terça-feira, 28 de janeiro de 2020

GRANDES ERROS DA HISTÓRIA E DA HUMANIDADE


Diz-se que errar é humano e o ser humano sempre cometeu erros, sem os erros, certamente não chegaríamos aos acertos. No entanto existem erros que ficam para a história. Seja um simples erro doméstico, a um erro no mundo do desporto, que pode levar a uma derrota, um erro a nível profissional ou técnico, que pode levar a uma verdadeira tragédia, outros erros resultaram em grandes descobertas quer a nível científico quer a nível de sucessos nas artes e letras. Ao longo da história da humanidade ocorreram vários erros com marcas, algumas profundas, que ficaram até aos nossos dias, na história do mundo e de nações. São alguns desses erros mais marcantes da história e da humanidade que aqui vão ser brevemente recordados.


"A história dos homens é um imenso oceano de erros, no qual se vê á tona uma ou outra verdade mal conhecida."

CESARE BECCARIA





Naufrágio do RMS Titanic
 
O RMS Titanic foi um navio de passageiros britânico operado pela companhia White Star Line e lançado ao mar em 31 de maio de 1911. O RMS Titanic foi pensado para ser o navio mais luxuoso e mais seguro de sua época, gerando lendas que era supostamente "inafundável". No entanto durante a sua viagem inaugural de Southampton para Nova Iorque em 10 de abril de 1912, a tripulação do navio ignorou os avisos de icebergs no seu caminho e seguiu em frente. Já havia percorrido mais de 3600 quilómetros por volta da noite de 14 de abril. De entre os avisos da presença de gelo/icebergs, recebidos durante o dia, estava um do navio cargueiro SS Californian. Às 22h 55min, o SS Californian enviou um outro aviso para todos os navios próximos, inclusive para o RMS Titanic. Porém, o operador de rádio interrompeu o operador da outra embarcação e o mandou parar o envio de mensagens para que pudesse continuar o envio de mensagens dos passageiros para o continente. Logo depois disso o operador de rádio do SS Californian desligou os seus equipamentos e foi dormir, já que não era costume manter os operadores a trabalhar durante a noite. No dia 14 de abril por volta das 23h 40 o navio RMS Titanic bateu num iceberg, raspando todo o seu lado direito e fazendo com que devido ao rombo provocado se afundasse na madrugada do dia seguinte, causando a morte de 1.517 pessoas, tudo em consequência de diversas falhas técnicas e humanas. Segundo os registos era uma noite escura, não havia nuvens nem Lua no céu e a água estava completamente calma; actualmente sabe-se que uma água extremamente calma como aquela encontrada pelo RMS Titanic é um sinal da presença de icebergs por perto, porém isso não era do conhecimento dos marinheiros da época. Este naufrágio destacou vários pontos fracos do projecto, deficiências nos procedimentos de evacuação de emergência e falhas nas regulamentações marítimas da época. Comissões de inquérito foram instauradas nos Estados Unidos e no Reino Unido, levando a mudanças nas leis internacionais de navegação que permanecem em vigor mais de um século depois. O seu número total de mortos foi um dos maiores em toda história do transporte marítimo em tempos de paz.





Curva errada

De acordo com a edição online da 'Forbes', o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand (1863 - 1914), herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a duquesa Sophie de Hohenberg (1868 - 1914), em Sarajevo, capital da Bósnia, em 28 de junho de 1914, ocorreu porque o seu motorista mal informado enganou-se na curva e levou-os em direcção ao assassino, Gavrilo Princip (1894 - 1918). Às 10h 45min da manhã do dia 28 de junho de 1914, o arquiduque Franz Ferdinand e a arquiduquesa Sophie embarcaram no terceiro carro da comitiva durante uma visita a Sarajevo, um modelo Gräf & Stift cabriolé, com o objectivo de visitar no hospital local os feridos causados pelos tumultos ocorridos durante esta visita de estado. A fim de evitar o centro da cidade, o governador Potiorek decidiu que o veículo imperial deveria seguir em linha recta ao longo do cais Appel para o hospital de Sarajevo. No entanto, Potiorek esqueceu-se de informar o motorista, Leopold Lojka, sobre esta decisão, a falta de informação fê-lo fazer uma curva que levou a um erro que seria fatal. Este acontecimento que levou ao assassinato do arquiduque Franz Ferdinand e da sua esposa, vindo a despoletar a Primeira Grande Guerra Mundial um mês depois.





Descoberta milagrosa, a Penicilina

De acordo com o site 'thescienceteacher.co.uk', Alexander Fleming (1881 - 1955), farmacologista, não se preocupava com a higiene quando trabalhava. A Penicilina foi descoberta por mero acaso em 1928 por Alexander Fleming quando saiu de férias e se esqueceu de algumas placas com culturas de micro-organismos no seu laboratório no Hospital St. Mary em Londres. Quando voltou, reparou que uma das suas culturas de Staphylococcus tinha sido contaminada por um bolor, e em volta das colónias deste não existiam mais bactérias. Então, Alexander Fleming e o seu colega, Dr. Pryce, descobriram um fungo do género Penicillium, e demonstraram que o fungo produzia uma substância responsável pelo efeito bactericida: a Penicilina. Esta foi obtida em forma purificada por Howard Florey (1898 - 1968), Ernst Chain (1906 - 1979) e Norman Heatley (1911 - 2004), da Universidade de Oxford, muitos anos depois, em 1940. Eles comprovaram as suas qualidades antibióticas em ratos de laboratório infectados, assim como a sua não-toxicidade. Em 1941, os seus efeitos foram demonstrados em humanos. O primeiro homem a ser tratado com Penicilina foi um agente da polícia que sofria de septicémia com abcessos disseminados, uma condição geralmente fatal na época. Ele melhorou bastante após a administração do fármaco, mas morreu quando as reservas iniciais Penicilina se esgotaram. Em 1945, Fleming, Florey e Chain receberam o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina por este trabalho. A Penicilina salvou milhares de vidas de soldados dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Por curiosidade, a primeira pessoa a ser tratada com penicilina em Portugal, foi o tenente Fernando Ramôa em outubro de 1944, depois de ter sofrido um grave acidente na Base das Lajes, nos Açores, onde estava a cumprir serviço militar. Nessa altura, estavam no arquipélago elementos das tropas Aliadas, envolvidas na Segunda Guerra Mundial, e na posse do que era, então, um quase milagroso segredo: a Penicilina. Foi graças a ela que o tenente conseguiu recuperar da grave infecção decorrente do acidente e a cura pareceu tão extraordinária que a família do portuense preservou, durante décadas, o frasquinho que continha a substância salvadora. O frasco portador da primeira Penicilina administrada a um português ficou, assim, guardado, até ser oferecida ao Museu da Farmácia. Uma importante descoberta na medicina que surgiu por um aparente descuido e esquecimento, o certo é que salvou muitas vidas.


 

 


Decca Records disse 'não' aos The Beatles

De acordo com o jornal Independent, em 1962 a banda de rock The Beatles, formada por John Lennon (1940 - 1980), Paul McCartney (1942), George Harrison (1943 - 2001) e Ringo Starr (1940), terão prestado audições nas instalações da editora Decca Records A&R, em Londres. Após a audição de alguns temas, a empresa rejeitou-os. Dick Rowe responsável da empresa, informou que tinham resolvido não gravar os The Beatles, alegando que grupos de rock com guitarra em breve estariam fora de moda. A grande coincidência é que os estúdios da Decca Records A&R em Hampstead ficavam a menos de 3 kilómetros do Abbey Road Studios da EMI em St. John's Wood. Estúdio onde eles viriam a gravar os maiores sucessos de sua carreira. Assim no dia 4 de setembro de 1962, os quatro elementos do grupo The Beatles entraram no estúdio 2 de Abbey Road para a sua primeira gravação oficial, o tema "Love Me Do", de John Lennon e Paul MacCartney. O registos desta audição na editora Decca Records A&R, somente foram divulgadas 20 anos mais tarde, em 1982.



 
 
Imagens perdidas
 
Aquando da chegada à Lua da missão Apollo 11 em 20 de julho de 1969, às 20:17:39 UTC, composta pelos astronautas Neil Alden Armstrong (1930 - 2012), Michael Collins (1930) e Edwin Eugene "Buzz" Aldrin Jr (1930), tudo foi registado em fotos, vídeos e transmitido para o planeta Terra ao vivo em baixa qualidade por causa da dificuldade de transmissão na época. Segundo a agência de notícias Reuters, quando a NASA mostrou disponibilidade em mostrar as bobines de vídeo com o registo na integra das imagens desse importante acontecimento, foi descoberto que estas tinham sido apagadas e reutilizadas para a gravação de outras imagens. Aconteceu em 2009, quando Richard Nafzger, engenheiro da NASA, descobriu o seu paradeiro, estavam num arquivo de 200 mil fitas que foram apagadas e reutilizadas nos anos de 1970 e 1980 para economizar dinheiro. Essas fitas foram utilizadas para gravar missões posteriores ou até para registar dados electrónicos de satélites (telemetria). Ou seja, as imagens que impressionaram o mundo inteiro podem ter sido substituídas por código binário. A NASA acredita que as gravações originais poderiam conter dados digitais enviados da Lua. Desaparecendo para sempre esse importante e único registo em vídeo.


 


Acidente de Alcafache

O acidente ferroviário de Alcafache, ocorrido na Linha da Beira Alta, em Portugal, a 11 de setembro de 1985, envolveu duas composições de passageiros, uma efectuando uma ligação do serviço Internacional do Sud-Express entre o Porto e Paris, que circulava com 18 minutos de atraso; a outra fazia um serviço de natureza Regional, na direcção de Coimbra. A composição Regional era composta pela locomotiva diesel número 1439, dos Caminhos de Ferro Portugueses, e por seis ou sete carruagens, o Internacional era formado por uma locomotiva com o número 1961, e por cerca de 12 carruagens. O serviço Regional, com paragem em todas as estações e apeadeiros, chegou à estação de Mangualde, onde deveria permanecer até fazer o cruzamento com o comboio Internacional Sud-Express. No entanto, e não obstante o facto de se terem dado ordens para que a prioridade na circulação fosse atribuída ao serviço Internacional Sud-Express, o comboio Regional continuou viagem, estimando que o atraso na marcha do Internacional fosse suficiente para a chegada à estação de Nelas, onde, então, se poderia fazer o cruzamento. Após a partida, o chefe da estação de Nelas telefonou para a estação de Moimenta-Alcafache, para avisar da partida do comboio Internacional, sendo, então, informado, que o serviço Regional já se encontrava a caminho. Prevendo que as composições iriam colidir, tentou avisar a guarda de uma passagem de nível entre ambas as estações, de modo a que esta fizesse parar a composição através da de sinalização ou da colocação de petardos na via, mas não foi possível, porque o comboio já ali tinha passado. Por volta das 18h 37m deu-se a colisão entre as duas composições, a uma velocidade aproximada de 100 quilómetros/hora. O choque destruiu as locomotivas e algumas carruagens em ambas as composições, tendo provocado vários incêndios devido ao combustível presente nas locomotivas e nos sistemas de aquecimento das carruagens. Logo após o acidente, gerou-se o pânico entre os passageiros, que tentaram sair das carruagens. Várias pessoas, entre elas crianças, ficaram presas nos destroços das carruagens, tendo sido socorridos por outros passageiros, outros não conseguiram sair a tempo, tendo morrido nos incêndios ou asfixiadas. Apurou-se que os chefes das estações não comunicaram entre si, e ao posto de comando de Coimbra, como estava regulamentado, a alteração do local de cruzamento de Mangualde para Nelas; tivesse isto sido feito, a discrepância na circulação teria sido notada, e uma das composições teria ficado parada na estação, de modo a se fazer o cruzamento em segurança. Estima-se que, neste acidente, tenham morrido cerca de 150 pessoas, embora as circunstâncias do acidente e a falta de controlo sobre o número de passageiros em ambos os serviços impeçam uma contagem exacta do número de vítimas mortais. A estimativa oficial aponta para 49 mortos, dos quais apenas 14 foram identificados, continuando ainda 64 passageiros oficialmente desaparecidos. Em menos de um ano, o caso é julgado no Tribunal de Mangualde e concluiu-se que "há falha humana, mas não se provou quais ou qual deles falhou". Os funcionários foram absolvidos e no entanto um erro humano que causou o mais grave acidente ferroviário em Portugal.



 

Incêndio de grandes dimensões

Em 4 de maio de 2000, o que começou como uma simples queimada de manutenção em Cerro Grande no Novo México nos EUA, rapidamente passou a um incêndio de enormes dimensões. Com muitas montanhas, Cerro Grande foi coberto principalmente com árvores coníferas floresta de espécies diversificadas. Neste enorme incêndio florestal mais de 400 famílias de Los Alamos, Novo México, perderam as suas casas, este incêndio que durou aproximadamente 3 meses. No rescaldo do desastre, os autores desta queimada ficaram sob intensa crítica para este plano e, particularmente, para prosseguir com ele em face do que pareciam ser contradições poderosas. O principal ponto de discórdia foi o vento. Na primavera, as montanhas onde aconteceu o incêndio são propensas a ventos fortes e baixa humidade que muitas vezes criam elevado perigo de incêndio extremo. Os críticos insistiram que a probabilidade de tais ventos enquanto a queimada controlada estava em andamento era tão grande, e o risco de resultar perda de controle tão grave, que a queimada nunca deveria ter sido tentada. Não houve perda de vidas humanas mas os EUA General Accounting Office estima danos totais de US $ 1 bilião.





Uma explosão fatal

Em 2010, no Golfo do México, uma plataforma petrolífera explodiu. Na plataforma Deepwater Horizon pertencente à Transocean e que estava sendo operada pela BP (British Petroleum), uma torre estava na fase final da perfuração de um poço, no qual iriam reforçar com betão. Este é um processo delicado, pois há possibilidade de os fluidos do poço serem libertos descontroladamente. No dia 20 de abril de 2010 houve uma explosão na torre, e esta incendiou-se. Morreram 11 pessoas em consequência deste acidente, 14 outros foram encontrados com vida. Sete trabalhadores foram transportados para a estação aérea naval em Nova Orleães e levados para o hospital. Barcos de apoio lançaram água à torre na tentativa de extinguir as chamas. A plataforma Deepwater Horizon afundou-se em 22 de abril de 2010 em águas de aproximadamente 1500 metros de profundidade, e os seus restos foram encontrados no leito marinho a aproximadamente 400 metros a noroeste do poço. Quase cinco milhões de barris de petróleo vazaram, contaminando a costa de vários estados americanos. O derrame de petróleo resultante prejudicou o habitat de centenas de espécies de aves. Foi o maior desastre petrolífero da história e o pior desastre ambiental dos Estados Unidos. A BP anunciou em 17 de julho de 2010 ter conseguido estancar temporariamente o derrame de petróleo, depois de instaladas novas válvulas que conseguiram travar o derrame. A punição inicial imposta à petrolífera BP, que explorava a região contaminada, foi o pagamento de 20 biliões de dólares. No entanto, nos últimos cinco anos, as multas e demais cobranças acumularam cerca de 61 biliões de dólares. A última pena imposta foi em julho de 2016: nova quantia de 5,2 biliões de dólares será somada à indeminização pelos danos ao meio ambiente.










Texto:
Paulo Nogueira


Fontes e bibliografia:
"Sobreviventes de Alcafache recordam o maior acidente ferroviário português", in Jornal de Notícias, 11 de setembro de 2010
CALIXTO, Carolina Maria Fioramonti; CAVALHEIRO, Éder Tadeu Gomes. Penicilina: Efeito do Acaso e Momento Histórico no Desenvolvimento Científico. Química Niva Interativa - Sociedade Brasileira de Química, 2011
FAWCETT,Bill, Os 100 Grandes Erros da História, Clube do Autor, Lisboa 2012
 



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