunda Guerra Mundial, algumas missões de bombardeamento britânico em territórios ocupados pela Alemanha nazi não terminaram como esperado e os aviões da RAF voltaram para as ilhas britânicas com bombas não lançadas. Uma área tinha sido estabelecida no Canal da Mancha para que os bombardeiros deixassem cair as suas cargas letais, evitando assim o perigo de explosões ao retornarem a território inglês. Quando os velhos registos de vôo foram analisados ​​novamente, descobriu-se que o pequeno avião Norseman UC-64 em que Glenn Miller viajava para Paris foi acidentalmente cruzado com um grupo de bombardeiros da RAF que voavam a mais altitude. No dia do desaparecimento do músico, um esquadrão aéreo deixou cair as suas bombas na zona de evacuação e um deles terá atingido o avião onde Glenn Miller seguia para França. O impacto levou o avião Norseman UC-64 a cair no mar causando a morte do lendário artista. Pouco depois, mergulhadores especializados localizados no que era a área de despejo, terão encontrado um motor do tipo que tinha o avião Norseman UC-64. Ao verificarem o número de série, não havia dúvidas: eram os restos do avião perdido enterrado no fundo do Canal da Mancha. Assim, um dos grandes enigmas do mundo musical terá sido resolvido, no entanto o seu corpo nunca apareceu. Apesar das muitas histórias e teorias, o desaparecimento de Glenn Miller ainda gera uma lenda.



Alton Glenn Miller 1904 - 1944 (arq. priv.)


Orquestra de Glenn Miller em meados de 1940-41 (arq. priv.)


Glenn Miller em 1944, pertencendo já à banda da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos
(arq. priv.)

 
Avião Norseman UC- 46, idêntico ao usado por Glenn Miller no dia do seu desaparecimento
(arq. priv.)

 
Alusão a Glenn Miller e ao seu desaparecimento em 1944 (arq. priv.)

 
Monumento em memória de Glenn Miller no cemitério em Grove Street Cemetery,
New Haven, Connecticut (arq. priv.)

 
 
 
 
Desaparecimento de Felix Moncla e Robert L. Wilson
 
Felix Eugene Moncla, Jr (1926 - 1953), tenente norte-americano, piloto da força aérea na Base Aérea de Kinross, no Michigan, foi enviado como piloto principal numa missão na noite de 23 de novembro de 1953, para verificar uma aeronave não identificada que sobrevoava um espaço aéreo restrito. Logo após a descolagem do avião a jacto Northrop F-89C Scorpion, onde Felix Eugene Moncla, Jr seguia, o radar operado pelo segundo-tenente Robert L. Wilson, apresentou problemas, de modo que ele teve alguma dificuldade em localizar o ponto exacto da localização do objecto não-identificado. Os tripulantes tiveram de valer-se então de dados transmitidos pelo equipe em terra, a partir de observações feitas com o radar de solo. Então Felix Moncla transmitiu uma mensagem à base, informando que haviam conseguido estabelecer contacto visual com o objecto, que era provido de luzes. Para o pessoal em terra, responsável pela leitura dos dados de radar, o jacto era visível sob a forma de um ponto luminoso no monitor do equipamento, bem como o objecto não-identificado. Puderam observar que os dois pontos luminosos, representando os dois aparelhos, foram-se aproximando cada vez mais. Repentinamente, para espanto do pessoal em terra, os dois pontos simplesmente fundiram-se num só. Num primeiro momento pensou-se que o piloto Felix Moncla teria voado acima ou abaixo do objecto não identificado. Contudo, apenas um ponto luminoso continuou visível no ecrã do monitor, acelerando cada vez mais. Ficava evidente que o jacto tinha chocado contra o objecto não identificado ou, por mais que isso pudesse parecer fantasioso, sido capturado em vôo por este. Imediatamente foram feitas tentativas de contactar os dois tripulantes Felix Moncla ou Robert L. Wilson, mas estes jamais voltaram a responder. O ponto luminoso restante, ainda visível pelo radar, simplesmente acelerou e saiu do alcance do radar. Os monitores dos radares no solo registaram que o avião de Felix Moncla voava a 500 milhas por hora em direcção à aeronave ou objecto não identificado, atravessando o Northing Lake de leste a oeste a 7.000 pés. Ambas aeronaves desapareceram, Felix Moncla, Robert L. Wilson e o avião a jacto Northrop F-89C Scorpion nunca mais foram encontrados. De imediato tive início uma operação de busca e salvamento na região onde o avião havia desaparecido. Equipas foram colocadas em terra e sobre as águas do Lago Superior, mas nenhum destroço do avião e nem os seus dois tripulantes foram localizados, vivos ou mortos. Mais tarde um piloto de outro jacto F-89, voando na região informaria, ter tido a impressão de ouvir alguma transmissão de Felix Moncla cerca de 40 minutos após o seu desaparecimento. Mesmo não tendo encontrado nenhum destroço do jacto de Felix Moncla no Lago Superior ou em terra, a USAF divulgou, num primeiro momento, que o avião a jacto Northrop F-89C Scorpion, teria colidido contra uma aeronave da Real Força Aérea Canadiana, avião este que invadira o espaço aéreo norte-americano por engano. Contudo, o governo canadiano negou veementemente que algum dos seus aviões tenha entrado em território americano por engano ou colidido com algum outro avião, fosse americano ou canadiano. Um avião comercial canadiano estava em vôo na área na noite de 23 de novembro e a USAF prendeu-se, por algum tempo, à versão de que este avião é que fora captado pelo radar. Essa versão acabou por ser desmentida após investigações posteriores, surgindo outras hipóteses como a de um eventual problema de pressurização na aeronave e perda de consciência dos tripulantes. Mas nada conclusivo. Em 1968 alguns destroços encontrados nas imediações da costa oriental do Lago Superior, terão sido atribuídos ao avião a jacto Northrop F-89C Scorpion de Félix Moncla e Robert L.Wilson. No entanto, até mesmo a informação de que os destroços foram realmente encontrados nunca foi devidamente confirmada. Em agosto de 2006 surgiu a história de que uma companhia de mergulho teria encontrado, finalmente, o avião a jacto Northrop F-89C Scorpion a grande profundidade, sob as águas do Lago Superior. Contudo, quando jornalistas e ufólogos tentaram conseguir informações mais detalhadas do caso, ficou evidente que a história da descoberta do suposto avião não era verdadeira. Até à actualidade nenhum destroço ou restos mortais dos tripulantes foram encontrados, não tendo sido possível também determinar com segurança o que aconteceu na noite de 23 de novembro de 1953. Até hoje esta história é mais uma contada pelos fãs de histórias de extraterrestres.
 
 
 
Base Aérea de Kinross no Michigan em meados de 1950 (arq. priv.)

 
Avião a jacto Northrop F-89C Scorpion idêntico ao que Felix Moncla e Robert L. Wilson tripulavam
em 23 de novembro de 1953 (arq. priv.)
 

Tenente Felix Eugene Moncla, Jr 1926 - 1953
(arq. priv.)


O tenente Felix Moncla em Truax Field, Madison, Wisconsin em 1953 (arq. priv.)


Os dois tripulantes misteriosamente desaparecidos em 23 de novembro de 1953,
o tenente Felix Moncal e o tenente Robert L.Wilson (arq. priv.)


Memorial dedicado a Felix Eugene Moncla, Jr no Sacred Heart Cemetery, Moreauville, LA
(arq. priv.)
 
 



O primeiro-ministro australiano Harold Holt

Harold Edward Holt (1908 - 1967), primeiro-ministro da Austrália era um apaixonado pelo mar, particularmente a pesca de caça submarina e teve casas de férias em Portsea, Victoria e Bingil Bay, Queensland. Em 17 de dezembro de 1967, quando Harold Holt passava o fim de semana em Portsea, na companhia de Marjorie Gillespie, a sua filha Vyner, Martin Simpson, namorado de Vyner, e Alan Stewart. Harold Holt ia àquela praia porque tinha uma casa em Portsea, e o exército deixava-o andar na praia de Cheviot porque, sendo fechada ao público, oferecia privacidade ao primeiro-ministro. O que, claro, significava também que não havia qualquer segurança ou salva-vidas no areal quando Harold Holt se lançou à água. Nesse dia ele terá convencido o grupo para nadar antes do almoço até à remota praia de Cheviot, local que ele muito bem conhecia. Por causa das condições difíceis do mar nesse dia, apenas uma outra pessoa do grupo, Alan Stewart, se juntou a Harold Holt na água. Alan Stewart manteve-se perto da costa, mas Harold Holt nadou até águas mais profundas e estava aparentemente preso numa corrente quando eventualmente desapareceu de vista. O desaparecimento do primeiro-ministro australiano Harold Holt mobilizou uma das maiores operações de busca na história da Austrália, mas nenhum vestígio do seu corpo foi encontrado. Um relatório da polícia divulgado no início de 1968 não fez descobertas definitivas sobre a morte de Harold Holt, enquanto um inquérito em 2005 declarou um veredicto de afogamento acidental. O político de 59 anos sofria de problemas de coração, mas a ausência de um corpo deu origem a muitas lendas, teorias e especulações, desde que Harold Holt cometeu suicídio relacionado com uma eventual descoberta de uma relação extraconjugal e ameaça da sua divulgação pública. Além disso, o apoio de Harold Holt à guerra do Vietname estava a gerar uma forte onda de protestos no seu país, e muitos acreditavam que Harold Holt sofria de uma depressão provocada por essa circunstância da sua vida política. No entanto testemunhas e quem o conhecia bem rejeitaram isso como não característico da sua personalidade. Outras foram as teorias da conspiração que incluíram sugestões de que Harold Holt terá simulado a sua própria morte, ou que terá sido assassinada pela CIA que descobrira pelos seus meios secretos que o primeiro-ministro australiano estava a reconsiderar esse apoio ao esforço militar americano no sudeste asiático, e entendera resolver o problema de forma permanente, ou ainda raptado por um submarino chinês. Surgiram ainda as hipóteses de Harold Holt ter sido atacado por tubarões. Mas tudo teorias e especulações típicas neste tipo de situações. No entanto e uma vez mais um caso em que até hoje nenhuma pista foi encontrada sobre o paradeiro do primeiro-ministro australiano Harold Holt.



Primeiro-ministro da Austrália Harold Edward Holt 1908 - 1967
 (arq. priv.)
 
  
Harold Holt apetrechado para a pratica de caça submarina um dos seus desportos favoritos
(arq. priv.)


Praia de Cheviot, na actualidade, local do desaparecimento de Harold Holt em 17 de dezembro de 1967
(arq. priv.)


Página do jornal The Advertiser de 18 de dezembro de 1967
alusivo ao desaparecimento de Harold Holt (arq. priv.)


Local onde se encontra o memorial a Harold Holt na praia de Cheviot na actualidade
(arq. priv.)


Placa do memorial alusivo ao desaparecimento de Harold Edward Holt na praia de Cheviot
(arq. priv.)






Texto:
Paulo Nogueira


Fontes e bibliografia:
BARKER, Ralph, Great Mysteries of the Air, Londres, Pan Books, 1966
O Grande Livro do Maravilhoso e do Fantástico - Historias incríveis, mas verdadeiras, do homem, da Natureza, da Terra e do espaço, edição de Selecções do Reader's Digest, Lisboa, 1977
LOOMIS, Vincent V., Amelia Earhart, the Final Story, Random House, Nova Iorque, 1985
RAWLENCE, Christopher, The Missing Reel - The Untold Story of the Lost Inventor of Moving Pictures: Biography of Augustin Le Prince, HarperCollins Publishers Ltd, Nova Iorque, 1990
SPICER, Stanley T. , The Saga of the Mary Celeste: Ill-fated Mystery Ship, Nimbus Publishing, Limited, Halifax, NS, 2ª edição de 1993
BAÑOS-GARCIA, Antonio Villacorta, D. Sebastião Rei de Portugal, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2008
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Jornal El Pais - Investigação do misterioso desaparecimento do avião da Malaysia Airlines é encerrada sem pistas.
SIC Notícias on line
Agência LUSA