sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

EFEMÉRIDES do dia 8 de janeiro

 
Dia Nacional da Cultura em Angola.

Santo do dia, São Severino de Nórica, (Roma, Itália, 410 d. C. - Itália, 8 de janeiro de 482 d. C.). Severino era um romano de origem nobre que, renunciando aos bens materiais, passou muito tempo sozinho no deserto do Egipto. Viveu durante as invasões bárbaras e no meio desse clima, soube viver o Evangelho e semear a boa nova do Reino de Deus. Em 454, Severino vai até a Nórica, perto do Rio Danúbio, fronteira com o então mundo pagão. Então o jovem cristão tem contacto com os pagãos, acolhe-os em virtude das invasões e da destruição causada pelos bárbaros. Dessa forma, converte muitas pessoas ao cristianismo. Ele vivia fielmente os votos sacerdotais, fazia muita penitência e rezava sempre ao divino Espírito Santo. Como possuía o dom da profecia, avisou com antecedência várias comunidades sobre a sua futura destruição, acertando as datas com exactidão, salvando várias cidades dos ataques bárbaros. Fundou um mosteiro, onde acolhia pessoas que fugiam das guerras e lhes oferecia amparo para a fome física e espiritual. Especialmente venerado na Áustria e Alemanha, o dia em sua honra ocorre no dia da sua morte. Os  restos mortais de Santo Severino encontram-se na igreja dos beneditinos em Nápoles, Itália.
 

 




Em Portugal

1902 - Morre Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque (Quinta da Várzea, Batalha, Portugal, 11 de novembro de 1855 - Lisboa, Portugal, 8 de janeiro de 1902), aos 47 anos. Foi oficial de cavalaria do exército português, que ganhou grande fama em Portugal por ter protagonizado a captura do imperador nuguni Gungunhana em Chaimite, Moçambique em 1895 e pela condução da subsequente campanha de pacificação e subjugação das populações locais à administração colonial portuguesa, no território do que viria a ser a actual Moçambique. Foi também um dos mais notáveis administradores coloniais. H
erói de Chaimite e de Gaza, durante as gloriosas campanhas de África (1894-1895), e um dos mais notáveis administradores coloniais. Entre outros postos, foi promovido a Tenente-Coronel e nomeado, a 28 de setembro de 1898, para o Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, Ajudante de Campo Efectivo do Rei D. Carlos I de Portugal, Oficial-Mor da Casa Real e Aio responsável pela educação do Príncipe Real D. Luís Filipe de Bragança. A sua posição crítica face à política e aos políticos da sua época, levaram a que fosse progressivamente ostracizado e envolvido num crescente clima de intriga. Foram-lhe atribuídas diversas condecorações em Portugal e no estrangeiro, como a Medalha da Rainha D. Amélia Moçambique 1894-1895 e Macontene 1897 e com os graus de Grande-Oficial da Real Ordem Militar da Torre e Espada, entre muitas outras. Foi ainda autor de algumas obras, umas publicados em vida outras postumamente. Mouzinho de Albuquerque terá preparado minuciosamente a sua morte, suicidando-se no interior de um coupé, embora algumas fontes atribuam a morte a homicídio.

 
 
1969 - Estreia na RTP o programa "Conversas em Família", da responsabilidade de Marcello Caetano, Presidente do Conselho de Ministros de Portugal.



1983 - O PS termina a reunião da Comissão Nacional, com a reivindicação de eleições gerais antecipadas e um programa fiel à social-democracia, deixando o "marxismo na gaveta".

1996 - O presidente português, Mário Soares, visita oficialmente Angola.

2001 - Iniciam-se as emissões regulares do canal noticioso de TV português SIC Notícias.
 
 
 
2003 - Morre José Maria Viana Dionísio, conhecido por José Viana (Lisboa, Portugal, 6 de dezembro de 1922 - Lisboa, Portugal, 8 de janeiro de 2003), aos 80 anos. Foi actor e artista plástico português, figura determinante da comédia e dos "anos de ouro" do teatro de Revista em Portugal. Em 1942, com 19 anos e sem curso ou emprego fixo, José Viana começou a fazer ilustrações para jornais e revistas, iniciando, simultaneamente, uma actividade relacionada com a publicidade. Pouco tempo depois foi trabalhar para a Bertrand & Irmãos, onde foi retocador de fotolitos. Teve a oportunidade de fazer publicidade cinematográfica na Companhia Sonoro Filme. Enquanto mantinha este emprego, José Viana dedicava-se à pintura, que praticava no Círculo Artístico e Literário Mário Augusto. Por intermédio de um amigo, uma das aguarelas pintadas por José Viana chegou ao Parque Mayer, tendo sido oferecida a João Villaret. Este último quis conhecer o autor da pintura e, pouco tempo depois, José Viana começou a trabalhar como maquetista no Parque Mayer. O Teatro de Revista despertou o seu interesse. Em 1945, foi convidado para ser cenógrafo no Grupo Dramático da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul. A sua experiência como actor inicia-se como "Berzebu" no Auto da Lusitânia de Gil Vicente, a primeira personagem que encarnou enquanto actor amador. José Viana tem a sua estreia como actor profissional quando fez parte do elenco da peça "Um Chapéu de Palha de Itália" em 1949, peça posta em cena no Teatro Apolo. Iniciou-se como actor profissional com o nome artístico José Dionísio. Por volta de 1951 decide mudar em definitivo o seu nome artístico para José Viana, como ficaria conhecido. Em 1952 a crítica já considerava José Viana um actor de mérito. Dois anos volvidos integrou a companhia de teatro de Giuseppe Bastos, onde iniciou uma tournée por São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Desde então, entre pausas na sua carreira como actor e retornos, participou em varias produções de cinema, teatro e TV ao longo da sua carreia artística teatral que foi vasta. Dada a sua grande aptência para o Teatro de Revista, foi também autor nesta categoria de teatro. Foi um actor que se adaptou aos vários géneros de representação, passando por vários teatros portugueses e companhias teatrais. Como artista plástico expôs obras de pintura da sua autoria em Portugal e no estrangeiro. Foi agraciado ao longo da sua carreira com diversos prémios e distinções, a ultima em 1997 foi a de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
 
 

2008 - O Governo português decidiu ratificar/confirmar o Tratado de Lisboa da União Europeia por via parlamentar, afastando a opção de um referendo ao documento.
 
2009 - O Governo altera o regulamento do recenseamento militar, que deixa de ser feito de forma presencial, mas que passa a estender ao sexo feminino a obrigatoriedade de presença no Dia da Defesa Nacional a partir de 2010.

 
 
 





No Mundo
 
1642 - Morre Galileu Galilei, (Pisa, Itália, 15 de fevereiro de 1564 - Florença, Itália, 8 de janeiro de 1642) aos 77 anos. Foi um astrónomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata, personalidade fundamental na revolução científica como astrónomo, físico, matemático e filósofo. Ainda em criança, Galileu revelou capacidades raras, interessado em artes, realizou excelentes pinturas e, com grande habilidade manual fabricava brinquedos e engenhocas. Estimulado pelo pai, entrou para a Universidade de Pisa com o objectivo de estudar Medicina. Em 1585, Galileu Galilei resolveu abandonar os estudos de Medicina para se dedicar exclusivamente ao estudo da Matemática. Em 1589, foi convidado para leccionar Matemática na Universidade de Pisa, no entanto, depois de intrigas e disputas, com os adeptos de Aristóteles, Galileu perdeu o posto de professor. Em 1592, através da indicação do senado de Veneza, Galileu é nomeado para leccionar Matemática na Universidade de Pádua. Em Pádua Galileu estudou e desenvolveu o princípio da relatividade e fenómenos como a rapidez, a velocidade, a gravidade, a queda livre, a inércia e o movimento de projecteis, mas também trabalhou em ciência e tecnologia aplicadas. Nesse âmbito, descreveu as propriedades de pêndulos e "balanços hidrostáticos", inventou o termoscópio e várias bússolas militares, usou o telescópio para observações científicas de objectos celestes. As suas contribuições à astronomia observacional incluem a confirmação visual das fases de Vénus, a observação dos quatro maiores satélites de Júpiter, a observação dos anéis de Saturno e a análise das manchas solares. A defesa de Galileu do heliocentrismo e do copernicanismo foi controversa durante a sua vida, quando a maioria adoptava modelos geocêntricos, como o sistema ticônico. Mais tarde, Galileu defendeu as suas opiniões no "Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas Mundiais" (1632), que parecia atacar o papa Urbano VIII e, assim, alienou-o dos jesuítas, que até então o haviam apoiado. Foi julgado pela Inquisição, considerado "veementemente suspeito de heresia" e forçado a se retractar, passou o resto da sua vida em prisão domiciliar. Enquanto estava preso, escreveu a obra “Duas Novas Ciências”, na qual resumiu o trabalho feito, cerca de quarenta anos antes, nas duas ciências actualmente designadas cinemática e força dos materiais. Foi autor de diversas obras, entre elas destaque para "La Bilancetta" (1586), "De Motu Antiquiora" (c. 1590), "Le mecaniche" (c. 1600), "Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo" (1632), "Discorsi e Dimostrazioni Matematiche, intorno a due nuove scienze" (1638), entre muitas outras obras. Com frequência é referenciado como "pai da astronomia observacional", "pai da física moderna", "pai do método científico" e "pai da ciência moderna". Só em 31 de outubro de 1992 a Igreja Católica, através do papa João Paulo II, reconheceu o erro cometido com a condenação de Galileu Galilei.

 
 
1889 - Herman Hollerith patenteou a sua máquina de tabulação, que foi usada pela primeira vez para compilar dados de um recenseamento.
 
 
1912 - É constituído o Congresso Nacional Africano, na África do Sul, na cidade de Bloemfontein, com a proposta de advogar os direitos da população negra do país.
 
1918 - O presidente Woodrow Wilson, dos EUA, apresenta as 14 medidas para a paz mundial, entre os quais a criação da Sociedade das Nações.
 
 

1923 - A França começa a ocupação militar do Vale do Ruhr, na Alemanha.
 
1926 - Após a expulsão do rei Hussein, Ibn Saud torna-se rei de Hejaz e muda o nome do reino para Arábia Saudita.

1935 - Nasce Elvis Aaron Presley (East Tupelo, Mississípi, EUA, 8 de janeiro de 1935 - Memphis, Tennessee, EUA, 16 de agosto de 1977). Virá a ser um famoso músico, cantor e actor norte-americano, mundialmente denominado como Rei do Rock. 
Quando tinha 13 anos de idade mudou-se com a família para o Memphis, no Tennessee. Participava no coro da igreja evangélica local e recebeu influência dos  blues. Aprendeu a tocar guitarra e participou em concursos de música na sua cidade. Em 1953, concluiu os estudos secundários, mas nas horas vagas, cantava e tocava guitarra e, eventualmente, arriscava alguns acordes ao piano. A sua carreira musical começou em 1954, gravando na Sun Records com o produtor Sam Phillips, que queria levar o som da música afro-americana para um público mais amplo. Em 1954 Elvis Presley gravou o seu primeiro disco, um compacto com as músicas "That's all right" e "Blue Moom of Kentucky". As suas apresentações encantavam as plateias. Em 1955, foi contratado pela editora RCA Victor e surgem os seus novos sucessos "Mystery Train" e "Baby Let's Play House". Nas suas apresentações em programas de rádio e televisão fascinava o público. Em 1956, Elvis Presley apresentou-se no programa de televisão dos irmãos Dorsey e logo o seu álbum "Heartbreak Hotel" alcançou num ano a marca de nove milhões de cópias vendidas. Em novembro de 1956, Elvis Presley fez a sua estreia no cinema no filme "Love Me Tender", um grande sucesso de bilheteira. Elvis Presley fundou uma nova era e estética de música assim como cultura populares, consideradas, hoje, "cults" e primordiais, mundialmente. As suas canções e álbuns transformam-se em enormes sucessos e foram vendas recordes em todo o mundo. Elvis Presley tornou-se o primeiro "mega star" da música popular, inclusive em termos de marketing. Dotado de um estilo vocal muito próprio, desde o inicio da sua carreia os sucessos foram-se sucedendo, tendo sido considerado por muitos como figura central no desenvolvimento do género musical rockabilly. Após a sua morte em Memphis, oito milhões de cópias dos seus discos esgotaram em apenas cinco dias. Graceland, a sumptuosa mansão do cantor em Memphis, onde também está sepultado num jazigo, ainda hoje é local de peregrinação dos seus admiradores. Foram muitos os sucessos da sua carreira musical, passando também pelo cinema e televisão. De entre os seus temas musicais mais famosas destacam-se: “That's All Right”, “Love Me Tender”, “It's Now or Never” e “Kiss Me Quick”.



1940 - Em plena II Guerra Mundial são racionados em Inglaterra o açúcar e a manteiga.
 
1941 - Morre o inglês Robert Baden-Powell, (Londres, Inglaterra, 22 de fevereiro de 1857 - Nyeri, Quénia, 8 de janeiro de 1941), aos 84 anos. Foi um tenente-general do Exército Britânico e fundador do Escutismo. Aos 19 anos, Baden-Powell terminou os estudos na Escola Charterhouse. Além de uma carreira excelente no serviço militar, chegou a capitão aos vinte e seis anos, ganhou o troféu desportivo mais desejado de toda a Índia, o troféu de "sangrar o porco", caça ao javali selvagem, a cavalo, tendo como única arma uma lança curta. Teve uma carreira militar notável, principalmente na África e na Ásia, e foi considerado herói nacional aquando do cerco a Mafeking na guerra dos Boéres, na África do Sul (1899-1902). A partir de 1907 dedicou-se ao desenvolvimento do escutismo, que rapidamente conheceu divulgação mundial. Os princípios básicos estabelecidos por Baden-Powell visam desenvolver o sentido de aventura e, ao mesmo tempo, de responsabilidade, aprender a agir e a ser auto-suficiente através da experiência e, não menos importante, promover o relacionamento entre crianças e jovens de várias idades, para que desta forma possam aplicar uma das leis fundamentais do escutismo: "fazer o bem". Escreveu uma obra célebre sobre o escutismo, o primeiro publicada em capítulos e meses mais tarde compilada em livro, intitulada "Scouting for boys" (1908). 

1942 - Nasce Stephen William Hawking (Oxford, Inglaterra, 8 de janeiro de 1942). Virá a ser um físico teórico e cosmólogo britânico, reconhecido internacionalmente pela sua contribuição à ciência, sendo um dos cientistas de maior renome do século. Edward. Stephen Hawking sempre foi interessado por ciências, estudou na St Albans High School for Girls entre 1950 e 1953. Foi um bom aluno, mas não era considerado excepcional. Em 1959, entrou na University College em Oxford, onde pretendia estudar matemática. Por não estar disponível essa área na universidade, optou então por física, formando-se em 1962. Os seus principais interesses eram termodinâmica, relatividade e mecânica quântica. Obteve o doutorado na Trinity Hall em Cambridge em 1966, de onde era um membro honorário. Depois de obter o doutoramento, passou a ser pesquisador e, mais tarde, professor no Gonville and Caius College. Depois de abandonar o Instituto de Astronomia em 1973, Stephen Hawking entrou para o Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica tendo, entre 1979 e 2009, ano em que atingiu a idade limite para o cargo, ocupado o posto de professor lucasiano de Matemática emérito da Universidade de Cambridge. Em 1963, Stephen Hawking foi diagnosticado com uma forma de início precoce da doença neuronal motora (MND; também conhecida como esclerose lateral amiotrófica "ALS" ou doença de Lou Gehrig) que o paralisou gradualmente ao longo das décadas, mas não o impedindo de trabalhar na sua área. Os seus trabalhos científicos incluem um teorema sobre a singularidade gravitacional no âmbito da relatividade geral (em colaboração com Roger Penrose) e a previsão teórica de que os buracos negros emitem radiação, frequentemente chamada "Radiação de Hawking". Stephen Hawking foi o primeiro cientista a estabelecer uma teoria da cosmologia explicada pela união da teoria geral da relatividade e da mecânica quântica. Stephen Hawking produziu algumas teorias fundamentais da física moderna. A mais célebre é o teorema de singularidade. Supõe a existência de um ponto com força gravitacional no centro dos buracos negros capaz de atrair qualquer coisa (similar ao acumulo de energia infinita que deu início ao Big Bang). Pouco antes de falecer, director de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica (DAMTP) e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge. Em 9 de janeiro de 1986, foi nomeado pelo papa João Paulo II membro da Pontifícia Academia das Ciências. Em 1993 participou num episódio da série "Star Trek: The Next Generation", numa cena em que é um holograma, conjuntamente com Newton e Einstein, jogando cartas com o personagem. Fez algumas participações em "The Simpsons", "Futurama", "Dexter's Laboratory", "The Fairly OddParents", "Family Guy". Recentemente fez uma participação numa publicidade do Discovery Channel. Stephen Hawking escreveu diversas obras, entre elas, "Buracos Negros, Universos Bebés e outros ensaios" (1993), "O Universo Numa Casca de Noz" (2001), "A Teoria de Tudo: A Origem" (2002), "O Grande Projecto" (2010), e o livro de memórias, "Minha Breve História" (2013), entre outras. Stephen Hawking morreu em Cambridge, Inglaterra a 14 de março de 2018. Até à sua morte recebeu vários prémios, títulos, medalhas e homenagens.


1959 - Charles de Gaulle é proclamado presidente da V República Francesa e Michel Dedré passa a chefiar o Executivo.

1959 - Fidel Castro, líder da revolução cubana, entra vitorioso em Havana e assume o poder do governo de Cuba após o derrube de Fulgêncio Batista.
 
 

1974 - As forças do Vietname do Norte tomam a capital do Cambodja, Phnom Penh.
 
1976 - Morre  Chou-en-Lai (Huai'an, Jiangsu, China, 5 de março de 1898 - Pequim, China, 8 de janeiro de 1976), aos 78 anos. Tendo sido um proeminente líder politico do Partido Comunista Chinês foi uma das figuras mais próximas do Presidente Mao Zedong, personagem crucial na ascensão e consolidação do Partido Comunista no poder. Foi  Primeiro Ministro da China e actuou como chefe de governo entre outubro de 1949 até à sua morte.
 
 

1978 - Richard Turner, destacado oposicionista do apartheid na África do Sul, é morto a tiro.

1980 - Em plena Guerra Fria os EUA expulsam 17 diplomatas soviéticos.
 
1989 - A URSS anuncia a destruição das armas químicas.



1991 - Escalada para a Guerra do Golfo, o presidente norte-americano George Bush pede aos aliados para não aceitarem compromissos com o Iraque.
 
1996 - Morre François Mitterrand (Jarnac, Charente, França, 26 de outubro de 1916 - Paris, França, 8 de janeiro de 1996), aos 79 anos. Foi um político francês, que  durante 14 anos foi presidente da Republica Francesa. É no período da sua presidência que foi abolida a pena de morte em França, no ano de 1981.

2002 - Morre Aleksandr Mikhailovich Prokhorov (Atherton, Austrália, 11 de julho de 1916 - Moscovo, Rússia, 8 de janeiro de 2002), aos 85 anos. Foi um físico soviético, nascido na Austrália, filho de emigrantes russos que regressaram à URSS em 1923. Em 1964 é Prémio Nobel da Física por trabalhos fundamentais da electrónica quântica e um dos precursores da tecnologia laser.
 


2006 - A National Society of Film Critics, que reúne críticos de cinema norte-americanos, elege "Capote", de Bennet Miller, o melhor filme do ano de 2005.

2007 - O islamita marroquino Mounir al Motassadeq, declarado culpado de cumplicidade nos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, é condenado a 15 anos de prisão pelo Tribunal de Hamburgo.

2007 - Morre Iwao Takamoto (Los Angeles, EUA, 29 de abril de 1925 - Los Angeles, EUA, 8 de janeiro de 2007), aos 81 anos. Foi cartunista, produtor e realizador de televisão norte-americano de ascendência japonesa, criador das personagens animadas Scooby-Doo e Muttley nos estúdios Hanna-Barbera.
 


2007 - Morre Yvonne De Carlo (Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, 1 de setembro de 1922 - Los Angeles, Califórnia, EUA, 8 de janeiro de 2007), aos 84 anos. Foi uma actriz canadiana que fez carreira em Hollywood, contracenou com Charlton Heston no filme épico "Os Dez Mandamentos" de 1956. A sua carreira artística começa em 1945, passando pelo cinema e TV, termina em 1995.

2011 - Um ataque ocorrido no Arizona, Estados Unidos, atinge a tiro na cabeça a congressista democrata Gabrielle Giffords e causa seis mortos e 12 feridos.
 
 
 
2011 - Morre o francês John William de seu verdadeiro nome Ernest Armand Huss (Grand-Bassam, hoje Costa do Marfim, África, 9 de outubro de 1922 - Antibes, França, 8 de janeiro de 2011), aos 88 anos. Foi cantor, intérprete do "Tema de Lara" do filme "Doutor Jivago" de David Lean (1965), entre outros sucessos entre 1960 e 1970.

 
 

 
 
 

Texto:
Paulo Nogueira




quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

EXPRESSÕES POPULARES...

 




Muitas das expressões populares que utilizamos no dia-a-dia, têm uma razão de ser e por vezes significados que assentam em factos históricos, quer da nossa cultura quer da cultura mundial. Existem aquelas expressões muito portuguesas assim como outras traduzidas. Estas expressões acabaram por se enraizar na linguagem do dia-a-dia, de Norte a Sul do país, sendo usadas sem que se saiba por vezes a sua origem. As suas origens são controversas mas fundamentam-se em alguns factos, uns mais curiosos que outros, que aqui se irão relatar.


"Rei morto rei posto" é uma expressão popular da língua portuguesa, utilizada no contexto político quando há a necessidade imediata de substituir um governante por outro, sem que haja um grande período de vacância de poder, ou quando alguém de determinada importância, quer sentimental quer de cargo superior, é substituída rapidamente por outra por morte ou demissão. Esta é uma frase comum também em países como o Reino Unido e França; "Le roi est mort, vive le roi!", na tradução para o francês, assim como na língua inglesa, "The king is dead. Long live the king!" ("O rei está morto. Longa vida ao rei!"), e é normalmente proclamada tradicionalmente quando um novo monarca sobe ao trono.


Como exemplos:


" O primeiro ministro demissionário já tem substituto, foi rei morto rei posto!"


" Ela mal enviuvou não perdeu tempo em casar novamente, foi rei morto rei posto."

 

Existem várias teorias de como teria surgido esta expressão, sendo a mais aceite baseada numa clássica história da mitologia grega. De acordo com a lenda, o herói Teseu teria usado esta expressão quando derrotou o Minotauro (criatura mística, metade touro e metade homem) e Minos, o rei lendário de Creta. Imediatamente após derrotar Minos e a criatura monstruosa existente no labirinto do palácio de Knossos em Creta, Teseu herdou o trono de Minos, o amor da esposa viúva e a adoração do povo de Creta. Assim, o "rei morto" do famoso ditado popular seria uma referência a Minos. Esta lenda está, inclusive, narrada no famoso livro "Rei Morto, Rei Posto" (The King Must Die, no seu título original), da escritora britânica Mary Renault (1905 - 1983). Muito embora sendo uma expressão mais comum no âmbito político, "rei morto rei posto", também pode ser utilizada em diversos contextos em que envolva a substituição de alguém de algum cargo ou função, assim como numa relação sentimental, por outra pessoa num curto período.

 

Representação de Teseu lutando com o Minotauro (arq. priv.)
                                                   


                                                           Teseu mata o Minotauro no centro do labirinto, mosaico de 300 a 400 d.C.
                                                                                    (col. Museu Kunsthistorisches, Viena, Áustria)


                                                                           Representação do rei lendário grego Minos (col. priv.)


                                                          Representação do que terá sido o palácio de Knossos em Creta (arq. priv.)



                               Sala do trono do rei Minos no palácio de Knossos, no Labirinto de Creta, Grécia (arq. priv.)



                                                   Ruínas do pórtico norte do palácio de  Knossos em Creta, Grécia (arq. priv.)
 


Iluminura representando a morte do rei São Luís de França (col. priv.)
 
 
Coroação de Filipe III de França, sucessor de São Luís no trono
 francês iluminura em Grandes Chroniques de France,
século XIV-XV (col. priv.)





"Guardado a sete chaves" é uma expressão popular da língua portuguesa, utilizada no sentido de algo que está muito bem protegido ou um segredo muito bem guardado por alguém. Na língua inglesa, a mesma expressão "guardar a sete chaves" não possui uma tradução literal, mas pode ser substituída pela frase "2 under lock and key", que possui um significado semelhante ao da expressão popular em português.

 
Como exemplos:


"Existem peças muito valiosas naquela casa mas está tudo guardado a sete chaves."

 
"Estou a pensar em mudar de casa, mas tem de guardar este segredo a sete chaves!"

 

Segundo algumas teorias esta expressão terá incorporado o número sete pelo facto de ter um significado cabalístico e místico para algumas religiões antigas, principalmente entre os babilónicos e egípcios. Assim, algumas antigas religiões do chamado Crescente Fértil, realizavam rituais de adoração aos sete planetas conhecidos até então. As referências ao número sete, são numerosas: 7 dias da semana, 7 colinas de Roma, 7 cores do arco-íris, 7 pecados mortais...
A palavra "chave" vem do latim "clavus" que queria dizer "prego", dado que inicialmente as primeiras fechaduras que foram usadas em Roma consistiam em duas argolas, uma em cada aba da porta, e entre elas passava um prego. O nome de prego "clavus", mudou ligeiramente para "clavis" que originou a palavra "chave". Na própria narrativa bíblica, o número sete aparece várias vezes como meio de se referir à figura divina ou às acções executadas de forma perfeita. Durante a idade média, as cartas de testamento eram lacradas com sete selos e a formulação desses mesmos documentos também contava com a participação de sete testemunhas. De tal modo, quando dizemos que um segredo ou tesouro esta "guardado a sete chaves", rememoramos toda essa tradição simbólica conferida ao número sete. De acordo com outros registos históricos, esta expressão terá tido origem a partir de um hábito bastante comum entre a realeza de Portugal, durante o século XIII. Todas as jóias, documentos e demais objectos de importância para a Coroa Portuguesa eram guardados num baú especial (também designado de burra), que tinha três a quatro fechaduras diferentes. As quatro chaves, que abriam as fechaduras, eram entregues a quatro funcionários de grande responsabilidade do Reino, sendo necessário a presença dos quatro juntos para que o baú fosse aberto. Naquela época, este era considerado um dos modos mais seguros de se guardar os tesouros e informações secretas. Com o passar do tempo, o acto de guardar algo com várias chaves transformou-se em sinónimo de segurança. O número sete (em vez de quatro) passou a ser utilizado, na expressão popular, devido ao seu valor místico, passando assim a utilizar-se a expressão "guardar a sete chaves". 
Uma outra teoria para a origem desta expressão popular, terá a ver com o número de chaves e por conseguinte o número de portas e grades, que os presos na Cadeia Penitenciária de Lisboa (inaugurada em 1885), tinham desde a entrada naquele estabelecimento prisional até às celas e vice versa. Dai a derivação e se dizer também "estar fechado a sete chaves".


 

                                                                     Representação dos sete planetas da astrologia tradicional
                                                                                          in gravura rosacruz (col. pess.)


Os sete selos de São João simbologia mítica numerológica do Apocalipse (col. pess.)
                                                                                                  
                                                                     

                                                  Sete selos em documento da época medieval (col. priv.)


    Representação em iluminura da Corte portuguesa no séc. XIII com o rei Afonso X, "O Sábio" (col. priv.)


 Pequeno baú designado de burra com três chaves idêntico aos usados no séc. XIII (col. priv.)
                        



                                Aspecto da fachada da Cadeia Penitenciária de Lisboa em meados de 1900 (arq. AML)


                                                                                    Corredor de acesso ao corpo das celas
                                                                                          da Cadeia Penitenciária de Lisboa
                                                                                                      em 1900 (arq. AML)


As várias portas ou grades da Cadeia Penitenciária de Lisboa (arq. priv.)
                            


                                                  As sete chaves simbólicas de algo bem guardado e em segredo (arq. pess.)


 
                                                                 



Texto:
Paulo Nogueira


 
 Fontes e bibliografia:
SANTOS, António Nogueira, Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas, Edições João Sá da Costa, Lisboa
NEVES, Orlando, Dicionário das Origens das Frases Feitas, Lello & Irmãos Editores, Porto
 

 


 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A ORIGEM DA ÁRVORE DE NATAL EM PORTUGAL



 
As civilizações antigas que habitaram os continentes europeu e asiático no terceiro milénio antes de Cristo já consideravam as árvores como símbolos divinos. Cultivavam-nas e realizavam festivais em seu favor, essas crenças ligavam as árvores a entidades mitológicas. A sua projecção vertical desde as raízes fincadas no solo, marcava a simbólica aliança entre os céus e a mãe terra. Na Assíria, a deusa Semiramis havia feito uma promessa aos assírios, de que quem montasse uma árvore com enfeites e presentes em casa no dia do seu nascimento, ela iria abençoar aquela casa para sempre. Entre os egípcios, o cedro era associado a Osíris. Já os gregos associavam o abeto a Átis, o loureiro a Apolo, a azinheira a Zeus. Os povos germânicos colocavam presentes para as crianças sob o carvalho sagrado de Odin. Nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos tinham por hábito cortar pinheiros que levavam para seus lares enfeitando-os de forma muito semelhante ao que faz nas actuais árvores de Natal. Também muito utilizados durante os solstícios de inverno, as guirlandas eram símbolos de bênção dos ambientes, a tradição do seu uso permaneceu durante a Roma antiga.
Durante vários séculos foi proibido o corte de árvores no Natal, por ser associado a costumes pagãos, apesar disso a tradição nunca morreu. Considera-se que a primeira árvore de Natal foi decorada em Riga, na Letónia em 1510. A árvore de Natal é considerada por alguns como uma "cristianização" de tradições e rituais pagãos em torno do solstício de inverno, que incluía o uso de ramos verdes, além de ser uma adaptação de adoração pagã das árvores. Outra versão sobre a procedência da árvore de Natal, indica a Alemanha como país de origem, uma das mais populares versões, atribui a novidade a Martinho Lutero (1483 - 1546), autor da Reforma Protestante do séc. XVI. Conta a lenda que por volta de 1530, olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza do que tinha visto, decidiu arrancar um galho para levar para casa e colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Decorando-o um pouco mais com papéis e enfeites coloridos. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmados ao verem aquela árvore iluminada a quem parecia terem dado vida. Nascia assim a árvore de Natal. Queria, desta forma, mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Jesus. Esta tradição foi levada para o continente americano mais tarde por alguns alemães, que foram viver para os EUA durante o período colonial assim como pelas influências britânicas do século XIX. 



Árvores como símbolos divinos seculares (arq. pess.)



                                                        Divindades pagãs da antiguidade (arq. pess.)


Representação da comemoração do Natal junto à árvore da vida
pelos povos assírios (arq. priv.)
 



Carvalho secular alusivo à árvore da vida nas comemorações pagãs (arq. priv.)


                                                                    Representação de celebrações pagãs no tronco de carvalho
                                                                                              dedicado a Ódin (col. pess.)


                                           Tradicional guirlanda com arbustos silvestres da época de Natal
                                                                                     usado desde a antiguidade (arq. pess.)



A árvore de Natal brilhante e estrelado que na lenda Martinho Lutero terá visto (arq. priv.)
 
         
                                                           Martinho Lutero 1483 - 1546 (col. priv.)


Comemorações do Natal germânico em família, inspirado na lenda luterana junto à árvore (col. pess.)
 


Postal ilustrado de finais do séc. XIX com alusão
 à árvore de Natal (col. pess.)




Até meados do século XIX, a tradição do Natal, em Portugal, tinha como centro a figura do Presépio. A tradição da árvore de Natal, é trazida para Portugal por Ferdinand von August Franz Anton von Sachsen- Coburg-Gotha-Koháry, que viria a ser o rei consorte D. Fernando II de Portugal (1816 - 1885), de origem alemã, em meados do séc. XIX. Em 1836, a rainha D. Maria II de Portugal (1819 - 1853), casou-se com D. Fernando II, o Rei-Artista. D. Fernando, além de se dedicar à pintura e à música, foi mecenas mandando restaurar vários monumentos históricos em Portugal nomeadamente o palácio da Pena em Sintra. Sendo D. Fernando II, nostálgico das tradições da sua infância, resolveu um dia fazer no palácio da Pena em Sintra uma árvore de Natal, em pinheiro nórdico com aproximadamente 1,20 a 1,50 cm de altura, colhido na Serra de Sintra, para os sete filhos que tinha com a rainha D. Maria II e distribuir presentes vestido de São Nicolau. Este rei possuía vários talentos, entre os quais a pintura e o desenho. Mas, pelos vistos, também as artes decorativas, pois as suas árvores de Natal fizeram história. Isto pode ter marcado os costumes em Portugal, pois esta decoração era originária do mundo germânico e só praticado pelos nobres. Com o seu primo Alberto, tinha passado a infância comemorando o Natal segundo a velha tradição germânica de decorar um pinheiro com velas, bolas e frutos da época como maçãs, peras e romãs. Por isso, quando começaram a nascer os seus filhos com D. Maria II, de referir que a rainha teve 11 gravidezes, mas só sete crianças sobreviveram, e a própria D. Maria morreu aos 34 anos, no parto do 11.º filho, D. Fernando decidiu animar o palácio com um Natal de tradições germânicas. "Nada, nem o ar amuado de D. Pedro (o primogénito e futuro rei D. Pedro V), conseguia estragar as festas de Natal", escreve Maria Filomena Mónica em O Filho da Rainha Gorda - D. Pedro V e a sua mãe, D. Maria II, conto que escreveu inicialmente para os netos, e continua nesta sua narrativa; "Na Alemanha, onde havia grandes florestas, era costume montar-se, nessa época, uma árvore, enfeitada com flores, bonecos e bolas. Em Portugal, o uso era antes o presépio, com o Menino Jesus nas palhinhas. Em 1844, D. Fernando resolveu fazer uma surpresa à família. Colocou em cima da mesa um pinheirinho, pondo ao lado os presentes." Um exemplar desta primeira pequena árvore de Natal foi recriado ao detalhe recentemente no Palácio Nacional da Pena, para recordar esse marco importante nas tradições natalícias em Portugal.



Presépio português em madeira policromada de finais do séc. XVIII (col. Museu de Aveiro)
 


                                                   Rei D. Fernando II de Portugal 1816 - 1885 (col. priv.)


                                                     Rainha D. Maria II de Portugal 1819 - 1853 (col. priv.)



A Sintra romântica, por Domingos Schiopetta, 1829 (col. priv.)


Palácio da Pena, Sintra em meados dos séc. XIX, por João Pedro Monteiro (col. pess.)
  


Comemorações natalícias em família e a primeira árvore de Natal em Portugal, em 1848,
pelo rei D. Fernando II (col. Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa)
      


                                    Recriação na actualidade primeira árvore de Natal em Portugal e sala natalícia de D. Fernando II, 
                                                             no palácio da Pena, em Sintra (col. Palácio Nacional da Pena, Sintra)




Desde então no Natal, D. Fernando II passou a mandar decorar um abeto com velas, laços e bolas de vidro transparente, que era colocado, em cima de uma mesa, na sala de estar privada da Família Real, no Palácio das Necessidades. Também se costumavam colocar na árvore já decorada, algumas guloseimas (chocolates, maçãs, romãs e saquinhos de celofane com frutas cristalizadas). No dia 24 à noite, o rei vestia-se de São Nicolau e ele próprio entregava os presentes que trazia dentro de um grande saco, aos seus filhos. Todo esse ambiente natalício do rei D. Fernando e da sua família, pode ser apreciado em duas gravuras e água-forte da sua autoria. O original de um deles de 1848, representando-se a si próprio como Pai Natal, rodeado de sete crianças (seus filhos e da Rainha de Portugal D. Maria II) pode ser apreciado no Palácio Nacional da Ajuda. Mas o que é significativo na imagem é o facto de, segundo se crê, ela ser a primeira representação de uma árvore de Natal em Portugal.
Numa destas gravuras alguns dos principezinhos espreitam por detrás de uma cortina. Um outro, mais velho, está sentado numa cadeira, rindo, com as pernas no ar. Há um que parece tapar os olhos, como quem espera uma surpresa, e as duas meninas espreitam para dentro de um dos sacos da figura vestida de escuro que ocupa o centro da gravura. Ao fundo, sobre uma mesa, está, toda enfeitada, uma árvore de Natal. Num outro desenho mais antigo de D. Fernando II, de 1844, numa representação mais calma e contemplativa, podemos ainda imaginar o que seriam os presentes dos príncipes, que mostra o príncipe D. João, pequenino, com uma camisa de noite comprida e segurando um cavalinho de brincar na mão, a olhar para uma mesa enfeitada com a árvore de Natal, e rodeado de bonecos, um tambor, um estábulo com animais, um soldado de chumbo montado num cavalo. O Natal deixava de ser apenas uma festa religiosa e passava a ser uma festa das crianças. Os nobres, primeiro, e o povo, depois, vendo os hábitos da família real, entre os quais a tradição da árvore de Natal, começam a imitá-los. A rainha ficava encantada com todo este ambiente. Nas cartas que escrevia à sua prima, a rainha Vitória, falava com entusiasmo dos preparativos para a festa de Natal, que seria, aliás, muito semelhante à que Vitória (que tinha casado com Alberto) organizava no Castelo de Windsor, em Inglaterra. De referir que em Inglaterra, a rainha Vitória encantava-se com a mesma tradição, trazida pelo seu marido, Alberto, primo de D. Fernando.
A propósito deste tema, é interessante notar que, no mesmo ano de 1848, em Inglaterra, uma ilustração com a família real inglesa em Windsor, junto à árvore de Natal, é publicada no jornal The Illustrated London News. Foi assim que pela mão dos dois primos germânicos nascia a festa de Natal como a conhecemos hoje neste dois países, generalizando-se por toda a Europa e um pouco por todo o mundo.



                                                         Rei D. Fernando II de Portugal 1816 - 1885
                                                                                         (col. Palácio Nacional da Pena, Sintra)
                                                                                          

                                              Desenho do rei D. Fernando II com árvore de Natal em 1844
                                                                                    (col. Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa)


Desenho elaborado pelo rei D. Fernando II de Portugal alusivo às suas comemorações de Natal em família,
em 1848 (col. Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa)



                                  Aspecto das comemorações do Natal na casa real inglesa no século XIX (col. priv.)


Páginas do jornal The Illustrated London News, alusivo ao Natal da família real inglesa
no castelo de Windsor em 1848 (col. priv.)



Comemorações do Natal victoriano junto à árvore em meados do século XIX (col. Boston Public Library)




Em quase todos os países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para decorar casas e outros ambientes. Em conjunto com as decorações natalícias, as árvores proporcionam um clima especial neste período. Nas encenações diante das igrejas colocavam-se nas árvores maçãs para lembrar da história de Adão e Eva no paraíso. Mais tarde, as maçãs foram substituídas pelas bolas de vidro, um artesão soprador de vidro da cidade de Lauscha, no leste da Alemanha, inventou no séc. XIX os adereços em vidro colorido para decorar a árvore de Natal. Assim nasceram as bolas usadas até hoje como decoração. Talvez esta tradição trazida para Portugal pelo rei consorte D. Fernando tenha sido o primeiro passo para que o Natal em Portugal tenha deixado de ser uma festa exclusivamente religiosa e tenha passado a ser também uma festa da família. Mas a grande divulgação da árvore de Natal em Portugal, deu-se no século XX, mais propriamente na década de 60, devido à revolução nos meios de informação e comunicação, como a televisão, altura em que, também, a figura do "Pai Natal" começou a "ganhar terreno" ao Menino Jesus – única verdadeira razão pela qual se celebra o Natal, pois Natal significa nascimento; neste caso, é a celebração do nascimento de Jesus. Também as decorações natalícias se adaptaram aos nossos e costumes. Devido à grande proliferação de pinheiros mansos e bravos em Portugal, estes passam a ser adoptados durante muitas décadas para fazer a tradicional árvore de Natal no nosso país. A árvore de Natal é um hábito que se generalizou a um grande número das famílias portuguesas, os elementos pagãos superaram de alguma forma as figuras do presépio que inicialmente marcavam o Natal português, embora por tradição se juntem nas decorações natalícias. Em Portugal, é costume montar a árvore de Natal no dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal. No dia 6 de janeiro, comemora-se o Dia de Reis, data que assinala a chegada dos três reis magos a Belém, encerrando a magia do Natal. Uma outra tradição do Natal é a decoração de casas, edifícios, elementos estáticos, como postes, pontes e árvores, estabelecimentos comerciais, prédios públicos e cidades com elementos que representam o Natal, como, por exemplo, as luzes de Natal. Havendo em algumas zonas até uma competição para ver qual casa, ou estabelecimento, teve a decoração mais bonita, com direito a receber um prémio. Para além das tradicionais árvores de Natal, passando pelas mais simples até às mais sofisticadas, elas são feitas dos mais diversos tipos de materiais, decorações e estilos, acompanhando as tendências, modas e a imaginação de cada um. Na actualidade o Natal é associado ao consumo, às festas, à família, ao convívio, à árvore de Natal e aos presentes. Na maior parte dos casos, a religião fica em segundo plano ou nem é celebrada por muitos, mas o espírito de Natal, esse não se perde.

 

Tradição da árvore de Natal decorada com maçãs (col. pess.)



Representação da árvore de Natal em família, por Viggo Johansen em 1891 (col. priv.)
                        


Caixa com antigas bolas de Natal em vidro decorativas
do início do séc. XX
 (col. pess.)


Bolas e lanterna decorativas em vidro antigas de Natal (col. pess.)



                                       Decoração em árvore de Natal com bolas de vidro e velas (arq. priv.)



                                                                   Cromo do final do séc. XIX juntando o pagão ao religioso,
                                                                                  a árvore de Natal e presépio (col. pess.)


 
Árvore de Natal tradicional dos anos 50 (arq. priv.)
 

 
 
Papel com decoração natalícia para chaminés, usado em Portugal nos anos 50 (col. priv.)

 
 
Árvore de Natal dos anos 60 e a influência da televisão (arq. priv.)
 
 
 
  Tradicional foto junto à árvore de Natal no início dos anos 70 (arq. priv.)

 
 
Árvore de Natal tradicional em pinheiro manso (arq. priv.)
 

                                              Árvore de Natal tradicional portuguesa em pinheiro bravo (arq. priv.)
 
 
Pequena árvore de Natal popular (foto Rafael Direitinho)
 
 
Árvore de Natal tradicional artística feita com um simples tronco (arq. priv.)
       

Diversos estilos e decorações de árvores de Natal (arq. priv.)
                                              


Tradicional árvore de Natal no exterior do Palácio Nacional da Pena
em Sintra, em pinheiro nórdico (arq. priv.)


                                        Árvore de Natal na Praça do Comércio em Lisboa de 2005 (arq. priv.)


                                          Árvore de Natal na Praça do Rossio de 2015 (foto Alexandre de Sousa)

 
 
Árvore de Natal 2015 (foto Paulo Nogueira)



Votos de um Santo e Feliz Natal.






Texto:
Paulo Nogueira



Fontes e bibliografia:
MÓNICA, Maria Filomena, O Filho da Rainha Gorda - D. Pedro V e a sua mãe, D. Maria II, edições Quetzal Editores, 2008, Lisboa
Alexandre Prado Coelho in jornal Público, 2010