domingo, 18 de novembro de 2018

IMAGENS COM HISTÓRIA


"Uma imagem vale mais que mil palavras"
  Confúcio


Desde que a humanidade conseguiu retratar através de imagens nos mais diversos suportes, os momentos históricos quer de guerras, dramas sociais, conquistas e até as situações mais bizarras da vida, estavam por si só a criar a base de dados com os registos e as provas concretas da sua própria história para as gerações vindouras e a posteridade. Com isto surge o poder da imagem. Processo esse que se valorizou cada mais até à actualidade, com o objectivo de manter essa base de dados, sempre actualizada a cada acontecimento e dia que passa.






Momento após o a assinatura do Armistício do fim da Primeira Grande Guerra Mundial em 11 de novembro de 1918, há precisamente 100 anos, entre os Aliados e a Alemanha, dentro de uma carruagem-restaurante, a nº 2419 D da CIWL (Compagnie Internationale des Wagons-Lits), na floresta de Compiègne. Teve por objectivo este armistício encerrar as hostilidades na frente ocidental da Primeira Grande Guerra Mundial. Os principais signatários foram o Marechal Ferdinand Foch (1851 - 1929), comandante-em-chefe das forças da Tríplice Entente, e Matthias Erzberger (1875 - 1921), o representante alemão. Estiveram ainda presentes neste acto o Almirante Sir R. Wemyss, o General Weygand, o Contra-Almirante G. Hope, o Capitão Marriott, o General Desticker, o Capitão de Mierry, o Comandante Riedinger e o Oficial-interprete Laperche. Apesar do armistício ter acabado com as hostilidades na frente ocidental, foi necessário prolongar o armistício três vezes até que as negociações do Tratado de Versalhes fossem concluídas e formalizadas no dia 10 de janeiro de 1920. Rumores de que uma delegação alemã estava em território francês rapidamente se espalharam, com esperanças de que o fim da guerra estava próximo. No dia 7 de novembro de 1918, o jornal americano San Diego Sun declara que a guerra teria terminado, com um erro gramatical na manchete do jornal: "Peace. Fightnig ends", ao invés de, "Peace. Fighting ends". O Armistício de Compiègne foi anunciado por Ferdinand Foch, acompanhado pelo primeiro ministro Georges Clémenceau (1841 - 1929) e um representante britânico, Ferdinand Foch declara que: "As hostilidades irão cessar em todo o fronte a partir do dia 11 de novembro, às 11 horas. Tropas aliadas não irão, até que recebam novas instruções, avançar em território inimigo após esta data." A paz seria formalizada com o Tratado de Versalhes, assinada no dia 28 de junho de 1919 e ratificada pela Liga das Nações no dia 10 de janeiro de 1920.



 

Esta foto de forte impacto, da fotógrafa norte americana Dorothea Lange (1895 - 1965), denominada "Migrant Mother" ou "Mãe Migrante", é uma das fotos mais famosas que retrata a designada Grande Depressão da década de 1930, mostrando Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade, em Nipono, Califórnia, março de 1936, em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar a sua família. O seu marido tinha perdido o emprego em 1931, e morrera no mesmo ano. A designada Grande Depressão, também conhecida como Crise de 1929, foi uma grande depressão económica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão económica do século XX. Este período de depressão económica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de acções, e em praticamente todo o medidor de actividade económica, em diversos países no mundo. Muitas imagens retrataram este período mas esta da "Mãe Migrante" marcou definitivamente um período negro dos Estados Unidos e do mundo no século XX e foi uma das mais reproduzidas da história da fotografia, tendo aparecido em mais de dez mil publicações. Numa entrevista em dezembro de 2008, a filha da senhora Florence Owens Thompson, Katherine, disse , que "a fama da foto fez a família sentir vergonha e determinação a nunca mais ficar tão pobre assim". Florence Owens Thompson foi hospitalizada e a sua família apelou por uma ajuda financeira no final de agosto de 1983, em setembro, a família havia coletado cerca 25.000 dólares em doações para pagar a assistência médica, mas Florence Owens Thompson acabou por falecer de doença oncológica e complicações cardíacas em Scotts Valley, Califórnia em 16 de setembro de 1983. Foi sepultada ao lado de seu marido George, em Lakewood Memorial Park, em Hughson, Califórnia, no seu túmulo lê-se: FLORENCE OWENS THOMPSON MIGRANT MOTHER – A Legend of the Strength of American Motherhood (um ícone da força da maternidade americana).




 
Hans-Georg Henke, o soldado menino, pode ser considerado a imagem dessa face cruel da guerra que levou inúmeras crianças e adolescentes à frente de batalha lutando numa guerra de adultos. Em todas as fotos, tiradas quando Hans-Georg Henke foi capturado pelos soldados soviéticos, é mostrada apenas uma criança assustada, desesperada, sem rumo no meio do caos e dos bombardeamentos advindos das tropas inimigas. Hans-Georg Henke caíra em lágrimas quando percebeu que o seu mundo havia ruído assim como tudo à sua volta estava desmoronando e o seu país não era mais o mesmo. Quando entrou para a Luftwaffe, Hans-Georg Henke tinha apenas 14 anos. O menino não se alistara porque gostava da guerra, mas pelo facto de precisar sobreviver. O seu pai morrera em 1938, a sua mãe em 1944 e, posteriormente, ele separara-se dos irmãos, ficando sozinho num país em guerra. Ele entrou para o esquadrão anti-aéreo alemão para se sustentar e quando o conflito acabou, o menino, já com 15 anos teve que andar cerca de 96 km, tentando alcançar as linhas americanas, pois tinha medo de ser capturado pelos soviéticos. Por fim, o seu medo concretizou-se em 3 de abril de 1945, quando foi capturado por tropas soviéticas. No momento da captura, diversas fotografias foram tiradas pelo fotógrafo John Florea (1916 - 2000), transformando o semblante de Hans-Georg Henke conhecido como um dos símbolos das dificuldades proporcionadas pela guerra. Após o fim do conflito e já capturado, os soviéticos alimentaram o menino e outros soldados que estavam com ele e depois ordenaram que todos fossem para as suas casas. Hans-Georg Henke voltou para a sua cidade natal em Finsterwalde, onde se reencontrou com os dois irmãos e iniciou uma nova vida. Faleceu em 6 de outubro de 1997, após ter tido uma vida plena. Apesar dos anos que passaram e deixaram para trás a realidade cruel que vitimou crianças e adolescentes na guerra, as fotos do menino de 15 anos eternizaram para sempre o semblante de uma criança soldado combatente na Segunda Guerra Mundial.

 



Uma imagem marcante, entre os vários registos fotográficos do designado Grande Nevoeiro de 1952, conhecido também como "Big Smoke" ou "Great Smog", foi um período de severa poluição atmosférica, entre os dias 5 e 9 de dezembro de 1952 que cobriu a cidade de Londres. Em dezembro de 1952, uma frente fria chegou a Londres e fez com que as pessoas queimassem mais carvão que o usual no inverno para o aquecimento. O aumento na poluição do ar foi agravado por uma inversão térmica, causada pela densa massa de ar frio. O nevoeiro resultante, uma mistura de névoa natural com muito fumo negro, tornou-se muito denso, chegando a impossibilitar o trânsito de automóveis nas ruas. Muitas sessões de filmes e concertos foram canceladas, uma vez que a plateia não podia ver o palco ou a tela, pois o fumo invadiu facilmente os ambientes fechados. O fenómeno foi considerado como um dos piores impactos ambientais até então, sendo causado pelo crescimento incontrolado da queima de combustíveis fósseis na indústria e nos transportes. Acredita-se que o nevoeiro tenha causado a morte de 12.000 londrinos, e deixado outros 100.000 doentes. O grande número de mortes deu um importante impulso aos movimentos ambientais, e levou a uma maior reflexão acerca da poluição do ar, pois este fumo demonstrou grande potencial letal. Então, novas regulamentações legais foram impostas, restringindo o uso de combustíveis poluentes na indústria e banindo o fumo negro por eles causado. Nos anos seguintes, uma série de normas legais como o "Clean Air Act 1956" e o "Clean Air Act 1968", restringiram a poluição do ar.





A foto do pequeno John Fitzgerald Kennedy Jr (1960 - 1999), mais conhecido por "John-John" quando nas cerimónias fúnebres do seu pai, o presidente norte - americano John Fitzgerald Kennedy (1917 - 1963), em 25 de novembro de 1963, deu um passo à frente e fez uma saudação final enquanto o caixão coberto por uma bandeira era levado para fora da Catedral de São Mateus Apóstolo, foi um momento que se tornou numa imagem icónica e memorável ​​dos anos 60. Quando o cortejo passou, a mãe de "John-John", Jacqueline Kennedy (1929 - 1994), lhe sussurrou algo e o menino, de sobretudo e calção, de pé diante do tio Robert F. Kennedy (1925 - 1968), deu um pequeno passo à frente e ergueu a mão direita em saudação. O seu pai, o presidente norte - americano John Fitzgerald Kennedy, foi assassinado em 22 de novembro de 1963, e o funeral de estado foi realizado três dias depois, no dia do terceiro aniversário de John Jr. Apesar do sucedido, a família continuou com os seus planos para uma festa de aniversário do pequeno "John-John" para desta forma demonstrar que os Kennedy iriam continuar apesar da morte do presidente. O autor desta foto foi o fotógrafo Dan Farrell (1930 - 2015), nesse dia Sr. Farrell estava em missão em Washington para o New York Daily News, cobrindo o funeral do presidente John F. Kennedy. Posteriormente Dan Farrell disse ao jornal The News: "Foi a coisa mais triste que já vi em toda a minha vida", nesse dia ele estava a cerca de 50 metros da acção, tinha apenas dois segundos para tirar a foto com sua volumosa câmara Hasselblad 1000. Dan Farrell não foi o único fotógrafo que captou este momento, o fotógrafo Stan Stearns, da United Press International, e outros, tiraram fotos parecidas. Todas elas correram mundo e retrataram um momento emocionante num acontecimento histórico.




 

Uma, entre muitas, das mais tristes e terríveis imagens do incêndio florestal de Pedrógão Grande, que deflagrou a 17 de junho de 2017 no concelho de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, em Portugal, tendo alastrado aos concelhos vizinhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Ansião (distrito de Leiria); ao concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco); ao concelho de Pampilhosa da Serra e de Penela (distrito de Coimbra). No mesmo dia deflagrou outro incêndio de grandes proporções no concelho de Góis, distrito de Coimbra, que acabou posteriormente por alastrar aos concelhos de Pampilhosa da Serra e de Arganil. No dia 20 de junho de 2017 uma das frentes de fogo do incêndio de Pedrógão Grande juntou-se ao incêndio de Góis, formando uma área ardida contígua. O desastre é considerado o maior incêndio florestal de sempre em Portugal, o mais mortífero da história do país e o 11.º mais mortífero a nível mundial desde 1900. No balanço oficial contabilizaram-se 66 mortos (65 civis e 1 bombeiro voluntário de Castanheira de Pera) e 254 feridos (241 civis, 12 bombeiros e 1 militar da Guarda Nacional Republicana), dos quais 7 em estado grave (4 bombeiros, 2 civis e 1 criança). Entre as vítimas mortais, 47 foram encontradas nas estradas do concelho de Pedrógão Grande, tendo 30 morrido nos automóveis e 17 nas suas imediações durante a fuga ao incêndio. Uma outra vítima, morreu na sequência de um atropelamento ao fugir do incêndio. O incêndio também arrasou dezenas de lugares das regiões afectadas. O número oficial foi de 64 mortos. Em termos de prejuízos materiais, foram contabilizadas mais de 500 casas de habitação parcial ou totalmente destruídas pelo fogo. Foram também afectadas 48 empresas com 372 postos de trabalho. A estimativa provisória do montante total de prejuízos ascende a 500 milhões de euros. No rescaldo do incêndio, a causa apontada pelas autoridades foram causas naturais, uma trovoada seca que, conjugada com temperaturas muito elevadas (superiores a 40 graus Celsius) e vento muito intenso e variável, que terá feito deflagrar e propagar rapidamente o fogo. No entanto, o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, acredita que este incêndio não teve origem em causas naturais já que, segundo a perceção de alguns habitantes de Pedrógão Grande, o fogo já estaria activo duas horas antes da altura em que ocorreu a trovoada seca nesta zona. A Procuradoria-Geral da República confirmou que o Ministério Público estava a investigar as causas do incêndio. Um relatório técnico independente publicado em outubro de 2017, aponta como causa da ignição o contacto entre a vegetação e uma linha eléctrica de média tensão da empresa Energias de Portugal, resultado da falta de limpeza da zona de protecção. Em 11 de junho de 2018 eram dez os arguidos, "todas pessoas singulares", no inquérito relacionado com os incêndios de Pedrógão Grande, de acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra.






Texto:
Paulo Nogueira



sábado, 13 de outubro de 2018

EFEMÉRIDES do dia 13 de outubro

Dia Europeu de Segurança Rodoviária, Dia Mundial da Visão, Dia do Peregrino e Dia Internacional para a Prevenção das Catástrofes Naturais
De entre os santos dedicados a este dia, destaque para São Eduardo II (1004 ou 1005, Islip, Oxfordshire, Inglaterra - Palácio de Westminster, Inglaterra, 5 de janeiro, 1066). Eduardo o Confessor, como também foi apelidado, foi o penúltimo Rei saxão de Inglaterra, entre 1042 e 1066. Era filho de Etelredo II e de Ema da Normandia, neto do rei também santo, "Eduardo o Mártir", São Eduardo III, tornou-se também ele rei da Inglaterra. Ainda em criança teve de tomar o caminho do exílio e viveu de 1014 a 1041 na Normandia, com os parentes maternos. Neste período, diz-se que teria feito um voto de ir a Roma em peregrinação, se a Divina Providência o reconduzisse a pátria. Quando isso aconteceu, Eduardo teria cumprido piedosamente a promessa, mas foi dispensado pelo papa. A soma necessária para essa longa viagem foi distribuída uma parte aos pobres e outra para o restauro do mosteiro a oeste de Londres (hoje Wastminster). Ditou leis que passaram para história como "as leis de Santo Eduardo". Ao subir ao trono, foi obrigado a casar-se. A sua esposa se chamava Edith Godwin, filha de um barão que se mostrava favorável, mas depois revelou-se como grande opositor, pois, dando sua filha em casamento planejava tirar vantagens do reinado da Inglaterra. Mas o casal tornou-se profundamente amigos, oravam juntos e não tiveram filhos, pois, de comum acordo, conservaram-se em perfeita castidade. Conhecido como "administrador justo e generoso" e "o bom rei" São Eduardo soube utilizar-se de uma fortuna não apenas para regalias mas muito mais, melhorar as condições de vida do seu povo, principalmente dos mais humildes. Este rei da Inglaterra de 1043 a 1066, deixou uma fortíssima lembrança no seu povo. A razão dessa veneração, que atravessou os séculos, deve ser procurada não só em algumas sábias providências administrativas, como a abolição de uma pesada taxa militar que oprimia a nação inteira, mas sobretudo no seu temperamento bondoso e generoso (nunca uma indelicadeza ou uma palavra de repreensão ou um gesto de ira nem para com os mais humildes súditos) e na sua vida particular. Restaurou a Abadia de Westminster sem jamais empregar a força e sim em concessões pacíficas, dizendo; "Não desejo obter um reino à custa de sangue humano". Em vida, terá feito vários milagres, ainda hoje é venerado pela sua piedade e intenso espírito de caridade. Em 1102 foi aberto o túmulo onde se encontrava e o corpo estava intacto. Em 1161 o Papa Alexandre III assinou a bula de canonização. A solene trasladação das relíquias, ordenada por São Tomaz de Canterbury, realizou-se aos 13 de outubro, motivo por que a festa do Santo Rei foi fixada para este dia.


 



 


Em Portugal
 

1613 - Nasce Luísa Maria Francisca de Gusmão e Sandoval (em espanhol: Luisa María Francisca de Guzmán y Sandoval; Sanlúcar, Cádiz, Espanha, 13 de outubro de 1613 - Lisboa, Portugal, 27 de fevereiro de 1666). Virá pelo seu casamento com o rei de Portugal João IV, na altura ainda Duque de Bragança, ser a primeira rainha consorte de Portugal da Casa de Bragança. Durante o seu reinado, não teve um papel apagado, pois aquando da revolta de 1641 foi de parecer que os culpados não mereciam perdão, mesmo o inocente duque de Caminha. Exerceu governo sempre que o rei acorria à fronteira do Alentejo, como em julho de 1643, auxiliada nos negócios públicos por D. Manuel da Cunha, bispo capelão-mor, Sebastião César de Meneses e o marquês de Ferreira. Já durante a sua regência houve a grande vitória portuguesa na batalha das Linhas de Elvas, em 14 de janeiro de 1659, batalha decisiva porque a derrota implicaria a perda de Lisboa. Não foi uma vitória decisiva, pois o Tratado dos Pirenéus iria deixar a Espanha sem outros compromissos militares e Portugal voltaria a sentir ameaças mais graves.




1666 - Morre Francisco Manuel de Melo (Lisboa, Portugal, 23 de novembro de 1608 - Lisboa, Alcântara, Portugal, 24 de agosto ou 13 de outubro de 1666), aos 58 anos. Foi um escritor, político e militar português, ainda que pertença, de igual modo, à história literária, política e militar da Espanha. Em 1637 tinha participado na pacificação da revolta de Évora, acontecimento que viria a preparar a restauração portuguesa. Historiador, pedagogo, moralista, autor teatral, epistológrafo e poeta, foi representante máximo da literatura barroca peninsular. Dedicou-se à poesia, ao teatro, à história e à epistolografia. Tendo publicado cerca de duas dezenas de obras durante a sua vida, foi ainda autor de outras, publicadas postumamente. Aliou ao estilo e temática barroca (a instabilidade do mundo e da fortuna, numa visão religiosa) o seu cosmopolitismo e espírito galante, próprio da aristocracia de onde provinha. Entre as suas obras mais importantes como "Politica militar em aviso de generales. etc." em 1638, pode destacar-se o texto moralista da Carta de Guia de Casados ou a peça de teatro "Fidalgo Aprendiz" em 1651 (que é uma "Farsa", como foi descrita pelo seu autor desde o início e não um "Auto" como tem vindo a ser designada por edições recentes) e autor das "Obras Métricas" em 1665.

1882 - É inaugurada, no Porto, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras. Tendo sempre mantido a sua sede na Rua Rodrigues Sampaio no Porto. Instituição aberta à sociedade, solidária. Desde sempre desaprovou a cómoda visão paroquial, bairrista, para abarcar a prodigiosa diversidade do mundo.

  

1912 - O presidente da República Portuguesa, Manuel de Arriaga, coloca a primeira pedra para o edifício da instituição portuguesa  "A Voz do Operário", na Graça em Lisboa. As obras só viriam a ser concluídas em 1932.

1917 - Relato da sexta e última aparição/visão de Fátima e do chamado Milagre do Sol, pelos três pastores e pessoas mobilizadas nos seis meses anteriores. Segundo os registos o acontecimento foi testemunhado por cerca de 70 mil pessoas. Ainda segundo os relatos após uma chuva torrencial, as nuvens dissiparam-se no firmamento e o Sol apareceu como um disco opaco, girando no céu. Alguns afirmaram que não se tratava do Sol, mas de um disco em proporções solares, semelhante à Lua. Seria algo menos brilhante do que o normal, acompanhado de luzes multicoloridas, que se reflectiam na paisagem, nas pessoas e nas nuvens circunvizinhas. Foi relatado que o pretenso Sol se teria movido com um padrão de zigue-zagues, assustando muitos daqueles que o presenciaram. Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas previamente molhadas ficaram completamente secas em pouco tempo e, também relataram curas inexplicáveis de paralíticos e cegos, e outras doenças não explícitas. Este acontecimento foi oficialmente aceite como um milagre pela Igreja Católica em 13 de outubro de 1930. Em 13 de outubro de 1951, o cardeal Tedeschini afirma que, em 30 de outubro, 31 de outubro e 1 de novembro e 8 de novembro, o Papa Pio XII terá presenciado um acontecimento semelhante nos jardins do Vaticano.

 


1921 - O bispo de Leiria autoriza o padre Afonso, coadjutor do Olival, a celebrar missa campal para os peregrinos, sob o alpendre da Capelinha das Aparições. Foi o primeiro acto religioso, público e oficial, que se realizou na Cova da Iria.
 
1930 - O bispo de Leiria, José Alves Correia, considera dignas de crédito as aparições de Fátima, em carta pastoral.

1968 - Há 50 anos morre Cristovam Pavia, ou Cristóvam Pavia, pseudónimo de Francisco António Lahmeyer Flores Bugalho (Lisboa, Portugal, 7 de outubro de 1933 - Lisboa, Portugal, 13 de outubro de 1968), aos 35 anos. Foi um poeta português, para além do pseudónimo Cristovam Pavia, António Flores Bugalho assinou composições com os pseudónimos Sisto Esfudo, Marcos Trigo e Dr. Geraldo Menezes da Cunha Ferreira.
 


1996 - O PS-Açores vence, pela primeira vez as eleições regionais na Região Autónoma. O PSD-Madeira alcança a sexta vitória.
 
2003 - É alcançado o acordo de Pescas entre Portugal e Espanha. O acesso às águas territoriais continua limitado até 2013, embora possam entrar mais 32 barcos espanhóis na ZEE portuguesa.
 
2004 - Morre Maria Rosa Parreiro Colaço (Torrão, Alcácer do Sal, Portugal, 19 de setembro de 1935 - Lisboa, Portugal, 13 de Outubro de 2004), aos 69 anos. Foi professora, escritora e jornalista portuguesa. Defensora da importância da leitura no desenvolvimento e na educação das crianças, celebrizou-se com a publicação do livro "A Criança e a Vida", 1960. Colaborou regularmente com vários jornais e foi assessora da RTP. Defensora da liberdade e senhora com carácter forte, sempre atenta às modificações da sociedade e defensora de uma participação cívica activa. Deixou-nos uma obra repartida entre a literatura infantil, a ficção, o teatro e os programas televisivos para crianças. Colaborou também com diversos artistas plásticos nacionais e estrangeiros legendando as suas obras., autora de "A Criança e a Vida", "O Espanta-Pardais", Prémio Soeiro Pereira Gomes. Foi autora entre outras obras de "Aventura com asas", 1989, "Viagem com homem dentro" 1998, "O coração e o Livro"2004.
 
 

2006 - A tenente Mónica Martins torna-se a primeira mulher piloto de helicópteros da Marinha Portuguesa. Hoje, a Comandante Mónica Martins continua a prestar serviço na Esquadrilha de Helicópteros.

2008 - A Federação Internacional do Automóvel (FIA) aprova o novo Autódromo do Algarve, que pode começar a receber provas, numa altura em que "quase todas" as equipas de Fórmula 1 já mostraram interesse em realizar testes no circuito.
 


2010 - Portugal é eleito membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU.

2011 - O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anuncia um novo pacote de austeridade previsto no Orçamento do Estado para 2012, que elimina os subsídios de Natal e férias para os funcionários públicos e para as pensões acima de mil euros até final de 2013.

2012 - Milhares de pessoas juntam-se na Praça de Espanha numa manifestação cultural, que se associa ao apelo "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!".
 
 
 
 
 


 
 

No Mundo
 

1162 - Nasce Leonor de Inglaterra (Castelo de Domfront, Normandia, França, 13 de outubro de 1162 - Burgos, Espanha, 25 de outubro de 1214). Virá a ser princesa da Inglaterra e rainha de Castela por casamento com o rei Afonso VIII de Castela, em 1170. Filha de Henrique II de Inglaterra e Leonor da Aquitânia, era irmã de Ricardo I e João, ambos reis da Inglaterra. Em 1187, ela e seu esposo fundaram o Mosteiro de Las Huelgas em Burgos onde ambos estão sepultados.
 
 
 
1307 - A Ordem do Templo é acusada de traição à Igreja, pelo Papa Clemente V, sob pressão do Rei da França Philip IV, mandando para a prisão os seus membros nomeadamente o seu grão-mestre. Este evento deu origem à superstição do azar numa sexta-feira 13.
 
1884 - Determinado o Meridiano de Greenwich ou Meridiano Principal como ponto de referência para determinação dos fusos horários. Na ocasião da definição, as 25 maiores nações do globo reuniram-se em Washington DC para tratar da padronização do tempo e do estabelecimento de alguns parâmetros.
 


1889 - Revolta Boer na África do Sul ou a Segunda Guerra dos Bôeres, travada entre 1889 e 1902, na qual a Grã Bertanhausou o seu grande potencial militar contra os bôer. Sobretudo contra a população civil. A vitória inglesa custou a vida a 7 mil soldados britânicos e 35 mil bôers.
 
1909 - Nasce Arthur Tatum Jr, ou Art Tatum (Toledo, Ohio, EUA, 13 de outubro de 1910 - Los Angeles, Califórnia, EUA, 5 de novembro de 1956). Virá a ser um pianista e compositor de jazz norte-americano. Quase totalmente cego, desenvolveu uma personalidade introvertida que contrastou com a exuberância de sua técnica e criatividade. A sua música exerceu grande influência sobre músicos como Bud Powell, Herbie Hancock, Oscar Peterson, Charlie Parker, John Coltrane e muitos outros. Fazem parte da sua discografia entre outras obras "Art Tatum" 1932-34, "Lasting Impressions Giant of Jazz", 1951, "The Genius of Art Tatum", Vol. 1-8, 1953, "The Tatum Group Masterpieces", Vol. 1, 1954.

1919 - Morre Karl Adolph Gjellerup (Roholte, Dinamarca, 2 de junho de 1857 -. Dresden, Alemanha, 13 de outubro de 1919), aos 62 anos. Foi um dramaturgo e novelista dinamarquês. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1917 juntamente com Henrik Pontoppidan. Foi autor entre outras obras "O Moinho" e "Os Amigos de Deus".
 


1921 - Nasce Ivo Livi, mais conhecido como Yves Montand (Monsummano Terme, Itália, 13 de outubro de 1921 - Senlis, Oise, França, 9 de novembro de 1991). Virá a ser actor e cantor italiano naturalizado francês. Como actor estreou-se em 1946 com o realizador Marcel Carné no filme "As Portas da Noite", mas destacou-se no filme "O Salário do Medo" de Henri-Georges Clouzot em 1952; "Vamo-nos amar" ao lado de Marilyn Monroe de 1960; "Paris Está em Chamas" de René Clement em 1966 e "Viver por Viver" de Claude Lelouch em 1967, entre muitos outros sucessos do cinema. Comunista inicialmente e depois defensor da liberdade e contra qualquer ditadura, Yves Montand foi parceiro constante do realizador Costa-Gavras com quem fez cinco filmes, entre eles "Z", em 1969, "Estado de Sítio", 1972 e "A Confissão", 1970. Foi casado durante 30 anos com a actriz Simone Signoret até a morte dela em 1985, mas teve romances célebres com a cantora Edith Piaf no final dos anos 40 e com Marilyn Monroe. Em 1982, apresentou-se no Teatro Municipal de São Paulo com um espectáculo de canções francesas.

1923 - Ankara passa a capital da Turquia, após o fim da Guerra de independência turca. Continuou sendo a capital por desejo expresso do fundador da República Turca, Mustafá Kemal Atatürk, que chefiou as operações contra a ocupação dos aliados na mesma cidade, que evitava deste modo a excessiva vulnerabilidade geoestratégica da cidade de Istambul.
 
1925 - Nasce Margaret Hilda Thatcher, Baronesa Thatcher de Kesteven (Grantham, Reino Unido, 13 de outubro de 1925 - Londres, Reino Unido, 8 de abril de 2013). Virá a ser uma política britânica que serviu como Primeira-Ministra do Reino Unido de 1979 a 1990 e Líder da Oposição entre 1975 e 1979. Foi a Primeira-Ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo. Margaret Thatcher também era conhecida pela alcunha "Dama de Ferro", dada por um jornalista soviético e que associou-se ao seu estilo de liderança. Como Primeira-Ministra, implementou políticas que passaram a ser conhecidas como Thatcherismo .Em novembro de 1990, após a sua liderança no Partido Conservador ser desafiada, renunciou como Primeira-Ministra. Depois de se retirar da Câmara dos Comuns em 1992, recebeu um par vitalício como Baronesa Thatcher (de Kesteven no condado de Lincolnshire).
 


1942 - Nasce Paul Frederic Simon (Newark, Nova Jérsia, EUA, 13 de outubro de 1941). Virá a ser um cantor e compositor norte-americano de música folk rock. O seu primeiro sucesso veio apenas em meados da década de 60, com o reencontro com o seu parceiro Art Garfunkel,no disco Wednesday Morning (1964), que continha a clássica faixa The sound of silence, tida por muitos como a melhor de seu repertório. Foi considerado o 93º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone. De entre os seus maiores sucessos, destacam-se, além dos que gravou com Art Garfunkel, "American Tune", "Mardi Grass", "Kodakchrome", "Graceland". Está hoje de Parabéns!

 
 
1943 - Durante a II Guerra Mundial a Itália declara guerra à Alemanha, antiga aliada no âmbito do Eixo.

1972 - Acidente de avião do Voo Força Aérea Uruguaia 571, ocorrido nos Andes, nas montanhas geladas entre Montevidéu e Santiago onde viajavam 45 pessoas, incluindo a equipa completa de rugby do colégio secundário uruguaio Christians Brothers, onde sobreviveram 16 pessoas e ficou conhecido como Tragédia dos andes ou O Milagre dos Andes. Mais de um quarto dos passageiros morreram no acidente e vários sucumbiram rapidamente devido ao frio e aos ferimentos. Dos 29 que estavam vivos alguns dias após o acidente, oito foram mortos por uma avalanche que varreu o seu abrigo. Diante da fome e notícias reportadas via rádio de que a busca por eles tinha sido abandonada, os sobreviventes alimentaram-se da carne dos passageiros mortos, que havia sido preservada na neve. O último dos 16 sobreviventes foi resgatado em 23 de dezembro de 1972, mais de dois meses após o acidente.



1978 - Há 40 anos dava-se início ao Conclave de Cardeais para a eleição do sucessor do papa João Paulo I.

1980 - O Prémio Nobel da Paz é atribuído ao arquitecto argentino Adolfo Pérez Esquível, co-fundador da Assembleia Permanente para os Direitos Humanos.
 
1982 - Os trabalhadores dos estaleiros de Gdansk regressam ao trabalho sendo imposta a Lei Marcial na Polónia.
 
 
 
1990 - Morre Le Duc Tho (Hà Nam, Vietname, 14 de outubro de 1911 - Hanói, Vietname, 13 de outubro de 1990), aos 78 anos. Foi um político Vietnamita, quando jovem envolveu-se com a política radical e em 1930 ajudou a estabelecer o partido comunista da Indochina. Fez campanha contra as regras francesas no Vietname e foi duas vezes preso por causa das suas actividades políticas nos períodos (1930-36 e 1939-44). Mais tarde nas conversas sobre paz entre representantes do Vietname do Sul, Vietname do Norte, Estados Unidos e o NFL que começaram em Paris, em janeiro de 1969. Le Duc Tho serviu de conselheiro especial da delegação do Vietname do Norte e eventualmente transformou-se em líder do Vietname do Norte nessas conversas. Em 1973 foi indicado, junto com o Secretário de Estado Henry Kissinger, para o Prémio Nobel da Paz, mas recusou esse prémio.

1994 - O Iraque admite a possibilidade de reconhecer a soberania do Kuwait e das suas fronteiras.

1998 - Há 20 anos o Prémio Nobel da Física é atribuído aos norte-americanos Robert Laughlin e Daniel Tsui e ao alemão Horst Stroernner e o Prémio Nobel da Química, ao norte-americano Walter Khone e ao britânico John Pople.
 


2001 - O presidente dos EUA, George W.Bush, classifica "um sucesso" a primeira fase da operação militar no Afeganistão.

2003 - A União Europeia aprova um valor global de 200 milhões de euros do orçamento comunitário para a reconstrução do Iraque.

2006 - O líder do grupo terrorista peruano Sendero Luminoso, Abimael Guzman, é condenado.
 


2009 - O escritor e professor moçambicano João Paulo Borges Coelho é anunciado como vencedor do Prémio Leya, atribuído pelo romance "O Olho de Hertzog".

2010 - Florencio Ávalos é o primeiro homem a sair debaixo de terra (00:00, horas locais) na sequência da operação de salvamento dos 33 homens soterrados pelo desabamento de uma mina de ouro e cobre de São José, perto de Copiacó, no Chile. Luís Urzúa é o último (21:55). Seguem-se os seis membros da equipa de salvamento.

2010 - São resgatados os 33 mineiros chilenos que se encontravam soterrados há 69 dias (desde 5 agosto), a 700 metros de profundidade, na mina de São José, no Chile.
 


2014 - O prémio Nobel da Economia é atribuído ao economista francês Jean Tirole.

2015 - Investigadores internacionais concluem que o avião da Malaysian Airlines, com o código de voo MH17, foi abatido por um míssil BUK, de fabrico russo, disparado do leste da Ucrânia.

 

2016 - O antigo primeiro-ministro português António Guterres é aclamado como novo secretário-geral das Nações Unidas, numa sessão da assembleia-geral da ONU que ratificou a escolha feita pelo Conselho de Segurança em 5 de outubro.

2016 - Morre, Dario Fo (Sangiano, Itália, 24 de março de 1926 - Milão, Itália, 13 de outubro de 2016), aos 90 anos. Foi um escritor, dramaturgo e comediante italiano.Entre 1945 e 1951 foca a sua atenção em projectos de palcos e decoração teatral. Nessa época começa a improvisar monólogos. Recebeu o Nobel de Literatura de 1997.

2016 - O Prémio Nobel da Literatura 2016 é atribuído a Bob Dylan, por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana.


 
2016 - O ex-Presidente brasileiro Lula da Silva é constituído arguido pela terceira vez, agora por suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção em negócios em Angola, segundo a imprensa brasileira.

 2016 - Morre Bhumibol Adulyadej (Cambridge, Massachusetts, EUA, 5 de dezembro de 1927  - Bangkok, Tailândia, 13 de outubro de 2016), aos 88 anos. Foi rei da Tailândia durante 70 anos desde sua ascensão ao trono em 1946 foi coroado rei aos 24 anos de idade, em 1950, após a morte por ferimento à bala de seu irmão, o rei Ananda Mahidol, em 9 de junho de 1946, sob circunstâncias que permanecem obscuras. Reinou até à sua morte, em 2016. O seu nome significa Força do Incomparável Poder da Terra, também chamado publicamente de o Grande, era conhecido também como Rama IX. Embora fosse um monarca constitucional, Bhumibol Adulyadej realizou diversas intervenções na política do país quando houve derramamentos de sangue ou tumultos. O rei também utilizou a sua considerável influência para acabar com golpes de Estado, incluindo as tentativas de 1981 e 1985. Bhumibol Adulyadej, era alegadamente, um dos monarcas mais ricos do mundo, com um patrimônio pessoal estimado em 35 bilhões de dólares. Muito popular na Tailândia e reverenciado como um semi-deus pelo povo, em parte devido à crença budista, o rei utilizou parte da sua fortuna para financiar cerca de 3 mil projectos de desenvolvimento, em especial nas áreas rurais do país.











 

Texto:
Paulo Nogueira




 


terça-feira, 18 de setembro de 2018

A REVISTA À PORTUGUESA







O teatro de revista ou a designada Revista à portuguesa, é um género teatral de gosto marcadamente popular. É constituído este género teatral por várias cenas de cariz cómico, satírico e de crítica política e social, com diversos números musicais. É caracterizado também por um certo tom Kitsch, com bailarinos vestidos de forma exuberante, além da forma própria de declamação do texto, algo estridente. No entanto este género de expressão teatral em Portugal, pode considerar-se remontar a Gil Vicente (1465 - 1536), em que a crítica e a sátira social estavam presentes em muitas das suas obras teatrais, nomeadamente nos Autos. Mas foi em 1715 que a primeira representação deste estilo de teatro de revista no mundo aconteceu, com a peça "A Cintura de Vénus", uma representação cómica e crítica nascida num pequeno teatro abarracado numa feira de Sainte-Laurent e Sain-Germain em Paris. Eram os chamados Teatros de Feira, desenvolvidos nas feiras populares de verão que aconteceram em Paris ao redor da Abadia de Saint-Germain-des-Prés da igreja de Saint Laurent, durante os séculos XVII e XVIII. Durante este período várias foram as Companhias teatrais deste género de expressão teatral que ali se formaram e desenvolveram este estilo de representação, que acabou por passar e ser adoptado por outras Companhias de outros teatros.
Em Portugal,  aquele que é considerado o primeiro espectáculo deste género teatral, sobe à cena no Theatro do Gymnasio em 11 de janeiro de 1851, sob o título programático de "Lisboa em 1850". Eram seus autores, no que se refere ao texto, Francisco Palha e Latino Coelho. Outro grande sucesso de revista seria em 1856 com "Fossilismo e Progresso" de Manuel Roussado. Mais tarde autores clássicos e românticos como Guerra Junqueiro (1850 - 1923) a Bernardo Santareno (1920 - 1980), escreveram obras teatrais do género revista. Vem no entanto de meados do século XIX, depois da estreia com sucesso de "Lisboa em 1850", a tradição do teatro de revista em Portugal e a própria designação deste género teatral, aponta desde logo a expressão de conteúdos a nível de texto, pois trata-se, na origem, de uma evocação, memorização ou descrição dos eventos sociais e políticos relevantes passados em determinada época. Daí, a designação tradicional, aplicada ainda em meados do século passado, de "Revista do ano". Em 1908 Sousa Bastos, ele próprio autor de Revistas, propõe uma definição deste género teatral, segundo este, era a classificação que se dá a certo género de peças em que o autor critica costumes dum país ou duma localidade, ou então faz passar à vista do espectador todos os principais acontecimentos do ano findo, tais como revolução, grandes inventos, modas, acontecimentos artísticos ou literários, espectáculos, crimes, etc. Muitos outros teatros de Lisboa, praticamente todos, alguns já desaparecidos, foram palco deste tipo de representação desde o final do século XIX até meados do século XX, como exemplos: O Theatro da Rua dos Condes estreia a Revista "Zás Trás" em finais dos século XIX e em 1898 a Revista do ano, como ainda era designada "Agulhas e Alfinetes". O Theatro Avenida estreia a Revista "Prá Frente" em 1906 e mais tarde, em 1912 o grande êxito a Revista "CóCóRóCóCó". O Theatro Phantastico estreia uma das suas primeiras Revistas "Já te Pintei" em 1908. No Theatro Apollo estreou-se a primeira Revista à portuguesa após a instauração da Republica e considerada a primeira Revista verdadeiramente republicana, pelo seu espirito revolucionário, intitulada "Agulha em Palheiro". Esta Revista da autoria de Ernesto Rodrigues, Felix Bermudes e Lino Ferreira. Foi um êxito e estreou em 23 de fevereiro de 1911. Uma revista em 3 actos e 12 quadros, com música de Filipe Duarte e Carlos Calderón, interpretada entre outros actores da época por Nascimentos Fernandes, Lucinda do Carmo, Isaura, Amélia Pereira e João Silva. Em 1911 estreia uma das primeiras revistas, já pós Republica, intitulada "Arre Que é Burro", no Theatro Moderno e mais tarde em 1913, outro grande êxito "Os Gorostescos", uma Revista em dois actos. O Teatro Paraíso de Lisboa, na Rua da Palma, estreou a Revista "Cale-se" em 1912, um grande sucesso num teatro que também era animatógrafo. O Teatro da Trindade foi palco igualmente, de grandes êxitos da Revista à portuguesa, entre muitos deles destaque para dois grandes sucessos como "As Cartolinhas e os Adelaides "estreado em outubro de 1915 e "Feira da Luz" estreado em 1930. No Eden Teatro também se representaram muitos e grandes êxitos da Revista à portuguesa como o grande sucesso que foi a Revista "O Novo Mundo" em 1919 e mais tarde, no mesmo ano a Revista "Cabaz de Morangos". Também o Coliseu dos Recreios foi palco para numerosas Revistas à portuguesa de grande sucesso ao longo do século XX. A Revista à portuguesa, foi e continua a ser um género teatral que se generalizou por todos os teatros, grandes e pequenos da capital e também da província.
 
 

 



Gil Vicente 1465-1536 (col. pess.)



 Ilustração da edição original do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente
(col. priv.)
 


Reconstituição de representação de um Auto de Gil Vicente
na Corte de D. Manuel I, por Roque Gameiro
(col. pess.)




Um teatro na feira de Saint-Laurent em meados do séc. XVIII
(col. Bibliothèque historique de la ville de Paris)



O novo teatro de Nicolet e ambiente na Feira de Saint-Germain (arq. Harvard Theatre Collection)




Capa de uma cópia do texto da primeira Revista à portuguesa 
"Lisboa em 1850"
(arq.  Escola Superior de Teatro e Cinema)


Theatro do Gymnasio no início do séc. XX, onde foi representada 
a que é considerada a primeira Revista à portuguesa
 intitulada "Revista em 1850" (arq. AML)



Theatro da Rua dos Condes no início do séc. XX onde se representaram
alguns êxitos da Revista à portuguesa (arq. AML)


Cartaz da Revista "Agulhas e Alfinetes" representada
no Theatro da Rua dos Condes em 1898 (col. priv.)



Theatro Phantastico na Rua Jardim do Regedor no início do séc. XX
onde foram representados alguns êxitos da Revista à portuguesa
(arq. AML)


Programa da Revista "Já Te Pintei!" representada no Theatro Phantastico em 1908
(col. Carlos Caria)



 Theatro Apollo no início do séc. XX onde se representaram muitos êxitos da Revista à portuguesa
 (arq. AML)


Anúncio da Revista "Agulha em Palheiro"
representada  no Theatro Apollo em 1911
(col. priv.)
 

Quadro da Revista "Agulha em Palheiro" no Theatro Apollo em 1911
(col. pess.)




Theatro Avenida em 1912 onde foram representados muitos êxitos da Revista à portuguesa (arq. AML)
 
 
Quadro de bailado da Revista "CóCóRóCóCó", no Theatro Avenida em 1912 (arq. AML)

 
 
 
Teatro Paraíso de Lisboa que também foi animatógrafo mas exibiu alguns
êxitos de Revista à portuguesa no início do séc. XX (arq. AML)


Quadro da Revista  à portuguesa "Cale-se" no Teatro Paraíso de Lisboa em 1912 (arq. AML)
 
 

Theatro Moderno onde se representaram alguns êxitos de Revista à portuguesa (arq. AML)
 

Anúncio da Revista "Os Grotescos" representada no Tehatro Moderno
em 1913 (col priv.)


 
Teatro da Trindade onde também foram representados alguns êxitos
da Revista à portuguesa, foto Joshua Benoliel (arq. AML)
 

Capa de partitura de músicas da Revista à portuguesa
"As Cartolinhas e os Adelaides" estreada em 1915
no Teatro da Trindade (col. priv.)
 
 

Eden Teatro em 1914, onde foram representados grandes êxitos da Revista à portuguesa (arq. AML)


Quadro da Revista "O Novo Mundo" no Eden Teatro em 1919 (col. pess.)


Programa da Revista "Cabaz de Morangos" representada no Eden Teatro em 1919 (col. priv.)


Capa do Programa do Eden Teatro da Revista
 "Cabaz de Morangos" de 1919
 (col. Carlos Caria)



Coliseu dos Recreios em meados dos anos 40 onde foram representadas
diversos êxitos de Revista à portuguesa (arq. AML)




No entanto um local mítico, neste tipo de representação seria inaugurado em Lisboa, o Parque Mayer. Inaugurado a 15 de junho de 1922, o Parque Mayer resultou de uma partilha familiar do palacete Mayer e dos seus jardins. Este espaço exterior foi adquirido, em 1920, por Artur Brandão, primeiro promotor do Parque Mayer. Tendo sido comprado no ano seguinte por Luís Galhardo, jornalista, escritor e empresário que, com outros dez sócios, constituiu a Sociedade Avenida Parque, Lda. Neste espaço com muita luz, como ficou conhecido também, pois à época ainda poucos locais possuíam luz eléctrica, foram construídas casas de espectáculo que acabaram por se especializar no género de teatro de revista, associando-se a outras atracções de carácter lúdico, como restaurantes, teatros de fantochas (ou robertos), barracas de "tirinhos", fotógrafos e carrosséis, que juntavam muito público. Em 1930 efectuaram-se alguns melhoramentos no recinto, nomeadamente a construção do pórtico de entrada, com desenho do arquitecto Luís Cristino da Silva (1896 - 1976), impondo-se desde então o nome Parque Mayer como designação genérica. Com instalações precárias, o Parque Mayer foi-se tornando, aos poucos, um sítio carismático de diversão e boémia na cidade de Lisboa. Nos anos 30, começou por funcionar com divertimentos como barracas dos "tirinhos", carrinhos de choque, carrosséis de feira, "roleta diabólica", atracções várias, como o circo do El Dorado, e combates de boxe e luta-livre. Deste modo, o Parque Mayer rapidamente se tornou um recinto de convívio e de feira ao ar livre, onde não faltavam restaurantes, bares, cabarets, retiros e tascas, atraindo um público aficionado. Em 1932, por sugestão de Leitão de Barros, realizou-se aí o primeiro desfile de grupos representantes dos bairros lisboetas que, posteriormente, dará origem às Marchas Populares. Neste espaço, a que acorria um público ávido de diversão, foram sendo construídos vários teatros: o Teatro Maria Vitória (1922), o Teatro Variedades (1926), e o Teatro Capitólio (1931), sendo este, pelo traço do arquitecto Luís Cristino da Silva, um importante marco da arquitectura modernista em Portugal. Em 1956 edificou-se o último dos recintos, o Teatro ABC, que encerrou definitivamente em 1997. Outras casas de espectáculo tiveram vida mais efémera, como foi o caso do Teatro Recreio em 1937, que foi edificado por iniciativa do empresário Giuseppe Bastos e esteve apenas três anos em funcionamento. De referir que foi no dia 1 de julho de 1922, que subia o pano no Teatro Maria Vitória com a Revista "Lua Nova", da autoria de Ernesto Rodrigues, Henrique Roldão, Félix Bermudes e João Bastos, com números músicas assinados pelo maestro Raul Portela e direcção musical do maestro Alves Coelho, com Elisa Santos, Amélia Perry, Jorge Roldão e Joaquim de Oliveira. De muitos outros grandes sucessos representados no Teatro Maria Vitória, destaque para, ainda na década de 20, mais propriamente em 1926 da Revista "Foot-Ball". Aqui representaram-se e continuam a representar-se, alguns dos maiores sucessos da Revista à portuguesa em Portugal ao longo de décadas. Seguiu-se o Teatro Variedades, estreado com a revista "Pó de Arroz" em 8 de julho de 1926. Dos primeiros êxitos a estrear no Teatro Variedades foi a Revista à portuguesa "Chá da Parreirinha" em 1929.  O Cine-teatro Capitólio também exibiu teatro de revista e estreia-se com este estilo de teatro em 1938 com a revista "Pega-me ao Colo". Finalmente em 13 de janeiro de 1956 abre as portas O Teatro ABC com a revista "Haja Saúde!" de Frederico de Brito e Carlos Lopes, com Curado Ribeiro e Maria Domingas. Desde as décadas de 20 e nas décadas seguintes até aos anos 60, os sucessos de peças da Revista à portuguesa sucederam-se em catadupa nos teatros do Parque Mayer, havendo muitas peças em exibição ao mesmo tempo sem que existisse concorrência entre eles. Também muitas histórias de vida de actores e de gente do espectáculo, umas felizes outras infelizes, ali aconteceram. Nasceu neste espaço mítico da Revista à portuguesa por excelência, como que um mundo à parte. Muitos dos grandes temas da música ligeira portuguesa e do fado, nasceram em alguns destes grandes êxitos da Revista à portuguesa. Este fenómeno irá acontecer até ao final dos anos 60. De tão populares que se tornaram alguns  destes temas, muitos eram cantados pelo povo, nos teatros e circos ambulantes por todo o país, tornando-as nas chamadas Melodias de Sempre.




Palacete Lima Mayer, onde nos seus jardins se virá a instalar o Parque Mayer em 1922 
(arq. AML)
 


Luiz Galhardo  1874 -1929
um dos primeiros promotores
do Parque Mayer
(col. pess.)



Esplanada no Parque Mayer com luz eléctrica em meados dos anos 20 (arq. AML)



Um dos muitos restaurantes no Parque Mayer em meados dos anos 20 (arq. AML)



Teatro de fantoches no Parque Mayer em meados dos anos 20
(arq. AML)


Barraca de "tirinhos" no Parque Mayer em meados dos anos 20 (arq. AML)
 
 

Fotógrafo Lusitana no Parque Mayer e seus frequentadores nos anos 20 (arq. AML)



Barraca de petiscos e divertimentos no Parque Mayer no início dos anos 30 (arq. AML)
 



Alusão ao ambiente do Parque Mayer nos anos 20 30
numa ilustração de Bernardo Marques (col. priv.)



Entrada lateral do Teatro Maria Vitória, o primeiro do Parque Mayer, 
onde grandes sucessos da Revista à portuguesa se representariam,
em meados dos anos 30 (arq. AML)


Aspecto do Parque Mayer, vendo-se em primeiro plano o Teatro Maria Vitória
(arq. AML)


Capa de partitura com canções da primeira Revista à portuguesa estreada 
no Parque Mayer, "Lua Nova", no Teatro Maria Vitória 
em 1 de julho de 1922 (col. priv.)


Anúncio à Revista à portuguesa "Foot-Ball" no Teatro Maria Vitória em 1926 (col. priv.)





Fachada e lateral do Teatro Variedades onde se representaram muitos e famosos êxitos
da Revista à portuguesa no Parque Mayer em medos dos anos 30 (arq. AML)


Anúncio da primeira Revista à portuguesa "O Pó d'Arroz",
que inaugurou Teatro Variedades no Parque Mayer 
em 8 de julho de 1926 (col. priv.)


Cartaz da Revista à portuguesa "Chá da Parreirinha"
no Teatro Variedades em 1929 (col. priv.)



Cineteatro Capitólio onde alguns êxitos da Revista à portuguesa
se viriam a representar, em meados dos anos 30 (arq. AML)


Aspecto da esplanada do Cineteatro Capitólio nos anos 40 (arq. AML)


Cartaz da Revista à portuguesa "Pega-me ao Colo", a primeira que estreou
 no Cineteatro Capitólio em 1938 (col. pess.)




Vista aérea do Parque Mayer em meados dos anos 30 já com os seus teatros (arq. AML)




Teatro ABC no Parque Mayer, em meados dos anos 60 (arq. AML)
 
 
Anúncio da Revista à portuguesa "Haja Saúde!" que estreou na inauguração do teatro ABC em 1956
(arq. priv.) 




Coristas do elenco da Revista "Foot- Ball" no Teatro Maria Vitória em 1926 (arq. priv.)



Reportagem do Notícias Ilustrado sobre a Revista à portuguesa "A Pérola da China",
no Teatro Maria Vitória em 1934 (col. priv.)



Quadro de Revista à portuguesa no Teatro Maria Vitória com Beatriz costa em meados dos anos 30
(arq. priv.)



 Quadro da revista Cartaz de Lisboa, com Mirita Casimiro, no Teatro Maria Vitória em 1937
(foto da col. de Octávio Sedas)



Coristas no Teatro Maria Vitória em meados de 1940 (arq. priv.)



Quadro de Revista à portuguesa no Teatro Maria Vitória com o actor Salvador
em meados dos anos 60 (arq. priv.)





Grandes temas da música ligeira portuguesa e do fado que nasceram de alguns destes grandes êxitos da Revista à portuguesa do Parque Mayer e de outros teatros de Lisboa, alguns já desaparecidos. Nasceram as chamadas Melodias de Sempre que podem ser recordadas aqui:
 






A história do Parque Mayer é indissociável do percurso político, social e cultural do país. No início dos anos 70 assistiu-se, neste espaço, a uma completa renovação de autores, artistas e da própria estrutura da Revista à portuguesa, como foi o caso, em 1972, de "É o fim da macacada", de Francisco Nicholson, Gonçalves Preto e Nicolau Breyner, no Teatro ABC. Após o 25 de abril, compreensivelmente, os autores apressaram-se a colocar em cena os quadros que tinham sido interditados anteriormente pela censura. O uso do palavrão passou a ser recorrente em muitos dos textos levados à cena, em muitos casos com alguns excessos despropositados, redundando mesmo em pura obscenidade. Luiz Francisco Rebello na sua obra refere que as revistas no Parque Mayer oscilavam, neste período, "entre uma difícil e duvidosa neutralidade e uma viragem radical à direita". O Parque Mayer está situado junto à Avenida da Liberdade, do lado ocidental, entre a Rua do Salitre e a Praça da Alegria, este recinto viveu o seu apogeu entre as décadas de 30 e de 70 do século XX, tendo, desde aí, entrado em declínio. Neste espaço estrearam-se e ganharam fama artistas do teatro e da canção, que souberam fidelizar um público entusiasta. Assim, alguns trabalhadores do Teatro ABC decidiram sair do Parque Mayer para formar, em 1974, uma cooperativa de teatro: o designado Teatro ÁDÓQUE. Este novo conceito de teatro, propunham-se fazer um teatro de Revista de tendências progressistas, e fixaram-se no Martim Moniz, num teatro desmontável que fora pertença da Companhia Rafael de Oliveira. Possuíam ainda um jornal, o Jornal ÁDÓQUE, onde eram divulgados os espectáculos produzidos por esta companhia. Na abertura deste novo conceito de teatro, a 23 de setembro de 1974, estreia a Revista à portuguesa "Pides na Grelha". De entre outros grandes sucessos deste teatro foi a Revista à portuguesa "A Grande Cegada" em 1976 e ainda "Taram Tam Tam não Enche Barriga", também de 1976. No Parque Mayer mantiveram-se os artistas com uma ideologia mais conservadora e o repertório ressentiu-se, por vezes, desse excessivo zelo. Muitos outros teatros e Companhias levaram à cena e continuam a fazê-lo, peças de teatro de Revista à portuguesa, umas mais elaboradas que outras, algumas até roçando o estilo do musical da Brodway, mas o espírito está lá. São exemplos, o encenador Felipe La Féria no Teatro Politeama. Também a Academia de Santo Amaro tem levado ao palco algumas Revistas à portuguesa, funcionando aliás como uma escola para novos talentos neste género de arte cénica. De referir que também no espaço Belém Clube se têm representado algumas peças de Revista à portuguesa de grande sucesso. Também grupos independentes como a Cartaz Produção de Espetáculos criada pelo actor Luís Aleluia em 1991, têm produzido algumas peças de Revista à portuguesa de sucesso como "Ó Zé Bate o Pé!" Nos anos áureos do Parque Mayer, os espectáculos tinham duas sessões durante a semana (incluindo ao sábado) e três aos domingos e feriados, empregando com isso centenas de pessoas entre artistas, costureiras, carpinteiros, técnicos de iluminação, e vários outros profissionais envolvidos na produção de espectáculos de revista. Mesmo com os quatro teatros a apresentarem espectáculos em simultâneo, as lotações esgotavam muitas vezes. Durante mais de um século, o teatro de revista ou a Revista à portuguesa, constitui uma janela de crítica política e social em que, curiosamente, ao longo dos tempos e das sucessivas situações e regimes, houve maior liberdade de espectáculo e de texto do que no teatro declamado. Talvez porque se pensasse que a Revista à portuguesa, e designadamente o Parque Mayer, não provocava crises políticas. No início do século XXI apenas o Teatro Maria Vitória apresentava alguma (esporádica) actividade com espectáculos de teatro de revista, por iniciativa do empresário e produtor Hélder Freire Costa. O Parque Mayer teve nos últimos tempos, altos e baixos, desde projectos para a sua recuperação, uns que ficaram pelo caminho, até outros que seguiram com sucesso para a frente. No entanto viu-se recentemente algo de positivo com a recuperação do Teatro Capitólio e para breve do Teatro Variedades a ser uma realidade no que respeita a recuperação. No meio de todas estas crises e altos e baixos do espaço do Parque Mayer, resistiu e resiste o mais antigo teatro deste espaço, o Teatro Maria Vitória, também chamado de "catedral" da Revista à portuguesa, que praticamente nunca parou a sua actividade, graças ao empenho e gosto pela arte do empresário Hélder Freire Costa, que comemorou 54 anos de carreira como empresário teatral, chamado por muitos e bem, um resistente.







Vista geral do Parque Mayer em 1945 (arq. AML)


 
Fachada do Teatro ABC local de muitas representações de sucesso da Revista à portuguesa,
em meados dos anos 80 com estreia de peça erótica (arq. AML)



Teatro ÁDÓQUE em 1976 onde se tentou representar um teatro de Revista de tendências progressistas
(arq. AML)


Cartaz da Revista à portuguesa "Pides na Grelha", que estreou na inauguração oficial
do Teatro ÁDÓQUE em 23 de setembro de 1974 (col. priv.)


Cartaz da Revista à portuguesa "A Grande Cegada "do Teatro ÁDÓQUE em 1976 (col. priv.)


Jornal do ÁDÓQUE de 1976, apresentando a Revista "Taram Tam Tam não Enche Barriga"
 (col. Calos Caria)




Entrada do Parque Mayer junto às bilheteiras no início dos anos 70 (arq. AML)



Quadro da Revista "O Bombo da Festa" com Herman José, Henrique Santana e Eugénio Salvador,
em 1976 no Teatro Maria Vitória (arq. priv.)




Cartaz da Revista á portuguesa "ASA é Formidável!" da Academia de Santo Amaro em 2014 (arq. priv.)



Cartaz da Revista à portuguesa "Estás bem... Ou vens p'ra Belém!" do Belém Clube de 2018
(arq. priv.)




Teatro Politeama durante a exibição do espectáculo "Grande Revista à Portuguesa" em 2014
(arq. priv.)


Cartaz da Revista "Portugal à Gargalhada" de 2017 no Teatro Politeama
(arq. priv.)



Cartaz da Revista à portuguesa "Ó Zé Bate o Pé!" d
o grupo independente Cartaz de 2017 (arq. priv.)




Cartaz da Revista à portuguesa "Portugal em Revista" no Teatro Maria Vitória em 2017 (arq. priv.)
 

Quadro da Revista à portuguesa "Portugal em Revista" no Teatro Maria Vitória em 2017
(arq. priv.)





Aspecto dos três teatros históricos existentes no Parque Mayer recuperados
e em fase de recuperação na actualidade (foto Paulo Nogueira)
 

Fachada do renovado Teatro Capitólio no Parque Mayer
(foto Paulo Nogueira)


Teatro Variedades no Parque Mayer, numa fase de recuperação na actualidade
(foto Paulo Nogueira)




Aspectos do Teatro Maria Vitória a "Catedral" da Revista à portuguesa no Parque Mayer na actualidade
(fotos Paulo Nogueira)



Palco do Teatro Maria Vitória, o mais antigo teatro do Parque Mayer (foto RD)





Hélder Freire Costa, o empresário e produtor do Teatro Maria Vitória 
(foto Paulo Ribeiro)






E graças a essa resistência do empresário Hélder Freire Costa e de toda a sua magnifica equipa, como tem sido hábito, todos os anos, felizmente, fez-se uma vez mais história no Teatro Maria Vitória e no Parque Mayer, com a estreia de mais uma Revista à portuguesa. Desta vez aconteceu a antestreia no passado dia 5 de setembro da revista "Parque Mania". Um espectáculo, como sempre, que mantém a tradição da verdadeira Revista à portuguesa, de uma Companhia entusiasta e talentosa. Com textos da autoria de Miguel Dias, Flávio Gil e Renato Pino, músicas da autoria de Eugénio Pepe, Miguel Dias e Carlos Pires, a encenação, coordenação e direcção de ensaios de Flávio Gil, com os actores Paulo Vasco, Flávio Gil, Rosa Maria Villa, Susana Cancela, Pedro Silva, Patrícia Teixeira e como revelação e atracção do fado Elsa Casanova, com uma voz inconfundível. Uma Revista à portuguesa como sempre com muita luz, cor, fantasia, glamour, quadros hilariantes com rábulas muita bem escritas e magnificas interpretações, sempre com a crítica social, política e desportiva à mistura, que diverte e faz pensar na realidade que vivemos no nosso pais assim como no mundo. Conta ainda com belíssimas canções e fantásticas coreografias. Estão uma vez mais todos mas todos de Parabéns, desde técnicos, cenógrafos, costureiras, patrocinadores e todos os que colaboraram de forma directa e indirecta por todo o trabalho e empenho demonstrado em mais este novo projecto, que para além de divertir mantém viva a tradição do verdadeiro e único teatro de Revista à portuguesa. Sem levantar muito o "véu", pois há muitas e boas surpresas, é um excelente espectáculo de revista a não perder e que vale a pena assistir no Teatro Maria Vitória no Parque Mayer.


De Quinta a Sexta-feira às 21:30h

Sábado e Domingo às 16.30h e 21:30h


Viva pois o teatro, Viva a Revista, Viva o Teatro Maria Vitória..!




Cartaz principal da Revista à portuguesa "Parque Mania" no Teatro Maria Vitória em 2018 (arq. priv.)
 



 
Cartaz sob a entrada das bilheteiras do Parque Mayer no dia da antestreia
da Revista à portuguesa "Parque Mania" (fotos Filipa Gaspar)



Teatro Maria Vitória no dia da antestreia da Revista à portuguesa Parque Mania
(foto Filipa Gaspar)



 
Exterior do Teatro Maria Vitória na noite da antestreia da nova Revista à portuguesa
"Parque Mania" em 5 de setembro de 2018 (fotos Paulo Nogueira)



Palco do Teatro Maria Vitória com alguns convidados no dia da antestreia
da Revista à portuguesa "Parque Mania" (foto RD)




Agradecimentos finais do elenco e equipa de produção em palco na noite da antestreia
da nova Revista à portuguesa "Parque Mania", no Teatro Maria Vitória
(fotos Paulo Nogueira)











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Texto:
Paulo Nogueira



Fontes e bibliografia:
REBELLO, Luiz Francisco, História do Teatro de Revista em Portugal. Vol.I. e II., Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1984
TRIGO, Jorge / REIS, Luciano, Parque Mayer, (1922/1952) Vol.I., Editora Sete Caminhos, Lisboa, 2004
DIAS, Marina Tavares, Lisboa Desaparecida, vol. 9, Quimera Editores Lda, Lisboa, 2007
Publicação on line Teatro Maria Vitória