sábado, 30 de maio de 2020

AS EPIDEMIAS EM LISBOA E PORTO DURANTE O REINADO DE D. PEDRO V E AS POSTERIORES


     Sua propagação e prevenção até às novas epidemias dos nossos dias...

 




Em 1856 desenvolveu-se em Lisboa e no Porto uma epidemia de cholera morbus ou cólera morbus, o mesmo sucedendo em muitos outros pontos do país, fazendo consideráveis números de vítimas. No ano seguinte, 1857, outro flagelo, que se tornou ainda mais devastador, a febre-amarela, veio assolar a capital. De relembrar que as condições sanitárias das cidades nesta época eram poucas ou nenhumas. Na cidade de Lisboa em especial e nos bairros mais pobres, as condições sanitárias eram más, os despejos eram feitos para a via pública, existindo inclusivamente o termo; "água vai", utilizado quando se faziam os despejos para a via pública, imposto por edital municipal de 1809, de modo a avisar os transeuntes que no momento estivessem a passar. Nos bairros típicos de Lisboa e Porto as condições dos seus habitantes era deplorável, muitas habitações adaptadas de antigos palacetes onde famílias numerosas estavam confinadas em pequenas divisões, pátios insalubres ou até em barracas, a água por vezes recolhida de poços e fontanários sem condições, a falta de higiene, a  má alimentação, tudo factores que ajudaram a proliferar a doença. Mesmo a recolha de lixo e limpeza das vias públicas, existia, mas era deficiente. Governava Portugal o jovem futuro rei D. Pedro V (1837 - 1861), sob a regência de seu pai o rei consorte D. Fernando II (1816 - 1885), quando essas epidemias atingiram especialmente o Porto e a região norte de Portugal em 1855, assim como o Algarve, a região mais a sul, e no ano seguinte chegou a Lisboa e às ilhas. Já em maio de 1854, começaram a morrer pessoas, e medidas de quarentenas foram postas em prática. Nessa fase ainda se negava a epidemia em Portugal, os convívios sociais públicos e as tradicionais feiras, com pouca higiene, ainda se praticavam com muito à vontade. Desta forma D. Pedro V depara-se com este flagelo no seu Reino, que no entanto soube desde o inicio contornar da melhor forma possível, mantendo sempre os seus fieis princípios, tentando manter igualmente o bem estar e a saúde publica, já que a ciência perante esta doença pouco ou nada podia fazer. A cholera morbus, ou "gérmen cholérico", como a doença era designada, a epidemia mais repetida, expressão que designa o cólera propriamente dito, mas também outras doenças gastrointestinais epidémicas que se lhe assemelham. O estado actual dos conhecimentos identifica o cólera como causado pela bactéria Vibrio cholerae (identificado por Robert Koch em 1883). A sua transmissão faz-se por meio de águas ou alimentos contaminados. Os primeiros sintomas são fortes diarreias, seguidos de desidratação, febres altas, vómitos, dores abdominais. Nos casos mais graves esses sintomas seguem-se a queda de temperatura corporal e a morte.




Alusão à epidemia da cólera morbus de Lisboa em 1856 (col. Museu do Chiado, Lisboa)




Representação em gravura inglesa dos maus hábitos sanitários
na cidade de Lisboa com o termo "água vai "
no início do século XIX (col. pess.)

 
 
Paciente vítima de cólera morbus e forma de transporte
 no início do séc. XIX (col. pess.)
 
 


Porto com vista da Serra do Pilar na década de 1850, por J. P. Monteiro (col. priv.)



Aspecto de ambiente pobre e insalubre da rua da Reboleira no Porto
 na década de 1850 (col. pess.)



Lisboa em meados de 1850, por William James Bennett (col. priv.)



Ambiente com poucas condições de salubridade no séc. XIX
no Pátio do Prior em Lisboa, por Alfredo Roque Gameiro
 (col. priv.)



Alusão ao grande flagelo e propagação da cólera morbus
nas populações no séc. XIX (col. pess.)



Ambiente sem condições sanitárias e salubridade no séc. XIX no Pátio do Peneireiro em Lisboa,
por Alfredo Roque Gameiro (col. priv.)



Ambiente degradado e sem condições sanitárias no séc. XIX na zona dos Terramotos em Lisboa,
por Alfredo Roque Gameiro (col. priv.)



Representação do sistema de recolha de lixo na cidade de Lisboa em 1856,
num desenho do rei consorte D. Fernando II
(col. Palácio Nacional de Sintra)




D. Pedro V aos 17 anos em 1854, por W. Corden
(col. Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa)



Convívio social no Passeio Público de Lisboa em1856 num período de epidemia
durante uma visita do rei consorte D. Fernando II,
por Leonel Marque Pereira (col. priv.)



A tradicional Feira do Campo Grande em Lisboa no início da década de 1850
por J. P. Monteiro (arq. BNP)



Descrição do ambiente que se vivia em meados de 1856 com as vítimas fatais
da cólera morbus nas grandes cidades (col. pess.)




A maioria dos jornais na época, não só em Portugal como no estrangeira, dedicou grande atenção a essa doença, divulgando as medidas sanitárias e as preocupações das autoridades públicas, além de emitir opiniões sobre as mesmas. Foram dois anos de triste memória, que enlutaram milhares de famílias em Portugal, extinguindo-se muitas delas completamente, deixando muitas crianças na orfandade. As populações católica em desespero recorriam à fé, fazendo promessas e ex-votos aos santos da sua devoção para a cura de tal epidemia.  No entanto um novo surto irá surgir em outubro de 1855, com cerca de 54 casos. Os hospitais e locais de isolamentos para estas vítimas da cólera morbus apinhavam-se de pacientes, como o Hospital Real de São José, principal hospital à época em Lisboa e nas enfermarias criadas para o efeito em dependências do Aljube e na Casa Pia. 
As citações dos jornais da época mostram bem a opinião generalizada sobre esta doença.
 "Em geral, todas as pessoas que têm sido atacadas pertencem às classes menos abastadas da sociedade; tem sido gente mal vestida, mal alimentada e de vida pouco regular" in jornal O Comércio, 6 dez. 1855, pag.2.
"As classes mais atacadas de preferência têm sido aquelas em que se dá a carência de bons alimentos e têm sempre desprezado as mais simples regras de higiene" in jornal O Século, 1 jul. 1855, p.2.




Ilustração de origem inglesa do séc. XIX alertando onde o perigo da cólera morbus
poderia estar para risco das populações (arq. pess.)



Vítimas da cólera morbus em agonia numa publicação francesa de 1854 (arq. priv.)



Ex voto atribuído a Nossa Senhora das Necessidades por uma cura da cólera morbus em 1855
(col. priv.)



Enfermos em isolamento vitimas da cólera morbus em 1855 (arq. priv.)

 

Pórtico da entrada sul do Hospital Real de São José no séc. XIX onde se apinhavam
a maioria das vítimas da cólera morbus da região de Lisboa (col. pess.)




De facto, os pobres eram sempre os primeiros a ser vítimas nessas epidemias e os que tinham maiores taxas de mortalidade, devido ás condições de higiene e o consumo de águas por vezes contaminadas que eram as maiores causas de transmissão. Depois a epidemia tornou-se benigna até abril de 1856, mas o número de casos voltou a subir até agosto, quando aconteceu um novo pico. Extinguiu-se no início de novembro de 1856. Houve 2997 mortes em 1856, um terço do total de óbitos desse ano no país todo. Houve, no entanto, a consciência de que um vazio se instalou na cidade de Lisboa reflectindo um processo de desertificação que traduziu a ameaça de desorganização social, resultado da ruptura desumana introduzida no viver quotidiano. Assim, as actividades diárias no campo económico, social e político ressentem-se de tal forma que ficam paralisadas. A própria natureza do flagelo obriga ao isolamento voluntário de cada um sobre si mesmo, temendo o outro pelo risco de contágio. A cidade de Lisboa, principalmente em 1857, apresentava um aspecto muito triste, em especial na parte baixa da cidade, viam-se encerrados numerosos estabelecimentos; uns, por os seus proprietários terem falecido, outros por terem saído de Lisboa, fugindo ao terrível contágio das epidemias sucessivas. O terror geral era indescritível não poupando classes sociais ou raças; por ordem do governo, jornais foram proibidos de dar longas notícias sobre os falecimentos, assim como o número e nomes das vítimas, que chegavam a ocupar diariamente muitas colunas.

 

 
Fontanário público no séc. XIX no Largo da Achada em Lisboa,
onde a água era um risco para a população que dela dependia, 
 por Alfredo Roque Gameiro (col. priv.)
 
 

Aspecto da praça do Rossio em Lisboa, vazia durante o período da epidemia de cólera morbus
na década de 50 do séc. XIX (arq. priv.)
 


Largo dos Remolares em Lisboa em meados dos anos 50 do séc. XIX vazio
durante o período da epidemia de cólera morbus
(arq. Centro Português de Fotografia)



O derradeiro momento de um enfermo vítima de epidemia na década de 1850
 perante a impotência do cuidador (arq. priv.)



A epidemia não escolhe classes sociais, neste quadro de Pavel Fedotov mostra uma morte por cólera
em meados do século XIX (col. priv.)




O jovem rei D. Pedro V, perante tanto sofrimento e terror das populações soube lidar de forma inteligente e até corajosa, sempre dedicado ao seu povo e às questões sociais. Tomando medidas e dando o apoio possível para a qual a medicina não tinha respostas eficazes. Mantendo-se na cidade de Lisboa quando muita da população que tinha hipótese a abandonou. O monarca confortava com a sua presença nos hospitais as vítimas desta epidemia, nunca os abandonando, foi, segundo os registos da época, incansável, sofrendo por eles contra um inimigo invisível, sendo um exemplo de governador no meio do caos. Em 1857,  ainda mal a epidemia de cólera morbus tinha abrandado já um surto de febre-amarela ocorre em Lisboa, principalmente nas zonas ribeirinhas, onde predominavam grandes lamaçais e proliferavam pragas de mosquitos. Tal foi o alarde social provocado pela horrível doença hemorrágica, também conhecida como "vómito negro". A causa principal eram os mosquitos das zonas ribeirinhas por norma com águas conspurcadas. A febre-amarela, doença viral aguda, na maior parte dos casos, os sintomas incluem febre, moderadamente elevada, náuseas, queda no ritmo cardíaco, fadiga, hemorragias e vómito com sangue. Em alguns pacientes, no prazo de um dia após os sintomas melhorarem, a febre regressa, aparecem dores abdominais e as lesões no fígado causam icterícia. Quando isto ocorre, aumenta o risco de insuficiência renal o que leva à morte. Tal facto de alardo social, não se deveu simplesmente ao número elevado de casos detectados (15.000) e ao número de mortes daí decorrentes, mas ao pânico gerado por se tratar de uma doença pouco conhecida que apanhou de surpresa as próprias autoridades públicas. Os enterros passaram a fazer-se de noite, de forma simples e discreta, não sendo permitidas as pompas fúnebres, apenas uma sege conduzindo o morto e o padre para o acompanhar. Os hospitais não eram suficientes para abrigar o enorme número de pacientes, tendo por ordem regia de D. Pedro V sido organizados alguns espaços provisórios em certos pontos da cidade para acolher os pacientes.




O jovem rei D. Pedro V com 20 anos sempre dedicado ao seu povo
 e às questões sociais (col. pess.)



D. Pedro V em visita aos doentes vitimas da cólera morbus em Lisboa (arq. pess.)



Aspecto da praia da Rocha do Conde de Óbidos, uma zona ribeirinha insalubre
de Lisboa no séc. XIX, por Alfredo Keil (col. priv.)



Descrição dos vários estágios sintomáticos num paciente com febre amarela
em ilustração do séc. XIX (arq. pess.)



Médicos em hospital cuidando de pacientes com febre-amarela em 1858 (arq. pess.)



Transporte de vítimas das epidemias nos anos 50 do séc. XIX (arq. priv.)



Cortejo fúnebre em Lisboa no séc. XIX (arq. priv.)




Os tratamentos contra estas epidemias eram mínimos pois não existiam meios científicos de o puder fazer eficazmente. A utilização das panaceias típicas da época como a prática das sangrias, uso de purgantes e conselhos de sobriedade aos pacientes. Todos estes métodos eram inúteis e ineficientes. Numerosas procissões de penitência percorriam as ruas da capital, e nas igrejas todos os dias se entoavam preces. Neste desespero, estas populações, ainda com alguma ignorância, acreditavam que este flagelo epidémico era um castigo divino pelos seus pecados, daí muitas procissões aconteciam para, na sua fé, se redimirem. O comércio, os teatros e outros divertimentos públicos fecharam. A consternação era geral, as ruas da cidade viam-se praticamente desertas, o terror via-se estampado em todas as fisionomias. De novo os hospitais voltavam a ficar lotados de pacientes, outros recebiam cuidados em casa, muitos habitantes de Lisboa abandonaram a cidade, indo viver para os arredores como Campolide, Benfica e Vale do Jamor, assim como para outras terras distantes. Altos funcionários e outros empregados públicos, capitalistas, negociantes e o próprio patriarca, saem da capital com o intuito de isolamento social. As próprias autoridades para este facto concordaram em suspenderem as aulas nos principais estabelecimentos de ensino e ao limitarem os contactos com o exterior nos quarteis, nos asilos, nas prisões, na Misericórdia e na Casa Pia de Lisboa. Os espectaculos e divertimentos tendem a rarear o que, alias, acontece com o Passeio Publico de Lisboa. Novamente a falta de higiene e de condições sanitárias na cidade estiveram por de trás desta e outras epidemias. Antecipando estes acontecimentos, já em 1851, João Félix Henriques Nogueira (1823 - 1858), escrevia sobre este mal endémico o seguinte: "Quem há que não conheça os estragos que em mais de metade do nosso país produzem as febres intermitentes ou sezões ? Povoações temos onde na queda do Estio só aparecem rostos magros e macilentos, e pobres doentes, embrulhados em mantas e estirados ao sol (...). "Dê-se água de boa qualidade às povoações sequiosas, e onde a não houver filtre-se cuidadosamente. Encanem-se os rios; sangrem-se os charcos e pauis: cubra-se de arvoredo o terreno, que se enxugar - e por este modo, com que bastante lucra a agricultura, ter-se-á convertido em salubre, ou incomparavelmente menos doentia uma localidade sezonática" (in: Estudos sobre a Reforma em Portugal, 1851). Todos este período seria de uma enorme crise sanitária na cidade de Lisboa como outros que iriam ocorrer mais tarde.




Cuidados com paciente vítima de epidemia em 1858 (arq. pess.)



Procissão nas ruas de Lisboa para redenção dos pecados que trouxeram à cidade a epidemia de febre amarela
 nos anos 50 do séc. XIX (arq. pess.)



O vazio da cidade de Lisboa causado pela epidemia na Praça do Rossio e Teatro D. Maria II
 prova em albumina, de Francesco Rocchini, photographo (arq. priv.)



Passeio Público em Lisboa, a alameda central vazia sem transeuntes
em finais da década 50 do séc. XIX (arq. AML)
 



Aspectos do Largo do Corpo Santo em Lisboa em tempo de epidemia da cólera morbus em 1856
 (arq. AML)



São Domingos de Benfica, local nos arredores de Lisboa escolhido para o refugio 
durante as epidemias no séc. XIX, por Maria Guilhermina Silva Reis (col. priv.)
 


Vale de Campolide, local de refúgio das populações durante as epidemias dos anos 50 do séc. XIX,
por Tomás da Anunciação (arq. BNP)



Vale do Jamor, um dos locais dos arredores de Lisboa escolhido
 para fugir às epidemias da cidade de 1858 (arq. pess.)

 

No meio desta pavorosa e angustiante situação continuava a sobressair a figura do jovem monarca D. Pedro V que, apesar dos conselhos de quantos o rodeavam, insistia em não abandonar Lisboa, e qual outro apóstolo do bem e da resignação, continuando a dirigir-se aos hospitais, sentando-se junto dos leitos dos enfermos, a quem dirigia palavras de esperança e conforto. Quando os ajudantes que o acompanhavam nestas piedosas visitas lhe pediam que não se expusesse assim tanto ao terrível contágio, respondia secamente que se tinham medo o deixassem, que ele podia ali estar só. Este acto de abnegação e caridade causou a maior impressão em toda a gente e a admiração até dos estrangeiros. O pintor inglês Thomas Jones Bark viria a imortalizar numa famosa pintura uma destas visitas do rei D. Pedro V aos enfermos vítimas da febre-amarela em 1858. Um rapaz que apenas contava 21 anos de idade, dando um exemplo tão grandioso de amor pelos que sofriam, procurando suavizar-lhes o sofrimento, ao menos animando-os com a sua presença. Como governante o rei D. Pedro V foi um liberal de espírito moderado, num período de grande prosperidade trazida por ele a Portugal, herda no entanto um reinado tormentoso, tendo-se distinguido pela superior consciência dos problemas do seu país. Estudava com minúcia as deliberações governamentais propostas. Ordena neste período critico a abrir um crédito extraordinário de 10000$000 réis para acorrer às despesas da saúde pública. Presidida por António de Melo Breyner Teles da Silva (1806 - 1893),  marquês de Ficalho, par do Reino, formou-se uma comissão para assegurar a entrega gratuita de uma sopa diária económica à população mais atingida pela epidemia em especial aos órfãos desprotegidos. Foi durante o seu reinado que se instituíram as regras eficazes de limpeza e recolhas de lixo nas ruas da capital de forma organizada e com novos métodos.




Rei D. Pedro V aos 21 anos em 1858 (arq. priv.)



O jovem rei D. Pedro V visitando os enfermos em hospital vítimas da cólera morbus,
 imortalizado por Thomas Jones Barker em 1858 (col. priv.)



Entrega gratuita de uma sopa diária económica à população mais atingida pela epidemia
em especial aos órfãos desprotegidos instituída em 1858 (arq. pess.)
 
 

Veículo de recolha de lixo na cidade de Lisboa no início do séc. XX
mas que se manteve desde os meados dos séc. XIX (arq. AML)


 

O rei D. Pedro V granjeou por tudo isso uma enorme popularidade, pelas grandes obras públicas efectuadas, por ser um monarca infatigável e meticuloso soberano que se dedicava afincadamente no governo do país, estudando com minúcia as deliberações governamentais propostas e os impactos delas, para que ninguém o pudesse acusar de assinar algo de que não tinha conhecimento. Este tipo de postura perante a sua governação, revelou que o monarca se recusou a ser um mero "rei-carimbo". D. Pedro V governou, de facto, de uma forma individualizada, o que lhe valeu uma grande popularidade. Era um rei, que apesar das suas características de solidariedade e de carinho pelo seu povo, era austero,  exigente consigo e muito critico com os políticos de então. Desesperava os seus ministros, pedindo-lhes relatórios detalhados de tudo e sobre todos os assuntos. As epidemias de cólera mórbus e de febre-amarela das décadas 50 e 60 do século XIX, coincidindo grosso modo com o período de afirmação da Regeneração, permitem-nos conhecer os problemas políticos e sociais numa fase de estabilização relativa da Monarquia Constitucional. Para tentar colmatar esta questão, já a 10 de dezembro de 1857, tinha sido organizado pela Academia das Ciências o Congresso Sanitário para que se tomarem as "providências higiénicas e preventivas adoptadas pelo Governo de sua Majestade". Em relatórios dos anos seguintes propunha-se a criação de uma cidade nova, com melhorias no sistema de esgotos e abastecimento de água ou até mesmo na largura das ruas.  A Academia das Ciências tenta perceber de que melhoramentos carece Lisboa para proteger a população das epidemias, entre esses melhoramentos um sistema público de água potável seria essencial. Desse encontro nascem as principais orientações que seriam fixadas legalmente em 1864 no Decreto de João Crisóstomo de Abreu e Sousa (1811 - 1895). A epidemia de febre amarela atingiu o seu pico no mês de outubro de 1857 quando vitimava 250 pessoas por dia, abrandando depois com o início do Outono e extinguindo-se com o começo do Inverno devido às temperaturas mais baixas neutralizando o desenvolvimentos dos mosquitos.  Esta epidemia seria dada como extinta em dezembro de 1858 tendo sido realizado um "Te Deum" de acção de graça pelo fim do flagelo.  Aos poucos a vida em finais da década de 50 do século XIX tanto na cidade de Lisboa como do Porto, voltou à normalidade, os números de vítimas foi reduzindo, mas tudo graças a muitos cuidados e novos hábitos de higiene que mudaram na população. Uma cura eficaz e vacina para a febre amarela só seria descoberta em 1937. Pouco a pouco foram rareando os casos, que até então eram numerosos todos os dias, e quando chegou o fim de dezembro a febre amarela estava completamente extinta, restando os choros, os lamentos das pessoas que tinham perdido parentes queridos e crianças órfãs, que se viam sós, entregues à mais profunda tristeza e saudade. Por iniciativa do rei D. Pedro V, é criado em 1857 o Asylo da Ajuda. Destinava-se a recolher os órfãos de ambos os sexos, filhos das vítimas da cólera e da febre amarela, ficando instalado num edifício da Calçada da Tapada na Ajuda em Lisboa. A idade de admissão situava-se entre os 7 e os 18 anos, recebendo os órfãos, para além da instrução primária, uma formação diferenciada de acordo com o sexo. As raparigas eram preparadas para futuras criadas de servir, e os rapazes aprendiam um ofício na área da mecânica.

 

 

Rei D. Pedro V considerado um monarca exemplar para o seu tempo
(col. priv.)
 
 

Praça do Comércio com a vida voltando ao seu quotidiano em Lisboa no final da década de 1850
por J. P. Monteiro (arq. BNP)
 
 

Passeio Público em Lisboa voltando a ter transeuntes no final da década de 1850 do séc. XIX (arq. AML)



Vista da cidade do Porto e rio do Douro a voltar ao seu ritmo do quotidiano em meados de 1858 (arq. priv.)

 
 
Rua Nova do Infante no Porto voltando à normalidade no final da década de 1850 (arq. pess.)
 
 

Novo sistema de abastecimento de água
 potável do séc. XIX
para às populações das cidades
(arq. priv.)
 


A súbita morte do jovem rei D. Pedro V em 1861, com apenas 24 anos, vítima de febre tifóide, suscitou uma profunda reacçãao dos contemporâneos devida em parte à coragem e carinho demonstradas pela população lisboeta. Contudo, o seu falecimento foi ainda mais catastrófico do ponto de vista popular por ter destruído a profunda crença na sua aparente imunidade quase sobrenatural a epidemias. A heroicidade do jovem rei havia-se transformado numa garantia e protecção contra a doença. Com as decisões governamentais de 1857, o combate à insalubridade passava pela melhoria das infraestruturas de saneamento, manutenção das condições de higiene, criação de serviços urbanos de limpeza e vigilância das actividades poluentes. Mas a maior decisão incidia nos bairros hoje históricos de Lisboa, devido ao grande número de pessoas a viver aí em más condições. À época, chegou a ser colocada a hipótese de demolir os bairros históricos, como a Mouraria, Alfama e o Bairro Alto. Todos esses bairros estiveram condenados pela falta de salubridade e condições sanitárias em muitos deles existentes. No entanto esses projectos acabaram por ir água abaixo com a crise económica de 1867, que levou a grandes cortes orçamentais no Ministério das Obras Públicas e a cidade pombalina continuou a ser densificada.
Na segunda metade do século XIX, os maiores centros urbanos como Lisboa e Porto tiveram as taxas de mortalidade mais elevadas do país. É opinião unânime entre os historiadores da Epidemiologia que a diminuição da mortalidade, nesta época, se deveu essencialmente às medidas higio-sanitárias, já que a medicina à época não dispunha de meios apropriados para o combate às doenças nem de técnicas eficazes de tratamento. Por isso, a defesa da saúde pública centrou-se essencialmente nas estratégias preventivas, com a promulgação de medidas de higienização, especialmente iniciadas durante a governação do rei D. Pedro V, tendo-se mantido e desenvolvido nos governos seguintes com a adopção de diversas outras medidas. Só no final do século XIX a geografia da capital tomaria novas proporções. A zona ribeirinha de Lisboa entre o Cais do Sodré e Alcântara foi aterrada, dando origem à ampla rua 24 de Julho, mais tarde avenida. A capital começa a crescer mais para o interior com modernas avenidas amplas e arejadas, planejadas, novas habitações com canalização de água potável e rede de esgotos eficiente. Após uma crise epidémica ter terminado o regresso à normalidade em qualquer grupo humano é sempre mais aparente do que real. A ruptura introduzida de forma tão dramática na vida quotidiana das vítimas destas doenças é de tal forma brutal que se torna difícil senão mesmo impossível restabelecer as rotinas do passado. Os sobreviventes procuram esquecer as tragédias que os atingiram e pensar uma nova ordem social na qual os estragos produzidos pela doença podem ser reparados ou prevenidos na "cidade ideal" da política portuguesa oitocentista. Na cidade do Porto é construído em 1884 o Hospital "Goelas de Pau" como era designado ou do Senhor do Bonfim, (designado Hospital Joaquim Urbano a partir de 1914), hospital este criado para receber e isolar os doentes, durante a epidemia de cólera morbus. Instalado numa quinta, num local elevado e arejado que, naquele tempo, era longe do centro da cidade, o que era positivo para evitar contágios.



 
Rei D. Pedro V em 1860, um monarca que granjeou
 carinho e popularidade, óleo sobre tela
 (col. Palácio Nacional de Mafra)



Cortejo fúnebre do rei D. Pedro V, em novembro de1861 in The Illustrated London News (arq. pess.)



Castelo de São Jorge num aspecto do quotidiano da cidade de Lisboa dos anos 60 do séc. XIX,
 numa gravura de Coelho in Archivo Pittoresco (arq. pess.)



Zona renascida dos lamacentos insalubres da zona ribeirinha de Lisboa, o aterro da Boavista em 1863,
numa gravura de Pedrosa in Archivo Pittoresco (arq. pess.)



Lisboa oitocentista vista de Almada, uma cidade recuperada gradualmente dos seus flagelos,
foto Laurent, J. in Archivo Ruiz Vernacci (arq. AML)



Praça do Rossio em Lisboa renascida das epidemias nos finais do séc. XIX (arq. AML)



Rua de São Miguel no bairro de Alfama em Lisboa com condições de salubridade
nos finais do séc. XIX (arq. AML)



Avenida D. Amélia, actual Almirante Reis em Lisboa nos finais do séc. XIX,
exemplo de moderna artéria ampla, arejada e de novas construções
(arq. AML)



Cidade do Porto oitocentista recuperada gradualmente das epidemias já em finais do séc. XIX (arq. priv.)



Alameda do jardim da Cordoaria no Porto em finais do séc. XIX (arq. priv.)



Hospital de infeciologia Joaquim Urbano, vulgo "Goelas de Pau" criado em 1884
 para isolamento epidemiológico  (arq. priv.)



 
Desde estas grandes epidemias ocorridas no reinado de D. Pedro V em diante, foi como que um despertar, outra visão e atitude se passou a ter perante os cuidados nos surtos e a forma de os minimizar nas populações. No entanto foram um aprendizado pois a ciência evoluiu mas novos surtos epidémicos nefastos e devastadores iriam surgir. Como sempre, tal como um inimigo que não se conhece, as novas epidemias surgem como novidade e desconhecimento para a ciência. Com a industrialização das grandes capitais, as populações criam novos aglomerados habitacionais onde as condições de vida muitas vezes não eram as melhores, como a alimentação, o tabagismo, o alcoolismo desde de muito cedo o que vem a causar surtos pontuais de doenças pulmonares, nomeadamente a tuberculose. Em finais do século XIX, o surto epidémico da Bubónica (conhecida anteriormente por Peste Negra), no Porto, fez tremer de pânico a cidade, fazendo algumas vítimas. Tendo sido declarado um cordão sanitário em volta da cidade, para impedir a propagação da síndrome pestífera. Os bairros degradados da cidade e as designadas "ilhas" foram os focos principais onde a epidemia se verificou. No entanto, as operações profilácticas lideradas pelo médico, investigador e político Dr Ricardo Jorge (1858 - 1939),  no sentido de eliminar a peste, como a evacuação de habitações, o isolamento e desinfecção de domicílios, entre outras, desencadearam a fúria popular incentivada por grupos políticos. Seria no entanto esta importante medida profiláctica a forma de controlar a sua propagação e pôr fim a esta epidemia.

Já no século XX, após a Primeira Grande Guerra Mundial o mundo é assolado pela Pneumónica ou vulgarmente conhecida por "Gripe Espanhola". Causada pelo influenza vírus H1N1, provocando nas vítimas problemas respiratórios e pulmonares que levavam à morte. Em Portugal o flagelo surgiu em dezembro de 1917, com picos a partir do final de maio e até agosto de 1918, reacesos entre outubro e novembro desse ano. A epidemia começou por grassar em Espanha, atingindo inicialmente as zonas da raia, daí que fosse popularmente conhecida como "Gripe Espanhola". Nas grandes cidades, nomeadamente em Lisboa, os hospitais à época não suportaram a quantidade de doentes, uma vez mais para além do Hospital de São José, tiveram de ser improvisadas enfermarias e hospitais de campanha em antigos conventos e até o ginásio do Liceu Camões em Lisboa, para assim acolher tão elevado número de vítimas. Na Vila de Sintra foi criado um hospital para acolher os pacientes desta localidade e das localidades limítrofes. Na cidade do Porto o Hospital de Santo António acolheu o maior número de pacientes desta pandemia. As condições  sociais das populações nesta época particularmente conturbada, uma vez mais levaram à proliferação desta epidemia pelas grandes cidades, vilas e zonas mais recônditas. Novamente o medo do contágio levou a encerrarem-se fábricas, grandes estabelecimentos comerciais, escolas e outros serviços púbicos nas grandes cidades do país. As romarias e feiras foram suspensas ou adiadas temendo-se os ajuntamentos populares e a propagação da pandemia dessa forma. Ainda assim, o contágio atenuou a partir de finais de novembro de 1918, mas o país assistiria ainda a um terceiro surto, na Primavera de 1919, com menor mortalidade. Nunca foi descoberta uma vacina para a Pneumónica, também nunca se descobriu ao certo a sua origem. A epidemia foi desaparecendo gradualmente e a implementação dos cuidados de higiene, o isolamento social e uso de máscaras pelas populações foi a solução para estabilização da epidemia. A primeira vaga foi mortífera mas a segunda seria a mais mortífera de todas, fazendo com que a mortalidade desta epidemia fosse superior a outras que haviam ficado assinaladas pelo número de vítimas fatais, como ocorrera anteriormente com as da cólera morbus (em 1856) e da febre-amarela (em 1857) em Lisboa, bem como à do surto epidémico anterior de gripe, a epidemia dita "russa", em 1889-90. A pandemia de Pneumónica ou "Gripe Espanhola" matou entre 50 a 100 milhões de pessoas em todo o mundo entre 1918 e 1920. Esta pandemia acabou por ser bastante esquecida na esfera pública, continuando, no entanto, presente na memória daqueles que afectou e seus descendentes.  
 



Aspecto de higienização dos produtos no Mercado do Anjo no Porto em finais do séc. XIX (arq. priv.)



Aspecto de uma ilha na cidade do Porto onde a chamada peste Bubónica
se desenvolveu em finais do séc. XIX na rua de São Victor (arq. priv.)



População de rua pobre numa ilha da cidade do Porto em finais do séc. XIX
onde a epidemia de Bubónica se desenvolveu (arq. priv.)



Durante a peste Bubónica de 1899 no Porto, bombeiros desinfestando um caixão de vítima,
foto Phot.ª Guedes (arq. priv.)



Dr. Ricardo Jorge 1858 - 1939 (arq. priv.)




Notícia de um jornal da época sobre os avanços da Pneumónica
ou "Gripe Espanhola" na segunda vaga  em 1918
(arq. priv.)



Pacientes vítimas da Pneumónica recebendo cuidados em enfermaria em 1918 (arq. priv.)



Hospital de São José em Lisboa onde foram acolhidas grande parte das vítimas da Pneumónica em 1918
(arq. AML)



Liceu Camões em Lisboa transformado em hospital de campanha provisório para acolher as vítimas
da Pneumónica em 1918 (arq. AML)



Visita do provedor da Misericórdia e equipa de hospital provisório criado na Vila de Sintra em 1918
para acolher pacientes vítimas da Pneumónica (arq. priv.)
 


Curiosa foto, que se tornou viral, de como uma família em 1918 se protegia
do contágio da Pneumónica (arq. priv.)



Enfermaria com pacientes vítimas da Pneumónica em 1919 (arq. priv.)
 



Já nos anos 70 do século XX, mais propriamente entre maio e setembro de 1974, ainda houve dois surtos de cólera morbus em Portugal, não tão fortes e nefastos como os anteriores. Uma vez mais as zonas mais degradadas da cidade de Lisboa foram as mais atingidas tendo-se registado mais de 1600 casos e resultando em 41 vítimas mortais. Na época a comunicação social, tal como hoje, teve um importante papel na divulgação dos cuidados a ter e da higienização, com cartazes e até um pequeno desenho animado acompanhado de um tema musical na televisão. Outra medida de prevenção foi a distribuir pelas populações de maior risco pequenas embalagens com lixivia para colocar doseadamente na água potável antes do seu consumo. Outros conselhos era o de ferver a água dos poços antes de a consumir assim como a lavagem dos produtos hortícolas. Não se chegou à calamidade que foi a de outrora com as anteriores epidemias.
Ontem como hoje outras epidemias e pandemias surgem, umas com impacto mais nefastas que outras. Exemplo disso mesmo a pandemia que vivemos actualmente com o novo coronavírus ou COVID-19, doença provocada pelo novo coronavírus SARS-COV-2, que pode causar infecção respiratória grave como a pneumonia e nas vítimas mais debilitadas pode levar à morte. Para além de altamente mortífera para o ser humano esta a ser  mortífera para a economia mundial. Inicialmente surgiu como epidemia na China mas logo se alastrou ao resto do mundo tornando-se numa pandemia. Pandemia esta comparada a uma guerra em que o inimigo uma vez mais é invisível mas que espreita a cada esquina. Nesta pandemia, exactamente como no passado não existe até esta data um tratamento ou vacina, pois a sua origem é incerta, uma vez mais e tal como nos exemplos anteriores que se vivenciaram a aposta é na prevenção e cuidados de higiene das populações. Cuidados que passam entre outros pelo confinamento e isolamento social, uso de máscaras de protecção, viseiras e higienização das mãos com sabão ou álcool gel desinfectante. Devido ao estado de Emergência imposto no país, por esta pandemia, novamente as ruas das cidades como Lisboa, do resto do país e no mundo, ficam desertas como à muito não se via por precaução das populações, cuidados no dia a dia e nos transportes públicos estabelecem-se. Os hospitais em Portugal não chegaram à roptura, como se verificou em muitos países do mundo e os sempre heróis desconhecidos destes períodos da história, cuidaram dos pacientes como puderam e com os meios possíveis de forma a salvar vidas e a proteger outras.  Melhores dias viram, todos acreditamos, novos hábitos, novas medidas e mudanças surgem nas rotinas diárias das populações mundiais no sentido de travar a sua propagação assim como o seu combate pelo mundo. Uma vez mais torna-se difícil senão mesmo impossível restabelecer as rotinas do passado e nada será como dantes. A história repete-se e com os erros, assim como com os excelentes exemplos das populações e governantes do passado, tentamos melhorar o presente para um futuro melhor. Fica pois uma simples homenagem e agradecimento a todos os profissionais, sem excepção, que directa e indirectamente lutaram e lutam, até à data da publicação deste artigo, contra este inimigo invisível uma vez mais.




Ilustração da vibrio cholerae a bactéria que causa cólera, vista ao microscópio eletrónico (arq. priv.)



Bairro de lata na zona de Lisboa nos anos 70 onde os casos de cólera novamente se fizeram sentir (arq. priv.)




Ilustração de denominação do coronavírus ou COVD 19 (arq. priv.)



Alusão à pandemia do COVID-19 pelo mundo em 2020 (arq. priv.)



Profissional de saúde em cuidando de pacientes do COVID-19 em 2020 (arq. priv.)



Tendas montadas no exterior do Hospital de Santa Maria em Lisboa para dar apoio a doentes
 suspeitos de COVID-19 em 2020 (arq. priv.)
 


Tendas montadas no exterior do Hospital de São João no Porto para dar apoio a doentes
suspeitos de COVID-19 em 2020 (arq. priv.)



Alerta do SNS para os sintomas do COVID-19 em 2020
 


Alerta do SNS para o uso de máscara de protecção contra o COVID-19 em 2020



Uso de álcool gel desinfectante como medida de higienização
nas rotinas do dia a dia das populações (arq. priv.)



Campanhas de prevenção em out doors publicitários na cidade de Lisboa em 2020 (arq. priv.)
 


Medidas de isolamento impostas durante o estado de Emergência ao COVID-19
nos autocarros da CARRIS em Lisboa em março de 2020 (foto Paulo Nogueira)



População protegida contra a pandemia do COVID-19 no metropolitano de Lisboa em 2020
(foto Paulo Nogueira)



Uma artéria de Lisboa vazia durante o estado de Emergência
imposto por segurança à pandemia COVID-19
em março de 2020 (foto Paulo Nogueira)



Aspecto da Praça da Figueira durante o estado de Emergência imposto por segurança
 causado pelo COVID-19 em março de 2020 (foto Paulo Nogueira)



 
 

Aspectos da Praça do Rossio vazio durante o estado de Emergência imposto por segurança
 causado pelo COVID-19 em março de 2020 (foto Paulo Nogueira)



Aspecto do Largo D. João da Câmara durante o estado de Emergência imposto por segurança
causado pelo COVID-19 em março de 2020 (foto Paulo Nogueira)




Alerta do SNS para os cuidados básicos na prevenção contra o COVID-19 
e contacto em caso de dúvida em 2020





Exemplos de homenagens às forças de segurança e profissionais de saúde um pouco por todo o pais
na luta e apoio às vítimas do COVID-19 em 2020 (arq. priv.)








Texto :
Paulo Nogueira


Fontes e bibliografia:
VAZ, Francisco d'Assis Sousa, RELAÇÃO HISTORICA, Statistica e Medica da Cholera-Morbus em Paris, precedida da Topographia desta Capital,1833NOGUEIRA, João Félix  Henriques, Estudos sobre a Reforma em Portugal, Lisboa, 1851
PENTEADO, Manuel, A Peste Descrição-Terapêutica, Prophylaxia, Lisboa, Companhia Nacional, 1899
SERRÃO, Joaquim Veríssimo, HISTÓRIA DE PORTUGAL, vol. IX O Terceiro Liberalismo, [1851 -1890], Editorial Verbo, Lisboa, 1986
RODRIGUES, Teresa Ferreira, Nascer e Morrer na Lisboa Oitocentista: migrações, mortalidade e desenvolvimento, Lisboa, Ed. Cosmos, 1995
FRADA, João, A Pneumónica em Portugal Continental: estudo socioeconómico e epidemiológico com particular análise do concelho de Leiria. Editora Sete Caminhos, Lisboa, 2005
Sitio on-line SNS Serviço Nacional de Saúde 




5 comentários:

  1. Lisboa sempre foi uma capital porca, até a meados do século XX, em parte, por ser um porto importantíssimo. No reinado de D. José I, os dejetos corriam pelas ruas da Baixa (antes do terramoto) e a Camara Municipal, sob pressão do próprio rei, tentou pôr cobro aessa situação e contratou funcionários, cuja missão era proceder à medição dos dejetos no Terreiro do Paço. Eram os "bardeiros", que iam "bardar" (medir) a porcaria à beira rio. Daí vem a expressão "vai à barda merda", ou seja, "vai medir a porcaria", o que era extremamente reles.

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  2. Muito bem escrito, iniciando as doenças do sec 18 ate os dias atuais com a pandemia covid 19, as gravuras acima demonstram ótima pesquisa .
    parabén.

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  3. Gostei de ler e ao mesmo tempo,nesta leitura, revi a situação que estamos a passar, com muitas semelhanças.
    Nunca pensei, no perigo que é atravessar uma epidemia.
    O Rei D. Pedro V, apesar de muito jovem, era um ser humano de grande coração.
    Triste, foi falecer tão cedo e também por epidemia.
    Obrigado Paulo, por partilhar este seu trabalho, deveras interessante.

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  4. Óptimo texto. Já vai sendo raro conseguir ler-se textos com informação devidamente pesquisada. Muito obrigada.

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